A Tale of a Thousand Stars: O que podem nos oferecer além do romance? | BL Review

Depois de muito hype, muitos problemas de produção e atrasos na data de estreia, A Tale of a Thousand Stars terminou sua exibição nesta sexta-feira (02/04) encerrando o primeiro BL dos quatro que a GMMTV planeja para 2021. Com a proposta de ser algo além da trama romântica universitária comum ao gênero (formato popularizado pelas próprias produções de BL da produtora nos últimos cinco anos), vamos conferir quais foram os acertos e quais foram os erros na jornada de Tian na fronteira norte da Tailândia?

A Tale of a Thousand Stars (ou 1000stars, pra abreviar) é a adaptação de uma novel BL de Bacteria, contando a estória de Tian (Mix Sahaphap), um rico estudante de engenharia sem perspectivas na vida por ter uma saúde frágil, que, após passar por uma cirurgia de transplante de coração, se voluntaria como professor infantil numa pequena vila em Chiang Mai, ao norte da Tailândia, como forma de realizar o sonho da doadora de seu novo coração, Torfun (Aye Sarunchana), que morreu em um trágico acidente. Lá, além de ter de se adaptar a um estilo de vida completamente diferente, ele também conhece Phupa (Earth Pirapat), líder dos guardas florestais da região, que era bem próximo de Torfun, e passa a se aproximar cada vez mais dele e da vila…

Como sempre, para conseguir equilibrar a leitura de quem nunca viu o dorama e quem viu, eu vou primeiro fazer uma análise sem spoilers e, depois de um aviso, eu entro em especificidades da estória e dos personagens (assim não estraga sua experiência se você curtiu a ideia do dorama e ficou com vontade de ver, ou se você ainda não acabou de assistir) ^^

A grande diferença entre este BL e todos os outros da GMMTV está além do cenário, da idade dos personagens ou das dificuldades na produção: a estrutura da estória é completamente diferente da trama romântica. 1000stars foca, ao invés de em um casal (ou mais), em APENAS um personagem: Tian, e é nele que toda a estória é centrada e encontra sua progressão.

Isto já traz um tipo de narrativa bem diferente para o fandom de BLs, sejam unicamente os tailandeses ou não, porque a tensão romântica que ocorre entre o casal principal (Tian e Phupa) é sempre colocada sobre o viés de crescimento do personagem do Tian. Ou seja, espere muito mais por evolução deste personagem do que da relação romântica deles.

Por ter mais “tempo de tela” e menos personagens com um grande aprofundamento, 1000stars mergulha fundo na psique de seu protagonista e o coloca dentro da típica jornada do herói (um conceito de estórias ficcionais cunhado por Joseph Campbell ao estudar inúmeras culturas e mitologias diferentes), juntando-o com aliados e inimigos até o confronto final entre ele e seu estado no início da narrativa (na parte com spoilers eu vou dissecar esta estrutura fase por fase).

O dorama consegue equilibrar um caráter de calmaria e cenas visualmente agradáveis da província de Chiang Mai com lições de vida profundas e questionadoras sobre as relações humanas e nossa auto percepção. É um combo bem interessante, porque cada episódio traz sua reflexão ao mesmo tempo que o dorama em si não soa “pesado” ou “denso demais” como obras neste sentido podem soar (eu mesmo ainda não vi I Told Sunset About You porque acredito que é um dorama mais profundo e eu tenho que estar com cabeça pra isso kkkk). Assim, ele traz um ótimo equilíbrio e consegue ser uma boa “escapada” do mundo real nestes tempos de caos sem necessariamente parecer uma fanfic mal escrita (como alguns BLs por aí…).

E, talvez o caráter mais agradável da narrativa, é que todos os personagens parecem pessoais reais. A verossimilhança foi extremamente bem executada e vemos vários tipos de relações humanas se formarem entre o protagonista e aqueles que o cercam. Não há muito espaço para os arquétipos típicos dos BLs (como, por exemplo, o “seme” e o “uke”) ao mesmo tempo em que há relações muito bem trabalhadas que fogem unicamente do romance (como a sensação de pertencimento, a culpa que depositamos sobre nós mesmos, amizades…). Apesar de alguma pequena escorregada no final, o dorama consegue fugir da casinha e entregar tudo que promete em seu trailer com maestria, sendo uma ótima pedida pra quem quer assistir algo diferente do clichê, mas que não tenha uma carga muito pesada ou pseudo-conceitual.

Agora, começa a sessão de SPOILERS depois da imagem abaixo, então, se você quer ficou interessado em assistir e não quer pegar SPOILERS por causa do post, é só parar por aqui (ou descer até o último parágrafo de conclusão, se quiser).

A jornada do herói é definida a partir de, mais ou menos, doze fases divididas em três atos, consistindo no crescimento pessoal do herói na estória e no mundo que o cerca (esta estrutura, inclusive, consegue ser aplicada em praticamente todo tipo de estória que segue um protagonista, como, por exemplo, Harry Potter, Star Wars, O Mágico de Oz, Naruto, Rei Leão…).

  • PRIMEIRO ATO
    • Mundo Comum
    • Chamado à Aventura
    • Recusa do Chamado
    • Encontro com o Mentor
    • Travessia do Primeiro Limiar
  • SEGUNDO ATO
    • Provas, Aliados e Inimigos
    • Aproximação da Caverna Secreta
    • Provação
    • Recompensa
  • TERCEIRO ATO
    • O Caminho de Volta
    • Ressurreição
    • Retorno com o Elixir

Para analisar o dorama, eu vou usar esta estrutura como base e vou explicando cada uma no decorrer do texto.

No PRIMEIRO ATO, somos inicialmente apresentados ao Mundo Comum, ou seja, a situação inicial e padrão do protagonista. Geralmente, esta apresentação é rápida no decorrer da trama, mas é significativa ao ponto de você conseguir criar um contraste entre este contexto inicial e a primeira transformação que ocorrerá na estória. Desta forma, é mostrado como é a vida do herói até a narrativa começar de fato.

Em 1000stars, este momento é quando vemos Tian esbanjando seu dinheiro e posição, sem se importar muito pela sua vida ou pela dos outros. Foi bem interessante conseguirem começar a estória assim sem ficar com receio de perder a atenção do espectador (a primeira parte do primeiro episódio no youtube tem quase MEIA HORA de duração acredito que por isso). E, mais ainda, estes rápidos minutos foram essenciais para entendermos a transformação do Tian e, principalmente, para dar profundidade ao conflito final lá nos episódios 9 e 10.

As cenas de Bangkok são, de longe, o ponto mais fraco na cinematografia do dorama. Seja logo aqui no começo ou no final, os cenários são claramente limitados e meio repetitivos, o que acabou realçando a beleza natural e o grande espaço aberto de Chiang Mai. Não acredito que tenha sido 100% de propósito (afinal, com o tanto de problemas que a locação da vila teve, a última coisa que a produção deve ter se preocupado foram com as cenas de Bangkok), mas criou uma linguagem visual bem interessante, que mais transmite a diferença entre os dois ambientes do que diz.

E, com o acidente de Torfun e a cirurgia de Tian (genialmente mostradas sem muitas cenas no começo para brincarem com este mistério nos episódios posteriores), temos o Chamado para a Aventura no qual Tian começa a se questionar sobre o valor da própria vida. A ideia de ir até Chiang Mai não surge de imediato, mas vai crescendo lentamente conforme ele vai pesquisando mais e mais sobre a doadora (misteriosa, em grande parte, para nós que estamos assistindo também), culminando na descoberta de seu diário (muito lindo por sinal… Dá vontade de costurar um nome daqueles na capa do meu BuJo também kkk).

Uma coisa que, querendo ou não, a GMMTV sempre soube fazer (pelo menos nos doramas dela que vi) foi equilibrar quando a trama vai de fato acontecer (ou seja, quando o evento desencadeador, o “chamado para a aventura”, geralmente já escrito na sinopse, ocorre). Nunca é logo no começo, mas nunca passa do final do segundo episódio. A direção da produtora é muito on point neste quesito (o que acredito ser um dos grandes motivos para muita gente acabar vendo pelo menos uns três ou quatro episódios dos doramas dela se curtiram a premissa da série) e novamente aqui, ela não falha, dando a introdução suficiente para a estória não ficar corrida demais sem enrolar muito e ficar maçante.

A Recusa do Chamado, na realidade, não parte do herói em si, mas da família dele. Teerayut (Ton Jakkrit) e Lalita (Jeab Paweena), pais de Tian, são os que o obrigam a recusar o chamado, mesmo sendo este apenas curiosidade. É mostrado um caráter sufocante na relação do garoto com sua família, principalmente com sua mãe, que tem um certo caráter de complexidade, envolvendo a posição política e financeira da família e a própria preocupação com o bem-estar do Tian, que sempre teve a saúde frágil. Isto foge do simples arquétipo de bem e mal, ganhando uma profundidade ótima que me fez dar razão para a mãe dele nos primeiros episódios, mas ficar totalmente contra nos últimos. O caráter de verossimilhança em ambos os personagens é muito bom até o último episódio (aí eles dão uma escorregada, mas logo a gente chega lá kkk).

REVIEW: A Tale Of 1000 Stars - EP.2

O Encontro com o Mentor envolve uma figura mais velha e mais sábia que guia o protagonista na sua jornada quando necessário. Geralmente, ele assume um caráter bem claro e óbvio (Dumbleodore, Obi-Wan, Glinda, Kakashi/Jiraya e Rafiki, pra citar os mentores das obras que mencionei lá em cima), porém, em 1000stars, ele é uma figura sutil, assumida por dois personagens: Sr. Minai (Nu Surasak), o professor da fundação que coordenada a ida de professores voluntários à vila, e Khama (Thanom Witaya), o chefe da vila. O primeiro é quem guia e aconselha Tian a aceitar o chamado a aventura, o papel arquetípico deste personagem, e o segundo é quem o guia durante a aventura em si. Ambos são muito importantes e trazem as lições de vida que o dorama transmite a audiência, como falei na parte sem spoilers, como um conselho para os personagens em seus dilemas.

E, assim, Tian, aceita o chamado a aventura, saindo do Mundo Comum de sua vida em Bangkok para o Mundo Especial da vila em Chiang Mai na Travessia do Primeiro Limiar, sem a possibilidade de voltar atrás. É agora que a trama de fato começa e o herói passa a crescer enquanto pessoa e personagem, encerrando o primeiro ato.

A Tale of Thousand Stars - ORIENTAL LINE

No SEGUNDO ATO temos todo o desenvolvimento e preserpadas do Tian na vila. Somos lentamente apresentados ao Mundo Especial conforme nosso herói passa por provas e conhece aliados e inimigos. É importante notar que, a partir daqui, as interpretações da jornada do herói são mais vagas, principalmente em uma estória com vários conflitos como a de 1000stars.

Os grandes desafios de Tian em sua jornada são, essencialmente: (I) se adaptar a vida na vila, (II) a ameaça constante do Sakda (Nong Thanongsak), (III) compreender a própria sexualidade, (IV) conquistar uma liberdade da influência dos pais e (V) parar de se culpar pela morte da Torfun. Todas estas provações podem ser interpretadas, cada uma, dentro da macroestrutura da jornada do herói. Porém, acredito que o foco do dorama, no sentido de progressão da jornada do Tian, está principalmente nos pontos II, IV e V, fazendo com que os pontos I e III estejam dentro desta fase inicial do segundo ato.

A fase de Provas, Aliados e Inimigos é, de longe, a maior e mais abrangente de qualquer narrativa. É aqui se encontra o core da estória, as cenas que aparecem nos trailers, o aprofundamento que nos faz ver os personagens como pessoas reais e não apenas arquétipos. Então é neste ponto que os personagens que aparecem em grande parte da narrativa são apresentados.

O primeiro, e mais importante, considerando o arco romântico, é Phupa. Um dos problemas na adaptação do livro para dorama é que, nas páginas, ele é do exército e não um guarda florestal. Colocar isto nas telas seria bem tenso, visto que a situação política na Tailândia está bem complicada, pra dizer o mínimo (houve dois golpes de estado nos últimos vinte anos, um em 2006 e outro em 2014. Atualmente, o país está sobre o governo ditatorial de uma junta militar, com restrição a direitos humanos e aprisionamento de pessoas contrárias ao governo. Movimentos sociais contra o governo ocorrem desde sempre, mas eles tiveram um boom de impacto e força no ano passado. Se quiser acompanhar este processo, segue a conta Latin Americans Support Thai Democracy no Twitter, que eles vão atualizando sobre o andamento dos movimentos sociais pró-democracia). Então a ÚLTIMA COISA que a maioria do público tailandês quer ver são “soldados bonzinhos”, sem contar que, assim, ninguém da GMMTV ou que está envolvido na produção do dorama sofre risco.

Ao tornar o Phupa um guarda florestal, afasta-se um pouco do âmbito político e deixa mais forte ainda a crítica de caráter ecológico. Como todo arco romântico que se prese, Phupa é um certo contraste a figura do Tian: enquanto o professor é mais sensível e extrovertido, o guarda mal mostra seus sentimentos e é bem tímido. Eles seguem um pouco a trope de enemies-to-lovers, mas é de uma forma bem leve, que inclusive, é resignificada ao final da trama, quando descobrimos que Phupa estava trabalhando para o pai do Tian desde o começo.

Esta escolha narrativa foi sensacional. Por um lado, ela deixa menos “esquisito” o fato de que o capitão dos guardas florestais tem tanto tempo livre assim pra ficar brincando de casinha com o professor voluntário. E, por outro, ela deixa a relação romântica dos dois muito mais madura e notável.

Lembra o que eu falei há alguns parágrafos atrás? Um dos desafios do Tian é “conquistar uma liberdade da influência dos pais”. E, de todas as pessoas que ele encontra, Phupa é o primeiro que, apesar de conhecer o poder e influência de sua família, não julga Tian diferente de qualquer outro professor que vai lá. Ele começa não levando o Tian a sério, criticando, inclusive, como muitas pessoas de classes mais abastadas entram nesse ramo voluntário por um curtíssimo período de tempo só pelas aparências, e, vai, aos poucos, curtindo passar tempo com o menino. Depois, ele fica desconfiando, acreditando, até, que ele possa ser algum namorado ou parente da Torfun (essa jogada narrativa foi demais, porque, realmente, se qualquer um estivesse no lugar do Phupa e tivesse o mínimo de informações que ele tem, iria partir pra esta conclusão). E aí, conforme é revelado que ele nunca retribuiu os sentimentos de Torfun (deixando bem claro que ele é gay mesmo), percebemos como ele vai se apaixonando por Tian e querendo se aproximar do professor cada vez mais.

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Eu amei este momento, apenas kkk

A sexualidade no dorama é trabalha com um cuidado fenomenal (se formos comparar com o padrão de BLs da GMMTV). Isto, claro, tem relação com o diretor da série (Aof Noppharnach) ser homossexual e ter entrado no ramo dos BLs após participar como roteirista da segunda temporada de Gay Ok Bangkok, um webdrama LGBTQIA+ (fora do nicho BL). E aí que se mostra a importância de representatividade nos bastidores. Grande parte dos BLs que estão conseguindo mostrar relacionamentos LGBTQIA+ mais verossímeis tem a participação de pessoas LGBTQIA+, seja atuando, dirigindo, roteirizando…

Uma das minhas cenas preferidas do dorama é justamente neste contexto, onde o enredo brinca com a possibilidade de uma premissa muito errada que poderia ser passada pela estória (a de que o Tian começou a gostar do Phupa porque ele recebeu o coração da Torfun, que também gostava do guarda). Em um bate-e-volta com Tian e seu melhor amigo, Tul (White Nawat), e Phupa e seu melhor amigo, Dr. Nam (Nammon Krittanai), conversando sobre a relação dos dois. É uma cena muito legal e verossímil sobre saída do armário e aceitação, onde fica estabelecido que os protagonistas são G-A-Y-S e é por isso que gostam um do outro, e não aquela palhaçada que aparece em um monte de BL por aí…

Inclusive, os personagens do Tul e do Dr. Nam são similares e tem funções narrativas bem parecidas. Ambos funcionam como conselheiros e alívio cômico para os dilemas de Tian e Phupa, respectivamente. Não são personagens muito profundos e nem pretendem sê-lo, então funcionaram bem como personagens de apoio que deixaram a trama leve e engraçada quando necessário. O papel do Nam como doutor até tem sua importância narrativa (até sugerem um conflito entre ele e o curandeiro local), mas isto não é explorado ao ponto de ser notável no dorama. O principal mesmo, neste contexto, é ele ser o recurso narrativo no qual Phupa descobre a verdade sobre o transplante antes do Tian contar pra todo mundo e só.

Um coadjuvante que tem mais aprofundamento que os dois é Longtae (Khaotung Thanawat). O personagem dele foi além das expectativas (o que eu amei, porque gosto muito do Khaotung desde 2gether xD), ultrapassando o mero papel de aliado ou rival romântico que sua introdução na estória sugeria. Inicialmente, eu achei que ia se desenvolver um triângulo amoroso entre ele, o Tian e o Phupa, como forma de manter a tensão romântica. Depois que eu percebi que este não era o caso, achei que ele fazer um casal secundário com o Rang (Drake Laedeke), um dos guardas que faz parte da equipe de Phupa, mas também não foi isto.

Na verdade, Longtae é a demonstração fática da ligação emocional que o Tian tem com a vila. Apesar de não saber tudo sobre o passado de Tian, Longtae é o primeiro na vila que não o julga de pronto (o Khama está no arquétipo de “velho sábio”, então ele não conta), sendo, por sequência, a pessoa na vila de quem o professor mais se aproxima. Eles começam como colegas e o Tian o toma como confidente. Foi INCRÍVEL ver como o Longtae foi trabalhado conforme a verdade foi lentamente revelada a ele. Primeiro, sabendo só da metade, ele perdoa o Tian e o encoraja a falar pra todo mundo. Segundo, quando ele descobre que o Tian também está relacionado com a causa da morte da Torfun, ele não perdoa de pronto, precisando de um bom conselho do Khama para dar o braço a torcer e aceitar os erros do amigo. Assim, ele soa mais como uma pessoa real (o fato de ele ter seus próprios objetivos com a faculdade e tals também ajuda) do que sua contraparte em 2gether também interpretada pelo Khaotung, Fong, que também tinha uma relação parecida com o Tine, mas soa muito mais arquetípico e bidimensional (inclusive, acho que se formos analisar 2gether, o Fong é que faz o papel do “velho sábio” kkkk).

A relação dos dois passa longe do romance, contornada por companheirismo e amizade, de uma forma bem incomum de se ver em BLs. Na fase da provação (logo chegaremos lá), quando os dois quase morrem e trabalham juntos para chamar os guardas florestais, vê-se uma ligação muito profunda e relacionável entre estes dois personagens, que é até mais forte do que qualquer amizade que costumamos ver em BLs, pois vemos ela se desenvolver ao longo da trama, ao invés de ela já ser apresentada estabelecida no começo, como o costume.

Os outros aliados de nosso protagonista são as crianças e os dois outros guardas florestais com um mínimo de falas, Rang e Yod (Champ Nattharat). Estes sete personagens criam uma conexão com o Tian, mas de uma forma bem mais superficial e geral do que a particularidade dos outros que mencionei aqui. Cada uma das crianças possui um arquétipo (exemplo: Kalae come demais) e é definida por ele conforme o Tian vai se aproximando delas: tem a menina que costuma, então ele vai aprender a costurar, tem o líder das crianças que precisa conquistar a confiança pra fazê-los assistir a aula e por aí vai… Cada uma destas provas são pequenos desafios de caráter mais ou menos episódico, que o aproxima das crianças e do seu papel dentro do Mundo Especial.

Os guardas florestais, por sua vez, funcionam principalmente como alívio cômico para a tensão que envolve o enredo (vamos lembrar que o dorama já começa com morte, são pontuadas as várias dificuldades da vida na vila, sem o mínimo de investimento público, com ameaças externas, ainda por cima) distribuindo esta responsabilidade entre mais personagens e, assim soando mais natural (ter um personagem só pra humor é um tiro no pé em qualquer narrativa mais longa, só filmes mesmo conseguem passar isso sem o personagem parecer totalmente desconexo da estória).

Quanto aos inimigos que surgem, temos, principalmente, a figura de Sakda como traficante e monopolista do comércio de folhas de chá e, no pano de fundo, o que seria o “fantasma da Torfun”, que corporifica o sentimento de culpa que o Tian carrega consigo mesmo.

Apesar de não ser uma personagem que aparece muito (ela já começa o dorama morrendo), a Torfun foi bem estruturada e montada. Já é um alívio ver um personagem feminino não sendo vilanizado em um BL, mas, para além disso, os flashbacks fazem questão de mostrar como ela também não era totalmente perfeita: existiam conflitos com sua família, dificuldades no ensino com as crianças e, claro, todo o sentimento não correspondido por Phupa. Em suas aparições, ela não parece uma memória ou um símbolo de bondade arquetípico, mas sim uma pessoa real, que, assim como todas as pessoas tinha seus problemas e defeitos.

Tale of a Thousand Stars | A Tale That Stands Out Against Its Contemporaries

Conforme começa a conhecer mais sobre a sociedade da vila e ler mais páginas do diário de Torfun, nossos olhos se misturam aos de Tian conforme ele experimenta várias coisas pela primeira vez, seja uma comida típica do norte da Tailândia, seja o dialeto Lanna ou os costumes sociais e religiosos.

Inclusive, este é um ponto muito importante que eu apreciei muito neste dorama: ele não tem medo de ser TAILANDÊS.

Todas as séries BLs que a Tailândia já lançou não seguem o padrão mais comum e típico para os doramas tradicionais tailandeses (lakorn), o formato utilizado é chamado de “series” e procura imitar o modelo coreano de fazer novela com um caráter mais internacionalizado, e um orçamento menor (é por isto que a grande maioria dos BLs tem como parte do nome um “the series”). Isto se deu não apenas no mercado de BLs como em toda a indústria televisa tailandesa, com a GMMTV, enquanto maior player do segundo escalão de canais de TV, procurando bater de frente com as produtoras/canais maiores e mais tradicionais como a Nadao Bangkok (que produziu I Told Sunset Abou You) e Channel 3 (canal que passa Lovely Writer lá na Tailândia) ao trazer um sabor mais “coreano” a suas produções (o mainstream coreano é supervalorizado na Tailândia, por sinal).

O maior resultado disto, do ponto de vista narrativo, é que as estórias que vimos nas the series são, em sua maioria, genéricas e sem muita localização geográfica. Tirando uma contagem de ano em He’s Coming to Me ou umas sobremesas típicas em Until We Meet Again, a maioria dos BLs foge bastante de muitos aspectos que seriam culturalmente tailandeses (e, que, por consequência, tira das produções da Tailândia sua própria estética e estilo).

Ao lançar 1000stars sem este filtro mais internacional (apesar de ela ainda ser no formato series) dá a trama muito, mas muito subtexto para conhecermos mais da cultura tailandesa. O dialeto Lanna (ou Nuer) é, talvez, o ponto mais forte e perceptivo entre estes aspectos. A parte norte da Tailândia costumava ser uma região independente do governo central, com sua própria lingua, seu próprio alfabeto e sua própria pronuncia (os símbolos no diário da Torfun que o Tian estranha são justamente este dialeto). Apesar do país ter se unificado e do dialeto ser próximo (e portanto compreensível para quem é da Tailândia central) do tailandês, muitas vilas mais tradicionais ainda mantêm a escrita e a pronúncia Lanna. É justamente por isso que aparecem legendas em tailandês quando a maioria das pessoas da vila fala (tem até um vídeo de bastidores em que o Khaotung tenta falar mais próximo ao Lanna, mas não consegue).

Pra mim este tipo de particularidade não é só muito interessante por si só, mas também deixa a trama com uma característica bem mais única e insubstituível.

A TALE OF THOUSAND STARS, ENTRE PIPAS E BANANAS NANICAS!! - Boys Love Brasil

Enfim, conforme vai conhecendo a vida de Torfun na vila e vai entrando no caminho do monopólio do Sakda, Tian entra na Aproximação da Caverna Secreta, chegando física e psicologicamente no local mais sombrio que seus dois inimigos guardam para ele, atravessando o segundo limiar.

A ideia de ter um “covil do mal” ou algo do tipo é bem arquetípica da mitologia. Quando o herói está prestes a passar pela provação e enfrentar os inimigos que fez na fase anterior, geralmente temos um vislumbre de derrota, um momento sombrio em que o inimigo do herói aparentemente “vence”. Como a grande provação do Tian na verdade são duas, a ameaça da Caverna aparece em duas frentes, cada qual com seu inimigo em particular.

Na ameaça física do Sakda, temos a queima da escola, numa cena impressionante de computação gráfica. Eu vi que algumas pessoas criticaram o CG, mas não achei que ficou muito forçado. Na verdade, enquanto vi a cena, estava tão envolvido que nem cheguei a pensar se eles tacaram fogo ou não numa cabana no meio da floresta (ainda bem que não né?). Este momento é bem emotivo e emocionante, finalmente dando um poder fático ao Sakda, que vinha ameaçando o Tian há uns bons episódios, e avançando no arco romântico do Tian e do Phupa, que começam a entender a profundidade do crush que sentem um pelo outro (principalmente o Phupa).

Na ameaça psicológica do “fantasma da Torfun”, a Aproximação da Caverna Secreta se dá quando Tian finalmente resolve contar a verdade. Ao ser impedido de contar nos seus termos pela revelação do Phupa, temos uma cena de CORTAR O CORAÇÃO, em que o Mix teve um problema e tanto pra atuar (eu vi os bastidores e é muito tenso ele nervoso pra caramba pra tentar chorar e não conseguindo). Eu gostei de como o Mix fez o papel, mas acredito, pelas próprias dificuldades dos bastidores, que não deviam ter pegado um rookie pra fazer o Tian. Eu entendo, BLs vendem ship e não estórias, portanto tem que ser atores bonitos, mas acho que a GMMTV complicou a vida de todo mundo envolvido (inclusive do Mix) ao dar um papel com tanta carga dramática a um ator que tá literalmente, no primeiro papel. O grau de estresse que este menino teve que passar para fazer estas cenas…

Com a ameaça estabelecida, o real confronto vem na Provação, onde nosso herói metaforicamente “morre”. Seja aos olhos da vila, seja tendo sido capturado pelos homens de Sakda, Tian não encontra mais esperança em sua jornada, a impressão que fica é a consolidação da ideia de que o “mal venceu” da fase anterior.

Em 1000stars, a morte física é a captura pelos capangas de Sakda e a morte psicológica é quando o Tian não consegue contar as mil estrelas para realizar o desejo da Torfun. Em ambos os momentos, como pede a fase, somos colocados o mais intimamente próximos do herói. A trama é feita de forma que experimentemos os sentimentos do herói e “morrermos” simbolicamente junto dele. Quando Tian usa de todos os seus artifícios para sobreviver (inclusive o poder de sua família, algo que ele despreza) o desespero e a tensão são levados ao ápice. Vemos como ele realmente resignificou a própria vida e passa a valoriza-la. Vemos como ele se tornou mais preocupado com o bem-estar dos outros do que consigo mesmo. Em sua provação, Tian já mostra tudo que aprendeu, deixando a possibilidade de tudo se perder ainda mais emocionante e desesperadora.

Com o salvamento dele por Phupa e os guardas florestais, Tian passa por seu primeiro renascimento, superando o “fantasma da Torfun” perante o povo da vila e realmente se sentindo inserido dentro do Mundo Especial. A necessidade de ser mais direto quanto a seus sentimentos por Phupa, afinal, eles passaram por uma situação de vida ou morte, leva a uma aproximação dos dois e a expectativa de que eles finalmente ficarão juntos. É aí que temos a Recompensa da provação física.

A Tale of Thousand Stars - ORIENTAL LINE

Mas Contudo Todavia Entretanto Porém, a jornada do herói não é um mero checklist que ocorre em ordem linear. Mesmo com o terceiro ato já começando com o aparecimento do pai do Tian e a revelação de que ele deu ordens ao Phupa para cuidar de seu filho, ainda resta a provação psicológica do herói, que é bem mais profunda e está bem mais ligada a transição entre o Mundo Especial e o Mundo Comum.

Em outra cena de cortar o coração (outra que também teve problemas nos bastidores, porque, em meio a pressão de atuar bem e o frio que estava fazendo, o Mix simplesmente DESMAIOU enquanto gravava… Dá muita agonia), Tian tenta contar as mil estrelas e falha. A ameaça que parecia ser o “fantasma de Torfun” é revelada, com todas as letras, que é, na verdade, a culpa do próprio Tian em como ele via e enxergava a vida. Ele não se considerava merecedor de permanecer vivo enquanto uma pessoa enquanto a Torfun morresse, ainda mais com ele envolvido na morte dela (inclusive, em termos de direito penal brasileiro, o Tian provavelmente seria responsabilizado pela morte da Torfun, pois, como ele mesmo disse, atuou como “mandante” da racha, assumindo o risco de matar/machucar as pessoas na rua, que é a modalidade culposa).

Existe um mecanismo bem comum em narrativas ficcionais que aparece neste momento. Há uma diferença bem grande entre o que o personagem “deseja” e o que o personagem “precisa”. Nós, enquanto audiência, somos levados a acreditar que o que o Tian deseja é de fato o que ele precisa, quando, na verdade, não é bem assim.

Assim, Tian não precisa do “perdão simbólico” da Torfun, como ele acredita. Na verdade, ELE MESMO QUE PRECISA se perdoar. Phupa tenta falar isto pra ele conforme ele falha na contagem das estrelas e dá o empurrão final para o Tian começar a realmente tentar se perdoar. E a forma como isto é simbolicamente mostrado na cena é muito tocante.

A Aye gravou uma versão da música tema do dorama e é a versão DELA (e não a do Gun Napat) que toca neste momento. É como se a Torfun estivesse observando os dois das estrelas e abençoasse as escolhas do Tian. Foi uma cena em que a direção utilizou o máximo de elementos que o formato tem para transmitir as múltiplas sensações dos personagens: o diálogo, a atuação, o cenário, o ângulo da câmera e a música de fundo. Tem tudo pra ser uma das cenas mais marcantes de BLs desse ano.

Inclusive, sobre a música tema, é interessante notar que o instrumento que se usa nela, que marca a melodia desde a introdução, é o Klui, um instrumento tradicional tailandês, que é exatamente o mesmo instrumento que o Phupa toca. É um nível de detalhe na composição de todas as frentes do dorama que me impressionou, sério.

E em meio a este contexto entramos no TERCEIRO ATO e observamos o triste Caminho de Volta. Na versão mais clássica da Jornada do Herói, a volta ao Mundo Comum é uma escolha dele, porém, aqui, Tian é obrigado a sair da vila por seus pais e por Phupa. O contexto em que ele sai é marcado por uma melancolia sem igual, já que fica nítido que, por mais que ele tenha adquirido certa independência e liberdade na vila, ele ainda permanecia sobre o controle de seu pai, não tendo resolvido um dos conflitos principais da trama de fato.

Este tipo de obrigação, apesar de ser bastante utilizado em novelas e ser bem ligado a condição abastada dos protagonistas, é, por si só, algo bem relacionável. No começo, os pais do Tian pareciam apenas querer o melhor para ele, agora, percebemos que esta concepção de “melhor” é unicamente sobre a visão deles e não do próprio Tian. Quantos de nós jovens adultos não temos nossas perspectivas de vida desvalidadas por nossos próprios pais?

Este momento foi o que fiquei mais emocionalmente investido na trama. Eu me vi tanto nesta problemática do Tian (afinal eu larguei Direito depois de me formar pra seguir Artes Visuais) que nem dormi direito depois de ver o episódio 9. A forma como o pai dele o obriga e a mãe dele o chantageia emocionalmente é triste porque reflete muito bem como este tipo de dinâmica familiar ocorre na vida real.

Quando o Tian joga na cara da mãe que o interesse dela é mais em status do que no bem-estar dele, eu fiquei de queixo caído. Ainda mais depois de ela escolher uma faculdade nos Estados Unidos pensando UNICAMENTE em status e em afastar o filho o máximo possível da vida na vila. O fato do Phupa não responder nenhuma das cartas (por receio de “acabar” com o futuro do Tian e da possibilidade de ele morrer em serviço e deixar o Tian sozinho) só piora essa sensação, com o Mundo Comum parecendo ainda mais desconjuntado com o herói.

É nítido que ele não se encaixa mais lá depois da transformação que passou no mundo especial, mas isto só será possível quando ele experimentar a real Ressureição.

O conceito de “ressureição” é trabalho a rodo no dorama (afinal, o Tian “morre e nasce de novo” com o coração da Torfun), mas, aqui, a ressureição é onde a transformação do Tian encontra seu resultado final perante o reencontro com o Mundo Comum.

A forma como ele passa encarar os mesmos contextos de antes, seja na relação com os afazeres domésticos, na comida que come e nas conversas com Tul, é totalmente diferente e nos deixa claro como o Tian se transformou. Mas, para o personagem, isto só fica aparente mesmo quando ele se reencontra com o Sr. Minai.

A conexão final entre a cena em que o Tian ajuda o Sr. Minai a mover o vaso no segundo episódio e a planta crescida no décimo foi um tipo de continuidade e metáfora bem incomum de se ver em tramas mais popzinhas (como um dorama mainstream), ainda mais com a lição de vida que a cena traz. A mensagem é muito bonita e real: não é unicamente sobre fazer o que gosta ou o que é divertido, mas aceitar as dificuldades como parte do processo e crescer com elas

Permeado por entre as pessoas que não entendem a totalidade dos motivos pelos quais o Tian gostou da experiência na vila, o velho sábio faz as vezes de dar um último e final conselho para nosso herói, impulsionando-o a atravessar o terceiro limiar, tal qual o fez durante o primeiro, e tomar papel ativo no andamento de sua própria vida.

Antes, Tian era dominado pelos pais e pela sua saúde frágil. Na vila, ele era dominado pela sua própria culpa. Agora, é o momento em que ele conscientemente decide o que fazer e como fazer e confronta abertamente o conflito com seus pais. Mas, mantendo um caráter verossímil na trama, não é porque ele quer que ele vai necessariamente conseguir tudo nos próprios termos. Superar o controle dos pais envolve concessões e é aí que um equilíbrio entre as duas forças se forma com o estudo nos Estados Unidos.

Ainda é triste e de cortar o coração.

A Tale of Thousand Stars Airport Scene - YouTube

A cena do aeroporto é onde a trama começa a apresentar algumas pequenas falhas pra mim (que fizeram minha nota para o dorama no mydramalist cair de 9.5 pra 9 kkk). O Phupa só aparecer aí e dar um beijo na testa do Tian é até ok. Conseguiram manter a tensão romântica até o final e brincar com nossas expectativas ATÉ O ÚLTIMO MOMENTO, o que é algo muito bom de se ver. Porém, a reação do pai do Tian não me desce.

Eu sei, eu sei… É fofinho e legal o pai saber e não ter problema com o filho gostar do guarda florestal, mas, em termos de desenvolvimento de personagem, não faz sentido um homem tão controlador como Teerayut aceitar o filho ficar com alguém de uma classe social mais baixa, ainda mais vindo da vila. Ficou artificial demais para a tônica que o personagem estava tendo até então. Não precisava criar em intriga em cima disso, mas ele podia ter uma cara menos complacente pra ficar mais verossímil.

Mas a referência que o Tul fez de Theory of Love foi legal (o White e o Earth fizeram um casal neste outro BL).

Imagem

E então chegamos ao final da trama, o Retorno com o Elixir. Na jornada clássica, o herói retorna ao Mundo Comum com uma recompensa de sua aventura no Mundo Especial, seja algo físico como um tesouro ou algo simbólico como uma lição de vida.

Apesar do dorama apresentar várias lições de vida (que, inclusive, aparecem no final de cada episódio), Tian não volta para o Mundo Comum. A transformação do personagem o fez parte integrante do Mundo Especial, onde ele encontrou um propósito na vida, conexões verdadeiras e o romance. Gostei que o tempo que separou ele da vila foi pouco (uns dois anos, o que dá tempo de um “curso tecnólogo” de licenciatura) e não precisaram envelhecer as crianças (se no começo elas tinham uns 6-7 agora elas tem uns 8-9). Mas a forma como isto foi feito deixou muito a desejar.

Eu sei, eu sei, a cena na montanha foi linda e tivemos um beijo, mas COMO ASSIM NÃO ME MOSTRA UMA ÚNICA CENA COM ELE SENDO RECEBIDO PELA VILA?! PELAS CRIANÇAS?! Neste ponto em específico, parece que esqueceram que o romance era apenas uma das partes da estória e colocar o encerramento romântico sem o reencontro do Tian com todos os outros personagens que o marcaram ficou decepcionante. Era coisa de um a dois minutos que fez MUITA diferença pro resultado final.

E sobre o beijo… Bem, eu já tenho raiva da GMMTV por segurar beijos a todo o custo (este beijo foi decidido de última hora pelo diretor, nem ia ter…), fica nítido o desejo de explorar o caráter comercial de um relacionamento homossexual entre dois homens sem se comprometer com o MÍNIMO de representatividade. Por sorte, teve pelo menos um beijo, então esta não é uma crítica que 1000stars vai carregar, mas que poderia ter aparecido antes poderia.

Imagina o quão mais impactante seria se o Tian e o Phupa já tivessem começado um relacionamento pouco antes de se separarem? Poderiam ter mostrado um ou dois beijos pouco antes da Provação pra deixar a separação dos dois ainda mais sofrida. Mas ok, é a GMMTV, então o fato de pelo menos termos um beijo já é bom.

E assim a estória de A Tale of a Thousand Stars se encerra, fechando a jornada do herói de Tian de uma forma meio mais ou menos, mais ainda sim competente.

Eu AMEI este dorama. Apesar das minhas críticas ele se tornou o meu preferido (conseguindo tirar o posto de Until We Meet Again). A Tale of a Thousand Stars conseguiu utilizar muito do potencial narrativo que a estória original da novel tinha, me emocionando, dando lições de vida sempre importantes de guardarmos conosco e me lembrando o porquê eu gosto de analisar/escrever estórias ficcionais pra começo de conversa. Ele não precisa de uma segunda temporada ou algo do tipo, mas um especial com a vida de Tian na vila não faria nem um pouco mal.

Eu só espero que este dorama seja um avanço nos BLs da GMMTV e não uma exceção as tramas apresentadas de formato mais genérico e lugar comum pela produtora. Eu entendo que o próximo dela, Fish Upon The Sky, vai seguir o clichê de estudantes universitários (afinal é da mesma autora de 2gether), mas dá pra eles aprenderem muito com este dorama sobre o que fazer de positivo para melhorar a apresentação numa estória em termos de estrutura narrativa e cinematografia, seja o enredo algo clichê ou não.

Confira as outras BL Reviews do Aquário Hipster clicando aqui ^^

PS: Na Tailândia, as pessoas possuem um apelido e um nome formal, mas geralmente costumam se apresentar pelo apelido. Por isto, nos nomes dos atores e do diretor de 1000stars, eu coloquei o apelido e o nome formal dos atores, sem o sobrenome pro texto não ficar muito truncado.

PSS: Os termos que usei para as fases da Jornada do Herói são os cunhados pelo Christopher Vloger no livro A Jornada do Escritor, caso tenha se interessado

PSSS: Este post foi um dos maiores que já fiz ‘o’ Demorou umas boas horas pra escrever e pesquisar tudo, então, se você curtiu, comenta aí pra gente conversar sobre o dorama ^^ Ou compartilha com quem você acha que vai gostar da review 🙂

O Aquário Hipster também tem Twitter!! Segue lá se quiser acompanhar surtos e comentários aleatórios de k-pop e BLs, com tweets ocasionais de artes e reflexões político filosóficas: @AquarioHipster

16 comentários em “A Tale of a Thousand Stars: O que podem nos oferecer além do romance? | BL Review

  1. Menino que texto bom! Mesmo sendo grande não achei ele maçante de ser lido nem nada, gostei muito do que você fez falando sobre a jornada do heroi e pontuando na historia, como eu abandonei o dorama foi legal saber o que acontece sem ir precisar assistir, atualmente eu estou em uma onda de ver BL’s mais simples e descompromissados mesmo, então os coreanos estão servindo no momento, mas quem sabe eu não volte com esse dai quando estiver afim de uma historia mais comprometida.
    Ai essa coisa de não ter beijo é complicado, pois ao mesmo tempo que eu entendo a indignação da questão de representatividade, meu BL favorito é Cherry Magic (kkkkk ); se bem que essa questão de beijo fica muito relativa na questão como o relacionamento dos protagonistas é apresentado, pois eu mesmo estava morrendo de amores pelos protagonistas de Cherry Magic e só fui notar que não teve beijo quando vi o povo no twitter reclamando. (kkk)
    Caso sobre algum tempinho ou vaga na sua listinha de postes para o blog tenta fazer algum textinho ai sobre Cherry Magic eu ia amar principalmente com sua escrita, ela é otima e bem fluida adoro.
    (Mds q comentarios desnecessariamente grande kkkk)

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    1. Fico muito feliz que tenha gostado do texto mesmo sem ter visto até o final do dorama (eu gostei muito do dorama e de fazer o texto, mas fico com receio de ter gastado um tempão e o post flopar 😅)… Entendo a ideia de ver BLs mais simples mesmo, tô quase que na mesma, mas aceitando o que a Tailândia quer me mostrar kkk
      Em Cherry Magic eu tive a mesma sensação sabia? Pra mim nem percebi a falta de beijo… Mas acho que a diferença é que nos doramas japoneses não costuma ter tanto beijo assim mesmo (em casais hétero), então não ter no BL soa menos “censura” que na Tailândia (onde os casais héteros se pegam e MUITO kkk).
      Vou deixar anotada aqui a ideia do post de Cherry Magic, porque, pra fazer bonitinho eu queria rever alguns episódios, e pra eu rever coisa é sempre algo complicado kkkk Mas quem sabe 🙂
      (ficou grande não kkk Eu que agradeço por comentar 💖)

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  2. Muito bem, depois de ler tudo, só tenho algo a dizer, Parabens gmmtv. A ultima serie boa que vc tinha entregado era theory of love, e já tinha desistido de você, mas até que enfim você entregou uma produção que esperavamos de você. Continue nessa alçada. E me faça feliz.

    Ps.: O final foi muito lindo, nem tenho o que falar.

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    1. Primeiro, muito obrigado por comentar e por ler tudo 💖 (só percebi que o post ficou ENORME quando terminei de escrever kkk). Eu ainda não vi theory of love, acredita? Muita gente fala que é maravilhosa e muita gente fala que é bomba kkk Tá minha lista pra ver ainda kk

      Espero que a GMMTV não escorregue depois dessa… A mais fraquinha das séries que ela anunciou é a próxima (Bad Buddy tá com elenco e staff aclamados, e Not Me tem uma premissa incomum pros doramas BL também), então se ela acertar nessa comédia universitária, vai conseguir passar o ano ilesa de bombas (eu espero kkk)

      PS: Siiiim, depois que eu vi, fiquei olhando pro nada só processando tudo 😭

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      1. Ta no meu top cinco melhores Bls
        1- History2 Right or wrong
        2- History3 make our days count
        3 – theory of love
        4-The untamed(gosto mais da novel)
        5-your name engraved herein

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      2. Uhh, essa é uma boa recomendação hein? xD Acho que o meu top5 é
        1 – A Tale of a Thousand Stars
        2 – Until We Meet Again
        3 – Diary of Tootsies (1 e 2)
        4 – Cherry Magic
        5 – YYY (sim, eu gosto de uma trasheira as vezes kkk)

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  3. Acabei trombando com seu blog aleatoriamente, com essa publicação em especifico, fazendo com que me animasse em ver 1000stars. Fui lendo junto que eu assistia hahah, foi otimo que você foi tocando em pontos que eu não havia pegado. Gostei muito como a relação deles foi sendo construída, apesar de que de fato podiam ter se beijado antes, acho que também coube bem o slowslowslooow burn. Os toques, os olhares, o desejo e paixão explicita mas contida, bom demais! Diferente de 2gether (que eu não gostei nada) toda a relação dos dois deixava claro o quanto gostavam e desejavam um ao outro.
    O que me incomodou bastante eram as cenas da escola, toda vez que uma aparecia eu ficava rindo de nervoso, era meio agoniante ver os “métodos” de pedagogia dele, graças a deus ele foi estudar isso, pq estava difícil. Outra coisa que me incomodou também foi esse fim dos pais, não fez sentindo nenhum com toda a construção do personagem eles terem aceitado tão facilmente o filho ser gay e estar apaixonado por um guarda florestal (até pq fica claro que isso é um dos grandes motivos do filho voltar a morar na vila). Mas é isso, foi a solução que encontraram para não lidar com esse drama na reta final da serie..
    Ps: somos colegas de curso, também faço artes visuais! ❤

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    1. Ah! Vi em outra postagem sua sobre o LovelyWriter que eles tinham um premissa de ser um BL diferente e especificamente, pelo o que eu entendi, criticando BLs como Tharntype. Se tiver tempo, me explica pq Tharntype é enquadrado assim? obrigada!

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      1. Então, sobre TharnType é complicado porque envolve uma discussão muito grande sobre fetichização de homens gays por parte das mulheres escritores e roteiristas da indústria BL. A autora da novel que inspirou o dorama, MAME, é uma das mais criticadas por isto, porque enche o livro de cenas sexuais de forma problemática (romantizando coisas como relações forçadas e abuso de uma forma assustadoramente explícita) só pelo fanservice mesmo.

        Na adaptação pro dorama, não conseguiram (ou não quiseram) tirar estes fatores, então o negócio ficou muito bizarro. Não sei se você já assistiu, mas a premissa de TharnType é um carinha homofóbico (Type) que passa a dividir quarto com um gay assumido (Tharn) na faculdade (e, claro, ambos se apaixonam kk).

        Parece que vai ser super interessante e tals, mas a forma como o roteiro trabalha isto é meio porca. A trama parece trabalhar mais pra entregar cenas hot do que qualquer outra coisa. O motivo pelo qual o Type é homofóbico é o fato de ele ter sido abusado sexualmente por um homem quando criança, PORÉM, este trauma é meio “superado”, depois de ele começar a fazer sexo com o Tharn (não lembro exatamente o motivo, faz um tempo que eu vi – só aguentei os primeiros episódios, depois desisti kk -, mas envolve algo como chantagem) e aí a trama se perde totalmente. O Type faz uns comentários super homofóbicos e machistas e isto não é tratado direito, o Tharn meio que dá uma forçada no Type pra ficar com ele e tem todo um subplot que envolve uma relação não muito saudável no passado do Tharn, quando ele era menor de idade com um cara mais velho (adulto).

        Assim, todos os personagens gays do dorama tem um viés meio de abuso sexual e isto é um saco. Se não me engano, esta questão sexual meio forçada é tão presente que mal tem cena romântica no dorama (é mais cena de pegação sem camisa mesmo). Por tudo isto, o dorama acabou virando o grande “exemplo” de fetichização sem qualquer escrúpulos e é boicotado a rodo por vários portais.

        Pra coroar, o cara que faz o Tharn se envolveu num escândalo em que, apesar de não ser muito claro, ele foi abusivo com um colega de trabalho (o parceiro dele em What The Duck, Art) e todo o fandom jogou a culpa dos problemas da época no Art (num caráter bem parecido com slut-shamming mesmo, porque ele fazia o “passivo” da relação e, ao que dá a entender, os dois estava num relacionamento na época).

        Então, por conta de tudo isso, TharnType trouxe um certo ranço pra boa parte do público que assiste BL (principalmente quem é da comunidade LGBTQIA+).

        Espero ter explicado bem kk

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    2. Colega de curso, e aí?? 💖💖

      Nem acredito que você foi lendo o post aos poucos ENQUANTO assistia (e que o post te animou pra assistir), que legal xD

      A ideia de um super slow burn foi realmente bem segurada na trama. 2gether, pra mim, fica estranho numa parte porque a química dos atores grita mais “parças” do que “namorados” (não que seu namorado não possa ser seu parça mas enfim kk). Só prejudicou o rolê da reação dos pais dele (se não fosse tão devagar, teria dado mais tempo pra mostrar isto), mas, comparado com o que costumam errar, tá ótimo kkkk

      Sobre os métodos de pedagogia, MEU DEUS, era uma agonia mesmo kk Ele decidia as coisas tudo de última hora, sem ligar lé com cré kk Deve ter mais confundido as crianças do que qualquer outra coisa kk

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