Duelo Musical #21: Debuts – BTS vs TXT

(ou Como a a evolução do k-pop pode ser observada comparando os dois últimos debuts da Big Hit!!)

Conforme vocês escolheram na enquete mensal do blog, a primeira categoria de post, além de Album Review, a dar as caras no Aquário Hipster em 2019 é o Duelo Musical!!! E, de quebra, já começaremos com o debut famigerado do TXT (Tomorrow X Together) versus seus “irmãos mais velhos”: BTS, a boyband que, querendo ou não, conquistou o mundo!! O que um comparativo entre o debut dos dois grupos pode nos dizer sobre a indústria do k-pop??

Com BTS, o ano é 2013. Temos a Big Hit Entertainment fazendo sua primeira aposta no crescente mercado que o k-pop apresentava depois dos booms de 2009 e 2012 (antes, ela gerenciava apenas grupos em conjunto com outras empresas, como 2AM, com a JYP, e o polêmico GLAM, com a Source Music). Neste sentido, temos o hip-hop de No More Dream.

Já com TXT, a empresa está consolidada e confortável no mercado, estando entre as mais lucrativas do meio, porém necessitando fortalecer sua marca para além de seu ato principal, o BTS. Assim, temos o future bass de Crown.

QUESITO 1: INSTRUMENTAL

Se hoje No More Dream soa estranha para quem conhece apenas os lançamentos recentes do BTS (ou que conheceu o k-pop de 2015 para cá), é porque a faixa é resultado de uma época em que o som da modinha do k-pop não acompanhava, necessariamente, o que era popular nos EUA ou na Europa. Mesmo assim, para o ano de 2013, o single soa um pouco deslocado, uma vez que se trata de um número de hip-hop extremamente agressivo, sem um único segundo para harmônicos, típico dos lançamentos da YG Entertaiment em 2012, que provaram ser a grande sensação do gênero justamente no ano em que ele atinge atenção internacional com o viral de Gagnam Style (que também veio da YG, diga-se de passagem).

Crown, no mesmo sentido, soa um pouco antiquada para 2019, uma vez que traz um som mais suave em seus sintetizadores, trazendo um pouco de new jack swing para os versos, uma intro/breakdown que parece Código Morse e um refrão que traz resquícios da explosão do future bass em 2016, que veio na onda da modinha house, juntamente com o dancehall.

Pelas próprias limitações do hip-hop, o debut do TXT traz mais elementos em seu instrumental, ganhando o primeiro ponto!!!

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QUESITO 2: VOCAIS

Já começo este quesito adiantando que achei ambas as faixas com vocais cansativos e excessivamente repetitivos. Em Crown, os versos suspirados são simplesmente engolidos pelo instrumental, sendo que, quando os harmônicos finalmente parecem tomar as rédeas da melodia, desembocamos em um refrão gritado, literalmente, em coro que perde e muito seu potencial por conta disto.

No More Dream, por sua vez, tem seus defeitos no pré-refrão, em que temos, novamente, gritos repetitivos sem muita harmonia dos integrantes entre si. Nos versos e no refrão, porém, os meninos conseguem mostrar uma competência surpreendente para fazer raps, com todos sustentando bem o conceito de oppa vida loka sem parecer muito forçado, algo que já é uma vitória tremenda pra este tipo de lançamento

Então o segundo ponto vai para o BTS, por fazerem raps com um pouco de propriedade!!

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QUESITO 3: CLIPE

Assim como vimos no instrumental, o clipe de No More Dream é claramente um resultado de sua época. Temos um clipe de caixa, extremamente simples, focando nas expressões de bad boy deles e na coreografia, que, inclusive, tem uma contribuição bem apelativa por parte do Jimin. As roupas e o cenário lembram o hip-hop norte americano dos anos noventa de uma forma mais pasteurizada (como tudo no k-pop), indo de encontro com a onda coreana de lançamentos mais agressivos e sombrios a partir de 2010/2011, que vai ir perdendo a força até 2015. Inclusive, um lançamento do próprio BTS – e um do ShiNee – seriam a grande marca dessa mudança em boybands.

Além disso, temos RM incorporando sua CL interior com um óculos extremamente esquisito que não ficou tão bem nele quanto ficou nela. Entendo toda a insegurança do garoto em mostrar o rosto na época do debut (pelo que pesquisei, este é o motivo de ele nunca tirar os óculos escuros nesta época), mas bem que poderiam ter deixado só aquele óculos branco mesmo…


A parte mais divertida (e inusitada) deste Duelo é justamente o contraste GIGANTESCO de conceito entre o debut do BTS e do TXT. Crown segue a linha mais cômica e ingênua, popularizada principalmente pelo Seventeen e seguida a risca desde então por vários rookies com integrantes mais novos. O clipe ainda é numa caixa, mas tem muitos mais efeitos, sejam eles bons (como a troca de perspectivas na transição de um integrante para o outro) ou ruins (como os brilhinhos que cercam os passos deles, a lá lançamentos japoneses do 4Minute).

Não acho que tenha sido um clipe ruim ou inusitado por parte da Big Hit, só de não ter mil e uma teorias aparentes no clipe é um alívio (e olha que eu amo teorias e faço fanfics sobre elas). Porém, como segue nitidamente o que está trend no momento, não consegui identificar nenhum fator excepcional que diferencie o grupo de outros novatos por aí, a não ser, é claro, a coreografia frenética que não combina em nada com o ritmo calmo dos sintetizadores.

E BTS ganha mais um ponto, por trazer algo simples, mas sem soar mais do mesmo num mar de lançamentos parecidos!!!

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QUESITO 4: LETRA

A letra de Crown é estranha, principalmente por nós a analisarmos a partir do imaginário popular brasileiro, que associa a questão de “chifres na cabeça” com uma pessoa traída romanticamente (corno). Neste sentido, a letra associa os chifres a uma coroa, mostrando isto como um sentimento de desconforto e afeição ao mesmo tempo pela amada. Não é o momento mais criativo do k-pop que deu certo, possuindo os mesmos vícios que a maioria das letras, como, por exemplo, um verso específico com uma metáfora super profunda (“suas asas são da mesma dor que as minhas?”) aleatório no meio de construções mais simples. E, até o momento, eu ainda não entendi como chifres de alce/demônio/monstro poderiam ser considerados uma coroa (fora, é claro, da cultura nórdica, mas não é disto que estamos falando aqui… né?? @.@’)

No More Dream vai para o caminho inverso de forma espetacular, diga-se de passagem. Falando sobre a ausência de sonhos da pós-modernidade e como isto pode ser considerado um problema para as gerações mais antigas, os meninos do BTS fazem raps sobre como se sentem perdidos e, apesar disso, não querer seguir exatamente o caminho que os pais traçaram para eles, por estes serem hipócritas e não perceberem que já foram adolescentes e já tiveram estas mesmas dúvidas no passado.

Deixando de lado o próprio appeal que a raiva adolescente tem no mundo da música (boa parte do sucesso do punk rock nos anos 90 e 2000 se deu justamente a isto), é impressionante como o grupo debutou com, realmente, um conceito e uma mensagem verossímil por trás, de forma crua e simples, sem firulas de teorias e grandes figuras de linguagem. Não é a toa que o planejamento inicial era debutá-los no cenário de hip-hop indie da Coreia do Sul…

Pela qualidade infinitamente superior de sua letra, o ponto vai, novamente, para o BTS!!!

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QUESITO 5: IMPACTO

É extremamente complexo comparar o impacto destes debuts, justamente pelo hype do TXT vir do sucesso do próprio BTS. Se formos analisar em números, The Dream Captcher: Star (o álbum do TXT) já superou em vendas 2 Cool 4 Skool (o álbum do BTS) no mesmo período de tempo. Da mesma forma, como os visuais e o estilo musical são resultando de ondas de estilo no k-pop, nenhum dos singles acaba sendo inovador por si só.

Porém, ao escutarmos os álbuns, encontramos uma surpresa interessante.

2 Cool 4 Skool tem uma construção essencialmente norte-americana em termos de lançamento conceitual: temos quatro interlúdios, uma intro e duas faixas escondidas em meio a tracklist, sem contar que estes interlúdios servem, de certa forma, como uma transição de estilos, como o rap agressivo de No More Dream para o R&B noventista da ótima I Like It.

Dream Chapter: Star, por sua vez, é um álbum bem competente, inclusive com mais replay factor que o do debut do BTS. Porém, soa, da mesma forma que o single, como o resultado de um estilo da moda ao invés de algo único do grupo (consigo imaginar grupos como Astro debutando com este mesmo álbum sem nenhuma alteração).

Neste sentido, BTS ganha o último ponto, por serem bem econômicos e inserirem apenas um total de quatro faixas de verdade numa tracklist de nove!!!

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CONCLUSÃO: Qual debut ganhou então??

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BTS!!!!

De lavada, por quatro a um, BTS ganha de seus irmãozinhos com facilidade, mostrando que não basta orçamento e hype para que um lançamento tenha uma qualidade e profundidade maior.

Eu, sinceramente, fiquei um pouco surpreso com este resultado, uma vez que a qualidade visual e conceitual do k-pop foi se superando no decorrer do anos. Atualmente, inclusive, temos uma liberdade maior de vários artistas e uma questão bem mais profunda envolvendo, principalmente, simbologias nos clipes, mas isto não quer dizer que as músicas saiam boas, certo? (saudosistas dirão que nenhum ano se igualará a 2011/2012).

Veremos, agora, qual será o caminho que TXT vai trilhar. Este debut não diz muita coisa, uma vez que segue as tendências atuais, ainda não dando uma verdadeira identidade para o grupo, mas são poucos debuts que conseguem isto, então só nos resta esperar mesmo…


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9 comentários em “Duelo Musical #21: Debuts – BTS vs TXT

  1. Vendo desse ponto de vista, parece que o BTS é um grupo maravilhoso! Olha como você consegue transformar algo simples em algo super especial só usando a escrita…

    Curtido por 2 pessoas

      1. Isso é bom, não fica cansativo de ler, pelo menos não pra mim 🙂 E chama atenção das ARMYS, quem sabe um pouco mais de view, né?

        Curtido por 1 pessoa

    1. Fique tranquilo que ela vai terminar sim ^^ Teve uma votação no horóscopo sonoro pra decidir qual categoria voltaria primeiro em 2019 e Namie volta lá pro final de abril 😉 (sem mais grandes intervalos, desta vez @.@’)

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  2. Na minha opinião, BTS tinha uma imagem mais interessante nessa época aí. Me lembro de uma música deles N.O, tocava em tudo que era evento de cultura asiática e vi uma apresentação de um cover, muito legal.
    Sem falar que o mv era bem legal, as coisas que eles faziam era legais. Pra mim eles são mais como uma boyband dessas ocidentais com uma pequena pitada asiática
    PS. Não sabia que ele usava óculos por ser inseguro, mas achava ridículo aquele penteado dele imitando cabelo crespo.

    Curtido por 1 pessoa

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