I’m Not Cool, HyunA: Valeu a pena depois de tanta espera?| Album Review 008

Mais uma review do cronograma pro mês de março dando as caras no blog, yay!!! Se na semana passada vimos o (agora polêmico) We Best Love no lado BL do Aquário, agora, voltamos as raízes (no início, o blog tinha SÓ ALBUM REVIEW… Me matava pra escrever tudo kkk) e analisamos o EP que marcou o retorno da Boa Garota Menos Legal da Coreia: HyunA!!!

HyunA "I'm Not Cool" to be released on January 28th, today - MHN

Não vou esconder nem um pouco que HyunA é, de longe, a minha solista preferida de todos os tempos. Nenhuma cantora conseguiu me cativar por tanto tempo desde quando a descobri (no caso, em 2011 com Bubblepop) e nenhuma conseguiu se mostrar tão multifacetada sem forçar a barra.

Em algumas entrevistas, HyunA disse que I’m Not Cool é como um pequeno diário destes últimos três anos desde que ela saiu da Cube Entertaiment, com toda a “polêmica” de namoro com o Dawn nas costas. Mostrando tanto seu lado mais espevitado e cômico quanto seu lado mais indie e conceitual, este foi um comeback que demorou pra acontecer (inclusive porque Good Girl ia ser lançada em 2020 mas acabou sendo adiada por razões de saúde da cantora) e que, para os fãs, carregou um contexto incerto para o que se poderia esperar da HyunA enquanto cantora e performer depois de mais de dez anos de carreira solo (SIM, Change é de 2010!! o.o’).

A primeira página deste diário é o single I’m Not Cool. A faixa, em si, traz todos os maneirismos que já vimos em vários dos lançamentos que miraram no moombahton, gênero musical conquista cada vez mais o tiktoker coreano, com um pouquinho mais de sintetizadores pesados a la ITZY. O resultado final é a trilha sonora de uma aula de zumba (o que a coreografia frenética sugere também…), num tipo de música que poderia ser lançada por qualquer um que quisesse apelar para a geração atual de capopeiras.

O que diferencia, no caso da HyunA, é como ela envelopou esta sonoridade da modinha, trazendo um acompanhamento visual e uma letra autorreferencial bem divertidas e debochadas, como a HyunA vem fazendo quase sempre desde o bunda de macaco concept de Red.

Na letra, escrita pela HyunA, pelo Dawn e pelo Psy, ela fala sobre sua persona extrovertida enquanto pontua o quanto é perfeccionista e encucada com sua própria carreira, como muitas vezes ela não consegue ficar satisfeita com as coisas que faz e como está tudo bem em si sentir assim. Existe uma certa onda de positividade rondando estes tempos, que promovem uma certa perfeição e produtividade o tempo todo (o Youtube e o Instagram estão cheios disso) e I’m Not Cool dialoga com isto quando HyunA alega “não ser legal”, ou seja, não estar nos conformes, ter dias bons e maus, errar, se arrepender e procurar não se culpar por isto. Afinal, ela termina a faixa dizendo que adora e si mesma e nós devíamos nos adorar também.

Watch: HyunA Says “I'm Not Cool” In Colorful Comeback MV | Soompi

É curioso porque a persona que a HyunA traz nesta letra é uma figura ambígua em dois pontos de perspectiva: como ela própria se vê e como o Psy e o Dawn veem ela. A própria disse que gostou de uma das linhas que o Dawn escreveu sobre seu humor volátil (que parece mais uma crítica se você olhar com atenção kk), mas decidiu cantá-las como se estivesse se autobajulando.

O clipe, por sua vez, parece trazer um amálgama de vários lançamentos diferentes da HyunA no decorrer de sua carreira: as referências egípcias de Red estão lá, as flores de Flower Shower também, a biscoitagem gratuita de How’s This, a prepotência cômica de Cause I’m a God Girl, o piranhaegyo colorido de Ice Cream… Posso estar exagerando como fã, mas é como se ela estivesse homenageando a própria carreira enquanto abraça de vez esta nova fase enquanto performer e cantora (porque enquanto modelo, quem segue ela no instagram sabe o tanto que ela já posa diariamente pra não sei quantas marcas x.x’).

Na segunda página do diário, temos a ansiada Good Girl, que é basicamente, uma versão melhorada e mais original de I’m Not Cool.

Deixando a modinha um pouco de lado, a faixa traz um bubblegum pop bem agitado que, mesmo que tenha sintetizadores mais pesados e industriais, foca muito mais num clima upbeat de Summer Hits Non Stop, muito por conta da voz anasalada que HyunA coloca no decorrer de praticamente toda a faixa. De acordo com a própria, que escreveu sozinha a letra, Good Girl é um presente pros fãs e pra si mesma, procurando ser aquele tipo de música pra levantar seu astral e fazer você se sentir bem consigo mesmo. Isto faz bastante sentido, já que este tipo de sonoridade e estilo é EXATAMENTE o que qualquer pessoa que acompanha a HyunA esperaria como single.

O clipe traz a persona da cantora em xeque de várias formas diferentes: com a cabeça na caçapa de bilhar, sendo perseguida pelos mouses de computador cof cof netizens, numa colher prestes a virar cereja de um bolo, numa nevasca (que, pela letra, representa como a sua personalidade pode ser fria)… É um jogo visual bem interessante de se assistir e que realmente acrescenta um toque divertido à letra.

Esta, por sua vez, traz praticamente a mesma mensagem de I’m Not Cool: ela não é a “garota legal”, ela procura sempre fazer o que quer, inspira ser como seus ídolos (no caso, Marilyn Monroe, o que é uma persona que combina bastante com o jogo sexy e, ao mesmo tempo, jocoso que a HyunA flerta em sua carreira) e que você deveria é fazer o mesmo.

No fim, por Good Girl ser infinitamente mais marcante e mais “a cara da HyunA” do que a modinha de moombahton, I’m Not Cool soa apenas redundante, tanto em mensagem quanto em estética, parecendo ser, assim como no comeback do ShiNee, só um single mais safe pra garantir um apelo com a nova geração de fãs de k-pop.

Watch: Hyuna returns in 'I'm Not Cool' video teaser - UPI.com

Show Window continua o diário com o que HyunA descreveu como “uma música que carrega solidão ou sentimentos que estão escondidos por detrás da minha imagem glamorosa”, sendo composta por um amigo para ela.

A faixa fala de um momento mais vulnerável, no qual ela diz se sentir como uma boneca numa vitrine, não conseguindo expressar sua solidão e tristeza quanto ao julgamento de seu interlocutor, por conta da própria máscara que sua persona idol traz. Esta é uma mensagem bem impactante e que faz bastante sentido considerando todos os perrengues que ela passou na Cube mesmo sendo uma veterana na indústria e tendo dado lucro o suficiente para a empresa sair do vermelho depois que o CEO foi preso por corrupção.

Melodicamente, Show Window é um número de R&B bem criativo, recheado de elementos e leves sintetizadores que brincam com o trap, mas não chegam a se comprometer fielmente com o gênero. É um ótimo exemplo daquelas músicas melancólicas de rap, que apostam numa batida mais calma para uma performance vocal praticamente falada, que traz um caráter confessional perfeito para letras mais íntimas e bad vibe.

A faixa lembra muito, em estilo, o que eu gosto de chamar de “lado indie” da HyunA, muito presente, principalmente, nas b-sides melancólicas do A+ e do A’wesome.

Party, Feel, Love foi escrita e produzida com participação do Dawn, que divide as linhas com a HyunA. A faixa mantêm o R&B calmo e criativo com leves influências de trap, mas traz um clima mais sombrio (principalmente na intro e no pós-refrão, com sintetizadores que parecem notas processadas de órgão de igreja). Curiosamente, a faixa fala sobre os dois se curtindo e partindo para os finalmentes (como o Lunei bem falou no post dele sobre este comeback “eles fazem sexo, você não” kkk). A voz da HyunA tá tão fininha no pós-refrão que ela parece que tá gemendo, o que contrasta de uma forma sinistra com o instrumental e aumenta ainda mais a impressão de que os dois estão em um momento privado entre quatro paredes, como a letra sugere.

É, basicamente, uma música pra ativar a sua libido e soa como as melhores b-sides de divas atuais do R&B norte-americano, como a SZA ou a Ari Lennox.

Por fim, o EP se encerra com reciclagem do primeiro single da HyunA na P Nation, Flower Shower, de 2019. Apesar de eu achar essa reutilização meio forçada (poderíamos ter pelo menos mais uma b-side 😅), a posição dela logo depois dos R&Bs ficou ótima e aumentou o replay factor instrumental criativo e diferentão da faixa.

Composta pelo próprio Psy e escrita com participação da HyunA, a faixa faz referência a expressão coreana “andar um caminho de flores”, que significa desejar a alguém uma jornada próspera e feliz. É como se o Psy estivesse dando sua “benção” nesta nova fase da carreira da HyunA em sua empresa, o que é um subtexto muito legal de se ver, considerando todo o hate que ela e o Dawn receberam em 2018…

De caráter quase que experimental, a faixa é um pop mínimo, com diversos elementos comuns ao eletropop, ao trap e ao hip-hop, com drops, mudanças súbitas no tempo da música e refrão sem letra. Porém, ao invés da barulheira de sempre, Flower Shower traz sintetizadores muito sutis e leves, criando uma camada praticamente invisível por detrás dos raps anasalados da cantora. É uma construção interessante e meio única de se observar no k-pop, sendo um movimento bem interessante de sonoridade por parte da HyunA e uma evolução praticamente natural do “lado indie” que vimos em destaque com Babe, em 2016.

O clipe e a letra, por sua vez, utilizam a analogia da expressão coreana para dialogar com o backlash que a cantora sofreu, conforme se compara com uma flor que chama a atenção de todos no jardim. Ela não reclama da atenção, mas critica de forma bem humorada como as pessoas a criticam, fazendo uma analogia com a primavera e o desabrochar da flor. Os acontecimentos mais baixos em sua carreira (como, por exemplo, o fim do 4Minute e a saída da Cube) são como o inverno: ele faz a flor murchar, mas isto não quer dizer que ela jamais irá florescer novamente, a primavera tá logo ali. É uma analogia bem inteligente que traz uma desculpa ótima pra termos um clipe LINDO cheio de flores (que a própria HyunA foi comprar a partir de um orçamento limitado, como ela mostrou no seu canal do youtube) que difere bastante da estética mais “plástica” e artificial que permeia praticamente todos os seus clipes.

Não é uma das minhas músicas preferidas e bem que poderia ter um refrão, mas é certamente um dos singles mais ousados sonora e esteticamente que a HyunA já fez.

ХёнА представила тизер, описывающий концепцию ее предстоящего седьмого  мини-альбома | YESASIA

I’m Not Cool não chega no nível de A’wesome em excelência apesar de ambos compartilharem singles mais ou menos. Mas contudo entretanto todavia, mais da metade do EP é bem aproveitável e diversa (Good Girl, Show Window, Party Feel Love) conseguindo, em um número limitadíssimo de músicas, mostrar praticamente todos os lados da persona da HyunA: seja ela sexy, espevitada, cômica, reflexiva, empática e por aí vai… Foi uma seleção bem pontual pra trazer o melhor das possibilidades depois de tanto tempo sem comeback e, apesar de eu ter ficado decepcionado de isto não ser um full album como os boatos sugeriam, o EP é uma ótima adição a discografia dela (ainda mais por Good Girl e seu clipe eclipsarem I’m Not Cool quase que completamente), conseguindo manter seu nome relevante no contexto musical coreano e, de quebra, ser um recorde de vendas de álbum na sua carreira (o que um single mais genérico não faz kkk).

O Aquário Hipster também tem Twitter!! Segue lá se quiser acompanhar surtos e comentários aleatórios de k-pop e BLs, com tweets ocasionais de artes e reflexões político filosóficas: @AquarioHipster

5 comentários em “I’m Not Cool, HyunA: Valeu a pena depois de tanta espera?| Album Review 008

  1. Eu lembro que tinha ficado super empolgado quando anunciaram o comeback, dai mais animado ainda quando pensei que seria um Full Album, mas dai descobrimos que não era… Dai fui ouvir I’m Not Cool e eu achei muito chata (desteto moombahton), mas sinceramente eu AMEI Good Girl fazia muito tempo que não me viciava tanto em uma musica da HyunA, espero que ela volte ainda esse ano… Nem que seja fazendo algum Feat com alguém da empresa. Adorei o Review, deixa eu te pergunta alguma chance de sair algo do Querencia aqui no blog???

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    1. Ai, eu também… Tá tão no hype que se ela tivesse lançado Good Girl no ano passado como previsto, certeza que entraria no TOP10 de 2020 kkkk I’m Not Cool é aquelas né? Acho que o moombahton ficou muito popularzinho e já tá soando genérico (não que eu tenha muitos amores pelo gênero também)
      Seria MUITO LEGAL se ela voltasse esse ano, capaz de rolar um feat com a Jessi, quem sabe? xD
      Fico feliz que tenha gostado 💖 Então… Como Querencia é GIGANTE fiquei meio receoso de já colocar no calendário de reviews… A próxima é do álbum do ShiNee e depois vou escolher os dois álbuns pra abril. Como não teve nenhum SUPER álbum em março (pelo menos que eu me lembre agora kkk), é capaz de Querencia dar as caras sim ^^

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  2. Aa good girl é a cara escrita da Hyuna, não tem por onde kkkkk
    Ela tem uma história linda no kpop, e quero ver ela lançando mais babados esse ano, só isso que eu peço. Na época de verão, vai que o combo do Sistar e da Hyuna no mesmo período não seja ser uma maravilha?😁

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    1. A HyunA é incrível, tipo, os pais dela acreditavam nela, ela acreditava em si mesma e foi tipo “podem jogar confeti que eu vou responder a altura”… A trajetória dela de Change pra Cause I’m a God Girl é tão épica que é até estranho ela não ser tão lembrada em meio as solistas capopeiras aqui no ocidente… Nossa, SERIA MUITOO, não sei se rola, mas pelo menos um single solto poderia rolar… Esse verão coreano precisa ser reapropriado pelas summer divas kkkk

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