TOP 50 | O melhor do K-pop de 2020: O Coral Inquebrável da 4ª Dimensão [10-1]

Chegamos ao último capítulo deste TOP!!!! A ideia era postar ontem, mas 2021 já se mostrou igualmente difícil @.@’ Enfim, chegamos ao must do must, as dez melhores músicas de acordo com este aquariano. Já adianto que minha forma de ouvir k-pop foi mudando muito conforme eu voltei com o blog, inclusive a própria forma como eu escrevo aqui (e como este se tornou, nos últimos seis meses, um dos espaços mais seguros para eu poder me expressar sem ficar assustado com algum tipo de represaria).

Eu desde já agradeço por ter acompanhado o 2020 do Aquário Hipster e, claro, as reflexões e agradecimentos continuam no final do 1º lugar (conseguiu adivinhar qual é? kk)… Vamos começar?

10. i’M THE TREND, (g)-idle

Originalmente, i’M THE TREND estava lá no nível da Maré da Mania (Top 40), mas, conforme eu ia revisitando as músicas que mais mexeram comigo em 2020, esta faixa se tornou algo surpreendentemente especial. Com a Soyeon deixando outras comporem, temos a produção assinada pela Minnie, pela Yuqi e pelo Yuto do Pentagon (o que é muito louco porque é um trabalho de uma tailandesa, uma chinesa e um japonês para o mercado coreano!!). E, apesar de ainda soar um single do (g)-idle, esta mudança na produção trouxe uma música diferente, mais orgânica e leve, que dialoga com o sucesso que elas experimentaram até aqui na indústria sem forçar a barra, inclusive referenciando várias músicas que elas já lançaram nestes dois anos de carreira.

Por muitos replays, i’M THE TREND trouxe sorrisos involuntários e risos sobre como elas parecem não se levar muito a sério (em contraste com a super seriedade dos singles produzidos pela Soyeon). Sem sombra de dúvidas, algo assim foi essencial para aguentar os baques de 2020.

9. Voice, LOONA

Voice foi o single espiritualmente escolhido pelos fãs, o que, considerando orbits, pode ser uma rasgação de seda pseudoconceitual. PORÉM, como ex-orbit decepcionado com o direcionamento atual do grupo, foi uma MARAVILHA ver algo que trazia a magia das units e das teorias no meio desta era mais onomatopeica. Digo isto, pois, como muitos dos singles de pre-debut, Voice te transporta por níveis e mais níveis de aesthetic apenas com seus sintetizadores suaves e suas vozes suspiradas, só que, desta vez, COM TODAS AS DOZE. Veja a coreografia belíssima que elas entregam no vídeo em cima, conseguindo distribuir até que bem o center (vamos desconsiderar Hyunjin que está lá só pelos memes).

De LOONA eu esperava teorias e fanfics além de ótimas músicas, mas se elas continuarem com pelo menos uma dessas escondida nos EPs de cada comeback, certeza que vou ficar menos ressentido com o que o grupo acabou se tornando.

8. ONE (Lucid Dream), Golden Child

Pra uma boyband cair nas minhas graças tem que se esforçar MUITO. Fiquei surpreso com o quão eu fiquei ansioso pelos comebacks dos participantes do Road to Kingdom mesmo tendo visto UM ÚNICO EPISÓDIO. O melhor (e, como manda a regra dos realitys shows, dos grandes perdedores injustiçados do programa) foi, tranquilamente, ONE (Lucid Dream). Aqui, eles conseguiram entregar as várias camadas que as boybands miram nestes últimos tempos, sem forçar demais a barra em nenhuma delas, o que deixou o resultado meio único: temos sexy concept, clipe com teorias, sintetizadores pesados, um pouquinho de fanservice BL e por aí vai… A faixa consegue contrastar tão bem os graves e os agudos das vozes e da melodia que algumas ideias que tiveram ainda me espanta (como eles estarem gritando “down” com vozes cada vez mais agudas – “high”, um dos antônimos de “down” -, quase como um paradoxo entre conteúdo e forma).

Se não conhece esta gema, mas ainda não desistiu dos machos coreanos, dá um play aí que não vai se arrepender.

7. pporappipam, Sunmi

Com seus vocais aéreos, sua melodia oitentista dominada pelo baixo, seu som de flauta hipsterzinho e sua referência ao city pop, pporappippam é um game changer no cenário capopeiro, com Sunmi finalmente voltando a ditar moda ao invés de seguir a onda mainstream. Por mais que a faixa soe filha da onda de synthpop e disco, ela possui muito mais personalidade e uma miríade de referências que ultrapassam o mero pop bate-estaca oitentista dos EUA. É aquele tipo de música que parece antiga, mas, ao mesmo tempo, soa totalmente diferente de tudo que ela referencia.

E o clipe (que foi idealizado por ela!!!), sem palavras… Um dos mais marcantes, originais e narrativos do ano, sem nem se esforçar muito.

6. Untouchable, Everglow

LA DI DA acabou cansando levemente com o decorrer das semanas, porém a força de Untouchable foi crescendo de forma inversamente proporcional. A faixa é viciante e, assim como pporappipam ali em cima, traz uma série de referências retrô oitentistas que não se assemelha com nenhum dos materiais originais. A variação entre tons das integrantes foi bem utilizada ao ponto de percebermos que temos desde do mais grave a voz de apito dentro do line-up do Everglow. E isto foi essencial para o replay factor funcionar, porque, diferente de quase todas as faixas aqui na lista, EU AINDA NÃO ME CANSEI DELA EM NENHUM MOMENTO por mais que eu repita infinitas vezes. Trazer esta impressão em ritmos tão marcados como o synthpop e disco oitentistas é algo que, sem sombra de dúvidas, merece um lugar no top 10.

5. Bon Voyage, YooA

O filme de Mulan foi uma bosta e YooA, descontente, se transformou numa princesa da disney por conta própria. Bon Voyage traz elementos da mitologia xamanica coreana, com ela se conectando com os espíritos da floresta, como se fosse uma protagonista mágica de uma animação épica que seria ignorada pelo Oscar se não for da Disney. A música se inspira no house, no moombathton e tem um coro que não sei categorizar direito (tenho um certo receio de falar que isto é “indígena” ou “havaiano” e soar ofensivo). De toda forma, é este coro que traz a diferença para a faixa e dialoga com a narrativa FANTÁSTICA do clipe, dando um caráter místico e receptivo, como a Pocahontas convidando o Jonh Smith a colorir com as cores do vento.

Na letra, ela fala sobre libertação e autodescoberta, conforme se transforma em um espírito selvagem (literalmente, ela começa a música falando que nasceu pelo por todo o seu corpo e chifres em sua cabeça). É interessante observar que a ideia de “selvagem” mostrada é, assim como na Pocahontas, algo respeitoso e libertador. Na maioria das vezes, a dicotomia entre “selvagem” e “civilizado” é uma desculpa imperialista para oprimir povos fora do eixo eurocêntrico e, claro, explorar seus recursos. Aqui, YooA traz o conceito de selvagem como uma nova forma de observar a vida, ser verdadeira consigo mesma e tentar escapar da lógica “civilizada” cruel que povoa nosso dia a dia.

Foi um trabalho audacioso, meticuloso e organizado de uma forma que está cada vez mais raro na terceira geração. Ouso dizer que vai ser uma das músicas mais marcantes do k-pop em toda a década de 2020.

4. Apple, GFriend

É incrível como neste ano o GFriend deu uma de APink e foi de piloto automático para um dos nomes mais audaciosos da indústria (a propósito, APink foi esquecido por motivos de eu mal ter ouvido o novo EP delas em 2020). Apple foi o começo disto, sendo super tradicional visualmente (desde o conceito batido de maçã que te corrompe à homenagem a Coming of Age Cerimony, o grande clássico sexy do k-pop) e super esquisita musicalmente. A faixa ressoa referências country e egípcias, com harmônicos que parecem super deslocados mas, mesmo assim, funcionam bem junto um do outro.

Passada a primeira impressão, Apple se tornou um single tão destoado do resto de 2020 ao mesmo tempo que é um claro jam de girlgroup para divar olhando no espelho. Este equilíbrio não é fácil de conseguir, ainda mais com um grupo que já tava nadando há uns bons anos no inespecífico.

3. Look Like You Have a Natural Bent, Poetic Narrator

BOOOOM! A grande surpresa do top 10 era uma faixa que provavelmente 99% de quem lê não deve conhecer (até porque eu não falei dela pelo debut do Poetic Narrator ter sido no começo de 2020). Enfim, Look Like You Have a Natural Bent é uma faixa tão… Inteligente. Podendo cair facilmente no guarda-chuva de “Música de cafeteria para universitários”, a faixa traz um instrumental rico em elementos, desde baixo e bateria até flautas, harmônicos e leves sintetizadores que, na minha opinião, soam como pó de fada sendo despejado pelas Winxs. A letra, por sua vez, fala sobre as microagressões que recebemos diariamente, com o eu-lírico denunciando esta característica nociva de seu interlocutor. O título significa “parece que você tem uma inclinação natural” e, no contexto da letra, o que eles querem dizer que é “parece que você tem uma inclinação natural pra me machucar”. COMTEMPLE O PODER DE UM TÍTULO CRIATIVO EM UMA MÚSICA (imagina o quão menos impactante seria se a faixa só se chamasse “Hurt Me” ou coisa do tipo?).

A vida em quarentena me fez perceber muito mais estas microagressões, assim como me está me deixando confuso diariamente sobre o quanto é exagero e nervosismo da nossa parte e o quanto são uns comentários meio duros demais mesmo… Não teria tempo mais propício para eu me identificar com ela.

2. Tweaks ~ Heavy cloud but no rain, GWSN

A deusa da lua abençoou a equipe do GWSN, que percebeu o quão maravilhosa é Tweaks e deu um clipezinho com as integrantes no natal pra honrar a música (a Amber Miya fica cada vez mais linda e estilosa né, gente?). Que coisa gostosa de ouvir! Seguindo na linha meio house que apresentam desde o debut, a faixa mantem uma batida constante ao fundo, como uma incansável pista de dança de piso colorido, mudando de elementos conforme confere mais textura as interpretações vocais das integrantes, que passa diversas sensações: confiança, fragilidade ou algo mais etéreo mesmo.

De longe, a melhor b-side do ano, a melhor faixa dançante do ano e o melhor de um girlgroup. Sinceramente, elas só perderam o topo pra algo que foi igualmente arrasador de quarteirões, só que na via oposta.

1. Zombie, Day6

Eu já perdi a conta de quantas vezes já falei de Zombie aqui no blog. A faixa é um rock melódico de cortar o coração, falando sobre passar dia a dia preso em uma rotina sem ver um propósito maior. Foi uma das faixas que mais me ajudou a processar a quarentena e o tempo maior de autorreflexão que ela proporciona. A forma como a faixa é gritada em seus ouvidos de uma forma completamente desesperada gera uma sensação de afinidade que bate de frente com nossos momentos mais frágeis e vulneráveis. Este tipo de afinidade e identificação é a receita para qualquer balada funcionar e, se metade do que temos de mais lento no k-pop fosse mais sincero e cru como Zombie, nós certamente não precisaríamos recorrer a baladinhas americanas ou japonesas pra preencher esta lacuna em nossas playlists.

Aqui, o Day6 se superou num nível de honestidade e, pela primeira vez, eu acredito que eles são uma banda mesmo que compõe as próprias músicas (tanto que eles tiraram uma férias depois de lançarem Zombie, por conta de estresse e tudo mais, o que se alinha até que de uma forma cruel com a faixa). Isto aqui é música cantada com emoção, muita emoção. E ver algo assim (autoral ainda por cima) é algo bem raro no meio capopeiro.

YooA(OH MY GIRL) 1st Mini Album [Bon Voyage] em 2020 | K idols

Ai, foi isso… Estas foram as 50 músicas que mais marcaram meu 2020. Muito obrigado por acompanhar o blog no retorno que ele teve ano passado, junto de todas as reflexões e sinceridades misturadas com análise de música kk

2020 foi um ano confuso e meio deprimente pra mim (pra geral deve ter sido, mas né, só posso falar por mim kk). Estou em meio a toda uma jornada de autodescobrimento ao mesmo tempo que comecei lidar melhor não só com as minhas próprias inseguranças, como também em como ir ligando menos para o que as pessoas dizem. Escrever aqui no blog faz parte de tudo isto (pra ser mais sincero e tudo mais) e fico muito feliz de minhas opiniões e reflexões sinceras serem lidas e tudo mais…

Eu não sei como vai ser agora em 2021, mas espero continuar conseguindo escrever resenhas aqui. Não vou fazer nenhum plano mirabolante, porque todas as vezes que fui prometendo um monte de coisa na virada do ano aqui no blog não consegui fazer nada kkk Agora e neste último mês, especificamente, eu estou meio pra baixo e nervoso com a onda dos vestibulares (por isso que meio que eu sumi), mas acredito que tô ficando mais de boas com todo este contexto pra ir voltando a escrever aqui conforme virem os comebacks de Janeiro.

Enfim, beijinhos e até o próximo post o/

9 comentários em “TOP 50 | O melhor do K-pop de 2020: O Coral Inquebrável da 4ª Dimensão [10-1]

  1. Se eu fosse vc trolava esse povo e não colocava zombie, pois sabemos que ela é uma musica que transcende tops e mais. Seu top foi muito gostosinho de ouvir.

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