TOP 50 | O melhor do K-pop de 2020: Preferência Oceânica [20-11]

Um pouco mais tarde que o esperado, chegamos a penúltima parte do TOP 50 de final de ano, juntando tudo de melhor que o k-pop trouxe em 2020 (na minha humilde opinião). Prontos para ver hinos barrados do top 10 e o debut que conseguiu desbancar o STAYC da posição de melhor debut de 2020?

20. I Can’t Stop Me, Twice

Já começamos tirando uma favorita de muitos logo na 20ª posição: I Can’t Stop Me do Twice. Em poucas teclinhas de piano I Can’t Stop Me já conquista, naquele synthwave gotosíssimo, que vai crescendo organicamente ao adicionar alguns elementos mais modernos de dance-pop e trap pra deixar a batida menos marcada e mais moderna. É frenético, é viciante, é levemente melancólico e não diminui a força em nenhum momento (mesmo na ponte, com a parte mais sóbria comum da Mina, os teclados estão explodindo no fundo junto com melismas vocais). Se esta música quisesse contar uma estória, claramente seria um filme de perseguição e corrida, com os riscos cada vez mais altos e o futuro cada vez mais incerto a cada curva acidentada no deserto/cidade abandonada.

Ao escutar I Can’t Stop Me, eu me lembro tanto do synthpop oitentista gótico que a Canário Negro fez cover quanto do que a Christina Aguilera e a Namie Amuro esperavam que o pop ia virar no futuro há dez anos atrás. Esta foi uma grande gema de 2020 e só não tá mais alto no ranking porque tivemos faixas que conseguiram ser ainda mais efetivas em suas propostas que esta (olha eu criando hype kkk).

19. SHADE, Yukika

Ver SHADE logo depois pode parecer um balde de água fria, mas dê play aí em cima e feche os olhos conforme Yukika te transporta para o MELHOR CITY POP DO ANO. A faixa é um número super triste e melancólico, que traz todo o imaginário de ruas urbanas desertas em meio a uma noite fria. Depois de ser dispensada repetidas vezes por seu namorado (no interlúdio fenomenal I Need a Friend, que funciona como intro pra esta faixa no álbum), Yukika anda pela cidade sozinha e é assustada por suas próprias sobras, não apenas por se encontrar desamparada romanticamene, como também por ver o lado sombrio de todas as suas esperanças como estrangeira japonesa em território coreano. É incrível como ela conseguiu usar sua própria narrativa para montar seu álbum de debut e SHADE é, sem sombras de dúvidas, seu melhor e mais sombrio momento.

18. Ghosting, TXT

Como eu disse na parte anterior, TXT consegue brilhar maravilhosamente quando se trata de b-sides. A nova era, Minisode, trouxe um caráter mais narrativo para o grupo, em um EP mais homogêneo e coeso, no qual acompanhamos uma viagem dos integrantes que, apesar de não se muito especificada, tem toda aquela vibe de road trip entre amigos. Ghosting, a primeira música deste EP é, de longe, a melhor faixa que tivemos no ano para abrir um álbum. Numa mistura de house, dancehall e muitos, muitos, sintetizadores suaves, os integrantes usam e abusam de harmônicos agudinhos cantando como se estivessem correndo em um campo aberto ensolarado, no início de sua aventura. Seria uma abertura perfeita para qualquer anime.

17. Lovesick Girls, BlackPink

Quem não ficou chocado com este belo country EDM vindo das BlackPink este ano?

Uma música bem redondinha, com os sintetizadores complementando o baixo nos versos e o violão no pré-refrão. O refrão EXISTE (!!!!) e está extremamente forte com os sintetizadores espaçados que dão aquela impressão de que você está escutando a música num espaço enorme, QUE É REPRESENTADO PELO CLIPE. Takes externos e espaços grandes em videoclipes são muito prazerosos de se ver hoje (já que estamos em quarentena) e no clipe eles foram usados com maestria.

A mensagem, ESCRITA COM PARTICIPAÇÃO DA JENNIE E DA JISOO, é surpreendentemente profunda e relacionável com toda a imagem pública que o BlackPink traz: elas são poderosonas e querem ficar sozinhas, mas, ao mesmo tempo, estão se sentindo carentes e tristes por estarem se sentindo solitárias. Isto mistura os lados black empodenrador e pink vulnerável de uma forma muito orgânica.

FINALMENTE o BlackPink entregou uma música a altura de seu imenso hype, com seu melhor single em todos os sentidos possíveis. Elas podem até disbandar agora, porque já entregaram o lançamento que vai ficar marcado na cabeça de todo mundo por bastante tempo.

16. Tonight, Black Swan

E o melhor debut do ano foi, sem sombra de dúvidas, o Black Swan. Prometendo ser um dos piores e mais zoáveis projetos desde as Pocket Girls, o grupo conseguiu surpreender com uma música impactante, diferente de tudo que o mainstream estava entregando, um clipe hipnótico, com igual foco inclusive para as integrantes não coreanas e dirigido por uma mulher. O carisma que elas exalam aqui é tanto que logo no debut eu já tinha ido com a cara de três das cinco integrantes (o que é milagre pra mim).

Tonight é uma faixa pesada, agressiva, com gritos apocalípticos, coreografia brusca e muito, mas MUITO carão. Ela se equilibra numa mistura potente de dance pop com riffs de guitarra que só não estão mais altos que os gritos das integrantes no refrão. Apesar de ser MUITO CURTA (são menos de três minutos), ela consegue seguir todas as partes que precisamos a risca. Temos versos bem marcantes, um pré-refrão que cria a expectativa pra explosão e um refrão cheio de gritos que fecha a primeira rodada. Depois tudo se repete e AINDA TEMOS TEMPO para a ponte moldada no rap e mais um refrão, com os gritos mais apocalípticos do que nunca.

Todo mundo que deu play percebeu que o Black Swan não estava de brincadeira. Vamos ver agora o que vai acontecer com a saída da Fake Yves do line-up…

15. Merry-Go-Round, IZ*ONE

O 2020 do IZ*ONE foi uma bela duma porcaria. O meu apreço pelo grupo, conquistado por ótimos singles em 2019, foi diminuindo a cada coisa esquecível e PÉSSIMA que era lançado como single. Porém, mesmo assim, uma b-side perdida conseguiu manter a magia dos singles anteriores, num disco bem empolgante cheio de elementos no instrumental, que vai acrescendo lentamente conforme se aproxima do refrão, e boa variação entre os tons mais aegyo e mais harmônicos das integrantes. A música consegue sair-se tão bem no nu-disco que eu quase consigo ouvir a voz da JeA das Brown Eyed Girls gritando o “dreaaaam” do refrão, o que é um baita de um elogio.

Eu agradeço ao Dougie por ter indicado essa joia entre uma crítica ao grupo e outra.

14. LA DI DA, Everglow

Direto dos becos de Gotham, temos mais um hino que é queimado antes do top 10. Everglow surpreendentemente foi o grupo que deu a largada pro disco oitentista melancólico adentrar no k-pop, pioneirismo que, por si só, a deixa mais marcante que suas faixas irmãs (I Can’t Stop Me e So Bad). Em LA DI DA, elas dançam um disco oitentista melancólico, servindo couro sintético, carão pra câmera e uma coreografia agradavelmente complexa nesta era de TikTok. Porém, para não soar como algo nugu genérico que segue a modinha, temos um rap simplezinho bem bad girl no segundo verso e uns sintetizadores inusitados pra marcar o final de alguns versos, elementos que ressoam com os lançamentos meio blackpinkescos delas nos últimos dois comebacks.

Esta foi uma variação sonora feita cirurgicamente para o grupo que, se continuar assim, vai atingir a nata dos girlgroups logo logo. O único problema da faixa, que custou o top 10, foi a letra meio besta sobre “eu não ligo pros haters e ladidadida”. Como próprio lançamento na 11ª posição nos ensina, o final dos anos 70/começo dos anos 80 tem letras boas demais pra terem sua sonoridade emulada com uma letra tão… genérica.

13. Shadow, M.O.N.T

Eu nunca NUNCA achei que meu gosto por raps mais chill ia combinar TANTO com um instrumental de jazz. Shadow é uma das faixas mais inovadoras que tivemos em 2020 e, o melhor de tudo, ela não se força e nem se vende como “””experimental””” que nem umas coisas aí no k-pop. A forma como a melodia carrega suavemente os versos em cima de um instrumental tão cheio de instrumentos (e não sintetizadores) traz uma carga muito clássica pro lançamento, apesar dos versos serem praticamente em rap. O refrão sendo sussurrado com uma voz meio bêbada (como a letra fala que eles estão) é viciante e deixa os “shadow” na sua cabeça facilmente, sem contar que a ponte cheia de scat é, de longe, uma das melhores do ano.

O clipe é igualmente de baixo orçamento, mas muito divertido de assistir. Com um número reduzido de membros no grupo, a ideia de colocar os três em tela ao mesmo tempo, colocando quem tá cantando no centro, foi bem legal. Com poucos elementos, ainda, eles conseguiram representar visualmente a mensagem da música, com a câmera os capturando de uma forma não muito estática, e o estilo retrô mais clássico, colocando todos de terno.

12. Sometimes I Desperately Want to Be Sick, Poetic Narrator

Sometimes I Desperately Want to be Sick traz uma mensagem sutil e desesperadora. Num rock soft o suficiente para parecer música de elevador (mas não desprovido de vários elementos em sua melodia), a dupla pedante Poetic Narrator canta sobre o desespero de se sentir solitário a um ponto que, mesmo que se existisse alguém que os confortasse, isto são seria o suficiente. Dito isto, eles deixam claro que não vai acontecer este conforto porque as pessoas são egoístas e más, incluindo eles mesmos… Toda esta confusão de sentimentos é apresentada de uma forma tranquila, com vozes e harmônicos relaxados, como se o eu-lírico da canção entendesse que este tipo de sentimento é normal e está tudo bem em ter altos e baixos.

Em um ano de profundos baixos como 2020, escutar algo assim traz um tipo de conforto que nem sei direito como descrever. Escutei muito esta faixa nos piores dias que este ano teve a me oferecer e, sem sombra de dúvidas, ia aparecer bem alto no TOP. Sinceramente, assim como boa parte das músicas nesta parte da lista, esta faixa só não apareceu no top 10 porque teve uma que conseguiu ser ainda melhor na profundidade de sua letra e na criatividade de sua melodia chill.

11. MAGO, GFriend

Eu NUNCA achei que o disco do GFriend fosse ser algo tão memorável e marcante como foi. MAGO honra todas as referências que o gênero disco traz, inclusive em sua letra: a eu lírica, observando seu futuro eu no espelho, deseja fugir do presente montada em uma vassoura, procurando aceitar e se expressar da forma que deseja, sobrepujando o julgamento do “mago”, conforme espera a chegada de sua versão futura, mais completa consigo mesma. A melodia segue marcada pelo baixo e pela bateria, caracterizando um disco bem mais oitentista que setentista. Cria-se uma textura mística no refrão (principalmente nos gritos apocalípticos de my life is waiting for you) que remete a um desespero e rapidez típicas de uma fuga apressada e necessária, como descrito na letra.

O equilíbrio perfeito entre melodia agitada e mensagem profunda presente em MAGO é algo invejável e que eu considero bem raro no k-pop. É bem provável que MAGO vai ser tornar aquele tipo de faixa que vai continuar tocando em nossas playlists não importando quantos anos se passaram, ora por seu apelo dançante, ora por seu apelo reflexivo.

Minisode1: Blue Hour”, do TXT, está no topo das paradas diárias e semanais  da Oricon - Say K!

E assim resta apenas o Coral Inquebrável da 4ª Dimensão (aka Top 10) para terminarmos a lista. Quais faixas ainda sobraram para chegar até lá? kkk Já adianto que, para quem acompanha o blog há um tempinho, não deve ser difícil adivinhar qual vai ser o primeiro lugar. De resto, virão surpresas com quatro b-sides, um single totalmente descompromissado e duas reinvenções que conseguiram reviver o interesse de muita gente em seus respectivos grupos…

Quais são suas apostas?

9 comentários em “TOP 50 | O melhor do K-pop de 2020: Preferência Oceânica [20-11]

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