[Album Review] Dreamcatcher – Alone in the City (ou Referenciando Disney e Steven Universo, Dreamcatcher tenta suavizar seu estilo gótico trevoso…)

File:Dream Catcher - Alone In The City.jpg

Depois de quatro singles lançando openings de anime realness com mais propriedade que muita banda japonesa por aí (junto de uma fanfic sobre bruxas fantasmas nos clipes), Dreamcatcher volta para seu quinto comeback, com a proposta de mudar um pouco a sonoridade e a estética do grupo. Depois de muita especulação de que elas iriam deixar o rock pra sempre, principalmente depois das imagens teasers evocando city pop japonês loucamente, será que este comeback ainda consegue acalentar a roqueira gótica trevosa em nossos corações??

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Tracklist:

  1. Intro
  2. What
  3. Wonderland
  4. Trap
  5. July 7th

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Primeiramente, não tem como não elogiar a capa linda deste mini-álbum (sinceramente, acho que só não é mais bonita que a do primeiro single do grupo) com um apanhador de sonhos (“dreamcatcher”) feito de cristais rosas no melhor estilo Pink Diamond do Steven Universo (na imagem acima). Acho incrível o quanto a equipe de design por trás do grupo está conseguindo inovar esteticamente em todo santo comeback a partir de um símbolo complicado e extremamente específico como um apanhador de sonhos…

O álbum em si começa com uma Intro tenebrosa e atmosférica, como em todos os lançamentos do Dreamcatcher até agora, desta vez aumentando lentamente o número e o volume dos elementos que vai adicionando (batida do relógio, teclas do piano, guitarras, sintetizadores, flauta e, depois, mais guitarras). Ela mantém o nível de todas as outras intros do grupo com tranquilidade e faz seu papel melhor que muita música completa tenta fazer por aí…

Só fiquei meio incomodado de não terem dado um nome específico pseudo-conceitual pra faixa como fizeram com as outras intros (Welcome to Dream, My Toys, Before & After e Inside-Outside) e não terem usado parte dela nos trailers maravilhosos e misteriosos que soltaram antes do lançamento de What… Vai entender… @.@’

What, o single, é um número de rock um pouco diferente do que ficamos acostumados a ver nos lançamentos do grupo. Com esta nova era, o fato foi que elas mudaram o estilo do rock e não o fato em si de cantarem rock. Diferente da construção orquestral e com acordes explosivos de guitarra no refrão, estrutura típica de openings de anime e do j-rock num geral, que vimos nos singles passados, tivemos uma modificação simples na estrutura do instrumental, mudando completamente o nicho de rock que o público está atingindo.

Apesar de ainda termos os violinos e um piano sóbrio, os acordes de guitarra são bem menos evidentes no instrumental e constantes nos versos, deixando a faixa como um todo com um ar mais ocidentalizado, digamos assim, do que o j-rock propriamente dito costuma oferecer. Neste sentido, os vocais das integrantes estão bem mais palpáveis na textura da melodia, sendo o grande destaque da faixa. Diferente das anime songs, inclusive, os gritos do refrão estão bem mais agressivos por si só e não deixam o instrumental tomar conta da faixa por um segundo sequer.

Este tipo de estrutura me lembrou os singles de debut de praticamente todas as divas teen Disney da década passada, que apostavam na modinha hipster do rock e do grunge da Avril Lavigne (e das bandas de garagem masculinas) mantendo os melismas vocais típicos do R&B mainstream. Os looks mais coloridos delas (inclusive, o photoshoot deste mini é um dos mais bonitos do ano junto com o do One & Six) aumentaram ainda mais esta impressão em mim, porque, querendo ou não, dão uma roupagem completamente nova pro grupo que, até agora, trabalhava no preto gótico ou no branco virginal que virava preto gótico no fim.

Sobre o vídeo, é a primeira vez que não temos um capítulo de fanfic (aguardem que a fanfic compreendendo a era de debut do grupo será postada aqui no Aquário Hipster mais pro fim do ano ^^) em um clipe com menos cenas chocantes e mais padrãozinho pro k-pop, dando bastante enfoque pra coreografia. Além disso, temos uma certa simbologia envolvendo a letra da música, que fala sobre uma espécie de prisão dentro dos sonhos, onde temos todas as integrantes presas em locais fechados (uma sala, um quarto, um corredor bloqueado, um pátio lacrado), olhando fixamente para pontos externos (seja uma janela, uma porta ou pro céu). Se, num primeiro momento, a sequência de cenas nos faz entender que elas estão lentamente se libertando, ao final, elas voltam exatamente na posição inicial, como se todo o esforço e desespero que elas sentiram fosse em vão para escapar… É algo extremamente simples em sentidos materiais (eles devem ter usado menos cenários que os clipes de caixa da SM o.0′), mas foi bem executado.

A letra, por fim, é um espetáculo. Eu poderia simplesmente dar um ctrl+c/ctrl+v em todos os versos e colar aqui, porque temos um tema extremamente interessante, construído a partir de figuras de linguagem QUE FAZEM SENTIDO e evoluem junto com a melodia. A grande analogia que temos é, como eu falei no parágrafo anterior, uma prisão dentro dos sonhos. Esta prisão, pelo decorrer das figuras de linguagem, envolve a descoberta da imposição de uma percepção distorcida da vida, como um comportamento tóxico para se adequar a determinado padrão social, pelo eu-lírico e uma constante luta interna para se manter são conforme este “pesadelo” se torna mais real e danoso a todos a sua volta. Neste contexto, elas pedem ao interlocutor para salvá-las, sem obter qualquer resposta, ficando cada vez mais agressivas e desesperadas conforme esta percepção as aprisiona de forma cada vez mais intensa. Claro que a abstração da letra é grande e eu brisei um pouco analisando sua interpretação é ampla, mas o fato de termos um lançamento no k-pop que permita este tipo de reflexão SÓ PELA LETRA é algo, no mínimo, notável. Particularmente, meu verso preferido foi “mesmo se o sol negro em chamas tentar me engolir/eu cresci como os espinhos de um cacto”.

Depois de tantas abstrações, simplificamos um pouco com Wonderland, que fala sobre as mudança que o ambiente ao nosso entorno sofre quando estamos apaixonados. A faixa é um número de trap+R&B muito semelhante ao que vemos atualmente nos nichos dos EUA que não estão relançando house pela enésima vez, tendo apenas um refrão um pouco mais leve e fluído do que se costuma ver no gênero. A faixa ganha alguns pontos por não vermos muito trap em faixas de girlgroups e pela letra referenciando diretamente a versão de Alice no País das Maravilhas da Disney (“Um vestido azul-céu, cabelo brilhante amarelo/um coelho branco e um gato/um mistério além da escapatória”), sendo que, apesar da sonoridade destoar um pouco do single, cai como uma luva para o photoshoot do álbum (algo que, querendo ou não, a estética e sonoridade presentes What acabaram desconsiderando completamente).

Trap, diferentemente do que eu esperava, não é um número de trap (badum tss). Ao invés disso, temos um rock eletrônico, que mistura as guitarras e os elementos acústicos tipicamente roqueiros com uma explosão de sintetizadores no refrão. Os vocais são ainda mais agressivos aqui que em What, com elas dizendo que o carinha as prendeu em uma armadilha, jogando-as em um contexto machista de culpa e self-hating, sem chances de escapatória. Com bem menos analogias, a letra mais direta acaba dando um caráter mais verossímil pra situação narrada e mais passível de identificação de quem for escutar, como no verso “indiferença logo será irresistível”. Mesmo com a ótima e inteligente temática, os gritos de Siyeon no refrão não funcionaram muito comigo, sendo abruptos e agudos demais pra combinar com o tom mais sóbrio da melodia e dos vocais das outras integrantes, principalmente os raps da Dami.

July 7th encerra o álbum, trazendo um pouco de reggae chill e good vibes e, paradoxalmente, uma letra melancólica sobre a percepção pelo eu-lírico de que está em um relacionamento em crise que não terá mais salvação. Eu gosto muito das invencionices de reggae que o k-pop proporciona (que consegue dar uma segurada na homogeneidade excessiva que vemos no gênero em si), então esta foi, de longe, a minha faixa preferida do álbum e superou o reggae de Really, do BlackPink fácil fácil (mas ainda ficou atrás de No More do UNI.T), principalmente pela interpretação hipnotizante dos vocais da Handong logo no começo da faixa e pelos versos comparando o fim do relacionamento com o desaparecer das estrelas no céu, sendo o meu preferido: “se eu fosse fechar meus olhos hoje a noite, eu duvido que veria você/preciso chegar no lugar do outro lado da via láctea”.

Conclusões DCAlone in the City consegue se manter coeso em estilística e temática mesmo trazendo três estilos que dificilmente conseguem dialogar entre si (rock, trap e reaggae). Não chega a ser um álbum destruidor de conceitos ou tão impactante quanto alguns que já resenhei este ano (até porque dificilmente escutarei mais vezes Wonderland e Trap), mas é um lançamento bem consistente e que consegue equilibrar muito bem a proposta diversificada do grupo a mudanças que tirem os lançamentos do lugar comum que ficaram depois de quatro comebacks seguidos no mesmo estilo. Não vejo Dreamcatcher hitando tão cedo, mas, se elas continuarem assim, da mesma forma que muitas bandas hipsters indie de rock por aí, vão ir consolidando uma fanbase forte e grande o suficiente para manter um sucesso de nicho para os lançamentos e dar um certo lucro, mesmo que moderado, pra Happyface Entertaiment (a empresa que gerencia o grupo).

De todo modo, nós é que saímos ganhando, já que temos lançamentos de rock sem o pedantismo norte-americano (e o machismo de algumas bandas masculinas que parecem nunca amadurecer @.@’) com todo o pacote visual e estético que o k-pop pode oferecer.

Como eu disse durante o post, agora que o Aquário Hipster voltou com tudo, teremos uma review/fanfic em três partes baseada em todos os lançamentos pregressos do grupo, contando a estória/teoria das bruxas fantasmas que aparecem nos clipes de Chase Me, Good Night, Fly High e You and I!!! Eu ainda estou desenvolvendo a estória, mas, para manter uma carga hipster conceitual, os três posts virão em datas especiais de Outubro e Novembro… Aguardem xD

Veja mais posts sobre Dreamcatcher e rock no Aquário Hipster!!!

Namie Amuro – Concentration 20 | Ultimatum X n° 2 | Taeyeon – Something New | Best Zodiacal 2017: Áries & Touro

4 comentários em “[Album Review] Dreamcatcher – Alone in the City (ou Referenciando Disney e Steven Universo, Dreamcatcher tenta suavizar seu estilo gótico trevoso…)

  1. Eu amei esse comeback demais! Acho que o Dreamcatcher é um dos grupo sfeminino mais coeso com seu estilo e mais interessante de se acompanhar, sempre inovando no seu próprio nincho.

    Sobre o single, a primeira coisa que eu percebi foi essa “ocidentalização” da música e é algo que facilmente poderia ser lançado por alguma banda estadunidense (talvez até o Paramore há uns anos atrás).

    Como você disse, hitar eu acho que elas não vão (por motivos óbvios), mas pelo menos elas vão se consolidar no meio que estão habitando (e quem sabe no futuro não role uma mudança de conceito?)

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    1. Realmente, tem uma carga meio Paramore anos 2000 mesmo!! Acho que elas estão conseguindo inovar bastante dentro do rock…

      O pessoal esquece que o rock é tão diverso quanto o pop e que dá pra encaixar praticamente todos os concepts comuns do k-pop em estilos de rock (tipo um sexy concept com emo rock ou um aegyo com aquelas baladinhas de rock acústico)

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  2. Eu realmente queria mais faixas pro álbum ele e maravilhoso
    Realmente elas consegui fazer um álbum tão diferente ao mesmo tempo igual ao conceito do grupo isso e ótimo elas estão se renovando do modo delas
    E esperando a review de gwsn e de cosmic girls e que você espera para o comeback do fromis _9?

    Curtido por 1 pessoa

    1. Seria interessante se tivesse mais faixas, ainda mais com alguns fillers neste estilo de rock com melismas vocais do R&B xD
      Sobre as reviews, GWSN virá junto de fanfic (por isto não postei até agora), mas as Cosmic Girls vou acabar passando porque não me marcou muito não :/ … E fromis_9, mano, estou muito no hype!! Se vier algo como DKDK de novo vou acabar virando oficialmente stan do grupo kkkk

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