Os lançamentos mais interessantes do 1º Semestre de 2020!!

Inspirado pelo Lunei do Miojo Pop, eu achei que seria divertido fazer um top 10 com o que considero o melhor e mais surpreendente do k-pop lançado no primeiro semestre de 2020. Muito porque, nestes seis meses, o blog estava descansando no porão junto com o CLC então seria legal falar do que mais gostei neste período que estava afastado da blogosfera e acompanhando os lançamentos meio que por cima.

E, também, porque pretendo fazer uma série de posts no final do ano elencando as melhores músicas de 2020 e vai que isso cria algum hype (já que a última vez que fiz isso foi em… 2018?? E com conceito de signos ainda por cima @.@’).

Enfim, a ideia é que o ranking aqui pegue apenas o período antes do blog voltar a ativa (meio que tudo que lançou nesse ano até 17 de junho) e, claro, tem umas coisas que mesmo lançadas neste período, só me pegaram de jeito agora (como o full album da HA:TFELT), então obviamente não darão as caras por aqui…

Sem mais delongas, vamos começar!!!

10° Fairy of Shampoo, Tomorrow X Together

Apesar do TXT já estar deixando sua fase aegyo em um tempo curto demais para minha opinião, o grupo simplesmente não conseguiu me deixar com o mesmo ranço que outros que fizeram a mesma coisa deixaram. Isto porque a Big Hit está conseguindo muito bem atirar PARA TODOS OS CANTOS nos álbuns dos irmãozinhos do BTS, com a ótima desculpa conceitual que a cada EP os sons vão ficando mais “experimentais”. Se isto parece balela se pegarmos PUMA, o oppa vida loka concept que virou segundo single do último EP deles, vende muito bem quando olhamos para esta releitura de um pop clássico coreano dos anos noventa: a Fada do Shampoo (isto é muito nome de música oitentista, meu deus!).

E vou dizer, que releitura! Todos os apectos datados da versão original foram reestruturados de forma a transformar a faixa em uma mistura de dream e city-pop (Kim Lip, JinSoul e Choerry estão orgulhosas), te embarcando em uma viagem melancólica por entre a melodia, que parece ser mais sugerida do que mostrada. Como bônus, temos vocais extremamente agudos de todos os integrantes, o que é um contraste bem interessante para a estrutura de city-pop (com esta mistura de sintetizadores e jazz), que geralmente é cantada de uma forma mais grave.

Por mais que Can’t You See Me tenha sido boa, eu me impressionei pela faixa ser tão… delicada. É muito difícil uma boyband entregar algo assim, então, pela surpresa, tá aqui o décimo lugar!

9° WANNABE, ITZY

Assim como aconteceu com Twice e Wonder Girls (mais de uma vez), a JYP achou uma fórmula para o ITZY e vem refinando-a cada vez mais a cada comeback. Ver um girlgroup que canta apenas sobre amor-próprio em todos os seus singles até agora é extremamente gratificante, ainda mais com o equilíbrio que temos entre as integrantes mais girl power e as mais fofinhas, com elas pagando de boss bitch ao mesmo tempo que não se levam tão a sério. A música em si consegue ser uma bagunça industrial tão forte quanto vários lançamentos de boybands que não funcionam comigo, mas aqui, o claro esforço em fazer um refrão chiclete e até meio reflexivo (eu dei uma boa bugada quando comecei a de fato pensar no singificado de “eu não quero ser alguém, eu só quero ser eu” -> o que é ser um “alguém”? Somos todos “álguens” anônimos na multidão?) fez a faixa se destacar e ser repetida infinitas vezes porque eu achei todas as outras faixas do álbum uma porcaria.

8° Dolphin + NEON, Oh My Girl

Eu simplesmente não entendo o porquê existe uma relação de amor e ódio com o Oh My Girl desde o debut, ainda mais evidenciada agora que elas finalmente desfloparam depois do Queendom. Eu gosto das meninas desde as Macaquinhas Alérgicas a Banana e estes dois bops genéricos com elas trazendo ótimas uptempos energéticas sem forçar nem o sexy nem o aegyo era tudo que eu precisava. De todas as faixas aqui, elas são as mais básicas e funcionam justamente por entregarem dois números de dance-pop despretensioso com refrões chicletes praticamente com a mesma ideia (dadada dadadadadada em Dolphin e bo-bo-boys em NEON), com uma ótima utilização de baixos em sua construção. São ótimas b-sides que mereciam um single melhor, apenas.

7º Cool, BVNDIT

Eu tenho uma relação estranha com o BVNDIT. NUNCA me lembro de nenhum single do grupo, mas umas duas b-sides delas nunca saem das minhas playlists. Neste contexto, Cool, por ser um projeto experimental da empresa, acerta em entregar uma faixa mais tranquila do que os singles girl crush do grupo, montando um dos clipes mais interessantes que eu vi nos últimos anos do k-pop! A ideia de usar colagens por todo o clipe, mantendo um color coded para as integrantes e permitindo-as serem meio bobas na bridge é, ao mesmo tempo, estranho e agradável aos olhos, o que diferenciou elas da manada de lançamentos que tivemos no começo do ano, fazendo eu ver mais vezes o clipe pra entender o que raios está acontecendo e, consequente, ficar com o refrãozinho chiclete na minha cabeça por um bom tempo.

6º Scream, Dreamcatcher

Depois de três anos, é incrível que o Dreamcatcher seja tão certeiro em todos os seus lançamentos, sem perder em nenhum momento a consistência visual e sonora. Com um clipe escorrendo orçamento, elas trazem mais uma pequena fanfic enquanto gritam sob guitarras frenéticas, coros góticos e gritos, em uma melodia que consegue misturar o melhor do dance-pop agressivo de vários girlgroups com os drops igualmente agressivos de boybands. Não sei você, mas, desde o debut, são poucos os lançamentos delas que não considero épicos e Scream está tranquilamente entre os melhores e mais apocalípticos deles.

5º Maybe, (G)I-DLE

Maybe deve ser, de longe, uma das melhores faixas já produzidas pela Soyeon. Cumprindo exatamente o que se espera de uma b-side (aumentar o universo apresentado pelo single adicionando mais camadas a mensagem/conceito), a faixa delicada perpassa por diversos elementos (inclusive vocais) afastados do primeiro plano, dando uma sensação de que estamos em um espaço muito mais amplo conforme a ouvimos. Os versos são totalmente suspirados o que sugere que elas estão sussurrando a letra em nossos ouvidos em meio a uma multidão. O refrão, então, vem em seguida, com um drop repleto de sintetizadores, que te fazem afundar em meio ao ambiente amplo que os versos criaram, sendo que, cada vez que ele aparece de novo nos surpreende de uma forma diferente. Mas, ainda assim, não chegou a ser A MELHOR B-SIDE DO SEMESTRE pra mim, por causa da pérola que temos aí embaixo…

4º Tweaks ~ Heavy cloud but no rain, GWSN

Apesar de ter conceito, bons visuais, títulos interessantes e músicas agradáveis de ouvir, era difícil eu me apegar a alguma música do GWSN depois de um mês do lançamento. Mas eis que veio Tweaks e tudo o que eu esperava do grupo fez sentido. Sério, que coisa gostosa de ouvir! Seguindo na linha meio house que apresentam desde o debut, a faixa mantem uma batida constante ao fundo, como uma incansável pista de dança de piso colorido, mudando de elementos conforme confere mais textura as interpretações vocais das integrantes, que passa diversas sensações: confiança, fragilidade ou algo mais etéreo mesmo.

Um ponto meio engraçado é que por mais de um mês eu jurava que no refrão elas falavam “i’m in rain, i’m in PAIN, como uma analogia ótima sobre a dor contida representada por um céu nublado, que nos deixa ansiosos com a eterna expectativa de que uma hora vai chover. Mas na letra elas só repetem rain duas vezes e toda minha interpretação da faixa caiu por terra…

Ainda canto pain apesar de tudo? Canto.

3º Sometimes I Desperately Want To Be Sick, Poetic Narrator

A partir daqui talvez você reclame completamente destas, já que um número que beira uma baladinha qualquer de OST está em TERCEIRO LUGAR. Se, por um momento, isto me faz sentir que talvez eu esteja começando a ficar velho e escutar “música de velho”, por outro, vamos apreciar a mensagem sutil e desesperadora que Poetic Narrator (este nome é pedante na medida certa), uma dupla formada por Juniel (sim, aquela solista que debutou em 2011) e um tal de Doko, nos entrega aqui. Num rock soft o suficiente para parecer música de elevador (mas não desprovido de vários elementos em sua melodia), ambos cantam sobre o desespero de se sentir solitário a um ponto que, mesmo que se existisse alguém que os confortasse, isto são seria o suficiente. Dito isto, eles deixam claro que não vai acontecer este conforto porque as pessoas são egoístas e más, incluindo eles mesmos! Porém, toda esta confusão de sentimentos é apresentada de uma forma tranquila, com vozes e harmônicos relaxados, como se o eu-lírico da canção entendesse que este tipo de sentimento é normal e está tudo bem ter altos e baixos.

Em um ano de profundos baixos como 2020, escutar algo assim traz um tipo de conforto que nem sei direito como descrever.

2º Villain, Stella Jang

Stella Jang, uma das novas queridinhas do k-indie, ocupa a segunda posição, com um uma música em que ela fala o mundo vive em escalas de cinza ao mesmo tempo que se autoproclama como a malévola vilã, contradizendo a si mesma. A faixa traz um clipe redondinho, extremamente carismático, com ela aprendendo a arte da culinária francesa só pra fazer bolinhos com wasabi, pimenta e outras coisas piores pra enganar as pessoas, que funciona como um acompanhamento visual super alinhado com o ritmo retrô escolhido (meio que da mesma forma que AHH! OOP! do Mamamoo). Um lançamento adorável e que claramente se orgulha de ser meio estranho.

Esta falta de preciosismo é o que, na minha opinião, o cenário indie precisa para não se perder em mensagens pedantes ou intricadas demais para nos sentirmos conectados com as músicas. Percebermos que somos um pouco malvados, de uma forma até meio que infantil, tira um pouco a polidez e perfeição que a sociedade cobra de nós mesmos, nos permitindo estar mais próximos de querermos ser nós mesmos, como já eternizado pelo ITZY: “I don’t be somebody, I just wanna be ME MEEE” (agora percebi que várias das músicas aqui se relacionam uma com a outra…).

1º Zombie, DAY6

Zombie não é uma faixa inesperada vinda do DAY6. Esta não é a primeira vez, nem a segunda, que o grupo trouxe um pouco de rock melancólico para o seu catálogo, criando um contraste extremamente interessante com os releases mais descontraídos do N.Flying (que é a outra banda meio idol que bate de frente com eles no mercadeiro mainstream).

A faixa fala sobre a sensação entorpecida de passar dia a dia preso em uma rotina sem ver um propósito maior. A melodia reproduz esta sensação com um som contido, focado principalmente na bateria em primeiro plano, sugerindo uma leve mudança de elementos com sintetizadores e teclado ao fundo. Apenas a partir do segundo refrão, no pós-refrão e na bridge é que temos algo mais explosivo, com os acordes da guitarra, o que aumenta a sensação de que eles estão gritando a letra de uma forma meio desesperada:

“Eu sinto que virei um zumbi

Com uma cabeça e um coração vazios

Um espantalho sem cérebro

Desde quando eu acabei assim? Por quê?”

Tradução do refrão da versão coreana da música

Não sei para você, mas se sentir um zumbi em meio a este contexto mundial parece ser algo bem mais próximo do meu dia a dia. A inexistência de um prazo ou até mesmo de uma certeza de quando esta situação de quarentena vai acabar, traz a necessidade de ocuparmos nossa mente com algum tipo de distração e, assim como com o Poetic Narrator, é muito prazeroso conseguir ver esta identificação em uma música…

Então, nesta mistura de clipe + conceito + letra + música, que resultou nesta identificação, não tinha como outra faixa ocupar a primeira posição neste semestre.

Menções honrosas: neste tempo que eu fiquei mais afastado do k-pop, acabei escutando várias coisas meio inesperadas (como artistas voltados para o mercado norte-americano e inglês e ost de doramas tailandeses), mas quase nada durou mais de um mês nas minhas playlists. Como o blog é mais voltado para o k-pop, decidi deixar o top 10 só com lançamentos coreanos e mencionar músicas de outros países que achei interessante aí embaixo…

Dos EUA, acho que a Doja Cat trouxe algo bem despretensioso e agradável com Say So, Addiction e Cyber Sex. Na Inglaterra, Rina Sawayama serviu um álbum tanto socialmente crítico quanto autocrítico, em meio a uma variedade de ritmos extremamente bem pensada como no contraste entre STFU! e Comme Des Garçons (Like the Boys). No Japão, minha luta pra conhecer mais j-pop continua, mas a única coisa que me animou foi a investida ridiculamente retrô do debut de Ai Furihara e o comeback inesperado do BED.IN parodiando Star Wars. E, pra terminar, a Tailândia deu um banho em todas as OSTs coreanas trazendo uma faixa tão estranha como tema uma sitcom BL que escutei várias e várias vezes…

ベッド・インのタレントショップ(BED IN SHOP) | SPACE SHOWER STORE ...

E este foi um ranking das músicas que eu curi antes de voltar de cabeça com blog e acompanhar bem mais de perto dos lançamentos capopeiros. Acredito que vai ter várias mudanças até o final do ano (só as duas últimas semanas ofereceram lançamentos que se destacaram tranquilamente no ano inteiro – já ouvi pporappipam umas 30 vezes), mas é capaz de alguma baladinha indie ainda aparecer em posições super altas na seleção das melhores músicas de 2020 kkk

Qual seria o seu top 10 do primeiro semestre? Fala aí!

15 comentários em “Os lançamentos mais interessantes do 1º Semestre de 2020!!

  1. BED.IN sempre sendo maravilhosas!

    Pra mim, a Rina Sawayama brilhou nesse primeiro semestre; XS e Bad Friends são minhas músicas favoritas desse período. Em terceiro lugar, So What do LOONA (devo ser um dos poucos na blogosfera que genuinamente gostaram da música…).

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    1. Não sei porque raios o WordPress entendeu seu comentário como spam o_0’… Enfim…

      Eu até que gostei de So What, mas depois de um mês a música sumiu das minhas playlists e olha… Senti muita falta não (apesar de ter brisado numa ideia de fanfic na época que lançou)…

      Tava morrendo de receio das BED.IN terem desistido de músicas novas depois do álbum de 2017 e, nossa, fiquei muito feliz por estar errado, sério ❤ Elas tão até em playlist oficial do Spotify e tudo xD

      E o álbum da Rina ainda não desceu totalmente comigo, mas eu sei que uma hora vai… Gostei muito da execução e de toda a história por trás dele, mas ainda não me acostumei com a sequência das músicas (algo parecido tá acontecendo com o do Dreamcatcher), acho que é uma questão de quando o clima certo bater…

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    1. Nestes seis meses teve uns atos que eu ignorei a existência totalmente quase que sem querer… April foi um deles 😅 Então nem fazia muito sentido eu colocar aqui kk Mas bem capaz de aparecer no top de final de ano 👀

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  2. Sobre o top, nada a reclamar, mas talvez só umas três eu ouvi. Mas descobri que o gidle errou na escolha de música, porque aquela eu nunca mais ouvi. Zombie tem uma mensagem tão linda, merece uma série pra ela. Itzy tá indo muito bem, aguardo ansiosamente pelo próximo comeback. Ps.: Fiquei impressionada que tu vê BL, e concordo contigo essa música de nome difícil foi uma das melhores esse ano.

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    1. Kkk Oh my god foi boa, mas a bside foi taaao melhor xD Zombie devia ser um exemplo pra rock melancólico e Itzy ja vai voltar 😆 #ansioso
      Ps: Siiim, eu gosto muito de BL e sempre to vendo uma série nova, agora to pra começar He’s Coming to Me (mas minha favorta mesmo é UWMA xD)… Mas essa música combinou tanto com a série maluca, sério, se vc curte BL capaz de adorar a zoação que acontece nela

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