CLC, BlackPink e Golden Child: A busca por autenticidade

Estou começando a escrever este post numa madrugada de segunda-feira, no dia em que o Golden Child lançou seu primeiro single depois de perder vergonhosamente no Road to Kingdom. Existe um certo receio em escrever isto e postar, mas um olhar sobre esta música (e talvez tempo demais vendo vídeos filosóficos/reflexivos no youtube) me fez trazer umas reflexões sobre a chamada “autenticidade” que buscamos em qualquer trabalho criativo que desempenhamos, principalmente neste meio de redes sociais, algo que, com certeza, o gerenciamento da Woolim deve estar penando para conseguir desenvolver junto ao Golden Child…

Muito bem, acho que uma grande questão que surge quando consumimos conteúdo, seja escutando músicas ou lendo posts da Blogosfera a fora, é o que nos cativa. O grande problema que surge é que só sabemos o que nos cativa após nos decepcionarmos com algum lançamento, por exemplo, de um girlgroup ou uma boyband que gostamos.

Geralmente somos cativamos por algum single/álbum/clipe únicos que se comunicou conosco de uma forma única, cheia de significado interno para nós, e gerou uma expectativa perante aquele grupo. Acho que um caso bem conhecido é a sucessão de singles do CLC, de Hobgoblin, um trap pesado e barulhento (lançado em janeiro de 2017) para Where are you?, um city pop aéreo e oitentista (lançado em agosto de 2017).

Muitas pessoas culpam o insucesso do CLC, depois de cinco anos de carreira, a esta perda de timing pela Cube, que não aproveitou a sensação de “um novo 4Minute” e quebrou a consistência do grupo, afastando em 2017 boa parte dos fãs que atraiu no mesmo ano por mudar da água pro vinho em questão de sonoridade e temática.

Na minha humilde opinião, ambos os singles e EPs foram um surpreendente destaque de 2017 e rodam ocasionalmente nas minhas playlists até hoje

Esta quebra de expectativa deixou claro para nós o que esperávamos de qualquer comeback do CLC a partir de Hobgoblin: um som mais pesado, evocativo dos últimos dois lançamentos do 4Minute. Quando Where are you? chega, trazendo uma proposta diferente (e com a Cube falando que o conceito do grupo é não ter conceito fixo depois de já ter lançado cinco EPs aegyo desde o debut) o interesse caiu e o remédio da Cube foi melar mais ainda a imagem do CLC lançando a derivativa To The Sky…

Para depois lançar Black Dress no início de 2018, que trazia tudo que esperávamos em 2017. Como até mesmo eu escrevi na época, aqui no blog, a música não conseguiu me cativar (na época eu até comparei com BlackPink kkk) como provavelmente me cativaria em 2017, muito por conta da inconsistência que o grupo trazia. O resultado deste cenário foi o debut do (G)I-DLE, outro girlgroup fierce, que ganhou não só a fanbase internacional (como o CLC) mas também o público coreano, e manteve uma sequência de lançamentos coerentes, que trazem o conforto e a segurança de cativar quem foi fisgado pelo debut do grupo (pelo menos em sua maioria).

Esta questão no k-pop se torna ainda mais interessante se olharmos da perspectiva da escolha. Com trocentos lançamentos por semana, a ideia de termos uma super liberdade para escolher o que quisermos ouvir, se torna, inconscientemente, um receio de “perder tempo” e se perder em trocentas “escolhas erradas” antes de achar as músicas “melhores” (se você tá tipo “mano do céu, quanto overthinking”, eu cheguei a ver uns dois vídeos falando sobre isto e achei que era algo bem real, mas, se quiser dar uma olhada na teoria vou deixar umas referências no final do post ^^). Neste sentido, grupos que nos trazem segurança do que vamos escutar acabam virando nossos favoritos e, quanto a estes, fazemos questão de não perder um único lançamento.

Pegando o BlackPink, por exemplo. No dia que estou escrevendo este post, ainda faltam três dias para seu comeback e todos já meio que preveem o que vai vir: vários drops aleatórios, um passinhos em fileirinha, um instrumental pesado, raps por Jisoo e Jeniie, melismas por Rosé e existência por Jisoo. Exatamente o que temos desde o debut delas há quatro anos atrás.

Existem evoluções de estilo e tentativas um pouco mais ousadas na diminuta discografia delas, mas sabemos que o que vemos em quase todos os singles do BlackPink ecoa o que adoramos (ou detestamos) em BOOMBAYAH. E isto trás uma certa segurança que mantêm uma fanbase ou anti-fans confortados por mais esparsos que os lançamentos sejam.

A maioria dos grupos de sucesso segue esta ideia e a lista de exemplos é enorme (Mamamoo, AOA, 2NE1, Sistar, Orange Caramel, Apink, etc…), tanto que, quando um grupo muda muito da água para o vinho, DO NADA (ou seja, sem nem ter a desculpa que os integrantes estão “amadurecendo”), é que o disband virá. Acho que uma das poucas exceções a isto é a explosão de Expect do Girls’ Day, mas não dizem que a exceção que comprova a regra?

Enfim, eu dei toda esta volta e nem cheguei a falar do Golden Child (ou de boybands num geral), né? kkk Mas a questão aqui é que, em meio a seu flop gigantesco no Road to Kingdom, o grupo está tentando se manter coeso com o que, aparentemente, trouxe um pouco mais de atenção para eles: os singles Wannabe e Without You, que tem um estilo e estruturas parecidos, indo mais para um sexy concept menos “masculinizado”.

E na própria apresentação destes singles e desta comparação é que eu entro um pouco no porquê que estas reflexões se uniram tanto ao último lançamento deles e ao Aquário Hipster. Afinal, antes de hoje, eu escutei estes dois singles apenas uma vez, e a própria semelhança entre eles não fui eu que notei, mas sim o Guilherme do Palpites Alheios. Então, neste contexto, eu não estou falando como alguém que acompanha o grupo, apesar de trazer uma pequena análise do histórico deles.

Da mesma forma, não acredito ter os apelos de nenhum dos blogs que sigo e que me inspiram (tô pra arrumar o Blogroll e colocar todos, a propósito @.@’): como as fofocas ácidas do Dougie no popasiatico.jpg, o sarcasmo do Lunei no Miojo Pop, a análise meio estratégica e mercadológica do Guilherme nos Palpites Alheios, a franqueza crua do Wendell no Gosto Meu e as reflexões super embasadas e enxutas da Carla e do Brave Sound Drop It no Whatever Music Basement

Estou tentando construir uma coisa nova, algo que gere esta comunicação que te cative e comece um diálogo entre a gente, não sendo, simplesmente, nenhuma cópia ou imitação dos blogs acima (como o BOOMBAYAH para com o 2NE1 #prontofalei) e, claro, tentar não cair no CLC-gate e lançar posts totalmente aleatórios em tom e pauta.

O próprio nome do blog veio da paixão que eu tinha por signos e astrologia quando criei ele lá em 2017, o que, na época, era um pouco meu caráter de autenticidade em relação a Blogosfera. Agora, que a minha fase astrológica tá bem mais fraquinha, venho muito inspirado em algo mais profundo de análise, como o post de Gee sobre história do k-pop, autorreflexão, que estou “debutando” neste post aqui, e claro, Album Reviews ❤

Então, este post foi meio que uma forma de eu ventilar um pouco estas ideias da cabeça e ver o que acontece quando eu vou tentando ser mais franco e menos ambicioso (no sentido de querer conhecer tudo e resenhar tudo x.x), enquanto dou mais views pra ONE (Lucid Dream), já que a música ainda não entrou no Spotify na época que eu estou escrevendo este post… @.@’

O mais interessante disso é que, agora, depois de por pra fora toda esta reflexão (com um certo receio de ser meio “incomum/estranho” demais pra Blogosfera), veio a vontade de fazer uma review mais “tradicional” do single, de tanto que gostei dele kkk (esse breakdown com só três integrantes dançando é OURO). Vamos ver, se o mini-álbum for bom, talvez esta análise apareça como Album Review (ou em um post avulso pro single mesmo kkk)…

PS: Seguem os dois vídeos que eu vi que acabaram me inspirando pra escrever este post, se você se interessar ^^


PSS: Já passou um tempinho que isto explodiu na internet, mas é importante lembrar do que está ocorrendo com os protestos contra violência policial ocorrendo em vários lugares do mundo (inclusive aqui no Brasil). Percebi que é crucial neste momento procuramos nos informar e ajudar como puder (principalmente nos conscientizando sobre racismo). Não estou no meu lugar de fala aqui, mas estou dando o meu melhor para aprender a ser antirracista (é o mínimo do mínimo que posso fazer sobre tudo isso). Se você quiser/puder ajudar, clica aqui e dá uma olhada nos links do Black Lives Matter, compartilhando se possível. Muito obrigado por ler o post até aqui!

12 comentários em “CLC, BlackPink e Golden Child: A busca por autenticidade

  1. Meu Deus! Adoro suas reflexões profundas! Nem eu sabia qual era “o meu estilo”, achava que nem tinha um conceito pra chamar de meu. Mas agora que falou, faz total sentido hahaha

    Além disso, obrigado por linkar os outros singles do Golden Child aqui, pois me obrigou a ouvir com atenção… e não é que são bons? Jamais que eu ia atrás deles por conta própria.

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    1. Muito obrigado ❤ Fico feliz que tenha gostado xD!!! As vezes a gente nem percebe mesmo que temos um estilo (é tão natural que só vai kkk), que bom que o que falei do Gosto Meu fez sentido @.@' kkkk

      Siiiim!!! Eles tem uma pegada consistente e na mesma vibe deste comeback (com um pouco menos de orçamento kk), eu sempre acabo indo atrás de algum outro single da discografia do grupo se gosto muito de um lançamento… Na maioria das vezes me decepciono pra caramba kkk mas dessa vez teve uns acertos kk

      Curtido por 1 pessoa

  2. Mas gente, obrigado pelas citações, até me espantei que minhas reviews chegam a ser assim 😊

    E estilo é uma característica que demoramos para ter, fui aperfeiçoando depois de mais de 1 ano de blog, então você acabará achando o seu, sem pressa, a gente ajuda.
    E estou gostando mais de Lucid Dream agora e, se eles estourarem mais com esse comeback, a Woollim agradecerá pelo acerto

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    1. Que isso!! Eu que agradeço pelo conteúdo legal xD
      Siiim, no fim parece que quanto menos nos preocupamos com isto, mais isso aflora, vai entender kkk
      E parece que tá dando uma melhorada pelos charts da Hanteo… ❤ Vai que eles financiam o comeback do Lovelyz que a woolim tá devendo? kkk

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