[Album Review] Utada Hikaru – Hatsukoi (ou Será que o novo álbum de Utada chega aos pés de seu último lançamento??)

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Como resultado de uma enquete marota no twitter para ver qual álbum teria sua review primeiro no Aquário Hipster, as divas do Ultimatum X, Utada Hikaru e Christina Aguilera empataram em primeiro lugar, deixando o recém lançado álbum da Aretuza Lovi em segundo. Por isto, aqui estamos nós terminando o Ultimatum X, com os Albums Reviews de Hatsukoi e de Liberation!!!! A ideia era postar os dois ao mesmo tempo, mas como o da Utada estava quase pronto e a internet está horrível para eu conseguir terminar o da Christina hoje, agora ficamos só com Hatsukoi mesmo. Será que em seu novo álbum, Utada chegou aos pés das faixas que relacionamos com os X-Men??

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Tracklist:

  1. Play a Love Song
  2. Anata (You)
  3. Hatsukoi (First Love)
  4. Chikai (Oath)
  5. Forevermore
  6. Too Proud (feat. Jevon)
  7. Good Night
  8. Phakchi no Uta (Coriander Song)
  9. Nokoriga (Remaining Scent)
  10. Oozora de Dakishimete (Embrace Me Under the Big Sky)
  11. Yuunagi (Evening Calm)
  12. Shittosarerubeki Jinsei (A Life to Be Envied)

Começamos o álbum com Play a Love Song, uma das duas músicas que representaram Utada enquanto rainha da hidratação no começo do ano, um número de dance-pop leve, que mistura versos orgânicos guiados por piano com um refrão de sintetizadores agudinhos. Na letra, Utada te convida a relaxar um pouco da pressão que colocamos em nós mesmos ao perguntar se podemos tocar uma canção romântica. Confesso que quando vi o comercial de água aí em cima, eu tinha achado uma faixa bem X, mas agora ela serviu perfeitamente para abrir o álbum.

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Mas a capa do single é linda XD

Anata (You), como pode se esperar, é uma faixa romântica (podendo inclusive ser a Love Song que Utada fala na faixa anterior) falando com figuras de linguagem lindas sobre como o carinha é tudo de bom, a entende e divide a trajetória da vida com ela (“vamos nos submeter a nossas dores intermináveis/e continuar a jornada, querido”). O instrumental começa mais orquestral, assim como várias faixas de seu último álbum, Fantôme, passa por um som de instrumentos de sopro típico de R&B clássico e depois mistura tudo em um breakdown cheio de harmônicos.

Hatsukoi (First Love) referencia o primeiro sucesso de Utada (que eu particularmente não sou muito fã), mergulhando mais fundo no instrumental orquestral e se tratando de uma baladinha propriamente dita. O tema ainda é um amor romântico, mas desta vez com um fator de nostalgia, com Utada falando sobre os exageros e encantos do primeiro amor (“Nós nos satisfaziamos com coisas pequenas/e também nos machucavamos por coisas pequenas”).

Chikai (Oath), o tema principal do novo jogo do Kingdom Hearts (percebam como Utada consegue ser cult e marqueteira ao mesmo tempo, associando suas faixas super pessoais com todo tipo de mercadoria), traz novamente um R&B com tons orquestrais, desta vez misturando as duas sonoridades ao mesmo tempo, criando uma sensação de estranheza e desconexão que combina com a letra melancólica, falando sobre encarar as incertezas da vida sobre si sem cair em promessas vazias e comuns, que acabam não tendo muito efeito, só fazendo a gente se sentir pior (“Eu não sei sobre destino/ mas eu não tenho escolha/a não ser aceitar esta minha existência atual”).

Forevermore ainda é um grande ode romântico canceriano e o single mais forte de Utada nesta nova onda de lançamentos que prenunciavam Hatsukoi. Entretanto, em meio a tracklist, a faixa ganha uma nova roupagem, podendo se tratar de Utada falando consigo mesma (“Mas o que faz de mim ‘eu’/ não são os valores um enraizados em mim ou nas preferências pessoais que adquiri”). A melhor parte é claramente todo o caráter indie e cru que ela deu ao lançamento ao fazer a própria coreografia interpretativa pra faixa.

Too Proud se trata de outra faixa mais experimental, que mantêm uma base de minimal pop enquanto passa por diferentes instrumentais que estariam em casa nos lançamentos do Wednesday Campanella, mantendo um contraste hip-hop e R&B nos vocais de Utada e Jevon a todo momento no melhor estilo 90s realness. Na letra, temos Utada dizendo sobre como o orgulho pode impedir o desenvolvimento de um relacionamento preso pela monotonia (“O amor é amaldiçoado pela monogamia”), que, provavelmente, deve ter relação com o estado de seu casamento que levou ao divórcio neste ano.

Good Night nós traz uma baladinha aesthetic de rock, onde já podemos imaginar um clipe no meio do deserto com Utada andando melancólica sem olhar para trás. A letra é uma das mais simples do álbum, apostando em repetição sem fim do refrão e vários gritinhos harmônicos para falar o quanto Utada não gosta de dizer adeus (“Olá, mundo que você assistia/a solução de suas charadas nunca termina”).

Confesso que Phakchi no Uta (Coriander Song) era a faixa que eu mais estava curioso quando saiu a tracklist. Em uma baladinha leve com toques de jazz e bossa-nova, a Música do Coentro nos trás uma letra dadaísta típica de músicas infantis, como uma espécie de mantra para acalmar, falando sobre os dias ensolarados e chuvosos da vida (“Hoje pode ser o aniversário do sol/vamos fazer curry para ele e dizer ‘Parabéns’!”). Uma surpresa meio estranha que, com certeza, vai acabar crescendo dentro de mim com o passar do ano.

Nokoriga (Remaining Scent) volta a um tom mais melancólico em uma balada experimental, no mesmo estilo de colocar instrumentais aparentemente desconexos ao mesmo na faixa, falando sobre saudade (“Eu aprendi que mesmo coisas que não podem ser quebradas/as vezes quebram/por engano agora”). Não é nenhum destaque do álbum, mas não cai no ostracismo em nenhum momento.

Oozora de Dakishimete (Embrace Me Under the Big Sky), a outra faixa das propagandas de água, volta ao sentimento mais escapista do começo do álbum, juntamente a um instrumental orquestral com mais pulso misturando-se em intervalos com R&B mais padrão e folk. Mais especificamente, aqui temos Utada narrando o vai-e-vem de um relacionamento (provavelmente o seu próprio) e o desejo de apenas esquecer as complicações e viver só as partes boas, mesmo reconhecendo enquanto um pensamento egoísta (“Se nós pudéssemos voar nas nuvens/então apenas me abrace nos ceús”).

Yuunagi (Evening Calm) acalma um pouco o clima, falando sobre, justamente, sentir-se calmo. Por meio de uma melodia de piano, Utada nos conta sobre um instante em que se respira fundo e fazemos o máximo possível para ficarmos tranquilos com todos os problemas da vida, afinal, tudo dará certo no final. Em certos momentos, os vocais de Utada ficam tão aesthetic que realmente parecem imitar o movimento do barco que ela menciona observar no começo da música (“Um pequeno barco deixa para trás/um corte no mar espelhado”).

Shittosarerubeki Jinsei (A Life to Be Envied) encerra o álbum com Utada referenciando diretamente o fim de seu casamento e as expectativas que se esperavam para o tipo de vida que ela deveria levar enquanto mulher casada (“Eu vou parar de viver a vida/apenas para satisfazer as expectativas dos outros”). A melodia muda a todo momento, começando um um dance-pop retrô, passando pelo R&B, orquestra, beats eletrônicos e minimal pop, juntando, de certa forma, todas as melodias vistas no álbum ao mesmo tempo que apresenta algo completamente novo e diferente do resto. É um ótimo encerramento tanto em relação ao instrumental quanto em relação a letra, com Utada abraçando seu novo eu e seu futuro com novas perspectivas, tanto profissionalmente quanto pessoalmente.

Conclusões CC#1

Hatsukoi é, em resumo, uma ótima evolução de Utada depois de Fantôme. Ela nos trás um lado experimental distinto do que mostrou em toda sua carreira, levando todas as suas referências R&B e orquestrais consigo, mantendo sua melancolia típica (e suas letras tocantes) ao mesmo tempo que se torna cada vez mais pessoal consigo mesma e com o tema de suas músicas. Ela é uma das poucas artistas que não precisa de nada super-explosivo numa tracklist para fazer um álbum funcionar e consegue ser chill e reflexiva sem cair na chatice que nem outros cantores por aí. Realmente, desde seu revival em 2016, Utada só está evoluindo e mostrando do bom e do melhor xD

Confira os outros posts de Ultimatum X: nº 0 | nº 1 | nº 2 | nº 3 | nº 4 | Album Review Liberation

Um comentário em “[Album Review] Utada Hikaru – Hatsukoi (ou Será que o novo álbum de Utada chega aos pés de seu último lançamento??)

  1. Sobre Utada, digo uma coisa: se ela gravar um terceiro álbum com muita música melancólica, vou começar a ficar seriamente preocupadx com a saúde mental dela. Aguardo ansiosamente algumas “farofas” bem no estilo de Traveling no próximo álbum dela

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