[Album Review] Namie Amuro – Sweet 19 Blues (ou A Saga da Diva Quase Aposentada Namie Amuro: Capítulo 1 – Os primeiros hit singles e os interlúdios conceituais)

ANTERIORMENTE EM A Saga da Diva Quase Aposentada Namie Amuro…  Vimos como Namie Amuro, uma das maiores divas do pop japonês, começou no girlgroup Super Monkey’s e acabou se destacando, virando a Nicole Scherzinger (a.k.a. ex-líder do Pussycat Dolls) do grupo. Agora, no segundo post da Saga, em que teremos reviews mensais de todos os doze álbuns dela até sua aposentadoria com o lançamento de seu 13º álbum no final de 2018, entramos na carreira solo de Namie propriamente dita, a partir do lançamento do álbum Sweet 19 Blues e sua ascensão a grande estrela na indústria musical japonesa.

Tracklist:

  1. watch your step!!
  2. motion
  3. LET’S DO THE MOTION
  4. PRIVATE
  5. Interlude ~ Ocean way
  6. Don’t wanna cry (Eighteen’s Summer Mix)
  7. Rainy DANCE
  8. Chase the Chance (CC Mix)
  9. Interlude ~ Joy
  10. I’ll JUMP
  11. Interlude ~ Scratch Voices
  12. i was a fool
  13. present
  14. Interlude ~ Don’t wanna cry Symphonic Style
  15. You’re my sunshine (Hollywood Mix)
  16. Body Feels EXIT (Latin House Mix)
  17. ’77~
  18. SWEET 19 BLUES
  19. …soon nineteen

O álbum foi praticamente inteiro produzido e escrito por Tetsuya Komuro, um dos produtores mais bem sucedidos da época e gerou cinco singles: Body Feels EXIT, Chase the Chance, Don’t Wanna Cry, You’re My Sunshine e a title track, SWEET 19 Blues. O álbum em si foi considerado o mais vendido do Japão até ser superado no mesmo ano pelo primeiro álbum da banda pop globe, também produzido por Komuro, sendo, até hoje, o álbum mais vendido de toda a carreira de Namie Amuro. Atualmente, é o 13º álbum mais vendido de toda a história do Japão.

Ele se inicia com a intro de quatro segundos watch your step!!, que é basicamente Namie falando “watch your step”, partindo depois para uma segunda intro, motion, em que temos gritos de coro de igreja sobre notas de teclado e uma batida contínua que parece alguém andando em chão de madeira. As duas faixas já dão um gostinho de como será o álbum, já que, das 19 músicas, OITO são interlúdios/intros, conferindo toda uma carga conceitual que afastou Namie da imagem de idol (que seriam aqueles artistas “controlados pelas gravadoras” e que lançam só produtos para a massa e não arte “de verdade”), que era associada a outros grandes atos com Ayumi Hamasaki, outra diva atemporal do pop japonês.

A primeira música de verdade começa com LET’S DO THE MOTION, que também poderia servir como intro do álbum, em uma batida contínua de acid house e vários raps feitos pela Namie, com um estilo evocativo do hip-hop que dominava o Estados Unidos no começo da década de 90. Apesar de cumprir uma boa função como introdução do álbum, isso meio que se perde com as duas intros que a antecedem, sem contar que depois que o terceiro minuto de música passa, ela já fica cansativa e parece longa demais.

PRIVATE, cujo remix apareceu em quatro propagandas diferentes de carros da Nissan, mantêm os raps de Namie sobre uma melodia oitentista com influências latinas e um acompanhamento de saxofone no refrão. Tanto os versos quanto o refrão funcionam melhor que a faixa anterior, mas o comprimento ainda maior com mais de cinco minutos deixam também deixa a impressão de que a música é cansativa e repetitiva.

Ocean way, o primeiro dos interlúdios, é um solo de violino clássico que imita o vai e vem das ondas do oceano, quebrando um pouco o clima hip-hop oitentista para entrarmos no som mais melódico de Don’t wanna cry, o primeiro dos singles de Namie que não temos as Super Monkey’s como back dancers, que também tinham sido contratadas pela Avex Trax apenas para este fim. Futuramente elas formaram o grupo MAX, sendo consideradas inciantes mesmo depois de estarem lançando singles desde 1992, já que o nome Super Monkey’s sem Amuro não tinha qualquer appeal no mercado. Dá dó delas, sério.

http://www.dailymotion.com/video/x7gbwu

Pra quem ainda é iniciante em pop japonês, é importante dizer que na indústria musicalDontwannacry.png nipônica, principalmente antes dos lançamentos digitais, era muito comum todos os singles dos álbuns aparecerem nos próprios como remixes. Isso porque os singles eram lançados como CDs/DVDs contendo o single e mais uma outra música, conhecida como b-side (porque o single com clipe e tudo mais seria a a-side), não fazendo sentido o consumidor comprar a exata mesma música de novo no álbum completo. Aqui, o remix de Don’t wanna cry não muda muito o R&B feat. coro de igreja da música original, o que é ótimo, já que o coro dá um diferencial tremendo na música, combinando com os gritos de Namie e tornando-a bem mais grudenta e divertida de cantar junto. Não é a toa que Don’t wanna cry ganhou o Grand Prix Award no Annual Japan Awards (é como se fosse a versão japonesa do prêmio de Música do Ano no Grammy Awards), fazendo de Namie a cantora mais jovem (na época ela tinha 19 anos), a levar o prêmio para casa.

Rainy DANCE mostra que o caráter conceitual do álbum não está apenas na forma de divulgação e na tracklist, com a intro da melodia sendo realmente o som de chuva caindo (rainy dance = danca chuvosa). Quando a música engrena, percebemos que se trata de um número de R&B com gritos suspirados, bem sóbrio para o que se espera de um álbum japonês mainstream da época, que insere novos elementos na melodia depois de cada refrão. Uma ótima álbum track, que inclusive se encerra com o mesmo barulho de chuva que começou, deixando a faixa bem redondinha.

Namie Amuro - Chase the Change single cover.pngAssim como o remix de Don’t wanna Cry, o remix de Chase the Chance  (quem quiser ver o clipe original, clique aqui, não consegui linkar o vídeo no post @_@’) apenas evidencia a batida techno na melodia, não afetando o resultado final de pop motivacional dançante da faixa, mantando o alto nível das faixas pós interlúdio do violino. O som é extremamente datado, ganhando hoje uma característica bem trash, fazendo-me lembrar, toda vez que Namie grita o refrão, de uma pose de um time super sentai no estilo Power Rangers. Pena que o clipe não é nesse estilo…

A seguir temos o próximo interlúdio, Joy, que mergulha fundo em um som funk de saxofones com um cara misterioso fazendo raps enquanto Namie fica nos gritinhos, que não combina em nada com a faixa anterior e nem com a próxima faixa, I’ll JUMP, a melhor album track de Sweet 19 Blues, que combina o som techno e house noventista com o coro de igreja característico ritmos mais sóbrios. A mistura pode parecer estranha, mas na música soa como se fosse extremamente natural, deixando o refrão em inglês cantado unicamente pelas back vocals com uma influência disco, diferindo-o de tudo no álbum sem soar deslocado.

Mais um interlúdio nos espera a seguir. Scratch Voices é Namie falando algo em japonês, mas passa tão rápido na tracklist (tem apenas quatro segundos, assim como a primeira intro) que nem parece existir se você não prestar atenção.

I was a fool traz um R&B com influências de jazz. O refrão cantado em inglês com gritos agudos do coro ficaram bem agradáveis e fizeram um bom contraponto com os versos em rap de Namie. Não chega a ser necessariamente marcante, mas também não tem pontos negativos.

Present começa estranhamente com tilintares de xilofone, dando a impressão que o clima relaxante de jazz será quebrado abruptamente. Nossa sorte é que isso dura menos de dez segundos e logo temos um saxofone para manter a consistência entre as faixas. A grandes questão é: a melhor parte da faixa é quando Namie para de cantar e dá espaço para o solo de saxofone @_@’ Isso porque claramente isso foi composto para ser uma baladinha sem sal nem açúcar, com as vozes agudas típicas desse estilo por cima, mesmo ganhando um instrumental interessante, quem diria??

O próximo interlúdio da lista, uma versão sinfônica de Don’t wanna cry, toda no violino, não chega aos pés de Ocean way, e nem faz muito sentido, já que as próximas faixas estão ligadas no 220.

http://www.dailymotion.com/video/x4gkvv

Youremysunshine.png

 

A primeira delas, o remix de You’re my sunshine (novamente não consegui linkar o vídeo do clipe original, clique aqui se quiser ver ^^), outro hit single que ocupou o primeiro lugar nos charts, dá uma carga bem mais eurobeat para o single desde o começo, aumentando não só o tempo da melodia como também a intensidade dos gritos e do coro, acabando com a progressão inesperada que tinha depois do primeiro refrão e com o solo de guitarra no meio da música. Tirando esse detalhe, o remix até que ficou mais impactante que a versão original, por incrível que possa parecer.

https://vimeo.com/183440478

Bodyfeelsexit.pngInfelizmente, isso não acontece sempre. O remix latino de Body Feels EXIT destruiu completamente a música, conferindo uma intro enorme e inútil de mais QUATRO MINUTOS focada em bongôs e pratos de bateria. É sério. O pior remix que já escutei em tempos, até porque não faz o menor sentido com o conceito mais R&B sóbrio do álbum. Meu conselho: nem perca seu tempo escutando esse troço e troque pela versão original, que foi primeiro single solo de Namie e figurou mais de vinte semanas no top 10 da Oricon, com, de quebra, um ótimo clipe onde Namie é eclipsada por dois dançarinos só de sunga.

Mais um interlúdio nos aguarda com ’77~, nomeado em razão de Namie ter nascido em 1977. O som do álbum volta a ter consistência com o barulho de ondas do mar e uma suave melodia R&B guiada por violino e teclas de teclado, criando um bom clima para a última música de verdade do álbum, SWEET 19 BLUES, o único single que não entrou entre as mais tocadas dos charts, tanto que nem é uma versão remix.

Não é difícil perceber o porquê essa faixa não funcionou como single, né? É um exemplo Sweet19blues single.pngperfeito da típica faixa de encerramento de álbum, mergulhada entre o clima de good vibes e a chatice de uma melodia lenta sem muita progressão. Felizmente, a música vai adicionando alguns elementos depois do primeiro refrão que tiram ela um pouco da mesmice e a torna uma faixa lenta ok que cumpre bem sua posição na tracklist.

Mas o encerramento do álbum mesmo está em …soon nineteen, uma outro (o contrário de intro, como se fosse um interlúdio final), moldada em notas de órgão que desembocam em um refrão acústico com Namie cantando rapidamente uma musiquinha que parece canção de ninar relacionada ao próprio título do álbum e, consequentemente, a idade dela durante a época de gravação. É um fechamento ótimo para a ideia conceitual que o álbum procura vender, com o órgão dando o impacto necessário para a não ser esquecível em meio a tracklist, e acaba completamente com qualquer apelo que SWEET 19 BLUES poderia ter ocupando este lugar.

Conclusões NM#1Sweet 19 Blues é um bom debut para Namie. Ela não apenas conseguiu diferenciar-se do imagem mainstream das cantoras japonesas da época como conseguiu dar uma carga pseudoconceitual ao ritmo padrão de techno, eurobeat e house com elementos mais orgânicos de R&B, jazz e funk. O problema do álbum é que ele é longo demais e acaba errando em várias faixas por causa disso. Mesmo assim, todos os singles (tirando a title track) valem a pena a ouvida, assim como alguns dos interlúdios de violino. No geral, comparando os álbuns lançados até agora, temos:

 Sweet 19 Blues
 DANCE TRACKS VOL. 1

Em janeiro vai ao ar o próximo capítulo de A Saga da Diva Quase Aposenta Namie Amuro, onde teremos uma mudança nesse som mais chill do R&B para um pop rock agitado com seu próximo álbum, Concentration 20, trazendo consigo também o single de ato feminino mais vendido de toda a história da música japonesa: Can You Celebrate?… Aguardem xD

6 comentários em “[Album Review] Namie Amuro – Sweet 19 Blues (ou A Saga da Diva Quase Aposentada Namie Amuro: Capítulo 1 – Os primeiros hit singles e os interlúdios conceituais)

  1. Nossa amei essa sua proposta de fazer review de um álbum da Namie por mês!! Estou amando o trabalho dessa rainha!!!1! Nunca tinha tido coragem de ouvir todos os LPs dela mas agora acho que vou começar a escutar e acompanhar por aqui conforme vc posta!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Que bom que gostou xD Pode ir acompanhando por aqui e vamos ver todos os álbuns dela ^^ Inclusive, o mais novo review da proposta acabou de ser postado 🙂

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  2. I like the 181920 versions better. with so many intros and long instrumentals this felt to me like a very narcissistic product of TK. I came to like them because of the live performances

    my pick on this album (but from the singles or the 181920 versions)

    Don’t wanna cry

    Chase the Chance

    You’re my sunshine

    Body Feels EXIT

    SWEET 19 BLUES

    Curtido por 1 pessoa

    1. The versions of 181920 are really much better than the remixes of the original album, especially Body Feels EXIT

      And I agree with you that this is a very narcissist product by TK… Clearly, he wanted to impact the pop scenario with something more scholar (let’s put it like that) filling the album with excessives interludes and intros… @.@’

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