Still 2gether EP.2: Passivos VS Ativos | BL Review

E nesta última sexta tivemos o mais novo episódio da malhação gay tailandesa de Still 2gether! Depois de consertar um pouco o fluxo da estória e o personagem do Sarawat no primeiro episódio, será que a trama conseguiu continuar e sustentar a própria estória sem depender tanto da série principal?

Começamos com o episódio com um pouco de fanservice, o que é interessante, considerando que, na trama, tanto o Sarawat quanto o Tine já estão juntos há mais de um ano e estas interações românticas já poderiam ser normalizadas pra toda a legião de fãs dos dois… De toda forma, eles usaram este contexto para atualizar um pouco os trotes do clube de música (o que foi legal, considerando que, estes “desafios” que calouros passam acontece de uma forma bem pesada na vida real) e trazer a participação especial da Jennie Panhan.

Eu conheço pouco da trajetória desta comediante/atriz/lenda no entretenimento tailandês, porém, enquanto mulher LGBTQIA+, é muito legal mesmo ver a participação dela em uma série BL que hitou tanto quanto 2gether. Dar voz e papel a pessoas LGBTQIA+ é a parte principal do potencial de representatividade que os BLs possuem e colocá-la ali foi especial. Sei que ela participa de vários variety shows e já fez papeis em vários doramas que possuem personagens LGBTQIA+, mas ver ela neste episódio me deixou cheio de calor no coração, sério.

Depois desta breve introdução, passamos para a movimentação da trama do episódio em si, continuando as frentes que tivemos no primeiro episódio (SarawatTine, ManType, MilPhukong e BossPear), porém, adicionando uma virada interessante que gostei muito de ver: a separação da entidade SarawatTine no clube de música e como isto aumentou a relevância do Dim e do Green na trama.

Muito bem, era super fofo que o Tine queria ser secretário para mandar no Sarawat como a Secretária Kim mandava no Park Seojoon? Era. Mas isto deixou um gostinho meio azedo na minha boca, porque o casal parecia grudento demais para a forma como eles se tratavam e para os interesses conflitantes que eles possuem (vamos lembrar da cena em que Sarawat cita várias bandas indie e Tine não conhece nenhuma?), então foi uma mudança meio abrupta, porque eles nunca foram um “casal entidade” (lê-se, casais que ficam grudados PARA TODO O SEMPRE depois que começam a namorar).

Além disso, era BEM CONVENIENTE justo o Tine (que é interpretado como uke/passivo do casal) seguir o Sarawat pra tudo quanto é canto. Isto cai num clichê de BLs/yaoi que sempre me irritou muito, porque é a tradução de uma narrativa machista que quem faz o papel do “homem da relação” é que tem interesses e é um personagem independente, enquanto quem é a “mulher da relação” tá lá só pra fazer o outro crescer e não ter aprofundamento fora do aspecto romântico.

Aí me mudam esta percepção de forma violenta. Literalmente.

É como se o diretor e a roterista falassem “você achou mesmo que a gente ia fazer isso? Seu TROUXA!”

Então, com o acidente, o Tine precisa crescer enquanto personagem independente e assumir o papel de líder do grupo de líderes de torcida, o que mostra um desenvolvimento bem legal, já que ele só tinha entrado no grupo pra “pegar garotas” e, no meio do caminho, criou uma real paixão pelo que começou a fazer.

Estando os dois fisicamente separados, para a trama se manter em movimento e com tensão romântica no casal principal, eles colocaram o grupo do Tine do lado do grupo do Sarawat e criaram um conflito entre os grupos, para ver o quanto isto permeava o “felizes para sempre” do casal.

O conflito em questão, como dito pelo Fong (as always) é a relação entre romance X trabalho enquanto esferas separadas da vida, que devem permanecer separadas em qualquer relação saudável. Vemos isto em DimGreen, o que se reflete em SarawatTine, e, por uma boa edição e velocidade da trama, ecoa lá no canto, em ManType.

Algo que funciona muito bem em tramas episódicas que tem vários principais é cada episódio ter um tema central, no qual os personagens gravitam sobre. Isto dá a mensagem um caráter mais verossímil e dialoga com várias pessoas diferentes, justamente porque mostra as formas diferentes como os personagens reagem ao problema.

Dim e Green movem a trama ao estabelecer uma rivalidade que Sarawat e Tine não estabeleceriam por conta própria. De todos os relacionamentos já estabelecidos, DimGreen está se tornando o mais complexo e com mais conteúdo pra aprofundamento, uma vez que ambos são teimosos demais para conversar sobre seus problemas diretamente e representam os esteriótipos de “ativo/seme” e “passivo/uke” nos BLs.

Quando Green confronta Dim e vai para o clube de líderes de torcida (uma atividade ligada ao sexo feminino no imaginário coletivo), se estabelece um sobrepeso entre os interesses do “ativo” (que costumam ser os mais importantes na maioria das tramas) e os do “passivo” (que geralmente comem o pão que o diabo amassou). E eu não sei você, mas fiquei muito do lado do Green e do Tine nessa, o que me deixou bem feliz porque a afeminada ser mostrada como a mais racional do casal é milagre em BLs.

Enquanto os quatro quase põe fogo na universidade por não conversarem, ManType mostra o lado maduro deste tipo de conflito, com Man mostrando seu melhor lado fofo e dork ao descobrir o conflito interno de Type e dar todo o apoio para o namorado crescer profissionalmente (eu não sei como eu não percebi este direcionamento da trama antes… Tá na abertura o Type viajando pra longe! @.@’).

As tramas secundárias ressoam nos casais a serem formados ainda (MilPhukong e BossPear), com a roteirista unido muito bem os pontos ao colocar todos os personagens no mesmo contexto: Pear tá no clube de costura então vai fazer as fantasias do clube de líderes de torcida, que Phukong começou a participar pra conquistar o Mil. Além, é claro, deles já colocarem que todo mundo se conhece (inclusive os amigos do Sarawat e os do Tine) pra poupar tempo de tela de explicações desnecessárias.

Foi inteligente ligar todos, porque ninguém fica perdido na trama (apesar de eu achar que o Fong e o Ohm tão meio sem ter o que fazer ali no meio), e transformar MilPhukong numa espécie de paródia autorreferencial dos acontecimentos da série principal foi GENIAL. A equipe de produção começa a brincar com nossas expectativas ao recriar a cena do excesso de maquiagem quase que como se estivesse fazendo meme. Foi bem divertido e eu espero que eles continuem nessa toada para os dois.

Além de FINALMENTE TERMOS ALGUMA RESPOSTA POSITIVA DO MIL PRA ESTE ROMANCE NO FINAL DO EPISÓDIO! ALELUIA! (mostrando também, que as pessoas são diferentes e as coisas dão certo nem sempre do jeito que a gente imagina, então lógico que o Mil vai agir de uma forma diferente que o Sarawat).

Pra finalizar, o traminha do aniversário do Tine não foi super bem feita (considerando que só o Sarawat pareceu ligar MESMO pra esta questão), mas serviu ao seu propósito e gerou uma cena super bem feita e orgânica para o casal (que, ao mesmo tempo foi a melhor propaganda dentro de uma novela que eu vi EM TEMPOS, chega de súbitos problemas de acne sem pé nem cabeça nas tramas pra promover sabe-se lá que produto de beleza).

O que eu AMEI NA CENA foi o Sarawat estar usando uma camiseta com o arco-íris da bandeira LGBTQIA+ e o comentário que o Tine fez quando “analisou atentamente” o bonequinho do Sarawat.

Sobre a camiseta, não acredito que isto tenha sido acidental, porque faz todo o sentido ele ter uma camiseta destas depois de sair do armário assumindo sua relação com o Tine. Além de lembrar subliminarmente que o que estamos vendo é um romance gay e não um simples fetiche de dois carinhas hétero se pegando.

E, sobre o comentário do Tine foi MUITO BOM. FOI NATURAL, FOI AFRONTOSINHO, FOI FANSERVICE, FOI ORGÂNICO. Não há mais espaço para pensarmos num bromance depois de um comentário destes, por mais que eles ainda não tenha mostrado eles se beijando pra valer, e, ao mesmo tempo, elevou o fanservice ás alturas.

Still 2gether ainda continua forte, melhorando os aspectos da série principal ao mesmo tempo que se torna algo divertido de se assistir por si só. Não estão com medo de avançar na trama de alguns personagens e ainda não deslizaram no desenvolvimento de ninguém (tem cinco casais nessa joça então isto é bem surpreendente). Agora é ver qual ver ser o próximo desafio episódico de SarawatTine, como os romances do Phukong e do Boss vão se desenvolver, e como vão trabalhar o personagem do Man (já que, se eu não estiver enganado, no próximo episódio o Type pega o avião pra longe).

Muito obrigado por ler até aqui e nos vemos na resenha do EP.3! ^^


PS: Dá uma conferida nas reviews dos outros episódios de Still 2gether ^^

Still 2gether EP.1: Consertaram o personagem do Sarawat?

Still 2gether EP.3: A primeira derrapada… De novo!

Still 2gether EP.4: Um anime de esporte com bons figurinos

Still 2gether EP. Final: Encerramentos desconexos, beijos e fanservice

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4 comentários em “Still 2gether EP.2: Passivos VS Ativos | BL Review

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