[TOP 5] Ultimatum X n° 2 – Sobre transformações agressivas e melancólicas (ou Agora é a Vampira que tem tudo a ver com música pop!! Como você não percebeu isso antes??)

Depois de conhecermos um pouco mais de Wolverine e outros X-Men a partir das músicas de Utada Hikaru e Christina Aguilera do final dos anos 90/começo dos anos 2000, o século XXI chega com tudo, trazendo consigo a gótica e surreal Vampira!!!

ultimatum X 2

A segunda parte do Ultimatum X é a que foca no período de tempo mais curto dentre todas as outras, consistindo nos anos de 2002 e 2003 (e dando um pontapé inicial em 2005 no fim), onde a criatividade e crueza de Utada Hikaru e Christina Aguilera estavam a mil, mesmo com elas sendo tratadas como super divas pop pelo mercado na época.

Utada Hikaru – Deep River

Cable

Desta vez, começamos com uma baladinha indie. Deep River pode não ser a faixa lenta mais famosa de Utada, mas, com certeza, é uma das mais inventivas, criando toda uma atmosfera etérea para narrar o fluxo da vida e do crescimento, comparando-o com a trajetória de um rio. É o tipo de música reflexiva que acaba tendo o poder de te acalmar E de te fazer pensar sobre a vida ao mesmo tempo… E olha que nessa época Utada tava vendendo horrores como diva pop mainstream!! Quem diria que algo assim viria de alguém com este grau de fama??

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O escolhido para representar Deep River é Nathan Summers, filho de Ciclope com uma clone de Jean Grey (Madelyne Pryor) vindo do futuro, conhecido pelo codinome de Cable. Apesar de parecer um personagem parrudão que dá soco em tudo que se move, seus poderes, na verdade, estão mais envolvidos com telecinese e o olho-laser. Bem no estilo Exterminador do Futuro, Cable vem de um futuro distópico com o objetivo de mudar a tragédia de acabou com sua família, tendo ficado no presente e se moldado a partir de sua nova realidade, superando os traumas do passado e seguindo em frente, assim como a correnteza do rio que Utada fala…

Christina Aguilera – Fighter

Vampira

Depois de ter arriscado sua carreira em ascensão falando dos excluídos socialmente, Christina transformou a faixa mais agressiva de seu álbum, um número de arena rock cheio de versos guturais, em single e deu a ela um vídeo extremamente gótico e cheio de simbologias que deixaria muitos cantores pedantes de agora no chinelo (percebam a transformação dela de lagarta a mariposa no decorrer do vídeo). E o melhor de tudo: ao falar de como ficou mais forte depois de um homem a ter enganado, Xtina não está nos contando sobre um caso romântico, mas sim sobre as falcatruas que ocorreram com ela na produção de seus álbuns!!

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O universo dos X-Men tem muitas lutadoras, mas poucas conseguiram superar as adversidades como Anne Marie, a Vampira, superou. Com um poder que é mais uma maldição (absorver parte da essência de qualquer um que encoste em sua pele), ela tinha tudo para permanecer como uma vilã (afinal, em sua primeira aparição, ela foi vilã dos Vingadores @.@’) ou ser uma heroína sem qualquer controle sobre si mesma. Sua jornada é um caminho duro e melancólico, com várias decepções envolvendo os mil e um mutantes que a enganaram e a fizeram comer o pão que o diabo amassou (Mística e Magneto, por exemplo), mas isto não impediu Vampira de erguer-se cada vez mais forte e com cada vez mais segurança, não apenas sobre seus poderes, como também sobre si mesma, mostrando que tudo que lhe fizeram de mal apenas a deixaram mais forte.

Utada Hikaru – Colors

Homem de Gelo

Utada não chega a ser agressiva em Colors, mas a faixa dá um papel mais ativo para sua persona, utilizando-se de simbologia das cores para expressar seus sentimentos e sua indignação quanto as atitudes e transformações incompreensíveis do ser humano. Novamente apostando em um pop mais etéreo, a música está recheada de elementos completamente diferentes entre si, desde sintetizadores new wave até violinos orquestrais. A performance vocal de Utada aqui, inclusive, está bem mais apocalíptica que o costume, dando um pouco a impressão de que ela está desesperada para ser compreendida, uma vez que, como diz na letra, tornou-se uma “cor desconhecida”.

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Bobby Drake, o Homem de Gelo, está nos X-Men desde a primeira aparição da equipe em 1963 e ninguém o entende muito bem. Às vezes, ele é um piadista espirituoso que faz umas burradas, noutras, ele é aquela pessoa presa em si mesma, procurando uma forma de se expressar entre tantos outros X-Men. Foi aí que em 2015, em uma jogada um tanto inusitada do roteirista Brian Michael Bendis, o Homem de Gelo se assumiu enquanto homossexual e, de certa forma, todas as facetas do personagem fizeram sentido. Isto porque Bobby não entra em nenhuma das “cores” propriamente ditas de seus papéis sociais: ele não é um x-man típico, um herói típico, um alívio cômico típico, um personagem LGBT+ típico; e por isto mesmo que, conforme ele é desenvolvido, percebemos que, assim como Utada, sua cor é desconhecida.

Christina Aguilera – Cruz

Jubileu

Ainda no mesmo álbum de Fighter e Beautiful (Stripped), esta álbum track representa muito bem o diferencial de Xtina para com outras divas pop da mesma época, muito por conta de seu tema inovador para uma artista mainstream e, ao mesmo tempo, comum. Cruz é uma baladinha de rock que incorpora elementos de soul para nos contar sobre o sentimento contraditório de deixar a casa dos pais e ir morar sozinho. A faixa se constrói enquanto Christina vai se afastando de seu antigo lar e percebe que finalmente está começando a viver (em um trocadilho interessante entre leaving – partir – living – viver), mas, ao mesmo tempo, tendo a certeza de que um dia ainda sentirá falta de seu antigo lar com a mãe. Por mais incrível que pareça, Utada tem uma música com o mesmo tema lançada pouco depois, que só não entrou aqui por eu ter conhecido Cruz primeiro e acabar preferindo ela.

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Muito dá pra se concluir de Jubilation Lee (sim, este é nome dela e não o codinome…), conhecida como Jubileu, depois de você descobrir que ela foi criada no final dos anos oitenta como representante de uma nova juventude que se juntava aos X-Men. E é exatamente por seu papel enquanto uma jovem e otimista adolescente, que finge que não leva as coisas muito a sério e faz piadas a rodo, que Jubileu é lembrada, mostrando a esperança em um futuro cheio de possibilidades que a letra e melodia de Cruz tentam passar. A propósito, a mutação dela é tão importante pra sua estória que são poucos que se lembram que seu grande poder (sem contar o seu grande senso de estilo, claro, olhem esses óculos rosa!!!) é atirar fogos de artifício das mãos.

Utada Hikaru – Be My Last

Ciclope

Do otimismo ao pessimismo, passamos para uma das baladinhas acústicas mais tristes de Utada. A música não é memorável muito pelo instrumental, pela letra ou pelo clipe, mas por todo o seu conjunto, que trabalha em harmonia para apresentar uma balada padrão, bem feita, que dá um caráter nostálgico e melancólico que convence. É como se aquela mesma triste história de amor estivesse sendo contada para nós e, mesmo assim, nós chorássemos.

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E qual é a grande tragédia clássica dos X-Men?? A morte de Jean Grey. E quem mais sofreu com isso?? Scott Summers, o Ciclope. De magrelo atrapalhado que mal conseguia controlar suas rajadas ópticas direito a líder frio e desconfiado, Scott sempre carregou dentro de si a culpa pela morte de Jean e, mesmo com os sucessivos retornos da personagem, ele ainda tem uma carga de ódio e tristeza que o perseguem aonde quer que ele vá, não importa o que ele faça.

E esta foi a segunda parte de Ultimatum X!!! Na próxima, alguns anti-heróis e vilões dividiram espaço com uma estéticas retrôs e futuristas!!! Aguardem xD

PS: a arte utilizada na capa do post é uma das capas de uma das edições do gibi solo do Vampira, desenhada por Rodolfo Migliari.

Confira os outros posts de Ultimatum X: nº 0 | nº 1 | nº 3 | nº 4 | Album Review Liberation | Album Review Hatsukoi

4 comentários em “[TOP 5] Ultimatum X n° 2 – Sobre transformações agressivas e melancólicas (ou Agora é a Vampira que tem tudo a ver com música pop!! Como você não percebeu isso antes??)

  1. Nossa isso aqui está fiando cada vez melhor! Não conhecia essa colors da Utada, mas com certeza já vou baixar, e minha favorita, sem dúvida alguma, foi be my last/Ciclope, encaixou muito bem. Sempre gostei do personagem nos quadrinhos, ele é um baita mozão pra se apaixonar, já o Ciclope do filme…

    Ps;Em relação a Aguilera, admito que nunca gostei muito das músicas dela, mas seus posts super divertidos estão me fazendo olhá-la com outros olhos.

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    1. O Ciclope do filme não evoluiu muito não kkkk (até porque o grande personagem responsável – que aparecerá no Ultimatum nº 3 xD – por sua evolução não deu muito as caras nas telonas…), fico feliz que esteja gostando dos posts e dando uma chance para as invencionices da Xtina 😀

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  2. Agora que tô lendo a série Ultimatum X, consegui captar o que você queria fazer nesses posts. A admiração por Christinão vem desde pequenx, já Utadão tá sendo descoberta por mim pouco a pouco (e confesso que tô simplesmente amando essa viagem no tempo na discografia dela). Gostei da associação de Lady Marmalade com Gambit e de Fighter com Vampira, músicas maravilhosas do hinário de X-Tina!

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