TAIL, Sunmi: Michelle Pfeiffer deve estar orgulhosa | “Album” Review 007

Depois da pachorra que a empresa da Sunmi teve em anunciar isto como um álbum sendo que o negócio só tem duas músicas eu pensei: se eu já chamei de “BL Review” resenha de dorama que não era necessariamente BL, então a porteira do Aquário já tava aberta pra chamar de “Album Review” resenha de lançamento que não é álbum…

선미 SUNMI on Twitter: "[ALBUM TRACK SPOILER VIDEO] ⠀ 꼬리(TAIL) ALBUM TRACK  SPOILER VIDEO 🔗 https://t.co/4nQlCggHDE ⠀ '선미(SUNMI) - 꼬리(TAIL)'  2021.02.23 6PM KST ⠀ #선미 #SUNMI #꼬리 #TAIL #꽃같네 #What_The_Flower…  https://t.co/a0WPjm40FO"

Tail dispensa apresentações. A faixa já teve cinco rasgações de seda diferentes na Blogosfera (só dar uma olhada aqui no canto do blog e clicar na blogueirinhe fundo de quintal de sua preferência) as quais mostram que, mesmo concordando, é incrível como cada um vê uma coisa no mesmo lançamento…

A mistura que Sunmi entrega neste single é formidável, tanto em conceito quanto em execução. Uma clara referência a seu primeiro hit solo, 24 Hours, que seguia uma vibe extremamente parecida de sexy sombrio, Tail é a resposta da Sunmi de 2021 para a Sunmi de 2014, com todo o paradoxo de referências que marcam seu estilo desde Gashina: a concepção de “rabo” que dá nome a música, claramente tem uma conotação sexy ligada a imagem da femme fatale, mas não se decide enquanto a que analogia está fazendo e a que imagem visual está referenciando, trazendo todo o conflito criativo interno que parece fluir da cantora quase que como impulso criativo.

No decorrer do clipe, o rabo pode ser de gata, de escorpião, de cobra, de pavão, de raposa, de diaba ou o próprio rabo humano mesmo kkk Sua narrativa psicodélica (como esperado da Sunmi) segue O MELHOR FILME DO BATMAN QUE TEM (fuck Nolan ridículo que tirou toda uma parte do core do personagem só pra deixar ele mais “machão”), pegando como referência UMA DAS MELHORES CENAS DO MESMO e ampliando a simbologia da transformação da Mulher-Gato de Michelle Pfeiffer (um beijo pra Michelle, a propósito, que viu o comeback e deve ter amado alguém lembrar do seu trabalho FENOMENAL na personagem) para sua persona multiplamente definida:

A queda para a Selina Kyle de Batman Returns é a constatação da realidade que a própria procura procurava negar. Tendo crescido em uma zona periférica de Gotham e vivenciando todo o tipo de abuso que se espera que uma menina órfã possa sofrer em um bairro sem qualquer infraestrutura urbana, Selina se vê neste momento confrontada por seu próprio reflexo. A persona na qual a sociedade a moldou (que não chama muita atenção e tudo mais) é ignorada e descartada como sempre foi considerada pela sociedade gothiniana, por mais que tentasse ser mais aceita. O nascimento da Mulher-Gato é sobre isto, é sobre um manifesto perante a imagem que a sociedade forma de nós e como nós, quando percebemos não conseguir mais suportá-la, precisamos combatê-la, podendo chegar num ponto até violento…

Afinal, o Batman é um homem rico que se veste de uma criatura assustadora da noite e a Mulher-Gato é uma mulher periférica que se veste de uma criatura amigável. O jogo de simbologias entre os dois personagens é extremamente forte e tem muito potencial (se for trabalhado por uma pessoa que entende um pouco disso e enxerga além do mero ship entre os dois personagens).

Sunmi lança MV de 'Tail', seu mais novo single

E é deste potencial catártico que Sunmi elabora sua narrativa para Tail. Uma situação de choque semelhante a do filme (é interessante notar que até as roupas dela na queda lembram o estilo da época de Batman Returns, 1992) desperta o seu lado sombrio. Mas, como a Sunmi tem um caráter multifacetado de sua própria persona, seu lado sombrio assume várias outras facetas. Toda vez que a cantora se joga em algum projeto, é como se ela não conseguisse se olhar num espelho, mas sim num prisma, dividindo-se como as cores do arco-íris em identidades que, por vezes, parecem até contrastantes.

Após a cena da queda, o clipe mostra Sunmi em diferentes cenários e diferentes roupas que sugerem o “rabo” de coisas que não são apenas gatos. Muita da ideia de uma cobra está presente no figuro de mosaico que ela veste sob o fundo de espelhos e nos close-ups em que ela esfrega sua própria pele como estivesse trocando-a. Da mesma forma, um escorpião é sugerido, não apenas pelo passo final (genial, por sinal), mas também pelo momento em que os dançarinos parecem querer enforcá-la… Conhecem a fábula O sapo e o escorpião? Ou do fato de que os escorpiões, ao se verem cercados pelo perigo, se matam com o veneno do próprio rabo?

Tem a imagem de um pavão ali no meio também (quando o rabo “da vez” são as mãos dos dançarinos atrás dela), que pode demonstrar toda esta necessidade que a própria Sunmi tem de armar um grande espetáculo visual toda vez que lança música. Os pavões machos, mas vamos ignorar este detalhe possuem o rabo cheio de plumas justamente para chamar a atenção na hora de acasalar.

E em meio a toda esta reflexão (o post até aqui já deve estar maior que um post normal aqui do blog kkk) vem com uma trilha sonora forte e levemente impactante. Enquanto a guitarra do FRANTS tá fritando no fundo, Tail entra novamente do batidão oitentista super marcado com o qual Sunmi já flertou e, ao mesmo tempo, cheio de elementos leves que contribuem para a experiência multifacetada do clipe. O refrão segue suspiros extremamente sexy, mas estranhamente colocados logo após um pré-refrão delicado, frágil, que veio depois de versos de quase-rap bem sassy e confiantes. Percebe que estas percepções dos vocais se alinham muito bem com lados de Mulher-Gato, de cobra, de escorpião e de pavão?

Na mão de qualquer uma, Tail seria um sexy pseudo-oitentista bem explícito para os padrões coreanos e pararia por aí. Mas a Sunmi sabe muito bem aproveitar oportunidades para se desafiar enquanto performer e acredito que esta deve ser um dos conceitos mais criativos e belamente confusos desde Gashina (que vez meio mundo engolir um house genérico por conta do conceito).

Sunmi lança MV de 'Tail', seu mais novo single

Encerrando o álbum (mano, ainda não creio que chamaram isto de “álbum” nos teasers… Acho só duas músicas nem podem ser caracterizadas enquanto “single album” x.x’), temos What The Flower, um merecido número mais lento, no qual a Sunmi pode desligar um pouco a necessidade de impactar e entregar algo mais intimista.

E é exatamente sobre isto que a música fala!

Com uma melodia que parece uma banda moderninha tentando emular as bandas psicodélicas dos anos 80 (os instrumentos no fundo me lembraram muito a vibe ampla, quase de música ao vivo, da versão original de Fairy of Shampoo, de 1988), Sunmi fala sobre como somos bonitos, mesmo sem precisar sorrir. Mesmo quando perdemos o controle de nossas próprias emoções. O que fica, inclusive, evidenciado ao final da música, com a produção e a própria interpretação vocal da Sunmi perdendo um pouco da “polidez” que permeia qualquer gravação capopeira.

Watch: Sunmi Brings Out Her Feline Side In Sultry “TAIL” Comeback MV |  Soompi

Sim, este foi o “álbum”… -.-‘

Brincadeiras e raivas a parte, eu acho que perderam uma oportunidade de dar um EP pra Sunmi. Eu entendo que ela provavelmente não iria querer lançar Borderline nas plataformas digitais, mas juntando com uma intro e uma outro conceituais (algo que ela parece gostar), a tracklist ficaria ótima assim:

  1. Intro
  2. pporapippam
  3. When We Disco (feat. J.Y. Park)
  4. Tail
  5. What The Flower
  6. Borderline
  7. Outro

O EP ficaria ótimo e abusaria da reciclagem, assim como o Warning de 2018…

De toda forma, Tail é um lançamento muito empolgante vindo de Sunmi. Fazia um BOM tempo que um single não me fazia viajar em interpretações no blog. Tudo isto que eu fui pensando e escrevendo acaba por dar muito mais camadas ao escutar a música, que, sozinha, já é muito gostosa de ouvir. O fato de ter uma b-side ajuda um pouquinho a dar um pouco mais de conteúdo para o comeback (o que é ótimo, considerando que ela só deve voltar no final do ano ou em 2022 mesmo…) e deu um contraste entre extroversão e introspecção para a persona da Sunmi enquanto artista conseguir passar ainda mais este reflexo multifacetado.

No fim, o único defeito da Sunmi mesmo nestes últimos tempos é que o gostinho de quero mais é tão grande que parece um crime ela nunca lançar EPs…

7 comentários em “TAIL, Sunmi: Michelle Pfeiffer deve estar orgulhosa | “Album” Review 007

  1. Eu fico tão irritada com essa empresa da Sunmi, as coisas dela são tão interessantes e dão margem para um mini ou full álbum bem marcante e conceito completo.
    Esse mv, a música. Sunmi sempre acerta. E achei tão caprichoso essa música lembrar 24 horas. É tipo como se fosse o passado e futuro se unindo.
    PS. E a Sunmi tão linda, a mulher cada ano que passa fica melhor.

    Curtido por 1 pessoa

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