Beautiful Beautiful, ONF: Melhoraram o Cyberpunk 2077!

ONF voltou com seu primeiro full album e uma demo que era pra ser do Oh My Girl como single, provando o quanto a WM Entertaiment tá conseguindo investir em seus grupos depois do Queendom e do Road to Kingdom. Mas aí alguém na produção deve ser gamer e ficou PUTO com os mil bugs de Cyberpunk 2077, porque, DO NADA, o conceito da música “Bonito Bonita” virou uma versão decente do que o jogo poderia ter sido…

Beautiful Beautiful é um lançamento marcante, tanto visualmente quanto musicalmente. A faixa traz uma melodia moldada por teclados super afetados, cheio de explosões positivas e good vibes (como o Abittipsy mais cedo deste ano), só que é apresentada num contexto de CYBERPUNK, algo notoriamente recheado de pessimismo e desconfiança com a sociedade.

É muito louco pensar em um contexto cyberpunk positivo. O termo identifica um subgênero da literatura de ficção científica (que crescia horrores em popularidades desde 2001: Odisseia no Espaço e a trilogia original de Star Wars) criado nos anos 80 por autores que se viam em um mundo cada vez mais tecnológico com cada vez mais desigualdades sociais escancaradas. As estórias deste contexto se passam em mundos distópicos, com uma evolução tecnológica imensa que contrasta com as condições sub-humanas das vidas das classes mais baixas. Neste cenário, seguimos um protagonista que, geralmente, se encontra na classe com pior condição econômica na sociedade e, seja por interesse particular ou coletivo, começa a confrontar esta estrutura política, econômica e social.

O conceito visual de “retrofuturismo” que falei aqui há um tempão atrás é algo extraído da onda cyberpunk, que tomou o final dos anos 80 com filmes (Blade Runner, 1982), livros (Neuromancer, 1988) e animações (Akira, 1988) que, hoje, são considerados clássicos de seus respectivos formatos. A grande questão que torna este contexto estranho ao comeback do ONF é que permeia nestas obras um caráter pessimista. Mesmo que os objetivos do protagonista rebelde sejam atingidos no final, a dúvida paira sobre a real mudança que pode ocorrer na humanidade… Se ainda há possibilidade de salvação depois de tanta exploração e destruição em massa em prol do “progresso”…

No clipe, seguimos os integrantes do grupo como rebeldes, fugindo e se escondendo de forças de autoridade, conforme referenciam MUITOS filmes de ficção científica de oitenta e noventa. De um jeito bem LOONA, é como se cada integrante seguisse a referência de um filme específico, todos com a estética BEM SIMILAR ao Cyberpunk 2077 funcionando como filtro:

Já vou dizer que não foi todos os filmes que eu consegui identificar (por falta de repertório mesmo kkk), então se você percebeu alguma referência que não falei aqui, me fala nos comentários ^^ Os principais filmes foram: Tron (1982), em todas as partes do integrante de roxo (Wyatt) entrando no mundo virtual monocromático, De Volta Para o Futuro 2 (1989), quando o integrante de azul (Hyojin) e o hacker (MK) estão fugindo das autoridades em um skate anti-gravidade, Vingador do Futuro (1990), nos transportes que lembram metrô, e O Quinto Elemento (1997), em toda a estética da cidade, o carro voador e o próprio enquadramento com os telões ao fundo conforme o Hyojin tá fugindo.

Ficou lindo DEMAIS!!! Parece que realmente houve um estudo e uma ideia no desenvolvimento do clipe, e não apenas conceitos ou simbologias jogadas a esmo, como vimos, inclusive, no último comeback do grupo

A sonoridade claramente baseada nos synths oitentistas (os oooooh que eles gritam em coro me LEMBRARAM MUITO Tarzan Boy, um hit de 1985, que não escutava faz tempo…) junto dos visuais estonteantes que dialogam com a estética de cyberpunk que surgiu da mesma época cria uma harmonia tão surpreendente entre música e clipe que fica difícil desassociar os dois. Isto costumava ocorrer com certa frequência até um tempo atrás, mas sinto que, ultimamente, a estética dos clipes ficou tão homogênea entre um grupo e outro, que, na maioria das vezes, parece que nem tá fazendo tanta diferença quem lança o quê de que jeito. Sem contar que a letra motivacional sobre se considerar bonito ser ser verdadeiro consigo mesmo combinou bastante com a narrativa de rebeldes lutando contra um sistema.

E, em um aspecto mais pessoal, o clipe bate em tudo que eu curto em lançamentos capopeiros: (1) eles tem um color coded meio Power Rangers, (2) tem uma narrativa, (3) todos estão bem estilosinhos (ai a vontade de ter um desses coturnos coloridos…), (4) a música é retrô, (5) tem raps que fluem sem soar forçados e (6) foge, mesmo que minimamente, da modinha.

O único defeito que achei foi o sussuro totalmente desconexo de “beautiful” pelo power ranger vermelho no final, mas não chega a incomodar TANTO ASSIM considerando o quanto eles acertaram.

Eu acabei escutando o álbum inteiro umas duas vezes hoje, de tanto que curti o single. E vale destacar de pronto o pré-release super fofinho no qual cada integrante se apresenta e descreve um pouco de sua personalidade (o vídeo aí em cima) e a maravilhosa e psicodélica The Realist, que parece ter sido tirada direto de Flashdance só que trabalhada como uma faixa descontruída indie e dançante da Carly Rae Japsen.

(EDIT: O Gui do Palpites Alheios me deu o toque de que eles performaram The Realist!!!! Perfeitos!!! Fica ainda melhor vendo uma apresentação e sabendo que um pouquinho de valor esta preciosidade vai ter nas promoções do comeback xD)

O resto do álbum é bem agradável de se ouvir (sem forçações de barra para rap, hip-hop, industrial, trap e etc…). Se as Albums Reviews que planejo escrever vingarem mesmo (risos), mais uma entrou pra lista…

ONF - My Name Is Lyrics » Color Coded Lyrics | Lyrics at CCL

Beautiful Beautiful é o terceiro lançamento da semana (se ignorarmos o single do SHINee e considerarmos apenas o álbum). É este tipo de pulso que parecia estar faltando durante janeiro e comecinho de fevereiro, a impressão de que existe várias pessoas tentando coisas novas e diferentes dentro de um mesmo cenário, que conseguimos enxergar quase que em sua totalidade. Beautiful Beautiful é o primeiro grande acerto em singles masculinos do ano e tem tudo pra ser um destaque tanto visual quanto sonoro de 2021. O fogo no olhar da WM pra fazer o grupo cada vez mais famoso e bem-sucedido é visível, e isto dá ainda mais gosto de acompanhar a trajetória dos carinhas na indústria (bem capaz de eu ficar fã deles que nem tô ficando do Golden Child kkk).

5 comentários em “Beautiful Beautiful, ONF: Melhoraram o Cyberpunk 2077!

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