Burn It, Golden Child: Resident Evil, 2016 all over again e… Bloom?

Em meio a nenhum comeback de grande impacto acontecendo (calma que logo surge um Fundo do Mar), o Golden Child já teve mais um comeback, marcando seu terceiro comeback pós-Road to Kingdom enquanto uns grupos mal tiveram um comeback direito. Será que este aumento na frequência de lançamentos acabou diluindo a qualidade? Ou o grupo ainda ostenta o caráter hipnótico que vimos em ONE (Lucid Dream)?

Eu queria entender um pouco o que aconteceu na mesa de direção artística pra este comeback. Temos um clipe com zumbis, um EP chamado “SIM” e uma temática meio A Chama do Dragão da Bloom (no Fate eles chamam assim, né? Não podem ter estregado a personagem tanto assim), enquanto todos estão com looks góticos trevosos que povoam aquele limbo entre oppa classudo de terno e oppa conceitual de choker.

É muita coisa que não combina ao mesmo tempo, o que, por si só, já traz uma sensação estranha para o lançamento. Tanto em ONE quanto em Pump It Up o conceito estava bem organizado na música pra depois ser traduzido visualmente no clipe (seja de uma forma mais literal da letra ou só da vibe despretensiosa mesmo). Então, logo de cara, Burn It já parece bagunçado e desorganizado demais pra funcionar.

Mas, enfim, vamos por partes.

O SINGLE é um dancehall bem genéricão mesmo para o k-pop. Só não digo que é uma demo perdida de 2016, o Ano das Trevas, porque o assobio e a diminuição de tempo nas transições entre versos e refrão conseguiu salvar a música desta sina. De resto, tudo de mais esquecível de 2016 está lá, os sintetizadores que já escutamos quinhentas vezes em outros lugares funcionam da mesma maneira, o coro do refrão focando mais nos sintetizadores do que nos harmônicos e etc, etc, etc. Triste porque, em questão de singles, o Golden Child foi só ladeira abaixo depois de atingir o topo em ONE (Lucid Dream).

Contudo, apesar deste gosto velho na melodia, o CLIPE é sensacional. Já vimos zumbis quinhentas vezes no k-pop (até porque o terror é o gênero de cinema mais popular na Coreia, a raiz do cinema coreano se encontra no terror!) e vamos ver ainda mais vezes nos anos por vir, só que desta vez o resultado extrapolou qualquer expectativa. Tivemos algo digno de várias cutscenes dos jogos mais recentes da franquia do Resident Evil. O contexto, focando, principalmente, em três relações destruídas pela contaminação (a do menino com a mãe, a do casal hétero e a do casal “gay” fanservice) é lindo, emocionante e inesperado. A atriz que contrataram para fazer a mocinha da vez foi excepcional, sério. É a primeira vez que vejo algo assim desde a surpresa daquela música do casamento do K.will. A forma como ela vai de calma para receio, tristeza, desespero e, no fim, volta pra calma, é incrível! Se esta menina ainda não debutou como atriz, a Woolim tá dormindo MUITO.

O núcleo dos “gays” já era esperado, ainda mais pelo fanservice, então foi o que menos impactou (por incrível que pareça). Já o menino com sua mãe funcionou mais pela ideia do que pela interpretação em si. Foi algo criativo de se ver e o final do arco com ela segurando a mão dele foi tocante (apesar da atuação dele ser meio… nada demais).

Neste contexto, as cenas de dança ficaram descoladas, o que, infelizmente, é uma pena, porque este é um ponto bem forte do grupo. Pelas partezinhas da coreografia que apareceram, parece que, novamente, tivemos algo bem legal a altura do que eles mostram desde a ótima apresentação dos violinos no Road to Kingdom.

Por fim, o ÁLBUM é melhor que os últimos dois. Não por ser necessariamente bom ou memorável, mas por ter mais músicas aproveitáveis no resultado final.

A intro YES perde muito o impacto pelo single ser mais ou menos, então fica só esquecível.

Cool Cool traz uma carga espevitada meio incomum para boybands, numa batida cheia de estalares de dedos e um refrão que mistura o dancepop frenético de ONE com um future bass (eu acho que este seria o nome destes sintetizadores?).

Round N Round começa como uma faixa boa do Taemin e mantem nesse clima ao cair fundo no club house conforme a música progride. Então, no refrão, temos algo TÃO Sweetune para boybands em 2011-2014 que não tem como amar. Novamente, os raps trazem uma carga mais espevitada que a prepotência de oppa fodão que estamos acostumados, fechando a faixa com chave de ouro.

Milky Way cumpre a cota de faixa lenta do álbum, com um pseudo-roquezinho genérico e açucarado. Não ofende, mas também não elogia também.

E, por fim, o EP se encerra com Breathe e, isto sim, é Sweetune masculino descarado da 2ª geração, com ainda mais sassiness nos raps. Redondinha e facilmente digerível pra quem curtia os grupos de dez anos atrás.

Golden Child foge de zumbis no MV de “Burn It” - Say K!

O mais triste deste comeback é terem escolhido uma música tão mais ou menos como single. Tanto Cool Cool quanto Round N Round funcionariam melhor, porém, mesmo assim, as duas também soariam deslocadas no clipe e no conceito de Resident Evil (e vi aqui que teve até webtoon!). Faltou direcionamento artístico. É como aquele meme do outdoor colado errado em que “cada um faz sua parte e depois a gente junta do final”. Uma pena.

Pelo menos, o número de músicas aproveitáveis do comeback foi três, o que já é um recorde do Golden Child comigo. E, claro, o clipe, sem sombra de dúvidas, tem tudo pra ser um dos melhores do ano. Então, até que não foi ruim? Quem diria…

6 comentários em “Burn It, Golden Child: Resident Evil, 2016 all over again e… Bloom?

  1. O grupo sempre teve três comebacks ao ano, diferente do Drippin e do Rocket Punch que devem ter apenas dois. Acabei gostando da faixa e achando bem doido socarem um MV mais cinematográfico, mas faz parte (Como eu disse, é o segundo desse ano… Será uma tendência ou acaso?)

    Sobre o Winx da Netflix, não é a melhor adaptação que já fizeram, mas conseguiram entregar muito bem os personagens e os 6 episódios iniciais entregou bem a história. Eu estou aconselhando o pessoal assistir achando que é um reboot e não uma adaptação, a sensação melhora muito

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    1. Nossa, não tinha parado pra pensar, mas é verdade, são três por ano mesmo x.x (mas eu achei tão perto estes três um do outro… Ainda mais este de Pump It Up @.@’). Capaz do rolê cinematográfico ser tendência mesmo… Bem a LOONA criando moda anos depois de desistir desta estética kkk

      Eu não sei… Eu fiquei muito desapontado com o que já vi no trailer e em comentários, então vou esperar a minha poeira baixar antes de ver. Eu amava muito o desenho (e fui até zoado muito na escola por falar em alto e em bom som que assistia ele), então ser algo tão diferente me deixou meio decepcionado…

      Curtido por 1 pessoa

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