Listen Up!, M.O.N.T: O álbum visual inteiramente produzido pelos integrantes | Album Review 005

Como eu disse no post do Twice, estou tentando ficar organizado com minhas promessas internas envolvendo o blog (eu também quero voltar a jogar The Sims esta semana, mas isto é outra história kkk) e, o primeiro da lista de Albums Reviews que quero fazer é, sem dúvidas Listen Up!, o EP totalmente visual, lançado pelo trio de garotos da ilha Ganghwa, M.O.N.T nugus para caramba, mas que conseguem produzir suas próprias músicas soando bem mais orgânicos que boa parte dos machos no k-pop sem nem se esforçar.

M.O.N.T comeback as "ANTI-HERO"s in new EP "Listen Up!" • Hallyure

A tracklist de Listen Up! é resultado de uma promoção de quatro meses de singles digitais do trio, acompanhado de um solo para cada integrante. Em Julho tivemos o single album digital, Aqua Tape, com BOOM BANG e o solo do main rapper, Roda. Em agosto, tivemos Burgundy Tape, com Shadow e o solo do main vocal, Bitsaeon. Em setembro tivemos o solo do líder, Narachan, com September Hills. E, neste mês, tudo foi empacotado num EP com mais um single do trio, Anti-Hero, que deu a tônica para todo o photoshoot do EP.

O álbum começa com BOOM BANG, uma faixa meio trap, meio tropical e meio moohbaton falando sobre tirar um tempo para relaxar do estresse da vida. É uma daquelas músicas bem de boas que te convidam a realmente só tirar um tempo pra se sentir bem consigo mesmo. O instrumental disto aqui é surpreendentemente cheio de elementos, desde instrumentos a sintetizadores, que transformam a faixa logo nos versos pra um crescendo bem típico de faixas de verão. O refrão em coro gritado não faz muito jus aos dois vocalistas, mas as partes de rap do Roda estão bem encaixadas e evidenciadas (o que faz sentido, já que esta é a música que foi lançada junto do solo dele).

O clipe ajuda na linguagem tropical relaxante, com ele se curtindo num galpão enfeitado, com direito a piscina. Por seu aesthetic cheio de azul fosforescente, o resultado final trás até um gosto meio psicodélico, mas não salva a faixa de soar meio genérica. Se fosse só isto aqui, dificilmente eu prestaria atenção no grupo, mas, no contexto da obra, até que traz uma mensagem legal e traz uma leveza pro resto da tracklist.

Eu nunca NUNCA achei que meu gosto por raps mais chill ia combinar TANTO com um instrumental de jazz. Shadow é uma das faixas mais inovadoras que eu ouvi este ano e, o melhor de tudo, ela não se força e nem se vende como “””experimental””” que nem umas coisas aí no k-pop. A forma como a melodia carrega suavemente os versos em cima de um instrumental tão cheio de instrumentos (e não sintetizadores) traz uma carga muito clássica pro lançamento, apesar dos versos serem praticamente em rap. O refrão sendo sussurrado com uma voz meio bêbada (como a letra fala que eles estão) é viciante e deixa os “shadow” na sua cabeça facilmente… E esta bridge cheia de scat?

O clipe é igualmente de baixo orçamento, mas muito divertido de assistir. Com um número reduzido de membros no grupo, a ideia de colocar os três em tela ao mesmo tempo, colocando quem tá cantando no centro, foi bem legal. Certeza que ajudou o pessoal que faz vídeo de line distribution. Com poucos elementos, ainda, eles conseguiram representar visualmente a mensagem da música, com a câmera os capturando de uma forma não muito estática, e o estilo retrô mais clássico, colocando todos de terno.

Anti-Hero já lançou há umas duas semanas e eu ainda não saquei a mensagem da música. A letra te carrega pra uma mistura de amor próprio com sou oppa vida lika e i’m not like the other girls, com umas analogias meio misteriosas, como a “sneering mask” e o “freaky crazy show”. Eles estão falando da sociedade? Estão falando de si mesmos?

Este mistério deixa a música mais interessante, porque eles que escrevem e produzem tudo (acredito que até porque a empresa não deve ter dinheiro pra ficar comprando demos), então não parece ser algo jogado a esmo pra virar um viral. O clipe, da mesma forma, brinca um pouco com nossa percepção, com várias trocas de câmera e viradas até meio abruptas. Trás aquela sensação de estranheza, já que foge e se encaixa ao mesmo tempo com vários takes de k-pop (eles no matagal me lembrou um pouco umas cenas de Brave New World, do melhor girlgroup da Coreia).

A própria interpretação deles se encaixa um pouco no oppa vida loka, mas tem um aspecto meio estranho, que foge do esperado. Eles não são tão hardcore quanto se esperaria neste instrumental puxado pro hip-hop. E as torcidas de voz do Narachan deixaram a música bem mais lembrável, sem depender tanto dos nanaranana viciantes do pós-refrão.

Talvez toda esta estranheza represente o papel do anti-herói nas narrativas super certinhas entre heróis e vilões? Uma posição em que realmente não conseguimos usar uma “máscara” neste “estranho show doido” que é a vida?

Fazia tempo que uma música de k-pop me deixava tão conflituoso e paradoxal (de uma forma positiva) na hora de interpretar…

A partir daqui temos os solos, com o conceito de que cada um deles produziu e escreveu sozinho cada uma das músicas. O que pra mim é algo bem legal de se ver (e soa bem mais natural do que umas empresas grandes vendem em nos solos de integrantes de suas boybands).

O primeiro é o do Narachan.

September Hills é uma faixa romântica psicodélica, que bebe da fonte do synthpop oitentista que está dominando o cenário mundial. Infelizmente, o instrumental é bem mais interessante que a letra e que a performance que ele entregue, o que é um pouco bizarro, já que nas faixas em grupo a voz dele se destaca com facilidade.

Talvez seja porque minhas expectativas estavam altas demais e esta seja a única música do projeto que seja romântica (e bem lugar comum), mas é a faixa que consegue ser a mais genérica e esquecível do projeto (apesar da excelente produção dos sintetizadores ao fundo).

O clipe tem algumas alterações de cor conforme ele vai cantando para a câmera. Eu curto bastante planos abertos meio urbanos/meio naturais, então visualmente desceu como uma luva (a legenda estilizada amarela no clipe ficou bem legal).

Eu realmente queria ter gostado mais disto aqui, mas no meio da tracklist não chega a ofender.

Agora temos o Bitsaeon.

Combinando com o clima clássico de Shadow (com a qual foi lançada), Moonlight traz um pop acústico meio bossa-nova (no melhor estilo de algumas faixas da IU) todo em inglês, com Bitsaeon falando sobre catarse e sobre expressar as inseguranças da vida para conseguir lidar com o dia a dia.

Não sei se é porque a faixa é em inglês, mas QUE LETRA LEGAL. As referências a lua e o caráter confessional que ele trouxe deixam o resultado final bem mais pessoal e tocante, de uma forma orgânica e singela. É uma daquelas músicas que vão conquistando seu coração aos poucos, com calma, no tempo delas. Ainda mais com esses vocaizinhos super afinados dignos de um título como main vocal mesmo.

O clipe reutiliza uma parte do cenário de Shadow, com Bitsaeon emulando um cantor independente de bar que não deve ganhar nem metade do cover artístico que estes lugares cobram. Não é a coisa mais inovadora e cativante de assistir, mas combinou com o estilo da faixa.

E, por fim, temos Roda com lethargy, a faixa que me conquistou para dar uma olhada e acompanhar todo o projeto.

Se você leu meu Top 10 com as músicas que mais gostei quando o blog estava no porão, deve ter percebi, pelo top 3, que este tipo de faixa mais reflexiva dialoga muito comigo, e esta música preenche todos os requisitos que eu gostaria em um lançamento do tipo: temos um clipe visualmente interessante que dá vontade de ver até o final, o instrumental é mínimo mas mantém variações o suficiente para prender sua atenção depois do 1º refrão, a letra é inteligente e dialoga bem com o conceito de letargia, que, por si só, é um nome bem interessante e incomum para uma faixa.

A forma como a faixa vai lentamente ficando com mais elementos conforme progride coloca várias faixas da onda k-hip hop chill no chinelo, deixando claro que não é porque a música é leve que ela tem que ser desinteressante. A ponte, que já funciona como encerramento da faixa, é tão etérea que parece me levar para uma viagem psicodélica por si só. Se você tem um mínimo de apreço por faixas mais reflexivas ou mais calmas recomendo E MUITO o play.

Com quatro grandes acertos e duas faixas mais ou menos, Listen Up! já faz melhor que 90% dos álbuns de k-pop. É muito interessante e divertido quando os cantores que querem produzir músicas de fato o fazem, porque deixa o trabalho muito mais orgânico para se ouvir. As únicas coisas que eu trocaria aqui era a tracklist e o conceito visual. Usar Antihero como o conceito de tudo ficou meio incongruente com os clipes e os estilos das faixas lançadas nos singles albums. E esta ordem de música não faz o menor sentido, seja ordem cronológica de lançamentos ou em estilo de música mesmo… Estou tentando achar uma ordem ideal para as seis músicas, o melhor que cheguei até agora é:

  1. lethargy
  2. BOOM BANG
  3. September Hills
  4. Anti-Hero
  5. Shadow
  6. Moonlight

Com estes lançamentos, M.O.N.T já se provou ser uma das melhores boybands em atividade, sem nem se esforçar. É uma pena que eles não tenham tanto reconhecimento assim, mas são realmente um grupo de caras que conseguiu me conquistar não apenas com uma faixa ou duas, mas com um álbum inteiro (e, olha, acho que o único álbum masculino que achei legal como ÁLBUM este ano além deste foi o do Dawn mesmo, só que eu já gostava dele por causa da HyunA então nem sei se conta kk).

PS: E eu acabei uma Album Review!!! Nem acredito xD!!!!

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