[Album Review] Camila Cabello – Camila (ou será que Camila Cabello conseguirá se destacar por algo além de Havana Uh Na Na??)

Camila (Official Album Cover) by Camila Cabello.png

Não há dúvidas hoje que Camila Cabello se tornou muito mais que uma ex-integrante do Fifth Harmony. O inesperado sucesso de Havana trouxe uma recalibração de imagem e sonoridade, transformando o álbum melancólico The Hurting. The Healing. The Loving. na pegada latina chill de Camila no meio da promoção do mesmo. Será que a mudança foi boa?? Ou Camila Cabello terá apenas Havana como hit single e será esquecida por todos depois??

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Tracklist:

  1. Never Be the Same
  2. All These Years
  3. She Loves Control
  4. Havana (feat. Young Thug)
  5. Inside Out
  6. Consequences
  7. Real Friends
  8. Something’s Gotta Give
  9. In the Dark
  10. Into It
  11. Never Be the Same (radio edit)
  12. Havana (remix feat. Daddy Yankee) (bonus track)
  13. I Have Questions (bonus track)

O álbum começa com Never Be the Same, seu mais novo single, uma mid-tempo R&B cheio de falsettos por parte de Camila. Quando a música lançou lá no fim de dezembro, não tinha curtido muito por ser básica demais em comparação a Havana. Agora, umas duas semanas depois, já estou amando a faixa justamente por ser básica e não querer reinventar a roda. Este tipo de construção mais calma e clássica funciona muito bem como intro ou finalização de álbuns, então a jogada em colocá-la no começo foi ótima. E o clipe, por sua vez, pareceu uma carta de agradecimento para todo mundo que apoiou Havana, o que deixou a música com um toque pessoal e carismático o suficiente (que outra artista agradeceria assim pelo primeiro hit single??) pra diferenciar Camila das outras cantoras mais novatas no pop norte-americano.

O ritmo lento continua em All These Years, apostando principalmente no som acústico de violão. O tema da faixa é, basicamente, sobre um carinha que Camila não deixou de gostar mesmo depois de anos sem vê-lo. Uma melodia simples e tranquila, cheia de gritinhos harmonizantes, que pode não se destacar em meio a outros exemplos do mesmo tema ou até mesmo dentro do álbum, mas funciona bem no contexto da tracklist.

Após relembrar o passado, Camila evoca o controle que possui da própria carreira em She Loves Control, o provável terceiro single do álbum por ser o reggaeton da modinha. A letra mostra muito a evolução que ela teve em relação a seus anos no Fifth Harmony, já que se no começo de 2017 ela estava Chorando no Clube, agora, depois do sucesso de Havana, Camila está mais tranquila com o passado e não precisa mais utilizar-se da treta com o ex-grupo pra se manter relevante no cenário musical. E o mais impressionante é que ela não se mostra superior ao passado em nenhum momento da música, apenas dizendo que “não olhará mais para trás”.

Faz todo o sentido, depois de deixar seu passado para trás em She Loves Control, colocar logo em seguida na tracklist o smash hit Havana (Uh Na Na) e seu clipe adorável. A história por trás do sucesso da música é algo que parece coisa de filme: lançada como single promocional, o sucesso foi tanto que a equipe por trás da cantora, juntamente com ela própria, decidiu transformá-lo em lead single e mudar toda a pegada do futuro álbum junto com seu nome. E que mudança! A seriedade com que todos os envolvidos trataram Havana, mesmo sendo um latin-pop basicão, elevou a qualidade de todo o lançamento e transformou Camila em uma verdadeira player no mercado de música pop mundial. Como eu já rasguei bastante seda pro clipe no último capítulo do Best Zodiacal, passamos para a próxima música.

Inside Out é o tipo de música que te faz sorrir sem você nem perceber direito. Colocando os xilofones de música de fase do Sonic com temática de praia em uma melodia de salsa, Camila fala sobre amar o boy de dentro pra fora, sem se importar com as aparências, referenciando a população latino-americana que cresceu no sul de Miami. Outra faixa básica que é boa justamente pela simplicidade que exala.

Inside Out é que nem essa partezinha do clipe de Havana: eu sei que é queerbaiting básico, mas, ainda assim, gostei que teve kkk

Na baladinha no piano que é Consequences, entramos na parte mais melancólica do álbum. É perceptível que a faixa não foi feita para ser um ode a sofrência nem nada do tipo, mostrando um pouco de inovação no tema  incomum em relação a o que este tipo de música geralmente apresenta: aqui, Camila fala de um amor que foi ótimo e incrível, mas, infelizmente, teve consequências ruins.

Em Real Friends percebemos que a parte que mais toca no lado acústico e sentimental de Camila são suas amizades, principalmente em relação as outras Fifth Harmonies. Esta faixa tinha sido lançada no começo de dezembro, mostrando a possibilidade de reaproveitar a treta com o 5H se for necessário para alavancar as vendas do álbum. Não dá pra saber direito o que aconteceu entre ela e as outras meninas, mas, pela música, dá pra entender que Camila saiu descrente com a atitude delas, muito mais triste do que brava com toda a situação.

Something’s Gotta Give é outra baladinha no piano, mantendo o tema de quebra de confiança elucidado em Real Friends. Se fosse em outro tipo de álbum, eu já estaria de nariz torcido pela terceira baladinha seguida, mas, aqui, fez todo o sentido pra não termos latin-pop atrás de latin-pop, sem qualquer pausa mais sentimental, que, querendo ou não, é o que dá vida e personalidade próprias a grande maioria dos álbuns pop, por mais dançantes que eles tentem ser.

In the Dark acelera o ritmo de forma delicada, sendo a faixa mais criativa do álbum como um todo. A sonoridade da música cria o cenário para as analogias da letra envolvendo a noite e a madrugada, onde Camila diz a seu interlocutor que pode confiar a ela seu momento mais secreto, aquele que todo mundo tem as duas/três da manhã, onde estamos sozinhos em casa e somos 100% nós mesmos, sem medo de sermos julgados por quem conhecemos.

Into It retorna um pouco ao ritmo mais agitado das faixas do começo do álbum, mas, ao invés de ter uma influência latina, sua batida techno mais sóbria bate com o contexto criado por In the Dark. Assim como sua predecessora, a música está cheia de analogias e figuras de linguagem sobre o tema extremamente básico que é estar afim de alguém, o que já me conquistou em duas ouvidas. Inclusive, a melhor dessas está no pré-refrão, com  a nerd realness de “the gravity can’t hold us/your hands are outer space” (a gravidade não pode nos deter/suas mãos são de outro planeta).

A última faixa do álbum antes das firulas das faixas bônus é o repeteco de Never Be the Same. Na tracklist diz que é a radio edit, mas, sinceramente, não vi nenhuma diferença em comparação com a primeira faixa. Eu já estava pronto pra criticar pra caramba aqui, porque Into It daria uma boa finalização pro álbum, mas acabei percebendo que repetir Never Be the Same no final foi genial. Se no começo da tracklist nos preocupamos com o ritmo, aqui, perto de In the Dark e Into It, as figuras de linguagem incomuns da faixa se destacam, sem contar que traz todo um significado para o álbum como todo.

A simbologia da faixa, neste sentido, é simples (mas eu percebo que devo estar forçando um pouco a barra pra escrever um terceiro parágrafo sobre essa faixa kkk): a letra diz sobre um amor que transformou Camila a um ponto de ela nunca mais será a mesma, ou seja, Camila nunca será a mesma depois do sucesso de Havana e sua consequente autodescoberta em relação a suas origens latinas. Em várias entrevistas, os produtores disseram que lançar Havana como single promocional foi um voto de confiança que deram a Camila, que acreditava na força que a música teria. Com o sucesso, é claro que a liberdade criativa dela deve ter aumentado, ao ponto de retrabalhar todo o conceito do álbum, mudar a imagem de sua persona pública e ignorar lançamentos anteriores. Claro que isto também está relacionado com uma decisão mercadológica, mas Camila se tornou mais autoconfiante do que nunca com o sucesso Havana. Por isto, se no começo de sua jornada (ou seja, no topo da tracklist) ela acreditava que nunca mais seria a mesma depois de sair do Fifth Harmony, ela foi surpreendida e, agora (no final da tracklist), deixou de ser a mesma novamente com a transformação de sua persona pública para algo que refletisse mais a própria personalidade e hereditariedade.

BONUS TRACKS:

E a melhor finalização de álbum que escuto em tempos é estragada pelo remix parcialmente em espanhol de Havana com Daddy Yankee. De toda a forma, este remix não encaixaria direito em nenhum lugar da tracklist sem soar repetitivo porque ficaria perto demais de Havana. Só daria certo se trocassem o duplinha de Never Be the Same pela versão original no começo e o remix no final, e, ainda assim, ficaria bem menos icônico e genial do que o que fizeram, então nem vou reclamar muito. Além disso, o rap de Daddy Yankee brilhou muito aqui, algo que Young Thug não conseguiu na música original.

Por fim, I Have Questions, uma balada cheia de gritaria e auto reflexão, super criativa e sóbria. Fizeram muito bem não deixar a balada no limbo (nem que seja pra colocar como bonus track apenas das edições japonesas do álbum), já que foi o melhor lançamento solo de Camila antes do revamped ocasionado por Havana. Infelizmente, a sobriedade da música e seu lyric vídeo todo dark não combinariam em nada com o clima mais chill e auto confiante que o álbum passa, então foi um sacrifício digno para Camila (o álbum, não ela kkk) se tornar um trabalho melhor do que a obviedade da melancolia de The Hurting. The Healing. The Loving.

Conclusões CC#1

A grande verdade é que adorei o álbum. É perceptível que ela abraçou a sonoridade de suas origens (Camila é metade cubana) com naturalidade e conseguiu entregar um trabalho simples e coeso. E olha que quando ela saiu do Fifth Harmony, eu não achava que Camila iria virar muita coisa solo não @.@’ Fiquei muito feliz em ter me enganado, ô se fiquei! A tracklist surpreendentemente foi muito bem montada e as músicas foram simples e básicas na medida certa, sem contar que Camila combinou e muito com essa nova persona pública mais tranquila e sexy em uma pegada latina.

4 comentários em “[Album Review] Camila Cabello – Camila (ou será que Camila Cabello conseguirá se destacar por algo além de Havana Uh Na Na??)

  1. eu me pergunto se camila ainda segura a persona diva pop , acabei de ouvir o álbum e preciso escutar mais pra definir uma opinião , e a melhor coisa que ela fezfoi pular do fifth harmony , ela ganhou espaço , um álbum que oa que parece ela teve participação no processo criativo , e principalmente a persona camila tem mais liberdade e lucro sozinha do que a persona camila do fifth harmony

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    1. Siiiim, no Fifth Harmony dava pra ver que ela ficava meio sufocada com o holofote principal que ela ganhava (tipo como se ela tivesse de ser a Beyoncé do grupo meio na força), fiquei feliz em ver que nesse álbum tudo parece meio natural MESMO, sem precisar de mil explicações pedantes como tem vários artistas ocidentais que fazem por aí…

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  2. A personalidade/voz da Camila foi sempre o que me fez gostar das cinco harmonias, então obviamente quando ela pulou fora eu fui junto.

    Amei o debut dela com Crying in the club, aquela musica me pegou de jeito! Em seguida quando ela lançou I have questions eu confesso que não curti muito ANTES de ler a tradução, por que convenhamos a lyrics daquilo é incrível e faz jus a qualquer termino. O álbum está realmente bom e passa a identidade da Camila que é notável a todos, que continue assim.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Crying in the Club e I Have Questions (o lyric video é sensacional mesmo xD) foram começos sólidos, mas eu preferi a Camila mais good vibes xD Achei que combinou mais com ela ^^

      É só uma pena o Fifth Harmony estar meio “mais ou menos” sem Camila… Achei que sem ela na pressão de ficar com o holofote central, as outras quatro iam brilhar juntas ;\

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