Criminal, Taemin: Gatuno retorna roubando Kylie Minogue e The Boyz

Me julgue, mas Taemin nunca foi um solista que funcionou tanto comigo assim. Eu sei que ele é O Solista Masculino Coreano e que é O Não-Heteronormativo do rolê, mas, dos solos que vieram do ShiNee (que foi uma das únicas boybands que curtia quando conheci o k-pop), eu sempre preferi o Jonghyun e, depois que debutou solo, o Key. Existe algo nos lançamentos sexys não-conceituais dele que me atraía pra longe (principalmente porque todo mundo falava que os álbuns deles eram várias demos rebolativas coladas), o que é, no mínimo, estranho, porque a Kylie Minogue faz a mesma coisa e eu acho um conceito lá no meio e não reclamo.

Enfim, toda esta introdução foi pra dizer que este é o primeiro comeback do Taemin que realmente fiquei ansioso, já que ele resolveu por em prática o conceito que o The Boyz entregou no cover que fizeram de Danger. Além disto, o título do álbum parecia super conceitual (se ele der uma de GaIn e nunca mais dançar vou ficar meio na bad, mas explico o porquê disto em outro post) e porque Criminal é um título super criativo que foi usado por uma das deusas do pop para fazer ouro.

Só pela thumbnail já dá pra sentir a falta de masculinidade tóxica nisto, né?

Criminal é uma faixa estranha, sombria, que mergulha um pouco no dance-pop meio Michael Jackson que o Taemin está acostumado ao mesmo tempo que brinca de uma forma meio estranha com as estruturas padrão deste tipo de música. A faixa começa com os famosos lalala de Kylie Minogue suspirados de uma forma extremamente fantasmagórica e mergulha fundo num club house super grave. Depois, mais elementos incomuns começam a dar as caras no instrumental, sugerindo uma progressão comum com estes mesmos elementos no refrão.

Porém, o refrão se utiliza de um sintetizador abafado pra mudar completamente o instrumental e entregar um mar de synthpop oitentista elegante, conforme o Taemin suspira e torce a própria voz, como uma espécie de fantasma.

No segundo verso, a estrutura da faixa dá proeminência para os elementos vistos no pré-refrão anterior antes de mergulhar de volta no club house, já voltando pro segundo pré-refrão. O refrão se repete com a mesma interpretação vocal dele, mas com os teclados mais violentos.

E então temos a ponte PERFEITA.

Uma mistura de sons de noticiários/rádio da polícia com os lalala quebra totalmente a progressão da faixa, jogando um balde de água fria violento antes de uma explosão do refrão, onde ele finalmente faz alguns melismas vocais.

Não sei se vocês já repararam, mas não é sempre que eu pego pra descrever a progressão mais detalhada de uma música. Geralmente, quando eu pego pra fazer isto, é muito porque a faixa causou um estranhamento e fascínio que me deixou inebriado. Tipo, depois de um tempo que voltei com o blog, eu me acostumei a escutar músicas pela primeira vez já pensando na estrutura (“este é o pré-refrão”, “agora é o refrão”, “uh, que ponte!”) quase sempre, menos quando eu sou surpreendido e simplesmente me perco em qual parte da música eu tô conforme eu estou ouvindo.

Criminal é um ótimo exemplo disto. A faixa é fantasmagórica e estranha, mas, ao mesmo tempo, tem uma estrutura simples e elementos previsíveis. É um tipo de música que não gruda na minha cabeça na hora, mas vai aos poucos tomando conta do meu cérebro até eu exaltar cada elemento da faixa que eu não entendi antes.

O álbum me surpreendeu também. Assim como o single, não foi aquela sequência de smash hits memoráveis, mas sim uma tracklist super coesa que, aparentemente, traz uma espécie de narrativa/um clima próprio. Existe uma progressão conforme uma música é substituída por outra e como os temas complementam a analogia de um “criminoso que me leva para o lado sombrio da força”. Isto cria uma das melhores concepções que um álbum pode ter para mim, já que eu adoro este tipo de abordagem mais narrativa/conceitual nestes projetos.

Entretanto, como todos os álbuns mais narrativos que curto (como, neste ano, o da Yukika, um pouco o da HAT:FELT e, talvez, o da unit Seulrene, que ainda tô curtindo aos poucos e pesquisando sobre), ele não me encanta na primeira ouvida, mas vai despertando minha curiosidade conforme vou ouvindo a tracklist na ordem sem compromisso. Bem capaz de no final do ano eu estar ressaltando este como um dos melhores álbuns do ano… (até porque 2 Kids, que eu critiquei mês passado, já caiu como uma luva no final desta tracklist).

Never Gonna Dance Again : Act 1 - The 3rd Album

Criminal é um lançamento em que Taemin faz o que sempre fez de melhor e, de quebra, traz um pouco de conceito para envelopar todo o pacote. Isto faz todo o sentido, considerando que um ato solo servir no exército joga um bom balde de água fria na progressão de sua carreira. Se ele não fizer algo impactante que fique na cabeça das pessoas pelos dois/três anos que servir, capaz de perder o espaço para uma não-heteronormativa um ano mais nova e bombada quando voltar.

Para mim, é a primeira faixa realmente forte do Taemin. Ela não soa como uma demo dançante e sexy qualquer que funciona só porque é ele que tá performando e dá curiosidade para o que o resto do álbum tem a oferecer (tanto em b-sides quanto no encarte físico mesmo). E existe impressão melhor que esta para um single fornecer?

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6 comentários em “Criminal, Taemin: Gatuno retorna roubando Kylie Minogue e The Boyz

  1. Gostei muito dessa title do Taemin, mas não tive muita paciência pra ouvir o álbum, já que ele acabou se afogando no mar de trap. Dito isso, lamento que a blogosfera tenha cagado e andado pra ótima Famous dele, do ano passado. Bruno-senpai (sdds Asian Mixtape) não teria deixado essa faixa passar batida.

    Se é pra ser o Michael Jackson coreano, então que faça isso direitinho, né?

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    1. Eu tava no porão da época kkk Mas confesso que desde o fim do Shoujo Jidai eu fico fora de atos capopeiros no japão… Dificilmente lançam coisa nova. Mas felizmente ele aproveitou pra lançar Famous em coreano também, porque no álbum virou uma b-side de pulso NECESSÁRIA (acho sempre muito X quando tem um single super dançante e todas as b-sides são meio mornas) e também porque ele se elogia e gaba de si mesmo de uma forma muito não hetero-normativa 💖 Qualquer outro carinha colocaria um rap barulhento aí pra falar a mesma coisa @.@’

      Curtido por 1 pessoa

  2. Tá boa e se tivesse dinheiro sobrando faria até a fé de comprar esse álbum no físico. Na minha opinião, ele mostrou uma criatividade a mais do comum que fazia_ não que os lançamentos anteriores não fossem bons, mas são aquela coisa que já esperávamos ele fazendo_

    Curtido por 1 pessoa

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