On The Ground, Rosé: A força de uma faixa bem contextualizada

Se temos uma pessoa que está feliz hoje, está pessoa é a Rosé. Desde o DEBUT do BlackPink, a menina está esperando seu solo como singer-songwriter e nem esconde isto. Agora que o solo finalmente veio, em uma velocidade impressionante se considerarmos como a YG enrola pra lançar qualquer coisa do grupo, será que valeu a pena a espera? alguém realmente ainda tinha esperança que ela ia debutar solo e estava esperando?

On The Ground segue uma linha mais melancólica, como esperado para a main vocal do grupo. A faixa é, basicamente, um pop acústico com um drop eletrônico no refrão. Mesmo sendo produzida pelo Teddy, esta transição de estilos não ficou ruim. Na verdade, em termos de melodia, a faixa consegue ser bem coesa, mantendo o clima da balada emotiva, mas se mantendo épica o suficiente para ser um debut solo com um mínimo de impacto.

Dando uma pesquisa de dois segundos no twitter, já dá pra ver que existem várias teorias sobre o clipe e como ele, aparentemente se liga com Lovesick Girls e SOLO-LO-LO-LO. Porém, acredito que a maior força da Rosé aqui é como a mensagem da faixa foi trabalhada e como ela transmite uma sensação de esperança e de plenitude que estamos precisando nestes dias de caos.

Estou assistido Gaya Sa Pelicula (um BL MUITO BEM ESCRITO sobre um menino que quer estudar cinematografia) e um dos personagens diz ao outro uma frase que se aplica muito bem a este lançamento: “você não precisa entender tudo, afinal, não é ciência, é arte”. Quando Rosé aparece com referências a SOLO-LO-LO-LO e a mensagem “Roses are Dead, Love is Fake”, acredito que existe tanto um quê de independência do BlackPink quanto uma necessidade de afirmação (afinal, o gerenciamento da YG trata Jennie quase que como uma Suzy do grupo). De todas as integrantes, a que sempre pareceu mais interessada em CANTAR sempre foi a Rosé, então faz sentido o primeiro lançamento dela (e, provavelmente, o único dentro da YG, vamos ser sinceros) ser permeado por esta sensação de independência e wishfullfilment.

Contudo, apesar de ter “entendido” isto, a grande sensação que me permeou depois que escutei On The Ground foi algo ainda mais relacionável. Colocarem ela pra cantar em sua língua nativa (vamos lembrar que Rosé é da Nova Zelândia) foi um acerto, principalmente pra fanbase internacional, já que a letra fica bem mais acessível e consegue revestir o lançamento com mais naturalidade. Neste sentido, a faixa traz, em seus versos, um sentimento de estabilidade, uma declaração sobre aproveitar as coisas tangíveis a nós ao invés de sempre desejar o que ainda não possuímos.

É uma mensagem muito poderosa considerando que estamos há um ano desejando que a pandemia acabe.

Indo para uma interpretação mais profunda, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos em uma sociedade líquida. Uma organização que valida e cancela pessoas tão rapidamente que a empatia e a profundidade entre os humanos fica cada vez mais superficial e fragilizada. Passamos a possuir tal “controle” sobre as nossas relações que podemos fazer ou desfazer “amizades” com um mero clique. Não há mais solidez nestas relações e, tal qual líquido, elas assumem o formato de seu contexto e recipiente. Afinal, não se reproduz internet a fora visões totalmente maniqueístas sobre gostos e preconceitos? Quantas pessoas você conhece que não te bloqueia no twitter só porque você teve uma opinião diferente dela?

E, neste contexto, é que a mensagem de On The Ground brilha.

De forma dialética, ao dizer que tudo que precisa está no chão, Rosé procura se apropriar da solidez em suas relações sociais. Mas não somente com outras pessoas. Um destaque, visível no clipe, é o enfoque em sua relação com a fama e consigo mesma (o seu nome “Roseanne” aparece logo após “Rosé” ser escrito no espelho e, ao final do clipe, a Rosé do piano, que acredito ser a artista dentro dela, compartilha um momento com a Rosé de vestido, sua persona idol). A própria fama de qualquer ídolo (seja no modelo idol ou não) possui esta mesma liquidez que Bauman descreve das relações sociais, então, quando Rosé nega este tipo de estética e mensagem disformes, ela consegue entregar algo mais profundo e muito mais relacionável do que qualquer música do BlackPink até aqui, mesmo a faixa não sendo tão marcante musicalmente (até porque ela participou da composição das duas faixas do lançamento).

Afinal, quantos de nós não precisamos nos lembrar do que conquistamos agora? Das pessoas que conseguimos compartilhar momentos nesta quarenta? Do nosso “chão”?

Completando o “álbum” (nem zoei que nem o “álbum” da Sunmi, porque isto é TÃO TÍPICO da YG… Dá até raiva), temos GONE, que vai de forma mais fiel ao pop acústico (até porque não foi produzida pelo Teddy), lembrando muito algum momento mais emotivo de qualquer álbum da Taylor Swift ou da Avril Lavigne. Considerando que ambas tem este caráter de singer-songwriter que é bem apelativo com adolescentes, é natural Rosé seguir neste direcionamento mesmo.

Apesar da b-side ser mais gostosinha de ouvir que o single, achei a letra bem mais lugar comum, falando sobre superar um relacionamento amoroso (como se 60% das faixas “girlpower” do k-pop não fosse sobre isto…). Já que a YG entrega o mínimo de músicas possível, que pelo menos fizesse uma boa seleção só pra entregar as mais impactantes… Mas, né, como a última vez que esta seleção aconteceu de verdade foi em 2012 (em que o único lançamento do 2NE1 do ano foi a épica I Love You), nem chega a surpreender negativamente…

On The Ground não chega a abalar estruturas ou ser um marco de 2021 pra quem acompanha vários cantores e grupos de k-pop. Porém, sem dúvidas, é um dos grandes lançamentos mais frágeis e profundos que tivemos. E é aí que ele tem grandes chances de se destacar. Talvez não na mesma medida, mas a sensação que a faixa traz é semelhante a de Zombie, do Day6 ou de Sometimes I Desperately Want To Be Sick e Look Like You Have a Natural Bent do Poetic Narrator do ano passado. E, considerando o quão popzinho e “raso” um grupo como o BlackPink costuma soar, é algo bem gratificante de ser ver.

12 comentários em “On The Ground, Rosé: A força de uma faixa bem contextualizada

  1. Só eu que fiquei com uma vibe Avril Lavigne em inicio de carreira, não que eu ache ruim, amo as musicas dela. Não esperava gostar tanto dessa musica, parabens Rose, vc me pegou.

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  2. Primeiro, aqui não é a segunda fase da FUVEST para vc socar um Sigmund no meio, eu ainda tô me recuperando da prova de genetica de ontem hahaha

    Segunda, tirando a parte do drop, que para mim tinha que ser essa mulher soltando os berros estilo Taylor Swift, a música tá boa, só o hype do MV ser o mais caro da YG que não entendi. Mas levando em conta a quantidade de flores e o desmatamento do que tinha de floresta em Seoul, não acho difícil

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    1. Veio naturalmente enquanto eu tava escrevendo kkkk Depois que eu li percebi o quão fuvest ficou 😅🤣

      Acho que se tivéssemos um berros teria ficado ÓTIMO, mas curti o drop sim… Fez até uma ligação com o que associamos com o BlackPink, mas ainda dando uma identidade pra Rosé…

      Mas esta do clipe eu não sabia x.x Será que foi por causa do carro pegando fogo?

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      1. Acho difícil ser apenas pelo carro pegando fogo (G alugou um tanque lotado de espelho refletor para Ddu-Du ddu-du, impossível não ter sido caro… Além do mais, os MVs do iKon tem mto carro pegando fogo, não deve ser caro fazer isso hahaha), teve um CGI ali no meio, e aquele monte de flores, que são bem caras

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  3. Cara, isso é digno de uma redação nota 1000, vc conseguiu tirar uns negócios associando várias coisas que até fiquei impactada e fui ver o mv de novo😁

    Da Rosé eu esperava algo mais lúdico (naquela pegada de um take de “how you like that”, que foi extremamente mal aproveitado, naquele buraco lá com uns galhinhos e taus). Mesmo sendo algo mais profundo, com uma mensagem por trás, ainda n consigo desvincular essa música do grupo em sí (parte da culpa foi do drop, porque até então a música tava uma delícia). Acho q se no mínimo o refrão fosse cantado, esse plot seria mais memorável, sabe.
    Espero que a Rosé se destaque no estilo que ela resolver seguir, mas eu queria muito ver ela brilhar em um estilo próprio, do tipo, a gente ouvir e pensar “isso e tão Rosé”. Ela é de longe a mais esquecida do grupo, todas tem meio q seus futuros “definidos” (se resolverem permanecer na indústria).

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    1. Ai brigado xD Eu fui brisando depois de ver o clipe e engatei o modo redação de vestibular kkkk

      Seiiii, acho que o direcionamento da YG estava com medo de fugir muito da sonoridade do grupo, então fizeram o possível pra Rosé sair solo, mas, ao mesmo tempo, não ser tão desconectado assim (Solo-lo-lo-lo também tem um pouco esta característica pra mim). É aquilo né, quem gosta de BP vai amar, quem tem ressalvas continuará com elas… No meu caso, se não fosse minhas reflexões em cima da letra, ia acabar passando batido mesmo kkkk

      Nossa, ia ser muito legal se ela tivesse algo assim. A trajetória dela me lembra muito a da Bom do 2NE1 e a da Taeyeon no SNSD. Ambas eram vocalistas que não gostavam tanto do direcionamento musical dos grupos que estavam, mas acabaram, dentro dele, desenvolvendo um estilo próprio (a Tae ama um Neosoul e a Bom explode corações com power ballads eletrônicas). Acho que, do jeito que o nome de todas do BP estão em alta, só se vier uma polêmica, porque se ela quiser, vai conseguir se lançar como cantora tranquilamente (mesmo que seja uma cantora indie neozelandesa mesmo, fora do k-pop).

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  4. Nossa, tu fez uma explanação ali da letra que fiquei uau. Sério, nem tinha entendido tão profundamente assim a letra.
    Sobre On The Ground, eu esperava mais porque no teaser parecia bem legal e eu teria adorado se ela tivesse lançando algo meio pop rock. Achei aquela parte da batidinha muito destoando do restante e a música não gruda do jeito que esperava. O mv é bonito, ela tá linda, mas a yg já lançou coisa mais impactante.
    Já Gone eu gostei muito, pela voz dela cantando, ficou uma forma intimista. Não é aquela balada poderosa, mas é tão gostosinha de ouvir.
    Acredita que nesses tempos a Rosé passou a chamar a minha atenção? Porque a sensação que tenho é que ela é a mais esquecida no churrasco em comparação com as três_ tanto na mídia em geral como dentro do fandom_ e como eu gosto daquela coisa de gente esquecida por me identificar na época de escola. E sem falar que a Rosé desenha, toca violão, sabe falar as duas línguas e tem um jeitinho meio romântica roqueira. Eu esperava um mini dela emulando a Avril Lavigne dos anos 2000, e tocando violão ou guitarra.

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    1. Então, o bom de letra em inglês é isso kkkk O dia em que eu fiz este post eu estava particularmente inspirado xD (e eu gosto de analisar letras de música, então kk)
      Acho que se fosse um pop rock no nível de Ugly (pra pegarmos uma referência da própria YG) teria ficado ÉPICO, mas, né, com certeza eles ficaram com receio de não vender muito bem se saísse da sonoridade blackpinkesca (até hoje Lovesick Girls me choca, porque a melodia é bem diferente do safe delas o.o).
      Todo mundo tá falando tão bem de Gone que tô até querendo escutar mais algumas vezes pra ver se curto mais kk Quando eu escrevi, estava bem pilhado na letra e achei a letra de Gone tão lugar comum que fiquei meio desanimado com a faixa…
      Sério? Eu sempre achei que a esquecida no churrasco era a Jisoo. Na época do debut, minha irmã era fanzona dela e da Rosé, então ela me mostrou várias entrevistas em que ela já mencionava o desejo de cantar solo (teve que esperar tanto) e de fazer música infantil!!! o.o Tenho um pouco desta simpatia por underdogs também (acho que até por isto eu fui ouvir este debut solo com mais vontade do que o da Jennie, por exemplo)… Não sabia que ela desenhava (que legal ^^), mas acho que ela se daria super bem na vibe roqueira romântica… Ela tem tudo pra entrar no espectro singer-songwriter e ficar entre Taylor Swift e Avril Lavigne, um EP desses seria sensacional (mas acho que ele só vai acontecer quando ela sair da YG…)

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