Hyolyn, Say My Name: Descendo até o chão na teoria do etiquetamento ao som de reggae

No cenário feminino do capopeiro, acho que Hyolyn é a definição perfeita de “multitalentosa”. A mulher canta pra caramba, dança como se não tivesse ossos no corpo, faz rap, é empresária e etc etc etc… Depois de inverter a rotação da terra gerenciando a própria carreira em 2018, ela se focou mais em suas baladas emocionais ATÉ HOJE, jogando um pouco de Destiny Child realness num dos comeback mais aguardados deste mês:

Como eu disse no meu texto sobre a Jessi, uma coisa que gosto muito da Hyolyn é as facetas que ela está disposta a mostrar. Ela não precisava fazer nada disso pro seu sucesso (afinal, se ela cantasse duas OSTs por ano já tava feita, de tanta OST que ela já cantou de dorama hit), mas existe uma paixão e um esforço aí, uma importância de se afirmar como uma grande gostosa E como uma grande sentimental (???), que mira em públicos OPOSTOS, fato que poderia matar a carreira de qualquer uma que não soubesse dosar muito bem esta dualidade.

Como o Fernando fala em um texto seu para o Whatever Music Basement (recomendo muito a leitura sério! Mesmo que você não conhece a j-velha que ele menciona), este tipo de alter egos complementares dialoga como nós enquanto humanos nos percebemos e confronta a noção de “etiquetamento” que vemos na sociedade moderna. Chamado de labelling aproach, esta teoria fala, por cima, que a sociedade tendencia a etiquetar as pessoas a partir de esteriótipos, o que, em si, não parece um grande problema… Até entrar em setores à margem da sociedade branca heteronormativa patriarcal, como, no caso aqui, mulheres ou qualquer pessoa que se identifica minimamente com o que é socialmente entendido como “características femininas”.

O etiquetamento, no contexto trazido pela dualidade de Hyolyn, entra na dicotomia entre “puta” e “santa”, com os comportamentos menos desviantes do que se espera do associado ao gênero “feminino” sendo glorificados e os mais desviantes sendo demonizados ou encarcerados dentro de um nicho específico (que o capitalismo vai transformar em mercadoria e vender, claro). A sociedade constrói esta narrativa de que você simplesmente NÃO PODE rebolar até o chão e ser romântica sentimental (a não ser, é claro, se ser “romântica sentimental” for utilizado como argumento para consolidar que o comportamento desviante é só uma camada externa, criando a ilusão que, no fundo, toda mulher/pessoa que se identifica com “características femininas” – o famoso “de mulherzinha” – é romântica e sentimental e deseja cumprir seu papel de pura, recatada e do lar).

Artistas como a Hyolyn pegam esta etiqueta, amassam e jogam fora, lançando baladões dignos de Sia e twerkando tanto quanto no funk daqui.

Dito isso, se em 9Lives tivemos um baladão épico com dança interpretativa e cheio de reflexão introspectiva, em Say My Name, ela tá rebolando até o chão com propriedade (sem esconder a tatuagem GIGANTE de crucifixo, o que acho bem legal, considerando o tabu de tatuagens na Coreia) ao som de um reggae gostoso, que, se não fosse ela lançamento, perderia muito do seu replay factor por ser meio básica.

A batida se mantem constante por toda a faixa, com alguns elementos diferenciais aqui e ali na segunda rodada de versos e pela pausa dramática na bridge. A única coisa que soou meio desconexa pra mim foi o pós-refrão com ela gritando “say my name” e fazendo o passinho de TikTok. Não sei se é o biasismo falando, mas, este não foi um caso em que o passinho ficou simplificado demais. Afinal, em Dally ela também lançou um desafio não oficial para quem fizesse a coreografia e o carinha que “ganhou” até se apresentou com ela!!! (e, no meio disso, ela ainda participou do desafio similar da Ciara).

No clipe, claramente ela teve que conter os gastos e diminuir a interação entre pessoas (não sei se ela ainda mantem o squad de backdancers ou não… Acredito que sim, apesar de elas não terem aparecido no clipe), então fica aquele enfoque de vários figurinos e cenários com carões + shots de coreografia (com o feat de um rapper mascarado de rosa que perdeu feio pra Yeeun no Good Girl). Tudo meio que combinou, menos o tubinho roxo com chapinha loira sobre um fundo de madeira… Pareceu meio fora na vibe de roupas esportivas…

O álbum de reciclagens foi bom pra lembrarmos do apocalíptico ano de 2018 (além de ser interessante ela saber EXATAMENTE qual dos seus singles passados foram mais impactantes pra reciclar agora) e a nova inédita, Morning Call, é uma boa R&B chill que introduz bem o single (que vem logo depois na tracklist.

Hyolyn - Say My Name Lyrics | Kgasa

Say My Name é um lançamento padrão de Hyolyn que ganha mais por ser o primeiro sexy dela desde 2018, alimentando as fãs que aguardavam ansiosamente, com um pequeno bônus de apostar numa sonoridade menos comum para o k-pop. Não é tão salvador de vidas quanto Dally nem tão deliciosamente redondinha como See Sea, mas iria mentir se dissesse que não vou escutar muito isso no decorrer do ano…

2 comentários em “Hyolyn, Say My Name: Descendo até o chão na teoria do etiquetamento ao som de reggae

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