NOT SHY, ITZY: Finalmente alguém está dirigindo de verdade num clipe de k-pop!

Gostando ou não, ITZY está se tornando um dos atos girl crush que está mais se destacando e mostrando consistência desde seu debut, conseguindo já ter uma marca sonora e visual característica em menos de dois anos de existência. Depois de explodir nossas cabeças mais uma vez com um dos melhores lançamentos do 1º semestre, elas já estão de volta, sendo o terceiro ato que aposta em faroeste SÓ NESTE MÊS:

Não sei o que aconteceu, mas, aparentemente, o sucesso de Come See Me do AOA no final do ano passado deixou uma marca profunda nos artistas visuais das empresas, porque o tema de faroeste ressurgiu das cinzas COM FORÇA neste verão. Na verdade, o faroeste, por si só, é um conceito bem interessante e fácil pra qualquer grupo que deseja um apelo visual facilmente identificável pelo público internacional, ainda mais no verão, então chega até a me espantar um pouco que não tenha muitos clipes do gênero (talvez Kill Bill tenha sido tão apocalíptico que as pessoas tem medo de tentar algo e não chegar a um décimo de perfeição do que as Brown Eyed Girls chegaram).

Dito isto, NOT SHY, sem dúvidas, é a melhor adição visual à proposta nos últimos tempos (até porque um grupo esqueceu do conceito depois de 1 minuto de clipe e o outro esqueceu o integrante cowboy conforme se perdia em outras dimensões). Uma das qualidades do ITZY que estava quase se tornando um problema era a consistência ENORME que todos os clipes do grupo tem (cada uma das integrantes está desconfortável em um ambiente que não se identifica para, no decorrer do clipe, se libertar da pressão do lugar e se soltar), já tínhamos três clipes seguindo esta fórmula a risca, então se fizessem isto DE NOVO ia deixar de ser consistente e cair só no repetitivo mesmo.

NOT SHY já começa diferente como uma boa apresentação das integrantes, conforme elas desfilam e fazem carão antes da historinha começar (aparecendo o nome delas, inclusive! Eu, como alguém que demora pra pegar os nomes de integrantes, agradeço). A historinha, em si, é um assalto no meio do deserto, o que, apesar de ser algo simples, quase nunca foi feito muito bem no k-pop. O EXO tentou uma vez colocar a corrida maluca no deserto, mas não teve UMA CENA satisfatória de moto em movimento, enquanto que, aqui, Yeji e Ryunji precisaram tirar carteira de motorista pra fazer a cena (isto é o que eu chamo de comprometimento com o conceito).

A historinha é simples e efetiva, ocupando o tempo necessário de tela pra prender sua atenção sem esquecermos dos paços de dança (a propósito, fiquei feliz em perceber que o passinho fácil de TikTok não apareceu por aqui). Inclusive, a desejada carga que elas roubam nem aparece no decorrer do single, mas sim nos créditos, já apresentando um sneak peak de uma das melhores b-sides do EP… Logo chego lá.

As músicas do grupo, da mesma forma que os clipes, seguem uma lógica bem clara e organizada, com trocentos elementos enxotados de forma meio desconexa, um drop não tão sutil no refrão e outro drop VIOLENTO na bridge. Em NOT SHY, os produtores seguram um pouco a mão nos sintetizadores (inclusive, dei uma olhada e fiquei feliz em saber que tem pelo menos uma mulher na produção do single, é menos que o mínimo considerando o conceito de meio “empoderador” grupo, mas já é um avanço), o que deixou a faixa diferente de suas antecessoras. Os elementos industriais estão muito leves no instrumental, aparecendo bem ao fundo no pré-refrão e na bridge, só para manter uma mínima consistência.

Na verdade, reina na faixa umas batidinhas grudentas que me lembraram um pop adolescente mais agressivo, o que combinou muito bem com o rap descompromissado dos versos e o próprio contexto da letra da música, o primeiro grupo single do grupo que não fala de amor-próprio, mas sim de amor romântico. MESMO ASSIM, é legal notar que, apesar disto, o centro da música não é o “amor” ou a “relação” em si, mas sim a percepção da eu-lírico de procurar se manter confiante e não ser tímida perante as sensações de gostar de outra pessoa. Ou seja, ainda é algo mais centrado no amor-próprio do que no romance, passando uma mensagem bem legal pro fandom adolescente e mantendo a consistência com os lançamentos anteriores.

Falando em pop adolescente, o míni-álbum como um todo é um ótimo exemplo deste “gênero” (seria isto um gênero afinal?), sendo muito bem feitinho e gostoso de escutar (o que, considerando a bagunça barulhenta do último EP do grupo, é um MILAGRE).

Don’t Give A What (a música dos créditos do MV) segue a estrutura dos singles anteriores, com um rock industrial bem juvenil num sentido positivo, tento até umas high notes entre as guitarras.

iD é um dance pop frenético com uma letra inventiva e um título diferentão.

SURF é a primeira faixa mais delicada que vejo na discografia do grupo, apostando no retrô oitentista que seria facilmente um ótimo single nugu como a aposta das Brave Girls da semana passada.

Be In Love encerra o álbum com uma faixa mais dramática, juntando um pop meio acústico que me lembrou Lemonade Mouth (sabe, o melhor musical do Disney Channel?) com uns sussurros que combinam muito com o deserto que aparece no clipe (é quase como se eu conseguisse ver elas percorrendo o deserto conforme a música evoluiu).

E Louder tá aí no meio da tracklist como um rap mais barulhento (como o próprio nome sugere), mas é inofensiva ao ponto de não estragar a fluidez da tracklist.

Download ITZY – Not Shy (2020) zip Album Torrent – ITZY (있지 ...

Eu sinto que poderia escrever mais e mais sobre este comeback, de tão redondinho e bem feito que saiu (tanto que eu até fiz uma Album Review curtinha kkk). Não sei você, mas existem grupos que eu curto muito o conceito e os singles, só esperando um álbum que eu realmente goste pra mergulhar de vez (conhecendo os nomes das integrantes e mais curiosidades) e NOT SHY foi justamente este álbum, ainda mais depois de quase estragarem seu último single com um álbum totalmente inaudível de tão barulhento. É muito bom ver um ato bem próximo de ocupar o primeiro escalão lançando coisas positivamente básicas em uma época que a desculpa conceitual mal feita (uma das manias mais irritantes do pop americano) parece rondar todos os lançamentos grandes de k-pop…


PS: Já passou um tempinho que isto explodiu na internet, mas é importante lembrar do que está ocorrendo com os protestos contra violência policial ocorrendo em vários lugares do mundo (inclusive aqui no Brasil). Percebi que é crucial neste momento procuramos nos informar e ajudar como puder (principalmente nos conscientizando sobre racismo). Não estou no meu lugar de fala aqui, mas estou dando o meu melhor para aprender a ser antirracista (é o mínimo do mínimo que posso fazer sobre tudo isso). Se você quiser/puder ajudar, clica aqui e dá uma olhada nos links do Black Lives Matter, compartilhando se possível. Em relação a conscientização, eu vi um vídeo muito bom falando sobre racismo para dar os primeiros passos para ter atitudes antes antirracistas, clica aqui pra dar uma olhada.

19 comentários em “NOT SHY, ITZY: Finalmente alguém está dirigindo de verdade num clipe de k-pop!

  1. Eu achei Not Shy ótima, mesmo que um pouco mais segura que o resto dos comebacks das meninas. Mas eu preciso parar pra dizer que, mesmo amando ela, Don’t Give a What poderia ser uma título perfeita também (ainda mais com aqueles strike strike pose que me deixaram arrepiada pelo resto da música).

    Also, rodinha pra agradecer que não teve passinho fácil pra tentar fazer fama no tik tok, eu já tava irritada com essa nova moda (Somi eu to olhando pra você)

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    1. Siiim, acho que Don’t Give A What só não foi porque colocaram um título grande na música kk (pode reparam que os títulos dos singles delas quase são onomatopeias por serem curtos e sonoros)

      Ai Somi… Quanto maior o salto maior o tombo x.x (até hoje não acredito que ela foi a CAMPEÃ do primeiro Produce)

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      1. Pior que eu acho o mesmo T^T mas já que não é título elas bem que poderiam promover junto, seria magnífico.

        Até hoje eu não consigo processar que ela é a mesma pessoa que ganhou o primeiro produce, é muito ????

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  2. Eu li todas as reviews dessa música nos outros blogs, mas sempre acho incrível como aqui é o blog que fala de música me fazendo querer rebolar a raba, mas com a mão na consciência. É por isso que adoro ler todos os blogs da blogosfera fundo de quintal, é verdadeiro, é divertido, e traz opiniões parecidas e ao mesmo tempo com visões bem diferentes.

    P.s: De tudo o que vc falou, o que eu mais concordei foi com Lemonade Mouth sendo o melhor filme da Disney, mds como eu amo aquelas músicas, pena nunca ter sido valorizado o suficiente pra ter o 2.

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    1. Ai muito obrigado pelo comentário ❤ Fiquei rindo aqui porque é muito verdade kkkk Não poderia concordar mais com você sobre a blogosfera xD As vezes todo mundo gostou/odiou, mas cada um traz uma coisa nova que é legal de ver 💖

      PS: Eu cheguei a pesquisar uma época que não fizeram um 2 do Lemonade Mouth porque acharam que a história não precisava de uma continuação (foi baseado num livro, aí o autor e os roteristas chegaram num consenso de que era melhor não fazer uma continuação do que fazer meio meh).

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  3. “inclusive, dei uma olhada e fiquei feliz em saber que tem pelo menos uma mulher na produção do single, é menos que o mínimo considerando o conceito de meio “empoderador” grupo, mas já é um avanço”

    THIS

    Meu maior problema com empoderamento no K-Pop é justamente saber que são homens na casa dos 50 escrevendo essas “mensagens” para meninas adolescentes cantarem. Sempre passo longe da letra nesses casos ao fazer um artigo. Mas monetizar pautas importantes é prática diária da “besta”.

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    1. Ainda não entendi como foi pro spam… É até bizarro porque tem um botão “Bloquear Permanentemente”, mas não tem um botão “Liberar permanentemente”… Meu lado de “velho” de 22 anos que não sabe mexer direito na internet gritou alto aqui agora kk

      SIIIM, eu tinha parado de ver um pouco as letras depois de me decepcionar bastante, mas ainda existe um mínimo de esperança que me faz dar uma conferida em quem tá por trás de certos atos (seja pela mensagem ou pelo próprio cantor mesmo). Por exemplo, saber que a Lee Hi está por trás de uns backing vocals do MRSHLL (underground e abertamente LGBTQIA+), me fez ter uma visão diferente e ainda mais positiva dela… Por outro lado, é bizarro o quanto tempo demora pra integrantes de girlgroups terem mais liberdade criativa se comparadas com boybands…

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  4. Eu não consigo gostar desse grupo. Já ouvi; já tentei e só gostei de um b-side delas. Não sei se é porque tenho uma resistência com grupos onde os integrantes são mais novos do que eu.
    PS. Que legal que elas dirigiram de verdade no mv.

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    1. Nossa, este bloqueio eu tinha também quando comecei a perceber que tinha idols da minha idade já explodindo em sucesso (até hoje não acredito que a Chung Ha é só um ano mais velha que eu x.x) kkk É estranho o.0′
      PS: siiim!! Toda vez que aparecem veículos num geral em clipes de kpop as pessoas não dirigem e eu fico tipo ? então porque me colocou um carro no rolê??

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  5. Finalmente alguém falou sobre a Charlotte (ela que produziu a faixa e se não estou errada, também participou de outras produções pro Astro, Daniel, etc)

    Amei este comeback, mas é exatamente o MV que não colou comigo.

    A única coisa do grupo que ainda não cola comigo é o visual do ITZY…

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    1. Sério?? Vou dar uma procurada depois ^^ Nunca tinha visto o nome dela em produções e as vezes os pseudônimos que usam são genéricos demais pra achar kkk

      O visual to ITZY acho meio bagunçado tbm… Mas como curtia o brechó concept do f(x) e o “sim, eu estou usando isso” da Dara lá em 2011, nem parece tão estranho 😂😂

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      1. Kkkkkkkkkkkk de boas. Eu comecei a acompanhar os trabalhos da equipe que a Charlotte tá fazendo parte agora e sigo ela no insta. Pelo visto ela já fez muita coisa, mas não sei dizer o quanto…

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