[Album Review] Kylie Minogue – Fever (ou Resultado da Última EnQuEtE aSsImÉtRiCa: Será que o álbum mais famosinho de Kylie é tudo isso??)

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FINALMENTE!!!! Depois de alguns meses no canto do blog, temos o resultado da EnQuEtE aSsImÉtRiCa, que chegou a 100 votos!!! O álbum vencedor foi Fever, com 29% dos votos, o grande destaque na carreira de Kylie Minogue, com que levou dos mercados domésticos da Austrália e da Inglaterra para o mundo e influenciou toda a lógica estética e sonora por trás pop americano, tendo repercussões por toda a primeira década deste milênio!!! Será que o álbum vale toda esta fama??

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Tracklist:

  1. More More More
  2. Love at First Sight
  3. Can’t Get You Out of My Head
  4. Fever
  5. Give It to Me
  6. Fragile
  7. Come Into My World
  8. In Your Eyes
  9. Dancefloor
  10. Love Affair
  11. Your Love
  12. Burning Up

Antes de começarmos, a ideia original por trás do resultado desta EnQuEtE aSsImÉtRiCa era fazer uma fanfic surpresa baseada no álbum vencedor. No caso de Fever, minha ideia era fazer uma estória de ficção científica, com Kylie sendo uma androide alienígena que foi enviada a Terra para estudar os humanos… E acabou se apaixonando por baladas kkkk

Porém, depois de dois posts gigantes de fanfic (A Saga do Loonaverso e A fanfic de Love Yourself, do BTS), vamos respirar um pouco de ar fresco e só curtir um pouco o pop descontraído e dançante que Kylie nos entrega neste álbum xD Quem sabe quando eu criar uma conta no Wattpad, esta fanfic venha a tona…

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O álbum começa com More More More, que funciona como intro tanto pelo ritmo quanto pela letra (“garoto, eu só quero mais, mais, mais”). Aqui, Kylie nos introduz as misturas atmosféricas de club songs, tecno e disco que se mostraram no álbum com uma uptempo moldada por batidas tecno e acordes de baixo. A voz suspirada dela, aqui, dá textura ao instrumental e atinge picos altos nos harmônicos suspirados que ela solta no breakdown, que, inclusive, é, de longe, a melhor parte da música (“desista, desista, não é o suficiente, apenas dê-me mais, mais, mais”).

Love at First Sight continua com a estrutura básica de uma club song, mas, indo da água pro vinho, Kylie está mergulhando fundo no teen pop noventista, sendo super romântica falando que se apaixonou a primeira vista pelo/a crush, cheia de melismas vocais fofinhos e fininhos. Ainda temos referências ao tecno, mas, pra dar uma diferenciada, a brigde coloca um violão no meio dos sintetizadores. O clipe, por sua vez, tem muito do baixo orçamento que vemos em divas pop por todo o mundo: é gravado inteiro numa caixa, com dançarinos aleatórios no fundo usando roupas bregas e chamativas e, pra coroar, efeitos de filtro na imagem (que, na época, era, de fato, super tecnológico e inovador). O que me incomoda um pouco, apenas, é a proximidade com que ela está da câmera (parece que Kylie vai te dar uma cabeçada a qualquer minuto) e a sombra azul neon signa de MC Loma.

Can’t Get You Out of My Head, o grande single da carreira de Kylie Minogue até agora, o smash hit que está entre os singles mais vendidos de todos os tempos, a primeira música no Reino Unido a vender mais de um milhão de cópias… Os impactos e efeitos são gigantes pra uma música que, em essência, era bem mais simples e direta de tudo que tinha de mainstream no pop da época. E é justamente na simplicidade que a faixa acerta. Com poucos versos, uma batida house raiz, sintetizadores tecno e a repetição infinita de “la la la”, a estrutura da faixa se tornou a referência em pop chiclete por ANOS. Como lead single do álbum, é o clipe mais trabalhado e icônico (mas não o meu preferido, diga-se de passagem) de todo ele, cheio de fundo verde (outra inovação super em voga na época), danças robóticas e o icônico e bizarro macacão branco que é ligado a imagem de Kylie até hoje. O tema da música é uma obsessão sobre algo/alguém que simplesmente não sai da cabeça, ganhando até uma roupagem sombria com a interpretação atmosférica da voz de Kylie (que, apesar de ser suspirada, não tem muito sexy appeal e nem pretende ter).

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Fever, a faixa que dá nome ao álbum, é um pouco mais contida que as outras, assim como tem uma letra um pouco mais trabalhada. Aqui, temos Kylie comparando o fato de sentir-se apaixonada com febre literalmente, chegando a perguntar pro “doutor” o que ele prescreve para estes sintomas. Sobre o instrumental, temos o número mais tecno do álbum, com toques bem leves de R&B na batida constante, mantendo vocais em coro previsíveis e sem grandes gritos. É uma das faixas mais fracas do álbum, mas acaba cumprindo sua função ao criar um pouco de variabilidade na tracklist, que acaba não sendo excessivamente homogênea até aqui.

Kylie Minogue - Love at First Sight.png

Give It to Me é, particularmente, uma das minhas preferidas. Um número disco agressivo que cria um ótimo contraste entre a letra, onde Kylie manda o carinha ir mais devagar, e a melodia, que acelera continuamente até explodir num breakdown maravilhoso e repetitivo (“dando seu amor pra mim/oh tão certo então não consegue ver/você é um tipo de fantasia/do jeito que eu gosto”), onde Kylie dá uma de Hatsune Miku e faz rap até desaparecer. Além de tudo, a faixa é extremamente curta e acaba de repente, aumentando seu replay factor.

Fragile é o mais próximo que o álbum chega a uma baladinha, mas é um eurodance. Parece meio estranha a junção destes dois ritmos, mas Kylie nos prova que é possível, mantendo a batida contida (assim como em Fever) e dando uma interpretação vocal sensível, com efeitos de eco pra ficar aesthetic e atmosférico. Kylie nunca foi ou pretendeu ser uma cantora de grandes melismas vocais e em músicas como esta ela mostra que realmente não é preciso dar altos gritos pra soar como se estivesse de coração partido. E esta figura de linguagem, a propósito, nos leva diretamente a letra, que utiliza da metáfora para comparar o coração decepcionado com um vidro frágil, que pode se partir a qualquer momento. O verso que eu mais gosto é o pré-refrão, onde ela diz: “mas eu sinto borboletas/águas nos olhos”. Estão vendo?? É possível ter uma faixa sentimental sem ser baladinha sem graça… As divas pop só precisam se lembrar disso @.@’

Come Into My World foi o último single da era, encerrou toda a promoção do álbum no mundo e ganhou o Grammy Award 2004 para Best Dance Recording. Eu, sinceramente, não tenho como criticar esta escolha, ainda mais tendo o clipe mais simples e inusitado de todo o álbum, onde outro efeito inovador da época (duplicar a imagem no vídeo) foi utilizado com maestria, dando um bug no cérebro quando você vê pela primeira vez (sério, quando tem quatro Kylies no final eu jurava que uma ia trombar com a outra). Além disto, a estrutura da faixa é extremamente parecida com a de Can’t Get You Out of My Head, utilizando-se da batida house e dos sintetizadores tecno quase que da mesma maneira (a diferença aqui se dá muito mais pela interpretação aesthetic de Kylie e por ter mais conteúdo na letra). O tema, como era de se esperar, é sobre amor, convidando o interlocutor a conhecer mais de sua visão de mundo, agora que os dois estão juntos.

In Your Eyes consegue ter um clipe mais simples e baixo orçamento que Love at First Sigh, com ela fazendo a coreografia junto de uns cinco/seis dançarinos tendo como pano de fundo várias luzes neon. Mesmo assim, dois dos três figurinos de Kylie estão incríveis (principalmente a cauda vermelha com o espartilho) e a parte em que eles fazem Olha a Onda ficou memorável. A música é dance-pop com grandes influências do disco, falando sobre a expressividade dos olhos do/a crush (é incrível como várias músicas deste álbum não dão gênero ao interesse romântico da vez): “está em seus olhos/eu posso dizer o que está pensando/meu coração está afundando também”. Na interpretação vocal, temos a recém-descoberta da Cher na época, o autotune, sendo utilizado de forma a processar a voz da Kylie de uma forma meio robótica.

Kylie Minogue In Your Eyes.pngDancefloor é um número mais “clássico” de eurodance, falando sobre superar as decepções do fim de um relacionamento na pista de dança. De todas as faixas do álbum, é a que mais destoa e que soa datada, parecendo que foi lançada no começo dos anos noventa @.@’ Por não ter o mesmo apelo pseudo-futurista do resto do álbum, ela acaba perdendo um pouco em comparação, mas, assim como Fever lá no começo, dá uma variabilidade na tracklist.

Love Affair traz mais um pouco de autotune (quase todas as faixas trazem, na verdade, mas, pra não chover no molhado, eu estou apenas destacando as em que está mais evidenciado). Aqui, temos novamente a batida eurodance só que misturada com tecno E uma guitarra meio perdida no instrumental, que ganha muito com a voz processada de Kylie, principalmente pelos gritinhos robóticos que ficam em segundo plano. Na letra, temos ela falando que é uma mulher ocupada que não tem muito tempo pra esperar o/a crush tomar a iniciativa “eu só estou aqui por um tempinho/você gostaria de me levar pra sair hoje”.Come into my World single.png

Your Love, como pode se esperar, é uma faixa genérica sobre as sensações inebriantes do amor. Outro eurodance, desta vez com auxílio de sons mais orgânicos como violão e xilofones, de um instrumental mais contido e escondido na faixa. É outra música que poderia ser uma baladinha, mas não foi. Não chega a ter a mesma iconicidade de Fragile e é meio inofensiva, mas, pelo menos, não é uma baladinha.

Burning Up encerra o álbum (vamos ignorar os mil remixes e as mil versões alternativas que o álbum recebeu depois que Can’t Get You Out of My Head hitou) contrastando um som acústico nos versos com club song no refrão. Sendo uma faixa mais lenta, mas ainda dançante, tem todo aquele clima de música pra tocar no final da festa ou nos créditos do filme. Com pouca letra e apostando na repetição, a faixa sugere ser sobre amor romântico, mas eu interpreto como um pequeno ode ao grande amor de Kylie: a pista de dança.

Conclusões RV#1

Fever é um álbum bem construído e produzido, conseguindo ser homogêneo e genérico no bom sentido. Foi por este álbum que eu conheci o trabalho da Kylie e, digo com toda certeza, foi por conta do alto grau de qualidade e comprometimento com o dance-pop (que é tão díficil e complexo de fazer quanto algo mais indie ou mais conceitual) que eu acabei me apaixonando por ela (e olha que este nem é meu álbum preferido da Kylie). E o impacto do projeto não se encontra apenas numa questão de opinião: dois grandes lançamentos dos anos 2000s, Toxic, da Britney Spears, e o álbum Confessions on the Dancefloor, da Madonna, foram influenciados pela estética e sonoridade que Kylie Minogue nos proporcionou aqui.

Pra finalizar, como diz no título do post, aviso vocês que esta é a última EnQuEtE aSsImÉtRiCa… O formato acabou não funcionando em relação ao calendário de posts de tudo mais, então vou dar uma repaginada conceitual e (mais cedo do que todas e todos vocês imaginam kkk) teremos uma nova enquete no canto do blog ^^ Obrigado por terem votado xD

Clique aqui e conheça outros posts sobre divas pop no Aquário Hipster, desde rainhas dos anos 80 até lançamentos recentes nos EUA!!!

Gosta de eurodance, tecno e dance pop?? Conheça A Saga da Diva Quase Aposentada Namie Amuro e saiba mais sobre a carreira de uma das grandes solistas do pop japonês:

4 comentários em “[Album Review] Kylie Minogue – Fever (ou Resultado da Última EnQuEtE aSsImÉtRiCa: Será que o álbum mais famosinho de Kylie é tudo isso??)

  1. “não é preciso dar altos gritos pra soar como se estivesse de coração partido”

    Quantas divas pop desse mundo precisam saber disso, né? Mas enfim, a primeira música que ouvi de Kylie foi Can’t Get You Out of My Head. No caso, descobri a faixa ainda criança, quando tinha só dez anos de idade e gostava (ainda gosto) do jeito suspirado com que ela canta esse hino. Mais tarde, na adolescência, descobri mais e mais trabalhos dela, justamente por causa que na época, ela lançou o X, outro belo hinário dela. Ainda adolescente, fui “redescobrindo” outros trabalhos dela e lembrando de músicas que vagamente ouvi dela enquanto criança, mas que nesse período, não foram tão marcantes quanto o megahit CGYOOMH (pra não soar repetitivo, kkkk). Desde então, foi só amor pelo que essa mulher lança, só que detalhe: gosto da Kylie mais do ano 2000 pra cá, já que acredito que ela foi inovadora daí pra frente. Mas ainda quero dar chance a uns hits aqui e ali dela antes desse período. Quanto ao álbum Fever, só de saber que tem bate-cabelo nele do começo ao fim, vou tirar um tempo pra ouvi-lo todo, já que só conhecia os lead singles.

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    1. Comigo foi a mesma coisa!! Eu fui escutando alguns singles soltos e depois peguei os álbuns dela de 2000 pra cá pra ouvir (concordo que é a fase mais inventiva dela), mas já comecei a dar uma chance pra Kylie Século XX com Impossible Princess (que é o lançamento mais indie dela o.O’) e foi bom ^^

      Apesar de não muito alcance vocal, acho incrível como ela consegue moldar a voz dela pro que a música pede, CGYOOMH (qualquer sigla deste single fica enorme kkk) é um dos ápices dela nisso!

      E fico feliz que a Album Review tenha te inspirado pra ouvir Fever xD Certeza que você vai gostar!

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  2. Acho que foi a descoberta de quase todos, também conheci atráves do hit. Só não acompanhei os álbuns dela de perto e ouvi todos por na época a internet e a as coisas serem limitadas e descobria suas músicas por conta de um canal de clipes que passava na minha cidade e pela rádio local.
    Sou do tipo de “fã” que não conhece as músicas e sim escutando hihihihi. Aproveitando, vale destacar que curto esse estilo dela cantar em algumas músicas, com a sensação de estar num corredor longe e a voz ecoando 💟

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    1. Eu demorei muito pra ir atrás dos álbuns dela também (minha paixão pela discografia explodiu mesmo no ano passado pra você ter uma ideia kkk) e até me choquei porque tinha umas que eu já conhecia mas não sabia o nome também kk (até hoje tem umas músicas mais antigas que eu curto/curtia que não faço ideia qual seja o nome o.0)

      A propósito, acredita que foi por um canal de clipes na TV que eu descobri Gee, do Girls’ Generation, e decidi escutar de vez k-pop?? kkk

      Sobre o jeito de ela cantar, uma “sensação de estar num corredor longe a voz ecoando” é, realmente, um ótimo jeito de descrever xD Não conheço nenhuma cantora que tente emular este estilo da Kylie e consiga algo tão bom, por mais capacidade vocal que tenha @.@’

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