[Album Review] Kylie Minogue – Golden (ou A diva australiana lançou um álbum de pop-sertanejo bem Taylor Swift Vintage… Será que ele combinará com o estilo dançante dela??)

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Que Kylie Minogue é uma diva atemporal não há dúvidas. Dez anos mais nova que Madonna e com uma carreira tão duradoura quanto (guardadas as devidas proporções claro, já que Kylie é australiana e sempre teve como alvo o mercado europeu), seu comeback este ano era aguardado por muitos como a salvação do dance-pop e das músicas bate-cabelo… Bem, até o primeiro single sair e descobrirmos que ela resolver lançar um álbum country a la Taylor Swift VintageLady Gaga e Miley Cyrus… Será que este novo direcionamento deu certo para Kylie como deu para Gaga ou ficou meio blasé que nem o da Miley para ela depois dar uma de Taylor e fingir que este álbum nem existiu??

Tracklist:

  1. Dancing
  2. Stop Me from Falling
  3. Golden
  4. A Lifetime to Repair
  5. Sincerely Your
  6. One Last Kiss
  7. Live a Little
  8. Shelby 68
  9. Radio On
  10. Love
  11. Raining Glitter
  12. Music’s Too Sad Without You (feat. Jack Savoretti)
  13. Lost Without You
  14. Every Little Part of Me
  15. Rollin
  16. Low Blow

A ideia do country foi extremamente inusitada pra uma cantora com o perfil de Kylie, já que o grande foco dela sempre foram músicas para você arrasar na pista de dança. E o melhor foi que ela nem tirou uma desculpa conceitual como as outras, só dizendo que ia lançar o synthpop básico que todo mundo esperava até um agente dela sugerir “vamos colocar um pouco de country nisso??” e ela responder “boa! Vamos ser sertanejos!”. Além disso, este é o primeiro álbum em que todas as letras tem o dedo de Kylie, algo que não se via desde o Impossible Princess, o grande álbum indie da discografia dela.

Enfim, vamos ao rodeio de Golden!

Dancing, o lead single, cheio de glitter e coreografias convincentes, é uma mistura de dance-pop e country que parece ser algo que uma Hannah Montana mais madura lançaria lá pras últimas temporadas da série. Eu já perdi a conta de quantas vezes já desgostei e voltei a gostar dessa música, sinceramente… mas o ponto crítico foi quando eu descobri que o “i wanna go out dancing” significava não a forma como ela queria sair, mas sim a forma como ela quer MORRER. Exatamente, Kylie está nos dizendo que quando deixar esse mundo, quer sair dançando em meio a explosão de glitter. Apesar de toda a pegada country tirando ela da sua zona de conforto, esta música não poderia ser mais Kylie Minogue!!! Ela é uma das poucas cantoras que leva o dance-pop a sério e realmente não está nem aí qual o assunto: seja amor-livre, referências ao câncer que teve, o quase fim de sua carreira, sororidade feminina, CHOCOLATE (??) e, agora morte… Tudo pode se transformar em uma melodia catchy e dançante se passar pelas mãos dela.

Stop Me from Falling é uma progressão do som de Dancing, infundida de mais elementos country que pop, tornando realmente algo digno de alguém como Dolly Parton/Vó da Hannah Montana (que inclusive parece ter sido a inspiração visual de Minogue para ambos os videoclipes). É, estranhamente, a minha faixa preferida do álbum, mesmo sendo quase que um country raiz. O único problema foi que o cometimento de Kylie com as inspirações sertanejas foi tão grande que a faixa ganhou um clipe bem baixo orçamento, com ela cantando em uns shows e depois com umas pessoas em um barzinho… Esperava algo mais explosivo e memorável por parte dela, já que é difícil ela fazer um clipe que seja chato de assistir, mesmo eles geralmente focando só em coreografia…

Percebam a semelhança…

Kylie disse que Golden se inspira em trilhas sonoras de filmes de faroeste rocambolescos como Três Homens em Conflito (ou o clipe de Kill Bill das Brown Eyed Girls). De fato, não é difícil imaginar esta melodia tocando no finalzinho de um filme desses e servido de pano de fundo para os créditos iniciais. Até os sintetizadores após o refrão conseguiram ficar associados ao tema sertanejo, lembrando (pelo menos pra mim) aquelas fenos que passam nos desertos dos desenhos animados. E a letra falando que “we are golden” (somos ouro) ficou bonitinha. É sempre bom ver uma música sobre autoaceitação em um álbum.

A Lifetime to Repair é uma power ballad que fala sobre o coração partido com um instrumental tímido e um refrão gritado. Porém, a melhor parte da faixa é a bridge entre os versos e o pré-refrão, onde focamos no banjo e Kylie começa a contar as vezes que desejou nunca ligar para o que o carinha estava pensando. A faixa foi uma das várias que foram resultado separação entre Kylie e seu (agora ex) marido de ano passado… Claro, se Adele fica chorando nos cantos, Kylie está chorando enquanto dança com as amigas na balada.

Sincerely Yours desacelera o tempo da melodia em uma baladinha de pop melancólica, com Kylie escrevendo uma carta de amor para seu amado, o que está, no mínimo, em um local inusitado na tracklist, já que a música anterior fala justamente do contrário.

One Last Kiss mantém o tema de Sincerely Yours contradizendo A Lifetime to Repair. Provavelmente significa uma progressão da persona Dolly Parton de Kylie que, após de ficar desiludida com o boy, começa a seguir em frente para novos amores. O refrão é bem gostosinho de ouvir, naquele tipo de música ambiente que você acaba cantando umas partes da letra sem nem perceber.

Em Live a Little, temos uma mistura praticamente equilibrada entre o estilo de “curtir a vida na pista de dança” de Kylie com o country, aqui representado por um banjo e umas estaladas de dedos. De uma forma meio estranha, lembra b-side de algum girlgroup fofinho… Vai entender??

Antes mesmo de escutá-la, eu já simpatizei por Shelby 68, pelo nome sensacional (Shelby é o carro do pai de Kylie e 68 é uma referência ao ano em que ela nasceu). Só que aí eu escutei e parece muito as músicas mais fofinhas da Taylor Swift Vintage… Não que eu morra de amores pela Taylor Atual, mas na voz e no contexto da Kylie, esse estilo country pop super açucarado apenas não combinou muito com o álbum.

Radio On é A baladinha country do álbum, guiada pelo violão do começo ao fim… Parece um pouco as b-sides o álbum country da Miley Cyrus (que eu até acabei gostando no melhor estilo música de elevador). A letra tá bem legal, como se fosse uma cena em câmera lenta daquele momento em que ligamos o rádio e está tocando nossa música, com nossas preocupações desaparecendo durante aqueles minutos. Achei verossímil. Achei conceitual. Ponto pra Kylie por entregar uma baladinha interessante mesmo não sendo muito boa quando chega neste tipo de faixa.

Love tem um nome que parece tão genérico, mas tão genérico, que parece impossível algo bom sair disso. Mas a faixa me enganou. Primeiro, ela nem fala sobre amor romântico propriamente dito. E, segundo, ela tem uma mensagem de autoaceitação e amor-próprio linda que casaria perfeitamente como uma b-side do Aphrodite (o synthpop meio aesthetic ajuda um pouco nesse fato). Não poderia estar mais satisfeito em estar enganado.

Só esta faixa ganha bastante das b-sides genéricas de Aphrodite…

Quando a intro começa, não parece que Raining Glitter desembocará em um típico número de soft dance-pop levemente vintage, a grande especialidade de estilo da Kylie em suas b-sides. Só colocaram um banjo ali no meio do instrumental pra casar com a proposta do álbum e deixaram por isso mesmo. Além disso, na letra, Kylie alude a um casal LGBT preso no armário, não apenas em relação a família, mas também criticando a sociedade… Incrível! Uma diva gay lançando algo assim sem fazer nenhum fuzuê pra gerar media play (mesmo lançando a música como single promocional) dá um substrato tão grande pra seriedade da mensagem de aceitação!! Não tem como dizer que ela só usa a causa LGBT de forma mercadológica como umas outras aí parecem fazer…

Se Shelby 68 foi Taylor Swift, Music’s Too Sad Without You, é Lana Del Rey. Ou seja, apesar dos gemidos sóbrios legais no fundo e todo o caráter pessoal da separação de Kylie se mostrando aqui, é só começar a escutar que dá um sono…

Lost Without You mantém o caráter mais sóbrio da sonolência anterior, mas deixa elementos suficientes no instrumental pra não enjoarmos, sem, a propósito, nenhum country a vista. O refrão e a mensagem de emancipação (na faixa, Kylie diz que quer se perder sozinha, como numa jornada de auto descobrimento) ficaram legais, mas a verdadeira pérola é o breakdown minimalista vingativo escorpiano onde Kylie declama de forma hipnotizante:

“Antes do céu estar quebrado
Eu deveria estar lidando com meus problemas por conta própria
Apenas não me deixe totalmente sozinha
Baby, o mundo pode me ver dançar
O universo era nosso e depois desapareceu
Mas os céus ainda são azuis
Com ou sem você
E agora estou de pé aqui no meio da multidão
E eu estou dançando”

Every Little Part of Me é o eletropop+synthpop que Kylie faz como ninguém. Simplesmente uma b-side viciante e açucarada na medida certa. Novamente, na letra temos uma mensagem de amor-próprio, com Kylie dizendo que “se você quiser amá-la, tem que amar cada partezinha dela” e que “está melhor do que nunca”, algo que parece estar muito mais ligado a uma mensagem para seus fãs e para seus haters do que a um eu-lírico romântico. Uma ótima surpresa.

Rollin volta ao country raiz, no mesmo estilo de Stop Me from Falling, só que com um refrão um pouquinho mais puxado pro synthpop. Na letra, Kylie fala sobre a superação dos maus momentos e aconselha o ouvinte a ter paciência para tempos melhores virem, de uma forma lírica que impressionou, com destaque para “mas estou muito ocupada pensando/Para impedir que o navio afunde” e a última estrofe:

“Então tome seu tempo
Para amar as pessoas que você tem ao seu lado
Mesmo que te machuquem, o amor não te abandonará
Não tenha pressa”

Low Blow encerra o álbum cheio de pulso, numa mistura de country e rock que poderia ter sido um single que acompanhou 2 Hearts nas promoções de X. Mesmo comparando o ato de se apaixonar com um rodeio na letra, o grande trunfo da faixa acaba sendo o instrumental + os “ooooooh” que Kylie solta. É uma das músicas mais fortes do álbum e, colocada assim no final da tracklist, dá aquele gostinho de quero mais que é sempre bom ter no final de um álbum.

Kylie AlbumGolden provavelmente não será um dos álbuns mais fortes do ano (contando que teremos Kimbra e Janelle Monáe lançando seus álbuns ainda nesse mês), mas fez uma enorme diferença na discografia de Kylie e na progressão dela enquanto artista. Mesmo o último álbum de músicas inéditas dela, sendo divertido de ouvir e não tendo caído numa mesmice de dance-pop genérico e derivativo, ainda parecia que Kylie estava se mantendo no automático desde que os anos 2010 chegaram. E o mercado pode ser bem cruel para umA cantorA com quase 50 anos, ainda mais se ela aposta em músicas dançantes. Com o country concept, mesmo não tendo singles nos topos dos charts, Kylie parou a internet e provou que ainda pode causar e muito no cenário musical, do mesmo jeito que Lady Gaga fez com seu Joanne. Além de tudo isso, tivemos muitas músicas sobre autoaceitação e amor-próprio, algo que eu simplesmente não esperava em algum álbum de Kylie desde Impossible Princess ❤

Kylie
Mas calma aí que o post ainda não acabou xD!!!

PS: Claro que com uma discografia imensa e conceitos completamente diferentes um dos outros em uma jornada que ultrapassa trinta anos de carreira, só de escutar Golden já da vontade de conferir um dos ouros treze álbuns que ela já lançou. Por isto, o Aquário Hipster, em sua 2º EnQuEtE aSsImÉtRiCa, selecionou cinco álbuns, compreendendo a década mais explosiva, diferentona e experimental de Kylie (1997-2007), para vocês escolherem qual deles merece uma Album Review… Que o melhor álbum vença \o/

 

6 comentários em “[Album Review] Kylie Minogue – Golden (ou A diva australiana lançou um álbum de pop-sertanejo bem Taylor Swift Vintage… Será que ele combinará com o estilo dançante dela??)

  1. Eu até que gostei desse álbum… O que é algo completamente positivo pra mim, que não sou muito chegada nas músicas da Kylie.
    Dancing é muito gostosinha. \o/ É a música pra ouvir no carro observando aquelas paisagens bonitas enquanto viaja! Amei.

    Ps: Já quero review do novo álbum da Kimbra, eu tô viciada em Lightyears 💕

    Curtido por 1 pessoa

    1. Nossa verdade kkk Esse álbum é bem coisa pra se escutar em uma roadtrip xD

      PS: Não se preocupe que a Album Review de Primal Heart virá até o final de semana que vem ^^ Lightyears tá bem legal msmo 🙂

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    1. Não se preocupe que não esqueci delas não 8) Já que a Namie resolveu aposentar antes do combinado, eu estou organizando pra não ficar mais nenhum intervalo enormee entre os posts as Albums Reviews dela (aí assim que sair uma, todas vão ir saindo semanalmente/quinzenalmente de uma forma bem mais rápida e fluída ^^)

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