LA DI DA, EVERGLOW: Gotham, Antártida e memórias que certas músicas nos trazem

Eu tenho um certo histórico com o EVERGLOW que me fez ser totalmente desapegado com o grupo. Tendo comeback junto com o The Boyz, ainda mais depois de teasers belíssimos e biscoiteros por parte dos meninos, eu JURAVA que ia querer escrever primeiro sobre eles e deixaria as brilhantes só pra amanhã… E não é que os produtores de ambos os singles me convenceram que EVERGLOW deveria ser primeiro?

E vamos de história…

Ano passado, em meio a algumas inseguranças e aplicativos de relacionamento, eu conheci um carinha que era super fã do grupo e até apresentou um cover de Bon Bon Chocolat num concurso de dança aí. O rolê é que não deu muito certo meio que sem motivo aparente (sabe quando você apenas para de gostar de alguém aos poucos sem a pessoa ter feito “algo de errado”?) e eu fiquei meio mal comigo mesmo pouco depois (com isto sendo um dos fatores). Neste contexto, o EVERGLOW meio que virou uma espécie de marca da bad vibe desta época e de algumas inseguranças do meu “eu do passado” que hoje eu já lido um pouco melhor.

As vezes, é meio triste como algumas músicas e artistas marcam a gente de uma forma meio negativa por conta das experiências que tivemos e das pessoas que nos decepcionaram/decepcionamos (eu, por exemplo, não consigo ouvir Paramore, a música do Shrek, Beyoncé… Inclusive, por muito tempo, até ShiNee e f(x) eu não conseguia ouvir por causa disto). Neste meio tempo, a única coisa delas que funcionou comigo é uma b-side que mais parece do LOONA do que qualquer outra coisa.

Neste comeback, então, como sempre, eu só fui naturalmente ignorando todos os teasers e assisti despretensiosamente o clipe hoje, o que deve ter sido ÓTIMO pra dosar o hype, porque isto daqui está MUITO BOM!

Em becos escuros e telhados que parecem ter saído de Gotham, elas dançam um disco oitentista melancólico, servindo couro sintético, carão pra câmera e uma coreografia agradavelmente complexa nesta era de TikTok. Porém, para não soar como algo nugu genérico que segue a modinha, temos um rap simplezinho bem bad girl no segundo verso e uns sintetizadores inusitados pra marcar o final de alguns versos, elementos que ressoam com os lançamentos meio blackpinkescos delas nos últimos dois comebacks.

Este tipo de disco mistura os elementos do synthpop com a estrutura enérgica dos anos setenta, trazendo uma espécie de decadência e melancolia pro resultado final. Pra mim, ele emula como o ritmo estava destinado a perder a popularidade conforme as músicas que não utilizavam “instrumentos de verdade” viravam moda. É uma sensação de tristeza levemente confortante e dançante parecida com a trazida pelo city pop japonês e pelo trot coreano (que, a propósito, são todos do começo dos anos oitenta).

O clipe ajuda nesta contextualização com seus becos esfumaçados e telhados escuros. As integrantes também estão entre as melhores desta última leva de grupos para servir este tipo de conceito com naturalidade, então carisma não é muito problema. Na verdade, o único problema é que parece que a equipe de produção está tentando criar uma estorinha/desculpa conceitual pro grupo, mas não se comprometeu o suficiente para fornecer uma narrativa no clipe, deixando as pistas sobre frio e coordenadas na Antártida meio que vazias no final.

O álbum, por sua vez, dá uma boa complementada no lançamento, apesar de curtinho. Untouchable mantem o clima synthpop oitentista decadente, com uma faixa dançante bem retrô que só poderia ficar melhor se elas entregassem vozes mais melancólicas e fantasmagóricas. Gxxd Boy traz o rap/trap levemente barulhento, ligando com os lançamentos anteriores do grupo e mantendo um mínimo de consistência sonora. E No Good Reason é a mistura do trap com o synthpop naquele tipo de faixa dramática que funciona muito bem para encerrar álbuns.

O EVERGLOW dar a largada pra este tipo de disco (que já tá hitando no ocidente com a Dua Lipa, por exemplo), combina muito bem com o aspecto mais sombrio que o grupo está trabalhando desde Adios e dialoga bem com a fanbase internacional que, pelo que eu vi por aí, é bem expressiva.

Eu adoro disco e suas quinhentas vertentes de aspecto decadente, então LA DI DA funcionou perfeitamente comigo, sendo uma das maiores surpresas positivas do ano (NUNCA ia imaginar o EVERGLOW lançando algo assim). Provavelmente, este vai ser o lançamento que vai me fazer superar um pouco a imagem que liguei ao grupo do meu “eu do passado” mais confuso consigo mesmo e fragilizado.

PS: Não, não achei DUN DUN tudo isso não que nem eu vi o pessoal falar por aí na época de lançamento…

PSS: O sex appeal do The Boyz roubando nossos corações fica pra amanhã mesmo

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12 comentários em “LA DI DA, EVERGLOW: Gotham, Antártida e memórias que certas músicas nos trazem

  1. Ai uma das piores coisas é quando você pega bode de um artista ou música por causa de alguma experiência ruim com alguém :// eu entendo o sentimento sobre isso. Mas fico feliz que essa música nova delas tenha te tirado um pouco desse lugar 🥺💕

    Curtido por 2 pessoas

  2. “NUNCA ia imaginar o EVERGLOW lançando algo assim”

    Também não. Mas agora elas têm uma música retrô boa pra dizer que é delas, né? E todo mundo sai ganhando com isso!

    P.S.: as partes em preto e branco no telhado do MV me fizeram lembrar de Sin City (sim, sou velhx). Não cheguei a ler as HQs, mas o primeiro filme é muito bom. Não sei quanto ao segundo, já que não assisti XD

    Curtido por 2 pessoas

  3. Essa Untouchable é boa demais, tipo um achado brilhante.
    Não era um grupo que acompanhava_ tenho a sensação que debutam grupos tão rápidos que nem conheço mais_ e nunca chamou a minha atenção as outras músicas. Mas essa em especial tá bem boazinha de ouvir, ótimo comeback do grupo.
    PS. Te entendo perfeitamente sobre ranço de música por causa de pessoas, amava a Never Ever da Ciara, e parei de ouvir_ quando ouvia ainda ficava pra baixo_ desde então nunca mais ouvi nada dela porque me fazia lembrar de alguém.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Vou presumir que “brilhante” foi um trocadilho pq adorei kkkk (Untouchable é muito gostosinha mesmo xD)
      Eu acho que tão debutando muitos grupos muito rápido tbm o.o Só fui ter a noção quando tavam falando do debut do Weeekly e fiquei tipo “como assim já debutou tanta coisa esse ano?? O.o”
      PS: Nossa é bem osso mesmo :/ Se associa é melhor nem ouvir mesmo (eu linkei a música do Shrek mas dei pause no clipe logo que começou, porque só o comecinho já me lembrou toda uma época e uma pessoa x.x)

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