Thank You, Apink: Reflexões sobre aegyo X sexy e minha história com o grupo

Eu estou num certo bloqueio criativo pra escrever alguma coisa aqui. Talvez seja meu perfeccionismo atacando de novo? Talvez seja porque eu quero acabar logo a review de We Best Love, mas mal consigo escrevê-la? Enfim, de toda forma, resolvi fazer um post aqui contando livremente um pouco da minha história com o Apink e, como, apesar de eu também não ter ligado pro grupo até I’m So Sick, ele acabou se tornando até mais especial pra mim do que algumas das minhas favs…

A evolução do Apink não é mais segredo pra ninguém. Em meio a um gerenciamento super medroso de perder o hit de aegyo (quando ninguém mais apostava nisso direito), o grupo virou piada pronta por praticamente seis anos, até chegar a época de renovação de contrato e todas as integrantes se unirem pra demandarem mais liberdade criativa da empresa, resultando não apenas em lançamentos mais maduros, como também debuts solos e aparições menos “artificiais” em variety shows.

É notável como a empresa (querendo ou não) soube manter o grupo relevante e como as integrantes se uniram em prol de seus interesses comuns, ainda mais considerando que a empresa delas, Plan M Entertaiment, era super pequena e tinha elas como primeiro grupo a debutar. Talvez sejam estes os fatores que tornem o grupo tão sólido e marcante, seja entre fãs de aegyo ou de sexy. É incrível pensar que um grupo como Apink seja comparável a um grupo como as Brown Eyed Girls e ao Mamamoo, outros dois que estão superando as expectativas de durabilidade entre girlgroups…

E, talvez, o próprio fato de acharmos isso “incrível” se dê pela grande preconcepção que muita gente (eu inclusive) tinha com o aegyo até pouco tempo atrás.

Ao entrar no k-pop, mesmo por meio do mais aegyo dos aegyos pra 2011, é estranho como a concepção do “fofo” foi sendo permeada por um certo julgamento. Ok, toda a parte de sexualização por trás do aegyo é espantosa e criticável, mas tem algo aí além… E que funciona numa via de mão dupla.

Afinal, quantas rinhas de aegyo fans X sexy fans foram travadas assim que a divisão ficou explícita com os hits de NoNoNo (pro lado aegyo) e Miniskirt (pro lado sexy)? Era um negócio que marcava bem uma espécie de “adolescência” no k-pop: tudo ia pra um extremo ou outro. De um lado tinha uma caça as bruxas pra criticar das formas mais ácidas possíveis o grupo que lançava coisas para a male gaze, de outro, tinha a galera que só debochava de tudo isso de uma forma bem inofensiva. Eram umas brigas sem precedentes (talvez até por não terem nomes gigantes internacionalmente, como o BTS e o BlackPink, que unissem os fandoms contra algum fandom que fosse mais sem-noção), que marcaram e muito a época que “tudo isso aqui era mato”.

Neste sentido, é curioso pensar que existe um certo grau “elevado” por trás de ambos os lados, que até se reflete um pouco na dicotomia atual de soft stan e hard stan. O lado aegyo se vangloria por, teoricamente, “não ceder a sexualização” e se permeia de todo um grau de puritanismo, enquanto que o lado sexy se vangloria por ter uma “visão melhor da indústria” ao perceber que o fofo é uma sexualização ainda pior que o sexy.

Isto entra muito na ideia de “gosto”, mas ultrapassa a mera concepção de “gosto pessoal”. Tem toda uma faceta coletiva acontecendo, que unia as pessoas que se sentiam estranhas por escutar k-pop (até entre os estranhos dos otakus você era considerado um estranho kk), e, parando pra pensar agora, talvez seja isto que deixava as opiniões tão fortes em meio a conceitos tão abstratos. Afinal, a briga não era sobre quem era tapete de quem, mas sim sobre qual argumento era o mais correto: a visão do aegyo como algo inerentemente positivo e emponderador (do lado aegyo) e a visão do aegyo como algo negativo e falso (do lado sexy).

Hoje, parece improvável que uma discussão dessas ganhe a força que teve na época. As coisas estão mais personalíssimas e envolvem rivalidades mais específicas entre grupos e personalidades em si. A própria ideia de aegyo e sexy é bem mais difusa entre os grupos de k-pop hoje em dia e, talvez, a dicotomia que esteja mais em voga atualmente seja um caráter mais profundo nos lançamentos ou mais comercial.

Mas isto sou eu só pensando em “voz alta” quando para pra refletir sobre o que permeou a minha repulsa por músicas que, hoje em dia, escuto tranquilamente e que até me ajudam a passar melhor por dias mais difíceis.

Este caráter transformador veio muito pela figura da minha irmãzinha (que eu uso diminutivo mas já tá acabando o ensino médio 😱), que também foi atraída para o k-pop por Gee e cultivou um apreço pelo aegyo do Apink, do Twice e do GFriend de uma forma adorável. Era um rolê de identificação que não se observa fora dos cenários influenciados pela estética kawaii japonesa e, sinceramente, foi algo mágico ver ela se apaixonar por estes grupos. Ela me apresentou (e me fez assistir) os vários clipes aegyo de todo mundo assim como eu fiz ela ver e compreender o loonaverso na época kkkk e isto abriu meus olhos para além da rivalidade aegyo X sexy.

Acho que tem um certo grau de maturidade deixar essas rinhas de lado (tanto que todo mundo que escuta k-pop que viveu o cenário que descrevi pouco antes deve ter uma opinião parecida), mas, além disso, o Apink acabou virando uma ligação afetuosa entre eu e minha irmã.

Apesar de ela não escutar mais muito k-pop (mesmo sendo uma Soshi hardcore kkk) nós dois esperamos um ao outro para ver o clipe especial do Apink e ficamos emocionados conforme elas foram referenciando sua carreira (a cena com os music banks ao fundo é muito bonita mesmo), porque, para nós, num nível inconsciente, a comemoração de dez anos do Apink é uma comemoração da nossa proximidade e de como nossas barreiras de gosto pessoal se quebram para darmos uma chance a o que o outro quer apresentar.

Apink (에이핑크) - Thank you (고마워) Lyrics » Color Coded Lyrics | Lyrics at CCL

E nem teve review da música dessa vez kkk (vou deixar só na categoria Outros mesmo).

Vou me forçar aqui a não reler e revisar o que escrevi, justamente pra quebrar um pouco esta ideia de “perfeccionismo”. Acho que o Apink poderia ter feito algo mais tchans pros dez anos de carreira, mas, considerando o contexto da pandemia e as acusações pra cima da Chorong, elas jogarem algo mais low profile é seguro, inteligente e, provavelmente, se provará muito mais efetivo do que outras medidas (como a da Cube, né? Essa empresa é uma palhaçada).

Pra mim ver e escutar Apink é lembrar da minha irmã, desse período “inicial” de fã de k-pop, de ótimos deboches blogosfera a fora e, porque não, do meu próprio “eu do passado”, com orgulho. Em Thank You, elas lançaram um aegyo no mesmo molde dos anteriores, como se, apesar de não abraçar mais esta sonoridade e estética, não tivessem vergonha dele. Dá pra tirar uma mensagem sutil e bonita de “não ter vergonha de seu passado” disso aqui e isto me deixa mais tranquilo com minhas inseguranças do dia a dia, nem que seja só pelo instante em que tô terminando este post com um sorriso no rosto… 🙂

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9 comentários em “Thank You, Apink: Reflexões sobre aegyo X sexy e minha história com o grupo

  1. Acho a revolução delas em 2017 um dos fatos mais impactantes do kpop.
    Não achava os lançamentos aegyo delas ruim, só similares. Entretanto, esse comeback de 10 anos foi desgostoso de se ouvir.

    Curtido por 1 pessoa

      1. Gente, é serio isso, I’m so sick foi algo que eu nunca esperaria que apink lançasse. %% é a minha favorita.

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  2. Que post fofíssimo… Mas pode deixar que faço o serviço por você de comentar vídeo/música, hehe!

    FIRST, o vídeo (focando na imagem das meninas):

    Chorong: quase não vi ela no vídeo, mas como você falou dessa polêmica envolvendo o nome dela, eu entendi o porquê dela mal aparecer aí no MV
    Bomi: segue sendo minhas bias, rykah e maravilhosah
    Eunji: ótima sendo a Mandy Moore coreana (isso é um elogio)
    Naeun: não me conformo até hoje dela ter feito rinoplastia. Não que ela tenha ficado feia, mas ela já era bonita antes disso. A pressão estética da Coreia é uma merda
    Namjoo: meus parabéns a todxs xs envolvidxs. Uma das mais apagadas, além de aparecer bastante, ainda tá com um cabelo legal e look muito bom
    Hayoung: segue sendo a frequentadora da Assembleia de Deus

    Indo pros outros elementos do vídeo: já que é aniversário, nada mais justo recordar os photoshoots, shows e momentos de vitória nos Programas do Gugu. Bom e apropriado.

    Quanto à música: é justo que seja aegyo, já que foi isso que as consagrou. Não é ruim, mas também não é uma I’m So Sick/%% da vida.

    E é legal saber que você teve alguém pra acompanhar o k-pop na era de ouro, porque no meu caso, só foi na minha quarta tentativa de faculdade, aos 25 anos, que descobri alguém que gosta de k-pop tanto quanto eu, kkkk! Conheci a BoA em 2006 (detalhe que foi numa montagem que fizeram com vários MVs dela com uma música da RIHANNA em cima, HAHAHAHAHA! Queria achar esse vídeo), mas não me importei muito, e ainda por cima achava que ela era japonesa (mas é um alívio saber que eu não era x únicx que achava isso), mas descobri o k-pop de verdade lá em 2012 (sim, com PSY), com 20 aninhos (bem tardio, queria ter descoberto e gostado lá em 2007, seria o momento perfeito). Como Gangnam Style é muito zoeiro, não me importei tanto assim, mas nessa mesma época, o Portal Popline (sim) começou a falar de SNSD e lembro até hoje que a primeira música de k-pop que ouvi e gostei foi justamente The Boys, a divisora de opiniões entre os k-popeiros da velha guarda. Nesse mesmo ano, descobri também Wonder Girls, no ano seguinte foi 9MUSES e Brown Eyed Girls (pessoal de qualidade), e esporadicamente, fui acompanhando o k-pop, até que em 2016 descubro o falecido blog ASIANMIXTAPE (formador de caráter junto com Katylene) e a partir daí, aumentou a frequência desse estilo na minha vida. Nesse ano, não acompanho com tanta vontade quanto nos últimos anos, mas olho com saudades de tudo o que descobri dentro do k-pop, servindo de revitalização da música pop não só pra mim, mas pra muita gente ao redor do planeta.

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    1. Ai obrigado por analisar xD kkkk Eu confesso que só lembro de cabeça da cara da Eunji, da Bomi e da Namjoon então kk

      Aí que estória curiosa pra descobrir o kpop kkk O meu caso foi justamente o contrário, eu comecei com pessoas que gostavam que nem eu (no ensino médio e dps minha irmã), mas agora é só all by myself mesmo kk E tive de ir me acostumando com isso… Curiosamente, eu descobri k-pop em 2011/2012, então The Boys era uma coisa que tava na boca de todo mundo na época (eu amava, hj já tenho minhas ressalvas kk) e aí é meio que uma descoberta constante de novos grupos e cantores (a própria BoA eu descobri BEM depois kk)

      É bem interessante como o k-pop deu um up na música né? N sei, acho que se não fosse o k-pop eu não mudaria muito o tipo de música que eu escuto e nem estaria tão aberto a novos estilos/cantores, é muito uma revitalização mesmo 💖

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