[Especial] Sobre Leia Organa e Jonghyun (ou minha experiência pessoal com o trabalho artístico dessas duas estrelas que nos deixaram…)

Essa segunda-feira, como a grande maioria deve já saber, Kim Jonghyun, do grupo ShiNee, suicidou-se e foi encontrado morto. A notícia atingiu o mundo do k-pop com um baque absurdo, assim como, há praticamente um ano atrás, aconteceu no meio geek, quando Carrie Fischer, a eterna Princesa Leia, morreu. As diferenças são muitas entre os dois casos, claro, mas não pude conter a associação pela seguinte sucessão de eventos:

  • Sábado minha cachorrinha morreu depois de 16 anos junto comigo;
  • Com o emocional já abalado, no domingo, fui assistir Star Wars – Episódio VIII, o último filme de Carrie como Leia (já tinha comprado os ingressos);
  • E agora, na segunda, vejo essa notícia, considerando que Jonghyun era o único cantor masculino coreano que eu gostava MESMO.

Considerando minhas metas para o blog (de deixar no máximo três dias entre um post e outro) e a total falta de clima em mim para começar a escrever o Best Zodiacal, resolvi escrever sobre essas duas estrelas que nos deixaram…

Leia & Jonghyun
A imagem está em verde porque é a cor da esperança

Eu sinceramente acredito que não podemos definir os seres que nos deixam pelas suas mortes. Por mais que seja um acontecimento sofrido, eu acho que o melhor exercício a se fazer é relembrar sobre toda sua trajetória e porque essas duas pessoas são importantes para nós.

Afinal, situações como esta promovem a reflexão. Tanto Carrie quanto Jonghyun me proporcionaram momentos especiais e alimentaram minha fé em meus sonhos, cada um a sua maneira, fazendo com que, mesmo não nos conhecendo, eu os mantenha em lugares muito especiais em meu coração. Eu sei que soa piegas e coisa de novela, mas essa é a verdade para mim.

O pior é que não cheguei a escutar toda a discografia de Jonghyun nem vi toda a filmografia de Carrie. Isso me deixou ainda mais triste por alguns momentos e me fez pensar que eu não era fã “de verdade” então não tinha o direito de ficar tão triste. Mas isso é besteira. As lágrimas que derramei por Carrie e as lágrimas que fui forçado a conter por Jonghyun (não consegui encontrar um momento sozinho para chorar quando vi a notícia) não são menos válidas que as de ninguém. Ser fã é um conceito tão subjetivo que não podemos julgar os outros por conta disso. Não existe essa coisa de ser “menos” ou “mais” fã. Isso só torna as coisas piores e afasta as pessoas uma das outras.

Por isso mesmo eu vou falar apenas do eu conheço dessas duas estrelas e o marco que elas deixaram em mim.

Conheci Carrie Fischer vendo os primeiros três filmes de Star Wars: Uma Nova Esperança (Episódio IV), O Império Contra-Ataca (Episódio V) e O Retorno do Jedi (Episódio VI). Eu tenho um fraco por personagens femininas que tem vontade própria na narrativa e colocam os carinhas em seu devido lugar, então a Princesa Leia me conquistou na hora. Uma líder revolucionária, sem papas na língua, que faz o que considera melhor para si e para seus seguidores sem se importar com o que vão achar dela. Ela se tornou para mim um modelo. Um exemplo de alguém que luta pelos seus ideais sem abaixar a cabeça nem perder a esperança, mesmo que as convenções da sociedade dominem.

Essa trajetória continuou com os novos filmes lançados em 2015 e esse ano, O Despertar da Força (Episódio VII) e Os Últimos Jedi (Episódio VIII), assim como seria para o Episódio IX ainda por estrear, mas não foi possível. A personagem não aparecerá por conta da morte da atriz, a pedida da família, e o Episódio VIII foi dedicado em memória a ela.

Por mais que seja esquecida entre outros personagens da trilogia orginal pelos fãs, até hoje eu defendo ávidamente que Leia é uma Jedi como seu irmão Luke e que é um personagem tão bom quanto Han Solo, o grande favorito entre os fãs de Star Wars.

Sobre Jonghyun, eu o conheci com ShiNee, a primeira boyband coreana que escutei, lá em 2012. O grupo era o preferido de minha melhor amiga na época e se tornaram, com o passar do tempo, a única boyband que eu realmente gostava e acompanhava como eu fazia com os girlgroups. Confesso que não sei porque Jonghyun se tornou meu favorito dos cinco membros, mas sempre prestava mais atenção nele do que nos outros (assim como a Tiffany do Girls’ Generation).

Jonghyun Base.jpg

Quando ele debutou solo, com o EP Base, admito que não gostei muito. O clipe e o clima do álbum pareciam emular o que tinha dado certo com outro membro do ShiNee que tinha debutado solo, o Taemin (que a propósito era o favorito da minha amiga).

O que mudou tudo para mim em relação a ele foram os álbuns de compilação, Story Op. 1 e Story Op. 2 (que estou escutando neste momento), de liberdade criativa dele, com ativa participação dele na composição das músicas. Apesar de consistir praticamente em ritmos lentos e eu não ter ouvido tanto quanto outros lançamentos, a coragem de lançar algo assim mesmo com a possibilidade de manter a imagem artística do grupo me chocou. Jonghyun se via quanto um artista e parecia não se importar com o mercado enquanto pudesse fazer sua própria música.                                      Story Op.1 by Jonghyun.jpg

Isso para um gênero mercadológico como o k-pop é extraordinário. O único artista que consigo pensar que fez o mesmo em uma situação parecida de fama e sucesso foi IU, uma das cantoras que mais admiro. Assim como na Princesa Leia, eu vi alguém que ia atrás do que acreditava, uma inspiração para seguir seus próprios sonhos.Story Op. 2 by Jonghyun.jpg

Entretanto, admito que o álbum que me cativou musicalmente mesmo foi She Is, um lançamento mais para o mainstream do ano passado, mas que tinha ritmos mais agitados com a produção e letras de Jonghyun. Inclusive, hoje, o single desse álbum foi a primeira música que me veio a cabeça depois da notícia.

Hoje já estou percebendo que escutarei ainda muitas mais vezes os Story Op. 1 e Op. 2, porque, querendo ou não, toda a discografia dele mudou de perspectiva depois do que aconteceu, assim como as aparições da Leia e sua mensagem de esperança assumiram uma outra roupagem depois que Carrie Fischer morreu.

E essa foi minha experiência com a atuação de Carrie Fischer e a música de Kim Jonghyun. Hoje estou colocando as músicas dele em meu celular e assistirei novamente o Episódio VI de Star Wars, com lágrimas e sorrisos dentro de mim. Isto porque eu estou triste com a partida abrupta deles, mas também não vou ignorar as sensações boas que eles me proporcionaram e proporcionam até hoje.

Este post foi uma forma de falar sobre eles e tentar lidar com todo esse conjunto emocional que está dentro de mim e dos muitos fãs dessas duas estrelas. Por incrível que pareça, estou me sentindo melhor agora do que quando comecei a escrever. O diálogo e a reflexão são essenciais em momentos emocionais como estes, afinal, eles nos fazem internalizar a perda. A realização deste post e as conversas com amigos, por exemplo, me ajudaram a ficar um pouco feliz, apesar de tudo, por toda a inspiração que essas duas estrelas ainda nos trazem.

Por isso eu digo de coração a quem ler este post e estiver abalado com tudo isso (ou com outras coisas da vida também) a mensagem de esperança de Star Wars:

Que a força esteja com você \o/

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7 comentários em “[Especial] Sobre Leia Organa e Jonghyun (ou minha experiência pessoal com o trabalho artístico dessas duas estrelas que nos deixaram…)

  1. Eu realmente tô surpreso com o quanto me identifiquei com suas opiniões! Também acho que escrever sobre algo é a melhor forma de entender a coisa… E eu sempre vou defender personagens femininas com unhas e dentes, e sempre vou cobrar pra vê-las sendo tratadas com o mesmo respeito que os masculinos.
    Por pressão do namorado que é fã de Star Wars, dei uma chance pra trilogia original no ano passado. Um dia antes de eu ver o Episódio VI, chega a notícia. Olha, foi difícil ver aquele filme… Lembro que na última cena, quando a Leia vai encontrar o Luke e a gente finalmente vê os dois irmãos ali, em paz e no mesmo nível, eu fiquei muito feliz. Me apeguei muito pela personagem, e ver ela tendo seu final feliz foi um prazer enorme. Mas aí lembrei do que tinha acontecido… Nós também conversamos sobre como o meio nerd é tóxico, lembra? Então é uma honra ter conhecido pelo menos uma pouco da obra da Carrie, que com certeza abriu fronteiras pra mulheres nesse meio. Um ícone, sem mais.
    Eu entendo exatamente o que você diz sobre focar nos momentos felizes proporcionados por aquelas pessoas. Já tive umas perdas na família e, apesar da dor da despedida ser imensurável (principalmente de uma tão brusca e tão triste como a do Jonghyun), no fim do dia a gente só pode pedir paz tanto pra quem ficou quanto pra quem se foi, independente da crença.
    Melhoras pra você e pra todo mundo que está tendo um dia cinzento hoje.

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    1. Eu não consigo não defender uma personagem feminina quando ela aparece, apenas… Acabei há pouco de ver o Episódio VI e, de fato, é um final mais que merecido para a jovem Leia, um pilar essencial para o sucesso de Star Wars, assim como Luke e Han… O meio nerd é bem difícil e tóxico quanto a essas coisas (eu lembro dessa conversa kk), então é uma opinião que acabei desenvolvendo mais sozinho mesmo…
      Eu já tive perdas da minha família também e a questão da morte é bem complexa… As pessoas precisam conversar um pouco sobre isso, até para acalentarem-se umas nas outras. Concordo com sua opinião e, de fato, o motivo de eu ter feito este post foi para encontrar um pouco de paz e tentar trazê-la a quem ler, não sei se consegui, mas pelo menos estou me sentindo um pouco melhor agora com isso tudo…
      E muito obrigado ^^ Mando boas energias para você \o/ E também desejo a todas e todos melhoras neste dia difícil…

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    1. Fico muito feliz de ter trazido um pouco de esperança, era justamente esse o meu objetivo com esse post (tanto para mim escrevendo quanto para quem fosse ler)… Aceito seu coração com muita gratidão e retribuo um para ti ❤ Que a força esteja com você \o/ Tenho certeza que dias melhores virão…

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  2. Vi seu post hoje e queria falar que não tem essa de ser fã ou não, nunca acompanhei direito mais profundo a franquia Star Wars mas fiquei sentida com a morte dela porque ela morreu quase depois de sua mãe e isso mexeu comigo porque eu também já perdi meu pai e ainda estou com a minha mãe e foi difícil não ter empatia por isso.
    Já Jonghyun era do meu grupo favorito do kpop, Shinee era o único que gosto de todos os membros 😞 ele era tão sorridente e carismático, que não imaginavamos como ele poderia ter depressão e continuar sorrindo_estudei um pouco a doença agora_
    A última live que ele fez para as fãs foi a sua despedida e deu uma sensação de impotência, sei lá. Pensei nos seus sonhos, na sua família nos seus amigos e fãs que se espelhavam nele e me segurei para não chorar quando vi na internet a mãe dele chorando.
    Toca sempre quem tem empatia e só uma pessoa pra nao se sentir sensibilizada por essas pecas. Agora é seguir né

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    1. Foram dois acontecimentos bem traumáticos… A gente acaba criando alguma empatia por motivos que as vezes nem conseguimos explicar direito e apenas estamos lá, sentindo toda a tristeza e desespero e tendo de seguir… Eu adorava os dois e ainda não tenho forças pra ver essa live do Jonghyun (até clipes do ShiNee/dele eu não vi desde então, só escutei as músicas), mas ainda chegará o tempo que conseguirei assistir, tenho fé… Sinto muito pela perda que você teve e mando muitas boas energias para ti (de coração) \o/ A única coisa que sabemos depois de acontecimentos assim é que o futuro ainda não está escrito e cabe a nós enchê-lo de esperança…

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