Excalibur, Kingdom: Dissecando as inspirações mitológicas do “novo LOONA”…

Uma promessa maluca e animadora a la LOONA bateu as portas do mundo capopeiro nests últimos dias: o debut do Kingdom, uma boyband de sete integrantes que tem uma fanfic ENORME planejada, contando com um plano de 3 anos para apresentar os personagens de cada membro e DOZE ANOS pra trazer conclusão a estória de cada personagem. O debut veio com inspiração nas lendas arturianas, sob a alcunha de The Kingdom of Sun (O Reino do Sol) e será que ele iluminou (badum tss) a esperança de fanfiqueiras de plantão depois do que o LOONA se tornou?

Sobre a fanfic… AHHHH NEM ACREDITO QUE ALGUÉM TÁ TENTANDO FAZER ALGO ASSIM DE NOVO MINHA DEUSA QUE EMOÇÃO 😆😆😆😆

O primeiro EP é chamado History of Kingdom: Part.I Arthur e é o primeiro dos EPs introdutórios focados em cada integrante e personagem (aiai, é como o LOONA só que com um conceito mais organizado pros personagens 💖), inspirado, como o próprio nome sugere, nas lendas arthurianas e no integrante de nome Arthur. Inclusive, a divisão dos integrantes e seus respectivos personagens já saiu, apesar de não termos nenhuma ordem de lançamento pras músicas:

  • Dann, o líder, vai ser o Rei Dan, líder mitológico, conhecido por reinar a Dinamarca (“Danmark”, na origem do nome) em sua consolidação. Sua referência é espalhada pela mitologia nórdica (no ramo germânico da coisa), como vários personagens diferentes, dando as caras na Crônica de Lejre, na Saga dos Escildingos, na Rigsthula e na Saga dos Inglingos.
  • Louis, um dos dancers, é uma referência a linha de “Reis Luíses” da França, que pode ser desde o Rei Luis I, o Piedoso, filho de Carlos Magno e imperador do Império Romano-Germânico de 814 a 840, até o Rei Luís XVIII, que reinou por cem dias enquanto o Napoleão estava preso e depois reassumiu no retorno da monarquia de Bourbon como uma monarquia constitucional entre 1815 e 1824.
  • Chiwoo, o rapper, é o líder tribal e mítido da antiga China, Chiyou, deus da guerra e um dos três pais fundadores da China, que participou do período de Três Augustos e os Cinco Imperadores entre 2850 a.C. a 2205 a.C., período anterior a primeira dinastia chinesa.
  • Arthur, main dancer, como o próprio nome sugere, é o Rei Arthur, líder lendário britânico responsável por defender a Grã-Bretanha das invasões saxões entre os séculos V e VI, e considerado o grande unificador da nação e difusor do cristianismo na região.
  • Ivan, um dos vocalistas do fundo, assim como Louis, é uma referência linha de líderes búlgaros e russos (czares) de mesmo nome, podendo ser desde Ivan Vladislav, que reinou de 1015 a 1018, até Ivan VI, que reinou entre 1740 e 1741. É interessante notar que ambos foram depostos rapidamente por golpes de estado pelos próprios familiares.
  • Mujin, “multitalentoso” do fundo, é o Imperador Jimmu, o primeiro imperador do Japão, do qual não se tem muitos dados além dos registros mitológicos xintoístas os quais o caracterizam como filho da Deusa do Sol, Amateratsu.
  • E Jahan, outro “multitalentoso”, é o imperador mogol Shan Jahan, o quinto imperador do Império Mogol, entre 1628 e 1658, conhecido mundialmente por ordenar a construção do Taj Mahal em homenagem a sua esposa favorita (poligamia masculina era bem comum na época), Mumtaz Mahal.

Ok, passada esta introdução gigante membro a membro, temos também que o projeto inicial de três anos conta com um conceito de “reinos”, no qual cada álbum será um. Já está confirmado isto também, com os reinos sendo: o Reino da Chuva, Reino das Nuvens, Reino da Neve, Reino da Mudança, Reino da Beleza, Reino das Flores de Cerejeira e Reino do Sol. Já dá pra fazer suas apostas sobre qual personagens é de cada reino, mas o debut, focado em Arthur, é o Reino do Sol, o que, sinceramente, faz muito sentido e aviva o meu lado nerd de mitologia.

A música e o clipe são, claramente, uma referência a passagem mais famosa da lenda de Arthur, envolvendo sua espada (que era a lei kk), o grande artefato que o legitimava enquanto rei, em ambas as versões (seja a da ninfa do rio que o presenteou com a espada ou a em que ele tira a espada da pedra). A faixa não deixa de ser algo bem k-pop, com refrão chiclete, sintetizadores pesadinhos para boybands e ponte de vocais, mas, para combinar com o contexto, deram elementos meio “épicos” para a melodia, misturando os sintetizadores industriais e de future bass com elementos de opera pop, como um piano proeminente (ou seria um órgão?), um coro significativo de harmônicos e até sonsinho de espada!

Eu vi o pessoal na blogosfera falando sobre isto ser bem boyband 101 atual, mas achei bem diferente da onda trap e industrial. Esta coisa cheia de sintetizadores me lembra muito mais a “era” pós-dubstep de 2013 e 2014, antes do ShiNee inventar o house com View. De toda forma, porém, a impressão que eu tive foi a de um número musical do Corcunda de Notre-Dame meio “capopeirizado”, o que é bem legal e passa uma onda dramática e épica TAMBÉM NA MÚSICA (e não só no clipe, como acontece na maioria das boybands).

Não chega a ser uma faixa com tanto replay-factor assim, mas é algo que marca positivamente (algo parecido aconteceu com a última música do Purple Kiss).

O clipe neste sentido, até que é bem simples na execução deste conceito. O que temos é algo bem parecido com o que um grupo nugu mediano traz, com certas referências e apresentações vagas dos integrantes e seus personagens, umas mais icônicas que outras. Eu senti falta de algo mais relacionado as lendas arthurianas, talvez uma referência aos doze cavaleiros da távola rendonda ou um cenário que lembre mais a inglaterra (ao invés de Tatooine de Star Wars kkk). Claro que temos algumas coisas, como a retirada da espada da pedra, a névoa da floresta com uma vibe de Brumas de Avalon, a formação em roda pra lembrar a távola redonda e a cena deles dançando na água (que pode ter tido inspiração na versão da ninfa da água ter entregado a espada). Só achei que ficou muito confuso e bagunçado, porque os outros integrantes apareceram caracterizados como seus personagens no meio e o tempo de tela era bem curto pra isto.

Na letra, eu tentei extrair uma referência mais profunda as lendas, mais não encontrei nada muito significativo, além da referência mais genérica ao conceito do grupo como um todo (heróis que irão salvar o mundo das trevas). Talvez eles devessem ter feito algum tipo de apresentação dos integrantes e personagens antes de só soltar o debut focado no Arthur…

Agora, porque faz sentido o reino do Arthur ser o do Sol? Simples!

Na lenda, Arthur unifica a Grã-Bretanha trazendo o cristianismo para primeiro plano e acabando com a influência pagã na sociedade britânica (se isto é bom ou ruim, depende de qual versão da lenda você ler). Isto fica visualmente bem exemplificado com a desconexão da sociedade com a magia ancestral, o que resulta no desaparecimento das Brumas de Avalon, a névoa mística que servia como passagem das bruxas para Avalon, um santuário da magia pagã na região. As brumas somem como se a noite e o período “nublado” da Britânia estivessem cessado, assim como um dia nublado desaparece com o brilho do Sol.

Foda, sério, muito foda.

O álbum é bem padrãozinho de ouvir, contanto principalmente com faixas mais lentas (Night Air, Picasso e X) pra equilibrar o single e uma intro que reafirma o caráter de opera pop que mencionei mais cedo (Majestic Departure). O conjunto final fica bem gostosinho de escutar, até porque as faixas lentas são bem diferentes entre si e tem um lado mais R&B do que baladinha mesmo.

Resultado de imagem para history of kingdom partI arthur

O contexto do lançamento me empolgou mais do que o lançamento em si, mas tá valendo. Um lado bem legal do Kingdom (no qual ele até se supera se comparado ao LOONA), é toda a bagagem histórica que o conceito trás. Olha o tanto de coisa que eu dei uma pesquisada pra fazer este post! Eu sei que a história tem todo o lado da luta de classes e exploração, mas é legal lembrar da vibe mitológica que me fez gostar de história lá quando eu era criança… Lançamentos assim conseguem disseminar o interesse e estudo por diferentes culturas e histórias, o que é muito legal de se ver (quantos de nós não se interessaram por mitologia grega por causa do Cavaleiros do Zodíaco, por exemplo?).

Sobre a música em si, foi um acerto ao ser diferente da modinha e realmente se alinhar com o conceito das lendas arthurianas. Poderia ser mais profundo ou organizado? Poderia. Mas é tão legal ver um grupo acertar mais NA MÚSICA do que no resto, então tá valendo. Agora é esperar pra ver como Kingdom vai se sair em vendas e buzz (lembrando que tem um reality show de mesmo nome que vai estrear agora @.@’), e como este projeto vai continuar. E, claro, se este caráter agradável e interessante do debut vai me fazer curtir as músicas no decorrer do ano… kk

7 comentários em “Excalibur, Kingdom: Dissecando as inspirações mitológicas do “novo LOONA”…

  1. Eu estou curioso como eles trarão as histórias chinesa e japonesa para um grupo de pop coreano, sendo que os países estão se matando todos os dias, ou por motivos triviais ou por motivos diplomáticos pesadíssimos…

    E ainda venho com a ideia de que esse grupo uma hora será rotativo, pois 12 anos de história, nem a SM deu conta de fazer isso, quem dirá uma empresa pequena, mas todo o sucesso a eles, pois esses deram sangue e suor nesse debut

    Se não me engano, um dos integrantes ajudou foi letrista de algumas b-sides, oq talvez já entregue uma liberdade maior a eles, fazendo com que segurem os integrantes por mais tempo.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Entaaaao, vamos ver… Acho que eles vão pegar a estética wuxia… Até nos doramas tão fazendo isso, então nem seria tão difícil (mas é estranho não ter nenhum rei coreano aí no meio…)

      Sobre o formato, acredito que deve ser rotativo mesmo… Mas se durar os três anos iniciais (que nem o pré-debut do LOONA, mais ou menos) já é lucro

      Entaaao, eu vi que eles tiveram uma liberdade criativa, não tinha pensado nisso, mas é bem verdade que pode ser mais atrativo pros integrantes ficarem na empresa

      Curtido por 1 pessoa

      1. Acho que o fato de ter um integrante representando algum rei da Coréia iria acarretar ao favoritismo. Os fãs coreanos iriam querer que ele tivesse maior destaque e que fosse o melhor, então é até compreensivo.

        Curtido por 1 pessoa

  2. Quem diria, um boygroup com um projeto de pré-debut e trama de fundo bem elaborada. Exatamente o que esperávamos que o Jaden Jeong fosse fazer com o boygroup que ele adotou depois de sair da BBC.

    Enquanto isso, o “plano” do Jeong pro boygroup dele é botar os rapazes tirando a roupa pras fotos do próximo lançamento.

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s