NINGUÉM SEGURA A LEE HYORI!

Já foram muitos posts reflexivos e na bad vibe em sequência aqui no blog e eu estou preparando o primeiro post pseudo-conceitual num formato de “pacotão” de outros lançamentos de julho para ir ao ar entre amanhã e sábado. Fora do conjunto de lançamentos deste post futuro, eu queria muito comentar pelo menos dois de forma avulsa: o álbum motivacional e curativo do carinha do Broduce que a Starship esqueceu de comprar a vaga no Wanna One e a unit retrô da Lee Hyori… Eu já estava desistindo de tentar fazer o segundo até que a diva decidiu aparecer no novo single da Jessi e eu recebi a notícia MARAVILHOSA de que a prova específica de Artes Visuais da Fuvest 2021 foi cancelada e vou precisar fazer só o vestibular normal pra tentar entrar!!! (tô muito feliz com isso, sério).

Então, sem mais delongas, vamos aproveitar esta positividade e dar uma olhada nos três singles que Lee Hyori nos presenteou neste ano até agora…

Eu tenho a impressão de que, depois de duas temporadas do ASMR televisivo em que botava idols da 2ª geração pra trabalhar, a Lee Hyori deve ter sentado na cozinha de sua casa/fazenda em Jeju e pensado “nossa, o mundo tá nostálgico e as novinhas tão perdidas tentando emular anos oitenta americano… Elas não lembram da vergonha alheia dos anos 90, não?”.

A onda nostálgica está realmente assolando o mundo (como as Wonder Girls previram em 2015), mas, a grande questão por trás disto é que esta “onda” é mais um reflexo imperialista do que é nostálgico para os EUA e a Inglaterra num geral. Ou seja, tivemos a popularização do house, a volta de R&B, alguns flertes com new jack swing e o provável renascimento do disco (depois de Juice e Say So, acho difícil não jogarem demos disco em qualquer uma que aparecer)… Porém, para o público coreano, este tipo de nostalgia só tem metade do seu apelo, já que dialoga um pouco com a sonoridade que assolou o mundo, mas não referencia diretamente o que vem a mente do imaginário sul-coreano quando pensam na década de 90/80…

Até Lee Hyori, toscamente apelidada de Linda G, chamar Rain (B-Ryong) e o comediante Yoo Jae Suk (U-Doragon) para fazerem um cover de uma demo vinda DE FATO dos anos 90: In the Summer pelo grupo Deux (sim, eu achei a versão original no youtube) junto com um integrante do antigo ZE:A (sim, os irmãozinhos da Nine Muses), que hoje vive de variety shows. Toda a construção do grupo foi feita de uma forma midiática a partir do programa How Do You Play?, apresentado pelo Yoo Jae Suk, com a premissa de que “as baladinhas estão tomando conta dos charts até mesmo no verão e precisamos dar um jeito nisso, porque na nossa época não era essa folga não” (pior que é isso que falaram mesmo kk).

Foi um trabalho de gênio! O programa foi criando a antecipação do retorno de Lee Hyori e do Rain para o cenário musical de forma ativa (e não apenas como feats ou participações especiais), dialogando com o público mais velho (que já conhecia as referências noventistas que iriam usar) e apresentando o conceito ao público mais novo (que provavelmente acha que Lee Hyori é uma avulsa que precisa do BlackPink pra se promover). E, claro, quando o cover efetivamente saiu, conquistou Perfect All Kill super rápido.

Só pelo fato de serem pessoas mais velhas para a indústria coreana (é chocante pensar que eles já passaram dos 40 e, se uma idol chega nos 30, já é considerada “velha” pra indústria) o lançamento funciona comigo. Mas, além disto, temos uma certa propriedade na forma como os três apresentam isto pra nós. Para quem conheceu o k-pop na segunda geração, é como se, por exemplo, a Bom emulasse suas power ballads de 2010/2011 e ainda chamasse a Dara pra fazer feat em pleno 2019. Fica muito mais natural quando eles mostram este estilo para nós do que se fosse um grupo mais jovem (inclusive, o carinha do ZE:A quase parece um lolito perdido no meio do clipe), deixando todo o lançamento mais agradável de ouvir. Afinal, é uma homenagem às referências contrastantes de R&B norte-americano e idol pop japonês que a indústria tinha na época, quando ainda estava desenvolvendo a sua própria identidade, o que funciona muito bem aos ouvidos se você já curtiu algo da primeira geração do k-pop.

O cover, na verdade, era apenas um pré-release com o intuito de criar buzz para o que seria realmente uma música nova com o trio (onde será que eu já vi esta estratégia?). O verdadeiro lançamento é Beach Again, um carnavalesco single de verão, se utilizando de elementos e sintetizadores comuns ao k-pop da primeira geração (como os saxofones/trompetes e os sininhos mega agudos no refrão) numa base mais upbeat de verão moderna (tem até uns barulhinhos de tropical house na bridge). Consigo ver isto claramente por trás de uns vocais açucarados e saias plissadas de white aegyo lá em 2014/2015 num clipezinho retrô genérico.

Só que, novamente, os três vivenciaram esta época, então entregam o conceito com muito mais propriedade, principalmente de forma visual, além de mostrarem uma felicidade aparentemente genuína no rosto, parecendo estar rindo de si mesmos a todo momento.

Quando coloca os fones no começo do clipe, Lee Hyori parece que se transporta para a praia de 1994 e acaba levando a gente junto.

Obviamente o single estourou e já teremos outro, mas, antes disso, Lee Hyori decidiu não apenas relembrar seus tempos no Fin.K.L., mas também a sua carreira por toda a década de 2000s, quando era a sexy queen da Coreia. O primeiro passo foi fazer participação da música da Jessi aí em cima, o que combina perfeitamente, já que a rapper ressalta o quanto é foda por ser uma nuna (누나), honorífico utilizado para mulheres mais velhas na sociedade coreana (e, como pode se esperar, tem uma conotação bem mais negativa que o honorífico masculino, oppa). Eu sinto que esta participação foi algo pedido pela Hyori bem nos 45 do segundo tempo, já que ela só aparece no final do clipe e nem canta… Mas, sinceramente, ficou maravilhoso e já aumentou o replay factor da música pra caramba pra mim.

E, ao que parece, isto é uma espécie de buzz para a provável unit que contará com ela, a Uhm Jung Hwa (uma LENDA da Coreia, sério… Se Lee Hyori/BoA são comparáveis a Madonna, a Uhm Jung Hwa é a Cher), a Hwasa e a própria Jessi: a união de diferentes aspectos da música feminina coreana (afinal cada uma debutou em uma época diferente no k-pop) para DESTRUIR os oppas machistas que lançam baladinhas ou raps horríveis com sei lá quantos anos de carreira sem terem que passar por metade do julgamento e shamming que as cantoras femininas tem.

Ou seja, provavelmente, o número de lançamentos que Lee Hyori participará este ano será maior que toda a discografia do BlackPink…

Eu estou no hype. MUITO no hype. Acho que a última vez que estava ansioso assim para um lançamento foi quando outro megazord de girlgroups se unit nos estúdios da SM. É tão injusto como a indústria trata as artistas femininas e o sucesso que a Lee Hyori está conseguindo com estes lançamentos deste ano é mais do que merecido (mesmo que ela já seja podre de rica). Eu adoro como ela é uma diva madura que consegue ser séria, militante, ativista, sexy, fofa e, bem, uma senhora de 40 anos, tudo ao mesmo tempo. Cada blogueirinho Fundo de Quintal tem seu lançamento preferido dela e deixo indicado o meu aqui pra quem não conhece muito a tragetória dela: Monochrome, o álbum de 2013 inspirado em rock, jazz e blues, com o single feminista maravilhoso que critica como a sociedade coreana categoriza as mulheres de conduta desviante dos padrões sociais como má influência:

É isso… Nos vemos no pacotão de Julho o/


PS: Já passou um tempinho que isto explodiu na internet, mas é importante lembrar do que está ocorrendo com os protestos contra violência policial ocorrendo em vários lugares do mundo (inclusive aqui no Brasil). Percebi que é crucial neste momento procuramos nos informar e ajudar como puder (principalmente nos conscientizando sobre racismo). Não estou no meu lugar de fala aqui, mas estou dando o meu melhor para aprender a ser antirracista (é o mínimo do mínimo que posso fazer sobre tudo isso). Se você quiser/puder ajudar, clica aqui e dá uma olhada nos links do Black Lives Matter, compartilhando se possível. Em relação a conscientização, eu vi um vídeo muito bom falando sobre racismo para dar os primeiros passos para ter atitudes antes antirracistas, clica aqui pra dar uma olhada. Muito obrigado por ler o post até aqui!

7 comentários em “NINGUÉM SEGURA A LEE HYORI!

  1. “as baladinhas estão tomando conta dos charts até mesmo no verão e precisamos dar um jeito nisso, porque na nossa época não era essa folga não”

    Se isso veio da boca do Yoo Jae Suk e não de um músico, a gente percebe o quão feia a coisa tá nos charts da Coreia

    Curtido por 1 pessoa

    1. Pior que eu acho que veio dele mesmo… x.x Depois do sucesso desse projeto, eu espero que as equipes criativas da Coreia comecem dar uma acordada pro verão

      Imagina um 2021 cheio de bops?? (não que 2020 não esteja melhor que os últimos anos, claro… Apesar de eu não ser muito bom de analisar os cenários numa perspectiva anual kkk)

      Curtido por 1 pessoa

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