[Album Review] Taylor Swift – Reputation (ou Katycats que se cuidem! Será que o lado trevoso e venenoso de Taylor era só hype ou de fato ela trouxe um bom álbum pop pra lacrar 2017??)

Taylor Swift está se transformando na definição de metamorfose ambulante. No começo, era uma menininha country com quinze anos eternos. Depois ela fez vinte e dois anos e começou a lançar umas músicas mais pop. Aí, ela começou a ter suas próprias tretas e fazer músicas apocalípticas sobre isso. Agora, ela resolveu ser trevosa e bad bitch. Será que Taylor consegue entregar um Regina George realness?? Ou isso era só coisa do singles??

Tracklist:

  1. …Ready for It?
  2. End Game (feat. Ed Sheeran and Future)
  3. I Did Something Bad
  4. Don’t Blame Me
  5. Delicate
  6. Look What You Made Me Do
  7. So It Goes…
  8. Gorgeous
  9. Getaway Car
  10. King of My Heart
  11. Dancing with Our Hands Tied
  12. Dress
  13. This is Why We Can’t Have Nice Things
  14. Call It What You Want
  15. New Year’s Day

…Ready For It?, que era pra ser só um single promocional e acabou ganhando um clipe, já abre o álbum deixando claro que a Taylor que encontramos aqui é completamente diferente de todas as outras que já vimos. Não só pela dark persona que ela adota no clipe (com “livre inspiração” em Ghost in the Shell), mas também pelo som eletrônico mais pesado, mesmo que os gritinhos “let the games begin” no final pareçam adocicados demais para a batida. Talvez não funcione pra todo mundo como música isolada, mas como intro do álbum funcionou muito bem e já deixou claro o clima que ela tentará passar pra gente no decorrer das faixas.

End Game é outra música que logo logo vira single. Não pela qualidade da música em si, mas pelo feat apocalíptico com Ed Sheeran, o cara branco hétero ruivo que está melhor no ranking musical dominado por outros caras brancos héteros. Como se esperava pela própria introdução, o som continua mais pesado e dark, dessa vez um pouco mais suavizado, no estilo daqueles hits R&B dos anos 2000s de cantoras que gritavam feat. rappers. Não é memorável como a intro, mas nada que irrite os ouvidos.

Em I Did Something Bad, Taylor volta à paródia no estilo de Blank Space, um pouco menos escrachado e obviamente mais dark (com direito a sons de tiros no refrão), e dessa vez indo pro caminho do synthpop. O refrão literalmente gritado com os versos “They say I did something bad/ Then why’s it feel so good?” é a melhor parte da música e o melhor refrão do álbum até aqui.

O álbum dá uma desacelerada com Don’t Blame Me, mantendo a batida eletrônica mais pesada mesmo sendo uma baladinha. Apesar da voz dela estar bem sóbria e o refrão ser aquele tipo de coro gospel que me agrada, a música não me desceu justamente por ser Taylor Bad Girl cantando. Talvez se fosse a Dua Lipa, com sua voz efetivamente mais dark, daria para levar a música mais a sério, mas sendo a Taylor simplesmente não dá.

Delicate começa com um autotune pesado (que ela teria de usar se quisesse mesmo emular um som dark ao estilo dos anos 2000s, o que parece ser o objetivo), só que, ao invés de se transformar em uma faixa dance pop robotizada, fica numa batidinha house da modinha e tem todas as características de uma baladinha padrão da Taylor. Passo.

O polêmico lead single do álbum, Look What You Made Me Do, vem logo a seguir, e finalmente está explicada a razão da existência de uma intro lenta que parece musiquinha de ninar na faixa (que seria pra ligar com a sonoridade mais calma das duas últimas músicas). Sinceramente, eu gostei. Utilizar samples de I’m too Sexy e fazer uma música que pretende ser séria foi uma ideia genial justamente para não levarmos Taylor muito a sério, ainda mais com o clipe evocativo das tretas dela com Katy Perry e Kim Kardashian de mil anos atrás, só para justificar um conceito mais dark para o álbum. Mas, na minha humilde opinião, se não é para entender tudo como uma grande piada proposital, o lyric video ficou muito mais icônico e conseguiu transferir muito melhor o que a Taylor provavelmente queria para a música (que, no caso, é ser levada a sério).

Além disso, a melodia eletropop datada, gritando começo dos anos 2000s por toda a faixa, foi sensacional e um desvio feliz para a modinha house que parece nunca acabar nos States.

So It Goes… dá uma desacelerada novamente no álbum, tendo versos aesthetic com um refrão eletrônico da nossa década mesmo. Apesar de ser meio básica, a letra dá uma diferenciada na faixa, tornando mais memorável que as outras músicas mais lentas. E, dessa vez, Taylor consegue convencer como uma cantora mais trevosa do que realmente parece.

Só o comecinho com voz de bebê de Gorgeous já me deixou estranhado. Quando veio as batidinhas house e a voz açucarada da Taylor já tive vontade de excluir a música do meu computador. Nada a ver com o conceito do álbum, nem com o som nem nada. Próxima.

Getaway Car tem uma intro muito mais icônica, com uma voz cheia de autotune robotizada. Só que, assim como Gorgeous, começa uma batida house e a voz de Taylor está mais felizinha, sem contar o refrão em coro infantil. Funcionaria muito bem em um álbum de uma princesinha pop da Disney, aqui soa deslocada.

Com King of My Heart ficou sacramentado que o conceito trevoso, autotunado e eletropop dos anos 2000s foi esquecido pela própria Taylor, fazendo com que, estranhamente, as três últimas músicas combinem uma com a outra e tenham boas transições entre si, mas, dentro do que o álbum propõe, simplesmente não fazem o menor sentido.

Dancing With Our Hands Tied finalmente faz o álbum voltar aos eixos, com a volta da Dark Taylor, mesmo que a voz dela esteja mais adocicada em comparação às primeiras faixas, dessa vez apostando em um future bass. O título criativo que parece vindo de música da Sia ajuda bastante no apelo da música, e a letra dá uma ajudada também, com versos como, por exemplo, “deep blue, but you painted me golden” “you had turned my bed into a sacred oasis”.

Infelizmente, em Dress a Taylor Trevosa não pode gravar e temos de volta a Taylor Açucarada. Os “ha ha ha” ficaram legais no final dos versos e o fato de ela estar falando de sexo (sim, Taylor cresceu!) é notável, mas, novamente, não encaixa no contexto do álbum. E a batida está bem lugar comum para 2017. Tenho certeza que tem uma faixa bem parecida com essa no Revival da Selena Gomez…

This Is Why We Can’t Have Nice Things DE NOVO sai fora do conceito do álbum. Pelo menos dessa vez a música foi um pouco mais legal que as outras, principalmente por parecer uma música da Xuxa e, de jeito meio bizarro, falar sobre traição de amigos.

Call It What You Want me fez desistir de qualquer esperança de Taylor lembrar-se do conceito do próprio álbum. Um synthpop inofensivo, que ganha alguns pontos pela letra sincera de Taylor sobre as expectativas envolvendo os namorados/ex-namorados dela, mas nada que a salve da mesmice. Ou talvez eu só esteja decepcionado com a sucessão de músicas não-trevosas que o álbum está oferecendo mesmo…

O álbum termina com New Year’s Day, uma ótima música para fechar um álbum que não é esse. Se o álbum tivesse uma capa colorida, se os singles fossem popzinho de princesa da Disney ou se tivesse outra música dela cantando sobre a própria idade TALVEZ essa seria a música ideal para terminar esse álbum hipotético, mas, no caso de Reputation, é apenas a pior música de todo o álbum. Não por ser uma baladinha genérica sobre o feriado de ano novo, mas sim por NÃO TER ABSOLUTAMENTE NADA A VER COM O CONCEITO DO ÁLBUM. DE NOVO. Mesmo que pegando um pouquinho do estilo R&B do final dos anos noventa, a música é tão genérica que não tem como defender.

aquárioNão acredito nisso, mas Reputation me decepcionou muito. A falta de consistência que Taylor mostrou desde a sétima faixa do álbum foi tão grande que é como se ela tivesse simplesmente requentado melodias de álbuns antigos dela e colocado aí pra voltar ao mundo da música com um full album e não com um EP. Sinceramente, dá até medo de qual será o próximo single desse troço. No fim, não está tão ruim quanto o álbum da Katy Perry, mas de que isso adianta se, assim como Witness, só dá pra salvar umas cinco músicas de Reputation?

13 comentários em “[Album Review] Taylor Swift – Reputation (ou Katycats que se cuidem! Será que o lado trevoso e venenoso de Taylor era só hype ou de fato ela trouxe um bom álbum pop pra lacrar 2017??)

  1. Achei um álbum fraco, mas sou suspeita para falar porque rezo pelo retorno da Taylor Sertaneja de Speak Now. A moça era autêntica no seu jeitinho barbiezinha country, mesmo, gostava daquilo. Tay Tay não tem culhão para sustentar uma persona das trebas.

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    1. A impressão que eu tenho é que ela nem tentou de fato fazer uma persona das trevas além dos singles @.@’… Mas né? Vida que segue… Acho que a Taylor Sertaneja só volta se ela der uma de louca que nem a Miley fez esse ano com Recatada e Do Lar Concept lançando Malibu e Younger Now, mas esse não é muito o estilo dela de agir não ‘-‘

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  2. Nossa migo. Você não entendeu o conceito do álbum. Não sou fão da Taylor nem nada, mas está claro que a mudança de sonoridade da metade do álbum pro final foi proposital. O álbum conta a história de amor da Taylor com seu atual namorado. Começa com ela rebelde e preocupada que sua “reputação” interfira no seu novo affair. Ela acaba se apaixonando por Joe e acaba amolecendo essa pose de bad girl da Taylor mostrada na primeira parte do álbum devido á esse a novo amor. Tanto que a maioria das músicas são sobre Joe e o atual momento de Taylor e, não sobre relacionamentos que não deram certo como foi os antigos trabalhos da cantora

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    1. Hm… Faz sentido… Mas, ainda sim, se fosse para mudar gradualmente de som de decorrer do álbum, que desse alguma pista dessa dualidade sonora nos materiais promocionais e nos singles, né?? o.0′ Todo esse negócio de “a antiga Taylor está morta” foi meio balela se pegar essa parte do álbum @.@’ Acabei me decepcionando kkkk

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  3. cara muito verdadeeeeeee!! nao estava entendendo nada pq tipo começava de um jeito e terminava de outro muito bizarro quem entendeu esse album merece um premio , serião

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    1. Siiiim, não faz o menor sentido essa mudança de sonoridade no meio do caminho… Já tava esperando os batidão datado dos anos 2000 e me vem musiquinha sobre o Ano Novo?? @_@’

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  4. Taylor Swift não convence como bad girl, sei lá ela não tem jeito não, esse clipe dela da banheira de diamantes assisti de coração aberto e cabeça mas na metade da música deu vontade de desligar, sério. Esse outro clipe dela do incio também achei muito besta no refrão a intro dele tava bacana e pensei “nossa! Só quero ver na hora do refrão!” e quando chegou no decorrer eu fiquei decepcionada.
    Todos estavam comparando com o “álbum”, por conta das vendas, mas não gostei e nem achei isso tudo.

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    1. Também! Eu achei que o clipe com a banheira de diamantes não fez muito bem pra música, apesar de eu ter gostado… Eu não sei… Parece que ela não mergulhou de cabeça no conceito sabe? Imagina se ela pintasse o cabelo de preto e viesse nesse estilo toda gótica trevosa MESMO?! Seria incrível… mas não, ficamos com esse meio-termo decepcionante o.0

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