Rollin’, Brave Girls: A “justiça social” que acalenta (um pouco) o coração

Eu estava com planos de escrever outro post para hoje, mas né? Um dos meus lançamentos PREFERIDOS de 2017 ficou viral e eu me senti na OBRIGAÇÃO de prestigiar as novas justiceiras da nação (já que eu fiz a burrada de APAGAR o post de 2017 em que eu falava de Rollin’…)

Brave Girls passou por poucas e boas em seus agora DEZ ANOS DE EXISTÊNCIA. O grupo consistia num conjunto de cantoras da Brave Entertaiment, a empresa do Bravebrothers e tinham como tarefa, principalmente, gravar demos para ele vender para as outras empresas usarem. Em 2011, elas fizeram seu debut e amargaram um pouco (mas não MUITO, estavam mais para um grupo meio B/C do que um flop total) e duraram por mais três comebacks até sumirem de vista em 2013.

Depois, três anos depois, o Bravebrothers tentou fazer seu grupo independente novamente (provavelmente depois de ter ganhado UMA NOTA vendendo midtempos sensuais a rodo para AOA e todos os outros que tentaram emulá-las), trocando todo o line-up, no qual encontramos as gatinhas de Rollin’: Minyoung, Yujeong, Eunji, Yuna e Hayun (que saiu do grupo em 2018). Foram três comebacks memoráveis igualmente divertidos e promissores (que floparam o pão que o diabo amassou), até elas SUMIREM, tendo gravado uma nova versão de Rollin’ em 2018 e voltado com um city pop ano passado.

MAS CONTUDO ENTRETANTO TODAVIA, tudo mudou quando um vídeo de compilação de Rollin’ feito por um fã ficou extremamente popular com o público coreano, levando elas ao topo dos charts e aos tópicos mais pesquisados em itens de busca:

Rollin’ é, de longe, o meu single preferido delas e uma das músicas que mais soube se utilizar da modinha house da época sem soar derivativa e sem-graça. A faixa é um house/dancehall bem típico de 2017, com versos que seguem bastante o que você encontraria em qualquer música do ano (desde as nugas até as hitadas), PORÉM, quando chegamos no pré-refrão, percebemos que elas não estão de brincadeira: os harmônicos ficam cada vez mais agudos e potentes até EXPLODIREM nos “lollin” dignos do Cebolinha. Era impensável uma música de inspiração house da época em que as pessoas efetivamente CANTASSEM no refrão pra valer. E, no pós-refrão, apesar de ele seguir os sintetizadores em proeminência, temos um eco maravilhoso e hipnotizador repetindo “you”.

O clipe é simples, mas possui uma coreografia incrivelmente difícil e impressionante (o tanto que elas devem ter caído desses banquinhos treinando…), que é uma ótima arma para qualquer nugu usar pra compensar orçamento.

E uma grande pérola deste álbum de 2017, que escuto continuamente até os dias de hoje, é Don’t Rush, uma das b-sides, que demonstra o melhor do Bravebrothers em produzir midtempos sensuais… SÓ QUE NÃO: ela foi a ÚNICA MÚSICA do EP que não foi produzida por ele kkkkk A faixa é um R&B calmo e cheio de camadas, que pede para desacelerar um pouco o relacionamento, o que eu já interpretei como desacelerar um pouco a forma como encaramos a vida, por que sou meio filosófico brisado mesmo… Os suspiros agudos delas estão maravilhosos, e a ponte com as vozes SUPER AVELUDADAS repetindo “looking at you” é hipnótico. Um dos melhores R&B DE TODO O K-POP com toda a certeza.

Rollin' (Brave Girls EP) - Wikipedia

Rollin’ hitar desperta um pouco aquela sensação de “justiça social” que sentimos quando underdogs conseguem conquistar algo em um ramo tão competitivo e cruel quanto a indústria do k-pop. Eu realmente espero que a Brave Entertaiment não durma no ponto, que elas performem a faixa em Music Banks de novo, que experimentem um sucesso a la EXID e que este tipo de produção vire moda no cenário, porque FAZ UM BOM TEMPO que o hit coreano da vez é algo que eu realmente curto (falamos muito do retrô oitentista, mas ele não hitou HITOU como o try-hard BlackPinkzado). É muito bom ver uma coisa POSITIVA acontecendo e trazendo este tipo de satisfação, ao invés de uma coisa negativa e tóxica vinda de um programa igualmente negativo e tóxico, como ocorreu no decorrer desta última semana.

Não sei vocês, mas, pra mim, algo assim é até necessário pra trazer um pouco de animação em meio a esta continuação violenta da COVID e o desgoverno que o Brasil se encontra pra lidar com isto.

2 comentários em “Rollin’, Brave Girls: A “justiça social” que acalenta (um pouco) o coração

  1. Nem fale do nosso país, as vezes deveria agradecer por ver minha família bem e guardada dentro de casa. Da minha mãe aqui comigo. Eu já não era uma pessoa de sair muito, sem dinheiro e com meu curso sendo EAD, mal coloco a cara no sol. Mas as outras pessoas…nem gosto tanto de pensar porque bate uma bad violenta e temos que ser fortes.

    Sobre as Brave Girls, nunca parei de ouvir Rollin e High Heels, são duas músicas que me deixam de alto astral e a coreografia super interessante e divertida. Estou feliz de ver elas crescendo e que finalmente a Coreia acordou pra música boa, e parou de só focar em música “horrorosa e preguiçosa” por ser de grupo mais conhecido.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Nossa sim! Temos que ser muito fortes pra segurar as pontas, porque toda notícia boa sobre este contexto parece que trás umas três notícias ruins junto…

      Se elas hitarem e isto criar um efeito miniskirt vai ser uma mudança sem precedentes… É capaz até da nova geração de capopeiros parar de gongar tanto os hits pré-2015…

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