twicetagram, Twice: O aegyo contra-ataca! | Album Review 006

Hoje fazem três anos que o Twice lançou seu primeiro full album, twicetagram, que também foi um dos primeiros posts que eu fiz no começo do blog lááá em 2017. Como eu estou lentamente repostando e revendo coisas antigas, e tivemos o segundo full album do grupo esta semana, pensei em revisitarmos o álbum e conferir o que envelheceu bem e o que envelheceu mal (e o que era ruim desde o começo) de umas das tentativas mais sólidas do lado totalmente aegyo e adolescente do Twice (coloquei o título referenciando Star Wars porque escutar isso é lembrar que teve TODA UMA FASE de músicas mais ou menos antes da maravilhosa e apocalíptica I Can’t Stop Me)…

TWICE - Album Vol.1 [twicetagram] - kittenkstore

O álbum já começa com o single Likey, trazendo o que um teen pop agitado bem no estilo que o grupo acabou consagrando (até porque foi o Black Eyed Pilseung que produziu boa parte destes singles açucarados delas). De todos os singles do grupo que eu gostei na época do lançamento, este, com certeza, foi o que cansou mais rápido. SÉRIO, QUE REFRÃO IRRITANTE. As melhores partes são quando a faixa foge um pouco do coro gritado. Até a voz de marreca da Momo ficou melhor que o coro.

Este clipe foi o primeiro delas que não tinha um super conceito visual por trás, então sumiu da minha memória bem fácil. Na época, o carisma delas tinha até uma “fórmula visual” mais específica e ver estas características de novo traz até um ar meio nostálgico:

  • Nayeon sorrindo e mostrando seus dentões ao mundo;
  • Jungyeon fazendo cara de “queria estar morta”;
  • Momo sensualizando na medida do possível;
  • Mina e Tzuyu sendo sérias por cinco segundos e parecendo classudas demais pro rolê.

Sem nenhum aviso ou transição, já passamos para a baladinha pseudo-acústica de Turtle. Esta é uma das melhores músicas mais calmas do Twice na minha opinião, por subverter um pouco as expectativas. Quando começam as notas do violão parece que vai ser uma baladinha chata e avulsa, até que o pré-refrão começa a mostrar sinais de progressão e, de repente, o refrão traz mais instrumentos, como uma bandinha pré-adolescente, pra mesclar com o violão. E, claro, a letra que compara a lerdeza do crush em convidá-las pra sair com a historinha da Tartaruga e da Lebre é muito criativa e divertida.

Missing U mantem a sonoridade mais acústica, só que ao invés de um refrão rockish, temos um country EDM fofinho. A progressão entre pré-refrão e pós-refrão espanta um pouco na primeira ouvida, mas fica bem natural no decorrer da faixa. Sem contar que a ponte com o rapzinho te surpreende novamente, aumentando um pouco o replay factor. E os gritos delas no final me lembraram MUITO a fase do Girls’ Genration antes de Gee (sim, ela existe!).

WOW promete algo apocalíptico logo no começo com a voz da Momo processada como a de um Vocaloid e vários elementos funky no decorrer dos versos, mas entrega um refrão fraquinho e fofinho demais para fazer jus a expectativa. Eu tive esta impressão em 2017 e ainda é bem verdade: a música parece uma versão mais fraquinha de algo retrô como Wonder Girls faria antes de seu REBOOT e o Red Velvet faz em algumas b-sides soltas.

Quando a intro de FFW começou com elas soletrando “F-A-S-T F-O-W-A-R-D” parece que vai ter um dance-pop safado, mas ao invés de apostar em algo mais sóbrio, a música se torna outro teen pop alto astral. Assim como a faixa anterior, FFW fica presa demais no mar de aegyo infantilizado pra atingir seu potencial (se deixassem elas cantarem com vozes um pouquinho mais grossas ficaria bem melhor). Só que o refrão aqui é um pouco mais efetivo e lembra um encerramento competente de anime shoujo (principalmente a ponte e o refrão final) de uma forma positiva.

Quando a intro de Ding Dong, com gritos mais açucarados que o Apink da velha guarda, veio, já dava pra prever uma música de refrão irritante com vários gritinhos aegyo demais para qualquer ser humano suportar ouvir. Os gritinhos de fato vieram, só que no pré-refrão! Tem que gostar muito de aegyo pra sacrificar o pré-refrão com a voz da Momo fazendo aegyo. E pior que esta parte é que estraga a música e deixa ela ruim ao invés de só genericamente ok.

24/7 da um giro de 180º e começa mais sóbria, como uma música que alguma heroína de musicais da Disney como Camp Rock/High School Musical cantaria logo no começo do filme, mas a melodia acaba indo pra direção oposta com um refrão gritado e, novamente, num aegyo meio deslocado e forçado. Eu gosto de aegyo, juro pra você, mas tá muito desconexo isso daqui. E o pior que é justamente a interpretação forçada que acaba com a qualquer ponto positivo que a faixa poderia ter.

Look at Me começa com sintetizadores exagerados pra caramba, como se fosse uma música de uma jovem idol japonesa no final dos anos oitenta. Por sorte, esta impressão se mantem pela faixa (por mais que os coros aegyo tentem impedir no refrão). As partes mais fortes são quando a batida marcada oitentista e os sintetizadores exagerados batem presença e isto traz uma experiência tão atmosférica escutando a música que eu até perdoo o refrão desconexo e os e dropzinhos que ocorrem no meio dos versos.

Rollin’ também evoca os anos oitenta e fica nítido porque I Can’t Stop Me funcionou tanto como single. A equipe da JYP sabe muito bem utilizar as melhores referências quando se trata de retrô e esta faixa é um ótimo exemplo de que isto não resulta apenas em algo mais sexy ou maduro. Com uma progressão de sintetizadores e batidas que dão a impressão de um carro rodando com a velocidade cada vez mais alta, a faixa desemboca num pré-refrão e refrão em que o coro gritado é usada na medida certa, evidenciando as texturas de synthpop do pós-refrão com maestria. Não tem cara de single, mas, se fosse, poderia ser vendida como a versão aegyo da fase atual delas sem problemas.

Love Line mergulha no house de cabeça e, quando já se está esperando aqueles refrões silenciosos cheio de sintetizadores, começa um teclado super datado e elas resolvem dar a gritadinha aegyo de sempre. O melhor é o pós-refrão, que aumenta o tempo das batidinhas house, onde finalmente Momo achou um tom que combina com a voz dela suspirando “i’m loving loving loving loving loving that love line” (até hoje acho que é uma das faixas em que a voz dela mais se encaixou). Por manter a vibe levemente retrô (este instrumental estaria tranquilamente numa fase futurista do Sonic dos anos noventa) começada em Look at Me, o replay factor da faixa aumenta ainda mais. Fica nítido quando a tracklist favorece.

Don’t Give Up tenta acabar com o clima retrôzinho, mas, felizmente, não consegue. Misturando um caráter amplo, um estilo de baladinhas de comédias românticas dos anos noventa e o house da modinha, a faixa soa mais moderna que as anteriores, mas ainda consegue manter um caráter meio atmosférico. Se Rollin’ é a festa em seu auge e Love Line é o final de festa, Don’t Give Up é aquele momento em que você está levemente bêbado observando o sol se nascer na volta para casa. Num universo alternativo, esta faixa encerra o ótimo EP oitentista que o Twice entregou usando metade da tracklist disto aqui.

You in My Heart é velha. Não é retrô, é velha mesmo. É nitidamente uma demo de debut açucarado do comecinho da segunda geração, com todo o clima excessivamente dramático e angelical envolvido. E, claro, como toda faixa desta época, as vocalistas gritam como loucas conforme a faixa se aproxima de seu final, cheio de sintetizadores açucarados e elementos mais pesados como acordes de guitarra. Seria esta uma demo que o JYP não quis usar com as Wonder Girls em 2006 e jogou aqui?

Pra finalizar o álbum, Jaljayo Goodnight surge com toda a cara de música de final de álbum. Por lembrar muito Turtle, eu gosto bastante dela também (acho que foi uma das que mais ouvi deste álbum). Ao invés de ser uma baladinha chata acústica, conforme a música vai evoluindo, novos elementos vão sendo adicionados e a velocidade das notas do violão aumenta um pouquinho, chegando até a lembrar um pouco clima de cabaré e bossa-nova depois do primeiro refrão. Na ponte, ainda, tem um textinho falado pela Sana que é fofo de uma forma orgânica e encerra o álbum como uma música do final de Xuxa Só Para Baixinhos (tanto de forma positiva quanto negativa).

HD PIC]TWICETAGRAM Jacket Behind the scene. | Twice (트와이스)ㅤ Amino

twicetagram tem mais coisas boas do que o esperado para um álbum do Twice, mas ainda assim é algo que não faz nem um pouco jus ao carisma de grupo e a capacidade da equipe criativa da JYP. Escutando novamente, eu salvo meio que metade da tracklist (isto porque gosto bastante delas) e tentaria colocar numa ordem que evidenciasse ainda mais o retrôzinho que o meio do álbum apresenta.

O tempo passou e os sorrisos delas aqui só soam mais forçados ainda que na época de lançamento. Sorte que a moda do teen pop passou, porque, sinceramente, se eu olho muito tempo pro rosto de alguma delas nessas fotos, o sorriso já parece algo meio psicopata assustador.

Fiquei me perguntando agora quais álbuns do Twice vale a pena revisitar. Sei que o debut e What Is Love tem coisas aproveitáveis na tracklist, mas será que é só isso ou minha memória que é muito ruim… Um grupo com TANTOS lançamentos quanto elas deve ter mais coisas aproveitáveis… Né?

PS: Tá acontecendo toda uma movimentação política na Tailândia para conquistar democracia (lembrando que eles são uma monarquia), com vários movimentos sociais ocorrendo nas últimas semanas que não estão sendo nem um pouco veiculados pela grande mídia. Como fã de BLs tailandeses e tudo mais, eu venho acompanhando e compartilhando o possível pra ajudar a transmitir as notícias e não invisibilizar este movimento. Se quiser saber mais, dá uma olhada no twitter Latin Americans Support Thai Democracy.

4 comentários em “twicetagram, Twice: O aegyo contra-ataca! | Album Review 006

  1. como ja diria “teu passado te condena” esperando a jihyo daqui a dez anos decendo o cacete nesse album que nem a taeyeon faz com os lançamentos inicio de carreira do SNSD
    pra mim o melhor album aegyo que eu lembro e o YOLO do dia acho ele uma versao de baixo orçamento e infantil do ABSOLUTE FIRST LACRE do t-ara(inclusive com 7 das integrantes do dia sendo creditadas como compositoras e escritoras de quase metade da tracklist)

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    1. Aiai, vai ser engraçado kkk Acho que a Dahyun também vai reclamar pra caramba desta época, só elas saírem da JYP que vai começar kk

      Nunca escutei o YOLO, vou dar uma conferida (ainda mais por lembrar o primeiro álbum absoluto 💖 E elas terem uma liberdade criativa dessas)… De álbum eu sou biased pelo SNSD então defendo os antigos delas, mas só pelas músicas acho que o To.Day do fromis_9 é muito bom

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  2. Gente…na época que esse álbum saiu eu gostei tanto, mais tanto, que tá baixado no meu antigo cartão de memória. Mas parando para ouvir tudo de novo, é tudo tão açucarado que me pergunto como raios o Twice me fez ouvir algo como Ding Dong e Look at me que beiram a diabetes de tão doce que é, e ainda me sentir bem com isso? Talvez eu tenha me tornado mais amarga que meu eu de anos atras ou porque esse ano muita coisa mudou de mim.
    Mas uma coisa não mudou, Rollin ainda continua no meu coração e ouvindo de novo só confirmou como esperava uma música nesse estilo 💖 me lembro que fiz uma anotação da época numa play salva e tava lá, toda lindinha no canto.
    Agora falando sobre Likey, me lembro na época que o que mais me cativou foi a coreografia engraçadinha delas emulando uma tela de instagram e claro a letra interessante que da abertura a quase uma critica social a rede na época? Não sei se a JYP pensou nisso, ou só eu querendo inventar teoria. Na época do lançamento, meu namorado ouviu e quase concordou comigo e disse que ficou com medo da Tzuyu kkkkkkkkkkkkk.
    Olhando em geral, uma parte envelheceu mais ou menos bem e outra bem ruim, se tornando cafona.

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    1. Eu tive muito esta reação revendo coisas do 2NE1 e achei que tinha superado esta fase de curtir coisas que depois eu mesmo acharia brega, mas olha, Twice conseguiu… Acho que só não tem escapatória disto mesmo kkk

      Este ano eu também passei por várias mudanças internas que afetaram o tipo de música que escuto, então pode ser isto também kk

      Eu lembro desta coisa sobre a pseudo-critica social, mas confesso que a música ficou tão irritante comigo que nem fui revisitar isto (mas que o clipe tem uma vibe meio assim no começo e no fim tem mesmo, me lembra até um pouco a vibe de Sting, do Stellar, que critica isto)

      E a Tzuyu sempre me dá um medinho nesta época aegyo… Ela fica com uma cara estática meio estranha kkk

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