[Album Review] Troye Sivan – Bloom (ou O hype foi grande… Será que o novo álbum de Troye atingiu as expectativas??)

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Esta sexta-feira foi um dia particularmente atribulado para fãs de música pop hipsters que não se contentam com lançamentos de um só país: tivemos o novo single do Rouge no Brasil, o final do Produce 48 na Coreia do Sul e o lançamento do novo álbum do Troye Sivan nos EUA. Quem já viu alguns posts de Volta ao Mundo aqui no blog, deve lembrar o quanto eu estava no hype para este novo álbum sair, então (depois de criar um pequeno hype no twitter) cá estou eu pra verificar se o nome jovem mais famosinho em termos de representatividade LGBT+ na música pop mainstream realmente atingiu as expectativas… Ou se é melhor darmos replay em Blue Neighbourhood mesmo.

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Tracklist:

  1. Seventeen
  2. My My My!
  3. The Good Side
  4. Bloom
  5. Postcard (feat. Gordi)
  6. Dance to This (feat. Ariana Grande)
  7. Plum
  8. What a Heavenly Way to Die
  9. Lucky Strike
  10. Animal

Quanto ao Rouge e ao Produce, saibam que logo as rainhas brasileiras aparecerão aqui no blog e que, se o IZONE debutar com música muito boa/muito ruim, certeza que teremos uma Album Review ou um Duelo Musical experto (até lá, confira a decepção  que foi a revelação das integrantes vencedoras clicando aqui).

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Já começamos o álbum muito bem com apenas DEZ faixas oficiais. É uma tracklist extremamente enxuta e que tem pouco espaço para ter derrapadas ou faixas genéricas (inclusive, este é um dos problemas no primeiro álbum do Troye). Sério, saudades de um ato voltado pro mercado norte-americano apostando em álbuns mais curtos…

Troye Sivan My My My!.pngSeventeen começa o álbum criando uma ponte entre a era anterior de Troye e sua era atual. Se em Blue Neighbourhood tínhamos uma aura juvenil e adolescente que está descobrindo sua sexualidade, em Bloom já temos músicas que representam uma maturidade e desenvolvimentos um pouco maiores. Aqui, esta transição é representada pela história da faixa, contando a experiência sexual que Troye experimentou aos dezessete anos com um homem mais velho que ele conheceu por um aplicativo de relacionamento, principalmente por meio do verso “menino se torna um homem agora/não há como falar para um homem parar”. O instrumental é um daqueles números indie aesthetic e atmosféricos, onde sintetizadores sutis se juntam com instrumentos aleatórios que se misturam nos versos. Funciona muito bem como intro para o álbum… Sorte que não colocaram no meio da tracklist!!

My My My!, o primeiro single do álbum, volta ao synthpop melancólico do primeiro álbum dele, em um clipe meio desapontador, com ele sensualizando a la Taemin, falando sobre amor romântico e sexy sem interagir com absolutamente ninguém @.@’ A música acabou perdendo um pouco da força depois de outros lançamentos dele, mas não deixa de ser uma faixa interessante, que consegue misturar fatores mainstream e indie de forma a agradar os dois públicos… Se tivesse um clipe mais memorável, a faixa teria um pouco mais de impacto comigo.

Troye Sivan The Good Side.pngThe Good Side foi o primeiro single promocional do álbum e, devo dizer, foi a música que me deixou mais animado pra este lançamento antes de Bloom ser lançada como single. Começando como uma baladinha inofensiva no violão, o instrumental se transforma depois do segundo refrão, explodindo em sintetizadores aesthetics e melancólicos, dando um caráter extremamente inusitado para a construção da faixa (que, inclusive, tem uns três breakdowns) e me lembrando de baladas indies que eu ouvia lá pra 2013/2014… A letra dá uma coroada nisto, falando sobre o término de um relacionamento de uma forma etérea, como se o eu lírico fosse mais uma entidade da natureza do que um ser humano. Meu verso preferido foi: “eu tenho o lado bom da vida/viajei o universo duas vezes” .

Bloom foi uma jogada extremamente audaciosa por parte de Troye. Utilizar um dream-pop extremamente catchy para representar o ato de ser o passivo durante o ato sexual (com várias analogias com o desabrochar de uma flor) quebrou muitas das barreiras que o tema poderia encontrar no grande público, sendo, mesmo o single não se tornando nenhum super hit, alvo de vários elogios mundo afora. O clipe melhora e muito a pobreza de My My My!, recheado de referências a cultura pop e drag LGBT+ dos anos 80 e 90, e consegue ser icônico (mesmo que eu ainda ache os clipes anteriores dele melhores). De longe, a melhor faixa do álbum.Troye Sivan Bloom.png

Postcard é outro número mais lento no álbum, desta vez com a participação da cantora indie de folk+eletrônica, Gordi, em uma baladinha no piano com coros. Apesar de ter um começo interessante, acaba caindo num limbo meio genérico pela sonoridade mais lugar comum, nem conseguindo a letra sobre sentimentos afetuosos e amargos salvar a faixa de ser a mais esquecível do álbum.

Dance To This foi o momento em que Ariana Grande resolveu ser caridosa e fez um feat com Troye, dando uma boa visibilidade pra toda a série de promoções deste álbum. Em um número de R&B oitentista e seus típicos baixos proeminentes, temos uma faixa sobre dançar loucamente para esquecer os problemas da vida. É nítido como Troye é naturalmente melancólico, já que nem o tema party hard conseguiu convencê-lo a escrever uma faixa menos melancólica o.0′ Depois de achar bem qualquer coisa quando lançou, depois de ver o clipe refletindo muito da melancolia dos anos oitenta e da atual, acabou se tornando um destaque pra mim, já que confluiu muito bem a onda nostálgica que atingiu o mundo com as incertezas que a sociedade líquida traz para a juventude de hoje. Quem diria que um clipe aparentemente simples poderia ser tão efetivo??

A high exposure polaroid-like still of Sivan and Grande

Plum traz uma tema interessante de uma forma inusitada. Comparando o desgaste de um relacionamento com o estragar de uma ameixa, Troye diz para o carinha que eles tem terminar, afinal “eu era o verão, você era a primavera/você não pode mudar o que as estações trazem”. O instrumental tem como base um synthpop redondinho, adicionando elementos e sintetizadores aleatoriamente conforme a música evolui e chega a um pré-refrão em contry EDM. Memorável, hipster, melancólico e catchy, não esperava menos de Troye.

What a Heavenly Way to Die é um número atmosférico e meio aleatório de vaporwave e minimal pop. A letra mais sugere um tema do que fala propriamente dele. É o tipo de faixa inusitada que eu esperaria figurar no novo álbum da Kimbra (e acabou não aparecendo), não possuindo muito replay factor, mas sendo tão estranha e bem encaixada na tracklist que não só funciona, como se destaca… Ainda mais estando logo após uma faixa mais rápida tempo mais alto.

Troye Sivan Animal.pngLucky Strike começa parecendo que tentará emular a faixa anterior, num R&B aesthetic, até o refrão virar um pop oitentista baseado no baixo super agradável de ouvir. Depois, a expectativa para a volta do refrão acaba mantendo os versos e o pré-refrão sólidos. A letra compara a companhia do boy com o gosto dos cigarros Lucky Strike (num bom sentido), tendo como conjunto de versos mais notáveis: “e meu garoto como uma rainha/diferente de qualquer um que você viu”“porque você tem gosto de Lucky Strikes/você traga, eu acendo, garoto”. Simples e repetitiva, traz o mesmo efeito de Plum e Dance to This mesmo soando completamente diferente.

Animal encerra o álbum (vamos ignorar as duas faixas bônus de edições especiais do álbum por motivos de acessibilidade e também porque este tipo de faixa geralmente estraga a tracklist e é bem genérica), com uma baladinha aesthetic no baixo (o que, automaticamente, acaba deixando ela com um ar retrô oitentista). Apesar de parecer, pelo título, ser uma faixa mais sexy do que romântica, temos um verdadeiro ode de Troye para seu namorado, Jacob Bixenman, com referências a letra de Fools e figuras de linguagem tanto comuns quanto inusitadas para este tipo de faixa. Meu verso preferido foi, de longe, “uma viagem sem volta com uma flecha/tudo disposto como tarot”. É uma ótima finalização, ganhando muito appeal, assim como Seventeen, pela posição que ocupa na tracklist.

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E terminamos a análise faixa a faixa com uma fotinho do casal xD

Conclusões RV#1Bloom é um álbum extremamente competente. Sinceramente, cada vez que escutei ele, tive uma impressão diferente: foi de bom, pra ruim, pra ótimo e por aí vai… @.@’ Mesmo que minha opinião ainda seja meio nebulosa, este álbum soou homogêneo e distinto do que costumamos ver nos álbuns lançados no EUA, sem cair muito no genérico. Apesar de não ter toda aquela carga conceitual e o visual impecável de Blue Neighbourhood, os temas românticos estão mais diversos e temos apenas UMA faixa dispensável. A tracklist foi extremamente bem montada, intercalando músicas mais rápidas e mais lentas de uma forma orgânica… Faz muito tempo que não vejo um álbum que consegue soar bem fazendo isto!! Como eu estava torcendo para acontecer, este álbum é uma brisa de ar fresco para o pop ocidental e para os solistas masculinos… Agora é esperar pra ver que carinhas serão influenciados por Troye e nos presentearão com álbuns assim.

Qual será o próximo post do Aquário Hipster sobre pop lançado nos EUA?? Será que finalmente teremos as Albums Reviews dos lançamentos recentes de divas como Nicki Minaj, Ariana Grande e Janelle Monáe?? Ou será algum solista masculino como Shawn Mendes ou Charlie Puth?? Ou alguém completamente aleatório pro mainstream??

Clique aqui e conheça outros posts sobre pop voltado pro mercado norte-americano no Aquário Hipster!!!

Ou veja posts falando sobre representatividade LGBT+ e heteronormatividade no cenário musical:

 

2 comentários em “[Album Review] Troye Sivan – Bloom (ou O hype foi grande… Será que o novo álbum de Troye atingiu as expectativas??)

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