Retro Love, BOYHOOD: O pop retro mais fiel aos anos 80 desde I Feel You

Eu descobri este lançamento nugu e independente por indicação do Leo do Asia Content no twitter, e tava pensando em deixá-lo pro pacotão do final de mês, mas depois de ficar cansado de dançar isso na velocidade 5x enquanto esquentava o almoço, pensei que mais alguma gay fã de REBOOT poderia nem saber da existência desta MARAVILHA DE POP OITENTISTA…

Eu acho que vamos acabar falando cada vez mais das Wonder Girls nas próximas semanas, considerando que O MUNDO virou oitentista e a melhor referência que vivemos deste conceito foi o apocalíptico 2015 e seu REBOOT das Wonder Girls com um dos álbuns mais sólidos, consistentes e divertidos da última década, tudo referenciado os anos oitenta norte-americano/europeu.

Desde então, vemos lentamente as estéticas oitentistas adentrarem no mainstream, explodindo de vez este ano com o lançamento do segundo full album da Dua Lipa (na minha opinião, pelo menos) e gerando uma onda de lançamentos retrô que está tomando conta do ocidente e ainda vai povoar todo o cenário capopeiro como já fez há uns dez anos atrás. Eu, sinceramente, estou me sentindo totalmente representado por esta onda e mal posso esperar pra escutar pop oitentista EM TUDO QUANTO É LUGAR (só não vai ser melhor que quando o disco dominar o cenário mundial em 2021/2022).

Porém, quando todo mundo tenta o mesmo gênero, ele está fadado a se tornar derivativo e repetitivo, se não for feito direito, assim como aconteceu com o house em 2016/2018. Apesar de eu ainda não ver fraquezas no pop oitentista bate-estaca, existem, de fato, alguns lançamentos que são mais fracos que o esperado, muito porque as referências se perdem um pouco ao tentar levar certas vergonhas alheias da época a sério de mais ou tentar soar cool demais ao referenciar o new age (que, convenhamos, não é uma das coisas que envelheceu muito bem visualmente kk).

O legal de I Feel You, lá em 2015, e de boa parte do REBOOT, é que as referências oitentistas eram abraçadas em sua totalidade, cada segundo do clipe dialoga com referências dos anos oitenta (ele tá até com as tarjas pretas na vertical!!) e, por mais que a melodia tenha suas atualizações, ela traz alguns vícios BEM oitentistas (como os teclados agudos extremamente predominantes na faixa) o que ajuda naquele ar de lembrar de uma época que nunca vivemos…

E, por mais que as tentativas tenham sido várias, acho que ninguém teve a coragem de ser tão fiel aos anos oitenta na Coreia até este ano, com esta Retro Love, produzida e lançada de forma independente por Boyhood, irmão de um ex-Winner e 60º lugar no Produce X1 (mais nugu impossível).

A faixa já começa com aquele bate-estaca que me lembrou forte Maniac, do filme Flashdance, de 1978, e segue com um instrumental cíclico, com os sintetizadores em velocidade máxima, conforme um teclado se mescla quase imperceptivelmente ao fundo. Mal tendo uma bridge, a faixa só vai repetindo loucamente o refrão até o instrumental tomar conta (como um bom remix de sete minutos que teria na época) e ir sumindo gradualmente. O menino também canta tudo com uma voz que lembra mais vocalista de banda do que de boyband ou de solista, e, acho que por conta disto, a música em si parece uma demo perdida de uma das várias bandas de one hit que estouraram nos anos oitenta.

O clipe ajuda na impressão retrô, a partir de um filtro de câmera analógica (temos as tarjas pretas na vertical novamente), sendo que a pessoa que está filmando realmente está tentando dar a impressão de que não foi filmado neste ano. Não tenho grandes conhecimentos sobre enquadramentos e tudo mais, porém, é nítido que os cortes mais abruptos e os foques menos alinhados não foram feitos por um acaso. A indústria de videoclipes como conhecemos hoje ainda estava engatinhando nos anos oitenta, então era muito mais comum ver clipes com o conteúdo menos direto e mais “jogado”, como este aqui.

E, pra coroar, o menino tá fazendo um passinho que poderia ser de TikTok, mas, pela própria forma como ele aparece no vídeo, não dá esta impressão e conversa com o contexto de dançar de uma forma mais livre (que se conecta com o fim dos passinhos disco nos anos 80), deixando o resultado bem mais orgânico e o clipe mais interessante de se assistir.

Boyhood (ele tinha que escolher o nome daquele filme?? x.x) conseguiu construir uma música oitentista que se diferencia da moda por ser muito menos modernizada que suas contemporâneas, ainda ganhando pontos extras por ser independente e ter produzido sozinho a faixa. Este tipo de comprometimento com a época a ser escolhida não é algo muito comum, ainda mais quando o gênero em questão vira modinha e todo mundo lança (é só pensar quantos atos tentaram referenciar anos noventa direito quando a moda era imitar os anos noventa) e eu, como um amante de músicas retrô, não poderia estar mais feliz com isto.

O Aquário Hipster também tem Twitter!! Segue lá se quiser acompanhar indicações e comentários aleatórios de k-pop, BL e uns desenhos: @AquarioHipster

4 comentários em “Retro Love, BOYHOOD: O pop retro mais fiel aos anos 80 desde I Feel You

  1. E as Armys ainda ficam se gabando pelo BTS ser um grupo autoral… Vocês querem?

    P.S.: Só esperando um mashup dessa música com Take on Me, já que achei as duas muito parecidas e até imitei o som do tecladinho eletrônico em algumas partes

    Curtido por 1 pessoa

    1. É… Acho que só quando eles saírem da Big Hit TALVEZ tenham um deles tenha um lançamento tão orgânico e bem feitinho como este

      PS: Gente, parece mesmo!!! Agora veio Take on Me na cabeça e se misturou com Retro Love (algo parecido acontece comigo com Knock Knock e What Is Love do Twice kkk)

      Curtido por 1 pessoa

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