[Album Review] Jonghyun – Poet | Artist (ou vamos honrar a memória de Jonghyun com um review de seu álbum póstumo??)

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Assim como outros tantos artistas, antes de nos deixar, Jonghyun já tinha gravado um novo álbum e seu material promocional, o qual a SM lançou nesta semana, revertendo o dinheiro arrecadado para a mãe de Jonghyun, que procura criar uma fundação com nome dele para ajudar pessoas em necessidade. Uma atitude louvável por parte dos envolvidos, dando luz ao último trabalho do cantor. Vamos honrar a memória de Jonghyun fazendo um review deste álbum??

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Tracklist:

  1. Shinin’
  2. Only One You Need
  3. #Hashtag
  4. Grease
  5. Take The Dive
  6. Sightseeing
  7. Rewind
  8. Just for a Day
  9. I’m So Curious
  10. Sentimental
  11. Before Our Spring

Assim como ocorreu com muitas pessoas que escutam k-pop, sejam fãs dele ou não, a notícia da morte de Jonhyun foi um choque e eu até acabei desabafando meus sentimentos aqui no blog. Uma situação dessas é difícil de absorver para todos os envolvidos, então fico feliz que, praticamente um mês depois, temos a família dele canalizando a dor da perda para algo positivo. É, de acordo com uns textos de psicologia de já li, uma das melhores formas de lidar com esta dor irrefreável.

Sem contar que, com este álbum e na publicidade investida nele, a questão da saúde mental, principalmente na Coreia do Sul, não se permitirá diluir com o tempo e, quem sabe, esta lembrança de tudo que aconteceu possa resultar em medidas afirmativas por parte de empresas e gravadoras de todo mundo para ajudar no acompanhamento psicológico dos artistas.

Em relação ao álbum por si mesmo, vemos que segue a linha mais comercial do Jonghyun, mantendo a linha e imagem chill que ele construiu para si próprio em seus álbuns mais autorais, mas acrescentando elementos mais modernos às melodias R&B e soul características dos dois Story Ops lançados pelo cantor. Das onze canções, as letras de oito são completamente dele, tendo participado também na produção e composição da maioria das faixas.

A capa do álbum, por sua vez, segue o design do primeiro álbum solo do Jonghyun, Base,  dando a impressão de que este álbum fecha o ciclo que ele começou lá em 2015:

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Eu digo isto com muito pesar, mas Shinin’ é o melhor single solo que Jonghyun já lançou. Com um refrão grudento, misturando o house da modinha com disco, o próprio clipe evoca os anos noventa e setenta ao mesmo tempo (como se fosse um cantor noventista emulando o estilo dos anos setenta). É simples, dançante e, agora, com a perspectiva do que aconteceu, tocante. Quanto a letra, temos ele falando que sua amada brilha mais que tudo e que ele sempre ficará junto a ela.

Only One You Need começa com um número de R&B padrão e vai crescendo no pré-refrão até a batida house dominar o refrão de suspiros processados. Não é uma faixa que se destaca no todo, talvez a única coisa que a diferencia do resto, não apenas neste álbum como também no primeiro álbum mais comercial de Jonghyun, She Is, é o tempo mais acelerado. Quanto a letra, o tema ainda é uma declaração sobre amor e paixão, com alguns toques mais criativos aqui e ali, como “nós somos a peça faltante do quebra-cabeça”

#Hashtag foi a faixa que mais chamou atenção dos críticos ao redor do mundo, por conta do tema e de seus jogos de linguagem. Aqui, Jonghyun fala sobre a mídia e como ela manipula todo o tipo de notícia pessoal sobre os artistas, se apoiando em um instrumental simples guiado pelo piano e estaladas de dedos, misturando, ainda, pequenos elementos no decorrer da música (como aquela cena do Tarzan que os gorilas e o elefante fazem uma música com máquina de escrever/pratos/etc). Apesar da mensagem agressiva, o clima da faixa é bem chill e segue o padrão tranquilo de Jonghyun, tendo alfinetas à indústria midiática coreana e aos comentários na internet dos famigerados “netizens”,  como: “eu não gosto do jeito que ele age, como a aparência do seu rosto, o jeito que põe a mão no bolso, não gosto de nada disso” e “mesmo que você não faça nada, eles irão destruí-lo” (essa aqui ganha ainda mais significado depois do que aconteceu :/). Nos versos mais leves, ele ainda dá um debochada sem perder o tom crítico: “o amigo do veterano do primo do meu amigo viu eles” e “pegue um Waflle. Pegue um pedaço. Pegue um pouco de ódio”. Um grande destaque do álbum, realmente.

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Quando vi o título de Grease já achei que seria uma batida mais agitada e a letra relacionaria com o filme. Acabei quebrando levemente a cara, já que o assunto aqui é bem mais sóbrio. Mantendo a característica de diversos elementos na melodia, assim como #Hashtag, Jonghyun usa a analogia da graxa (em inglês “grease”) para descrever um relacionamento que ele considerou errado e sujo e quer terminar, mesmo tendo certeza que ele será o que mais sentirá falta da pessoa.

Eu escrevi “pessoa” aqui, justamente porque a letra da música me lembrou das notícias que saíram pouco depois de Jonghyun nos deixar, falando sobre a possibilidade de ele ter sido homossexual e a repressão de sua orientação sexual seria uma das causas que piorou seu estado de depressão. Eu não sei se isto é verdade e acho que teve mais sensacionalismo que informação envolvida nesta discussão, mas a letra pode claramente elucidar um relacionamento homossexual que Jonghyun teve, até por conta da seguinte passagem logo nos primeiros versos:

“Manchas negras de graxa. Elas não vão sair, assim como você
Manchas negras em sua camiseta branca, elas estão por todo o lugar
Isto faz eu me sentir doente, doente, yeah, assim como você
Esta mancha se espalha nojentamente, grosseiramente
Transformando tudo em nada mais que lixo
É minha culpa por me encontrar em seus olhos
É minha culpa por não me conhecer”

Talvez seja tudo coisa da minha cabeça, mas, continuando nesse ritmo, com ele falando que queria “limpar” e “consertar”, isto tudo me pareceu muito a questão de se auto perceber enquanto homossexual e querer, a todo custo, se mostrar hétero, por conta de todos os perigos e preconceitos que rondam a sociedade. De todo mundo, tendo ou não relação com isto, achei a analogia muito criativa e a melodia surpreendente, provando que não precisa fazer algo letárgico e que dá sono pra ser considerado um som chill.

Take The Dive, uma das duas músicas do álbum que não tem dedo do Jonghyun na produção/composição, dá uma pausa nas analogias mais inusuais comparando o sentimento de paixão com o ato de mergulhar. A faixa aposta em um som acústico de piano com um refrão future bass, sendo que os vocais de Jonghyun seguem a linha de suspiros e coros do R&B, o que, incrivelmente, acabou resultando em algo bom de ouvir, diferenciando-se de outras composições do álbum sem destoar do clima. Quanto a letra, nada muito diferente das analogias que estamos acostumados a ver no k-pop, com meu verso favorito sendo “eu quero te conhecer, desde sua superfície cega até seus mais profundos abismos”.

Sightseeing vem com um som urban noventista falando sobre uma das situações mais comuns de todo ser humano: encarar as outras pessoas no transporte público. Aqui, Jonghyun fala da curiosidade de observar os transeuntes nos ônibus/metrôs/trens e se perguntar para onde eles estão indo e como são suas vidas. Não só a letra é incomum como o instrumental do refrão inova ressaltando a melodia de violinos e o break de saxofone (SIM, TEM UM BREAK DE SAX – eu sou apaixonado pelo som desse instrumento, apenas <3). Verso favorito da vez (que é uma analogia super criativa para como as pessoas se portam no transporte público): “eles estão todos enxameando, rastejando como insetos, com suas faces mastigadas em desgosto, como um gato”.

Diferentemente do que se espera em lbum deste, a grande estrela de Rewind é sua batida club house datada, um dos subgêneros do house mais negligenciados na modinha house que assola o mundo musical, focado, principalmente, no tropical house. O tema envolve a inevitabilidade da passagem do tempo, sendo expressado em poucos versos, quase sem figuras de linguagem, como aqueles pensamentos aleatórios que temos quando estamos extremamente sonolentos. O destaque aqui não vai para um verso em específico, mas sim para todo o conjunto da obra, já que Jonghyun fala “1, 2 3” em diversas línguas no decorrer da música, desde inglês e japonês até espanhol e alemão o.o (fato que, infelizmente, fez a faixa ser proibida de tocar nas rádios coreanas).

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Just for a Day é a segunda faixa em que Jonghyun não participou da composição/produção e, como pode se esperar, tem uma letra mais lugar comum que as outras. Com um som mais puxado para o new age, a faixa fala sobre aquela situação em que você pega alguém uma vez e não pretende nem ver mais a pessoa de novo, querendo que a relação dure “apenas um dia”.

I’m So Curious tem uma pegada mais sensual, com Jonghyun pensando na beleza tanto interior quanto exterior da crush, com curiosidade para como seria a sensação de estar junto dela, beijando-a e abraçando-a. É um número de future bass simples e sem rodeios. Se, por um lado, destoa um pouco das letras e melodias mais criativas de Jonghyun, por outro, é interessante ver um lado mais sexy que ele não costuma mostrar em suas músicas solo.

Sentimental tem uma construção de R&B mais clássica, com piano, pratos de bateria, violinos e tudo mais que se tem direito, construindo muito bem um clima de final de álbum. Na letra, Jonghyun se refere a momentos em que está mais sentimental e sente que a amada ainda estará lá junto dele, como uma forma de conforto, mesmo o relacionamento já tendo acabado. Mesmo não diferenciando-se muito de outros tipos de música com o mesmo tema, a forma como Jonghyun se expressa parece muito mais crível que outros cantores, como nos versos “quando eu me sinto triste e pra baixo, parece que você vai massagear meus ombros”“eu sou sentimental, em meu quarto sem você”.

Before Our Spring é a baladinha obrigatória de final de álbum que foi lançada como segundo single pela SM. O clipe é uma coletânea de gravações do último show de Jonghyun alternada com shots de várias fases da carreira dele, seja sozinho ou com o ShiNee. Resumindo: feito para você chorar assistindo… Notoriamente, esta é a maior baladinha da carreira de Jonghyun, não apenas pelo fato de ser a última dele e os coreanos amarem músicas assim, mas também pela própria música ter um aspecto de despedida.

Um perfeito encerramento para o álbum, é impossível dizer a forma como Jonghyun interpretava estas letras na hora em que as escreveu. Dirigindo-se ao ouvinte, ele fala sobre os receios que possui da própria vida e da beleza de sua interlocutora ou interlocutor, de forma etérea e contemplativa. Os versos mais impactantes são “mesmo que você não me entenda, está tudo bem, está tudo bem”“meu coração está quebrando, eu sei que é bobo”“a primavera está vindo mais cedo que tarde” “não se preocupe com o que fazer, estou bem e a primavera virá até mim”. Não sei se é possível interpretar a chegada da primavera com a morte ou se isto faz sentido no resto da letra, mas, para mim, esta foi a impressão e deu tanto um arrepio quanto tristeza. A verdade é que poucos saberão como viveu Jonghyun em seu íntimo e nós, que vemos tudo de fora, só conseguimos desejar que quem era mais próximo que encontre a paz depois do choque.

Conclusões JonghyunPoet | Artist é, felizmente e infelizmente, o melhor álbum que Jonghyun já lançou em sua carreira solo. É uma mistura de sentimentos ambíguos e contraditórios, não deixando qualquer dúvida que ele nos deixou em seu auge, prestes a lançar coisa boa atrás de coisa boa, sendo que, ao mesmo tempo, dá uma pequena felicidade ao saber que, ao menos, o último trabalho de Jonghyun foi o seu melhor. São músicas reflexivas com letras criativas sem cair no ostracismo de ritmos de baladinhas lentas em todas as faixas. São poucos os cantores, sejam orientais ou ocidentais, que conseguiriam colocar tudo isto em um único álbum. Para finalizar, vou colocar aqui a tradução da mensagem na capa do álbum, que eu acho que pode ter um significado especial para cada um que a ler…

“Nós podemos ficar juntos neste espaço, mesmo estando do outro lado da Terra. Nós podemos ficar juntos a qualquer tempo não apenas às 12 horas. Questões físicas certamente permaneceram indiferentes em nosso espaço. Eu apenas tenho a esperança de que isto nunca acabe. Eu espero que este espaço que pertence à você e eu, seja o local para qualquer um descansar tranquilamente. Eu espero que nossas memórias se levantem como reminiscências e abracem que você não gosta de mais ninguém. Isto é dedicado para aqueles que criaram nosso espaço juntos. Obrigado.”

2 comentários em “[Album Review] Jonghyun – Poet | Artist (ou vamos honrar a memória de Jonghyun com um review de seu álbum póstumo??)

  1. Vou confessar que não ouvi o álbum ainda e nem assisti por conta de estar sentimental e chorar igual uma idiota. Enfim suas reviews são muito boas e até gostei de algumas letras que disse.
    Ele vai deixar uma saudade imensa, mas estou feliz que a mãe dele está fazendo isso muito forte ela ❤

    Curtido por 1 pessoa

    1. Siiim!!! Quando vi essa notícia fiquei muito feliz pela força dela e decidi fazer um review até pra dar uma divulgada nessa história… Muito obrigado pelo elogio, esse foi um dos albums reviews mais trabalhosos que já fiz, queria muito fazer uma homenagem ao nível do talento de Jonghyun…

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