[Album Review] Sunmi – Warning (ou Sereias, alarmes, A Usurpadora… Quantas referências podemos extrair do novo EP de Sunmi??)

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Bancando a Elsa e esquecendo do verão (e quase deixando a Chung Ha sozinha no ringue do Duelo Musical #16), Sunmi voltou melancólica com seu primeiro EP pós-JYP, Warning, prometendo um lançamento mais introspectivo e pessoal, cheio de referências, enquanto ainda banca a super diva pop all-kill hitmaker… Será que funcionou?? Ou a qualidade do primeiro EP dela se devia ao gerenciamento da JYP??

Sunmi siren

Tracklis:

  1. ADDICT
  2. Siren
  3. Curve
  4. Black Pearl
  5. Gashina
  6. Heroine
  7. Secret Tape

ADDICT dá largada ao álbum, em uma intro eletrônica conceitual COMPLETAMENTE EM INGLÊS no melhor estilo CNA/Fisk/CCAA/DJ HYO perguntando “quem está comandando o show?” por praticamente dois minutos até responder enfaticamente “eu” no último segundo. É o anúncio de que, agora, Sunmi está não só no controle de sua carreira, como também no controle da produção de sua música, utilizando suas letras e suas composições. É o tipo de faixa que eu esperaria facilmente na intro de alguma cantora hipster pedante no mercado norte-americano, e, assim como este tipo de faixa acaba pedindo, a intro só funciona dentro do contexto do álbum e perde muito seu replay factor sem ele, apesar de ser bem competente.

Siren é exemplificação perfeita do anunciado na intro, com Sunmi tomando conta da produção de sua música depois de ficar decepcionada com Teddy após as denuncias de plágio que acompanharam o lançamento de Heroine. Em um synthpop classudo e melancólico (no melhor estilo Uhm Jung Hwa), temos Sunmi quebrando os esteriótipos de perfeição da persona idol de diva pop de uma forma singela e efetiva, que consegue transmitir sua mensagem sem gerar o ódio dos fãs mais tradicionais.Resultado de imagem para sunmi warning

A letra e o clipe se utilizam do próprio nome do álbum (“Alarme”) para criar uma ambiguidade entre os significados da palavra Siren, que pode ser tanto “sereia” quanto “sirene”. Neste sentido, Sunmi se dirige a nós, dizendo que ela é perigosa e muito mais do que um rostinho bonito. Esta contraposição também se apresenta pela própria figura da sereia, que é tanto considerada um ser de extrema beleza quanto um monstro que pode te devorar. Entretanto, ao invés de partir pra misoginia do mito, Sunmi se utiliza da figura de linguagem para dizer que é um ser completo, cheio de facetas, desejos, angústias e sensações, além de se achar lindíssima.

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No clipe, temos a Sunmi Paulina Martins Azul, que pode muito bem representar esta visão mais superficial dela, dando uma de Yugi e abrindo todas as portas do Enigma do Milênio que é nossa mente (como na cena do mangá do Yu-Gi-Oh! aí em cima). A Sunmi Paola Bracho Vermelha, no caso, seria aquele setor menos delicado da personalidade, que não leva desaforo pra casa e não se compadece das male tears do embuste/boy lixo (ela acaba até referenciando os espinhos de Gashina, tentando tocar uma flor dentro de uma gaiola). No fim, durante o break de trap completamente dispensável antes do último refrão, temos a Sunmi Azul aceitando sua persona Vermelha, sentindo-se completa.

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Eu, sinceramente, achei o melhor clipe da Sunmi até agora e o single que mais funcionou comigo (provavelmente as referências a Yu-Gi-Oh! e A Usurpadora tem a ver com isto kkk). Sem contar que ela conseguiu vender muito bem a imagem de uma sereia sem precisar usar uma cauda ou mergulhar um tanque de água, seja pelos passos, pelos “lalalala” no pós-refrão ou pelo visual impecável na cena da máquina de lavar, que coloquei no começo do post.

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Depois de mostrar o caráter esférico de sua persona, temos uma reflexão sobre a vida em Curve, um número de R&B comandado por teclas de piano e  cheio de elementos aleatórios jogados no instrumental. Aqui, Sunmi diz que a vida realmente não é fácil e temos que respirar fundo para superar suas dificuldades, procurando dar um pouco de apoio emocional para seu interlocutor. A ambiguidade que ela usa, desta vez, é que o adjetivo “curvo” é utilizado tanto para descrever a vida (“vi vi vi vida é tão curva, ah ah ah isto me ferroa”) e sua estrada (“es es esta estrada é tão curva, tome cuidado”), e o desejo carnal que acaba servindo de alento para esquecer os problemas que percorrer a estrada da vida causa (“cor cor cor corpo é tão curvo, oh oh oh me deixa tonta”). Desta forma, o instrumental cheio de elementos estranhos funciona como uma representam sonora destas curvas. A letra realmente aumentou o replay factor da faixa comigo, porque, o instrumental acabou ficando esquecível pra mim, considerando outras faixas com a mesma proposta mais hipster que eu curto.

Black Pearl começa como um new wave singelo e se transforma com o surgimento de um saxofone, que dá um caráter mais clássico e orgânico pra faixa. O tema da música pode ser considerado sobre um interesse romântico que não sai da cabeça de Sunmi, MAS eu prefiro interpretar, já que não há nenhuma referência específica a amor ou a um relacionamento de forma pontual, como uma espécie de confissão sobre as malezas do consumismo e da coisificação na sociedade capitalista.

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Eu sei que alguns de vocês já devem estar separando o meme do Polícia 24h pra colocar nos comentários (já me adiantei e o coloquei aí em cima até kkk), mas a letra é construída de uma forma que Sunmi não parece estar falando de um ser humano em si, mas  do processo de coisificação que atribuímos as pessoas com quem nos relacionamos.

Imagem relacionadaA ideia aqui é que uma obsessão preenche a mente de Sunmi e não sai de sua cabeça (“suja e doente, estou embrulhada/desta luz preta, eu não consigo escapar”). No refrão, ela qualifica o objeto desta obsessão enquanto “apenas bonito. Bonito/é apenas um produto/apenas luz ou luz. O que tem de tão bom nisto?”, questionando o porquê dela ter esta obsessão se, em seu íntimo, não é isto o que ela realmente deseja (“é por isto que eu fiquei manchada”). Nos versos após o primeiro refrão, ela se pergunta o motivo pelo qual a pessoa está em sua mente e considera este tipo de sentimento enquanto ruim (“porque você me forçou a afundar?”) e, de certa forma, tóxico (“que você conseguiria abri-la, a mente central inteligente/eu acho que irei quebrar”). No breakdown, então, temos a descoberta pela pessoa (ou a autorrealização da Sunmi) de que este sentimento era fruto do “pacote” e não do interior da pessoa (“Eu quero que você me deixe sozinha. Apenas um pouco, eu acho que esta sou eu/Você já viu isto, vá embora”). Esta sequência de constatações me lembrou em como acabamos enxergando pessoas, seja enquanto amigas, crushes, namoradas/os, etc, com base no que elas podem nos oferecer de uma forma superficial (como, por exemplo, se nossos amigos vão achar nossa/o crush bonito), negligenciando, muitas vezes, se elas nos fazem bem ou mal.

E isto seria o que Sunmi qualifica enquanto Pérola Negra no título (apesar de eu não conseguir desassociar este nome ao primeiro filme do Piratas do Caribe).

Problematizações e viagens conceituais a parte, temos Gashina, o hit geminiano que prenunciou toda esta era. Antes de mais nada, eu tenho que admitir que a faixa cresceu enormemente comigo com o passar do tempo. Inclusive, eu até me espantei lendo as minhas impressões dela no primeiro Duelo Musical, há quase um ano atrás (logo, logo o Aquário Hipster chega a um ano de vida desde o debut xD ou dois, se contar os posts da época de “pré-debut”, mas vamos ignorar isto). Sendo um tropical house mais sóbrio, conseguindo se destacar mesmo ante o superexposição do gênero, Sunmi conseguiu o feito incrível de dar profundidade e personalidade a uma produção processada e mainstream do Teddy (responsável pelas várias faixas “ame ou odeie” da YG há tempos), ao comparar as sensações de ser rejeitada com uma flor, seja no sentido de beleza, da periculosidade de seus espinhos ou na forma curva com a qual cresce seu caule.

Em termos de tracklist, Heroine teria ficado perfeita entre Gashina e Siren, por trazer os elementos house da primeira e já prenunciar o teor melancólico da segunda. É incrível como, vendo os clipes em sequência, temos realmente uma ideia de evolução por trás dos lançamentos, não necessariamente como a sequência direta de um conceito ou de referências específicas (apesar de elas podermos percebê-las ao comparar Gashina e Heroine, como vimos no Duelo Musical #7), mas, sim, de uma estética mais anárquica e libertadora, como se, a cada lançamento, Sunmi revelasse cada vez mais as facetas de sua personalidade para o público.

Dito isto, em comparação, Heroine foi, para mim, o single mais fraco dos três, seja porque o refrão house não me cativou ou porque a melancolia do piano e da letra não duraram muito em mim com o passar do tempo @.@’ Mesmo assim, temos analogias interessantes envolvendo a queda, a persistência e o consequente reerguimento de uma heroína de filme/dorama, junto de uma mensagem implícita de protagonismo feminino.

Imagem relacionadaSecret Tape funciona enquanto outro (o contrário de intro), finalizando o EP. Assim como ADDICT, a faixa tem menos de dois minutos e funciona apenas no contexto do mini, começando com o barulho de alguém colocando uma fita num rádio. Sendo uma baladinha aesthetic, que cresce exponencialmente em sintetizadores até seu fim abrupto, Sunmi elucida a todas as suas revelações no álbum enquanto uma confidência secreta, nos pedindo para não contar para ninguém sobre “este sentimento de estranheza” que ela tem consigo mesma. Sem sombra de dúvidas, um ótimo final para o álbum, juntando todas as referências das faixas e nos dizendo um “até logo” depois de ouvirmos toda a tracklist.

Conclusões Sia#1Minhas expectativas estavam bem altas para este mini-álbum. Sunmi adquiriu uma qualidade única de conseguir equilibrar fatores mainstream e hipsters desde que saiu da JYP e, como esperado, tivemos melodias esperadas e inesperadas, todas com letras brilhantes e conceitos inusitados. É o tipo de álbum que cresce aos poucos e vai te conquistando de formas diferentes a cada escutada (como os lançamentos recentes do Apink e do Seventeen), criando um contexto e seguindo o caminho que traçou de forma orgânica e agradável aos ouvidos (pra não ter apenas elogios, Gashina e Heroine bem que poderiam ter ficado entre ADDICT e Siren…). A minha b-side preferida foi Black Pearl, muito por conta dos solos de saxofone (eu sou apaixonado por este instrumento ❤ ) e, das faixas novas, provavelmente será, junto de Siren, a que escutarei de forma avulsa fora do álbum.

Sunmi agora está em uma posição bem confortável no mercado musical. Com sua produção pessoal hitando tanto quanto suas colaborações com Teddy, a empresa que gerencia a carreira dela deve aceitar (literalmente) qualquer coisa que ela quiser lançar da forma que ela quiser lançar… Dá até uma curiosidade de saber o que Sunmi nos oferecerá ano que vem xD

Veja mais posts sobre Sunmi!!!! ^^ Duelo Musical #7: RE-VAN-CHE!!!! | Best Zodiacal 2017: Gêmeos & Câncer | Duelo Musical #1: Hits house Que REALMENTE vale a pena ouvir

9 comentários em “[Album Review] Sunmi – Warning (ou Sereias, alarmes, A Usurpadora… Quantas referências podemos extrair do novo EP de Sunmi??)

  1. “é utilizado tanto para descrever a vida (“vi vi vi vida é tão curva, ah ah ah isto me ferroa”)”

    Eu não tinha ido atrás da tradução de nenhuma musica… Nunca mais vou rebolar da mesma maneira com Curve…
    KKKKKKKKKKK

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  2. Sunmi está com a mentalidade de diva pop inglesa: letras sérias com melodias grudentas. E isso é ótimo, só mostra o quanto ela cresceu como solista e talvez isso signifique que ela terá uma tendência forte de som oitentista nos próximos trabalhos dela, se levarmos em consideração esse álbum. Agora só falta Sunye, Sohee e Hyelim lançarem música boa, já que todas as outras ex-Wonder Girls (Yubin, Yeeun ou HA:TFELT, Sunmi e Hyuna) já mostraram para o que vieram. Forças às ícones!

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    1. Quem diria que o exército de solistas viria das Wonder Girls e não do Girls’ Generation, né?? kkk

      Eu não tinha pensado nessa associação com divas pop inglesas, mas agora que você falou faz muito sentido kkkk Inclusive, acho vou procurar algumas novas pra ouvir xD

      E espero que a sonoridade oitentista continue… Alguns setores mais indie do pop estão lentamente caminhando pro som oitentista este ano, então é bem capaz que os anos oitenta possam virar mais modinha logo logo ❤

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  3. Só você pra enxergar essas coisas estéticas no álbum e single. Amei Siren e achei a Sunmi tão poderosa e diva. Vou conferir e fico feliz por sua trilha na música como solista, já que a Hyuna saiu de cena por enquanto

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    1. Brigado kkk Eu realmente fiquei muito na brisa vendo o clipe e ouvindo o álbum… É tão raro termos subtexto com tanta propriedade e serieade assim no mainstream do k-pop que me empolguei kkk

      Infelizmente, com HyunA saindo de cena (eu fico chocado com o que tá acontecendo apenas… Ela é a minha solista preferida desde que comecei a escutar k- pop T.T), temos um grande vácuo no campo das solistas (é como ter um verão sem comeback do SISTAR/Hyolyn), pelo menos a ascensão da Sunmi traz mais uma solista para escutarmos (tenho esperanças fortes de um feat das duas depois que a HyunA decidir sair da Cube…)

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