Sukhumvit Swimming, ONF: Tailândia, Pinóquio e Doctor Who numa lambança de reggae

Eu vi apenas UM ÚNICO episódio do Road to Kingdom, porém isto foi o suficiente para eu ansiar os resultados que afetariam nas boybands envolvidas, já que todos os atos do Queendom tiveram comebacks memoráveis (pra dizer o mínimo) depois de passar pelo programa (até o Lovelyz conseguiu tirar uns solos interessantes), com o bônus do desflop do Oh My Girl, que já torcia há alguns anos para acontecer ❤ Agora, é a vez dos irmãozinhos delas e a empresa claramente não está trabalhando no automático…

Existe um esforço da empresa deles aqui, sem dúvidas. Depois do Oh My Girl ir do lixo ao luxo, não é surpresa a empresa fazer de tudo possível para que seu segundo ato também estoure e já a deixe em uma posição ainda mais confortável no mercado. Este esforço está presente tanto na música quanto no clipe, que fazem o seu trabalho mantendo a imagem do grupo como algo diferente do está ocorrendo no k-pop atual.

A música se inspira no reggae, o que, por si só, já é algo ousado, uma vez que, apesar de ter sido um gênero musical explorado por atos GIGANTES como o EXO e as Wonder Girls, nunca pegou na moda do meio capopeiro. Contudo, da mesma forma, por ser uma sonoridade não tão popular nas demos que circulam pela Coreia, é algo que marca na mente e, com certeza, destaca o grupo da manada de boybands com facilidade.

A faixa se utiliza apenas da base reggae e vai construindo por cima, permeando elementos dramáticos (como o coro) e trocando totalmente o instrumental entre versos e refrão, em quinhentas camadas diferentes: o solo dos instrumentos meio retrô, a batida de reggae mesmo, um trap mínimo, um foque completo em baixos e teclados vibrantes, sem contar nos pequenos elementos aleatórios jogados entre os versos. A sensação que eu tenho ouvindo Sukhumvit Swimming é que deram para os garotos uma demo de um girlgroup excêntrico da SM: cheia de elementos que aparentemente não conversam entre si, mas são juntados de forma tão inteligente que resultam em algo não apenas melódico e dançante, como também extremamente curioso de se ouvir.

Como resultado, a faixa mantem a sua atenção o suficiente para ão soar monótona ou lembrar as outras tentativas de reggae no k-pop. Why So Lonely, por exemplo, tem muito menos elementos e sintetizadores, sendo uma faixa bem mais calma, e Kokobop tem muito mais elementos e um drop horrível no refrão. As pessoas responsáveis pela composição disto aqui estão de parabéns! Em qualquer gênero de características bem marcantes, as faixas correm o risco de ser muito parecidas (é só lembrar como todo lançamento de tropical house começou a ficar extremamente genérico depois de View, 4 Walls e Why) e a bridge com o solo dos instrumentos antes do rap está muito legal de se ouvir ❤

Considerando que o Oh My Girl estourou pós-Queendom com um single EXTREMAMENTE GENÉRICO E SAFE, foi uma boa surpresa ver se arriscarem musicalmente para o outro grupo da empresa.

Apesar de tudo, o comeback não conseguiu ser perfeito e lacrador como o do Golden Child, por exemplo, e isto se deve muito ao seu clipe confuso que, ao contrário da música, segue o mesmo padrão de Nonstop (até a thumbnail é igual, focando no integrante vestido de cowboy), com várias trocas de cenário em ambiente fechado, graças ao poder da tela verde. Eles tentaram deixar um tema para cada integrante e colocar um pra juntar todos com um carrinho de golfe com os poderes de onipresença do Doctor Who, mas a ideia só ficou confusa e pareceu apenas uma perda de oportunidade para conceitos legais que poderiam ter cortes melhores (como o do cowboy e o do astronauta fofinho). Sem contar que eles conseguiram focar tão pouco na coreografia que ela parece inexistente… E que a letra mencionado nadar nas férias em um um distrito de Bangkok (Sukhumvit -> meu lado de BLzeiro já sentia tailandês só de olhar pra esse nome kk) não tem absolutamente NADA A VER com o que está acontecendo visualmente…

MAS O COMEBACK NÃO ACABA POR AÍ! Além de todo o reggae e a construção inusitada do single, eu fiquei com a pulga atrás da orelha depois que vi a tracklist com uma bside chamada Geppetto e já esperava altas analogias fumadas com a história do Pinóquio na letra…

E, além de receber isto da forma mais tosca e profunda possível, com eles falando para o interlocutor que não são mais “seu Pinóquio” no refrão ao mesmo tempo que estão refletindo sua identidade por terem sido montados artificialmente nos versos (de forma LITERAL), a faixa veio em um dance pop extremamente ❤ boiola ❤ duplamente retrô ao ter um instrumental marcado por baixos e um refrão que me lembrou MUITO as b-sides de boybands de 2009 a 2012. O resto das faixas do EP segue uma linha mais padrão que se esperaria de um ato masculino, mas só a existência desta b-side já deixa um gosto a mais para o comeback da boyband, já que os machos não estão conseguindo entregar muitas b-sides memoráveis este ano.

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Talvez eu só esteja um pouco nostálgico com este sendo o segundo lançamento da semana que me lembrou as Wonder Girls de alguma forma, mas estou extremamente satisfeito com o comeback. A empresa definitivamente fez um ótimo trabalho em cima da MÚSICA (algo que, surpreendentemente, muita gente esquece no k-pop) e acredito que este esforço vai ser recompensado na popularidade deles sem grandes surpresas. Por enquanto, dos participantes do Road to Kingdom, meu top de melhores comebacks está assim:

ONE (Lucid Dream), Golden Child

Sukhumvit Swimming, ONF

Count 1,2, TOO

Thunder, Verivery (nem lembro mais como soa, só lembro do clipe Stranger Things mesmo)

Qualquer Coisa Nova Que Lançarem, Pentagon

Agora é só esperar pra ver como o Oneus vai sair com seu single inédito e quando o The Boyz vai explodir nos charts com seu futuro comeback. Do jeito que as coisas estão indo, eles vão ter que se esforçar MUITO se quiserem chegar no nível das músicas do ONF e do Golden Child (o que é no mínimo curioso, já que o primeiro a sair do programa entregou, de longe, o melhor comeback depois do mesmo…)


PS: Já passou um tempinho que isto explodiu na internet, mas é importante lembrar do que está ocorrendo com os protestos contra violência policial ocorrendo em vários lugares do mundo (inclusive aqui no Brasil). Percebi que é crucial neste momento procuramos nos informar e ajudar como puder (principalmente nos conscientizando sobre racismo). Não estou no meu lugar de fala aqui, mas estou dando o meu melhor para aprender a ser antirracista (é o mínimo do mínimo que posso fazer sobre tudo isso). Se você quiser/puder ajudar, clica aqui e dá uma olhada nos links do Black Lives Matter, compartilhando se possível. Em relação a conscientização, eu vi um vídeo muito bom falando sobre racismo para dar os primeiros passos para ter atitudes antes antirracistas, clica aqui pra dar uma olhada.

6 comentários em “Sukhumvit Swimming, ONF: Tailândia, Pinóquio e Doctor Who numa lambança de reggae

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