CLOSE, AB6IX: Direcionamento artístico pra quê?

AB6IX faz parte da lista de grupos que falta muito pouco para entrar na minha lista de favoritos. Mesmo sem assistir o Produce 101, eu fui com a cara do Daehwi e por aí vai. Depois de finalmente ter um comeback que gostei, eles foram DO NADA para as vias opostas, seja no espectro de barulheira 101 de boyband ou no esquecível. De toda forma, eles voltaram de novo e eu, novamente, resolvi escutar de bom grado e ver o que sai disso aqui:

Vamos começar com uma certa confusão que eu tive. Considerando que eles lançaram um single mais morninho no começo do ano (que é até legal), com o mesmo tipo de inspiração house, eu JURAVA que ele era um pre-release pra desembocar neste single e no EP de agora (Mo’ Complete: Have a Dream)… Só que NÃO. Stay Young era um single de REPACK para a péssima Salute e isto aqui é um single completamente separado (o que, considerando o título longo e pseudo-conceitual, deve ser o começo uma uma seriezinha de lançamentos).

Vendo isto, eu concluo que o direcionamento da Brand New Entertaiment pro grupo 💖 NÃO FAZ O MENOR SENTIDO 💖. Colocando os singles pau a pau, fica nítido uma digressão monstra no estilo do grupo, que só traz inseguranças em acompanhar os lançamentos ou não. Não é que eles lançam cada hora uma coisa, mas que existe uma certa progressão que foi abruptamente cortada ano passado e trouxe singles e visuais tão destoantes entre si em sequência que nem parecem o mesmo grupo (vibe CLC, sabe?).

Tanto o debut quanto o primeiro comeback são faixas num lado mais sensual com influências de ballroom novestista (ótimo que fui pesquisar estas faixas pra ouvir de novo enquanto tava fazendo o post, porque esqueci completamente que elas são legalzinhas), nada muito impactante hoje, mas trazia um certo diferencial em 2019, quando SÓ A CHUNG HA estava fazendo isso. Só que, a partir daí, a empresa começa a atirar pra todo lado: tem feat com a Lizzo, o aegyo com a perda de um integrante, pesadão de boyband hétera demais pra rebolar, um housezinho motivacional e outra parceria internacional x. Isto é muito complicado, porque quando um grupo cai nessas mudanças da água pro vinho, geralmente é um sinal de que o gerenciamento da empresa não é lá essas coisas (sem contar que não cria um vínculo muito grande qualquer um público fora da fanbase).

Neste sentido, a sucessão de Stay Young pra CLOSE parece um retorno para a ideia por trás dos primeiros lançamentos do grupo, com ambas derivando do house em diferentes níveis.

Se em Stay Young a ideia era te emocionar na virada do ano incluindo um pouco de opera pop na mistura, CLOSE quer fazer você soltar sua libidO e se sentir mais “perto” deles (se é que você me entende 👀). Num clipe que brinca com os limites de ser conceitual ou apelativo demais, a ideia aqui é trazer uma sensação de sonho, um clima de tensão que promove um mergulho em melodias cada vez mais graves e complexas conforme a faixa progride.

A faixa, por sua vez, é apresentada a partir de versos mínimos, com todos dormindo e acordando cada um em um lugar (como o galpão da Kim Lip), tendo de percorrer caminhos sem a visão ou a certeza do que esperar. Assim, eles garantem segurança de seu interlocutor nesta jornada durante os versos até pedirem suspirando no refrão para “fecharmos os olhos” e confiarmos no trajeto que estamos percorrendo (quando o instrumental se enche de graves e mergulha FUNDO num deep house safadíssimo). Pelo que entendi, é meio que uma analogia pra desapegarmos um pouco das nossas inseguranças conforme traçamos um caminho. O drop no pós-refrão foi extremamente bem feito (mesmo com uns sintetizadores desnecessários no meio) e criou um ótimo contraste com o pré-refrão, onde os quatro cantam em harmônicos mais graves que os vocais no resto da música.

Esta mistura de elementos em um gênero já tão estafado no cenário como o house é prova de que dá sim pra fazer um house memorável hoje em dia (mesmo que não soe super inventivo) e acho interessante os integrantes do AB6IX se jogarem nessa ao invés de tentar emular o que a grande maioria das boybands estão fazendo. Como eles tem bastante liberdade criativa (também, foram quase três anos de atividades de pre-debut com cada um num reality diferente), é legal ver algo criativo fora da onda mainstream de hoje, mesmo sendo o mainstream de ontem kkk

O clipe é, de longe, o mais caro deles, com vários efeitos muito legais (a cena dos peixes voadores gigantes que serve de capa pro post me deixou de queixo caído) que ajudaram a deixar a faixa com uma pegada menos sexy apelativa e menos parecida com os números sexys masculinos que os solistas tão desovando desde o ano passado (o medo desta estética sexy cansar pela superexposição é grande @.@’). Digo isto, porque teve umas escolhas de figuro e uns cortes de cena bem INTERESSANTES…

Já é consolidado que o cropped masculino veio pra ficar, mas nem disfarçaram o enfoque nos abs do Woong, seja durante o clipe ou no photobook. Sem contar que colocaram todos eles com uma calça que marca a MUITO a bunda. Estou reclamando? Não, até porque não ficou escrachado demais pra incomodar, mas olha… Foi quase. Se não tivesse as partes de CG e viagens psicodélicas, acho que teria ficado numa onda desesperada demais que nem faz sentido o grupo ter (nem nugus eles são, pela popularidade dos integrantes).

O álbum, apesar do nome horrível, é bem competente a o que se propõe. HEADLINE começa o EP espevitado e divertido numa mistura de funky, trap e ballroom (que vai até pra playlist de 2021). Depois o single e, aí, algo mais leve em LULULALA, lembrando um pouco The Aswer com um teenpop bem agitado que consegue superar o nome onomatopeico péssimo que é repetido no refrão. Com só mais duas faixas, trazem Merry-Go-Round e A Long Winter, com duas faixas típicas para terminar álbuns: EDM leve e esperançoso (na primeira) e uma quase balada meio R&B/meio soft rock cheia de harmônicos (na segunda). Stay Young fez falta pra dar uma encorpada nisso aí (seja começando a tracklist ou pra melhorar a transição pra A Long Winter), mas até que soou bem competente que nem VIVID há quase um ano atrás…

…o único problema é que, apesar de ter elogiado VIVID quando lançou, eu, simplesmente, 💖 CANSEI DO EP 💖 depois de uma mísera semana… Não sei entender bem o porquê isto aconteceu (até porque gosto pessoal é uma coisa bem difícil de racionalizar), mas isto me deixa com um pé atrás agora pra dizer se Mo’ Complete: Have a Dream é um álbum que gostei mesmo ou não após esta boa impressão inicial… Vamos ver 🤔 Vou dar uma mexida na tracklist e ver o quanto vai me marcar no decorrer do ano (no inevitável comeback deles do segundo semestre eu falo se o EP sobreviveu comigo ou não kk).

CLOSE foi um comeback competente para um grupo que, querendo ou não, até que vem sendo competente. Assim como INSIDE OUT do NU’EST na semana passada, AB6IX está mais preocupado em trabalhar um ritmo dançante mais básico do que inventar o próximo bate-lata conceitual. É muito gratificante ver faixas assim em boybands (mesmo que recheadas de subtexto), porque o foco parece ser na MÚSICA ao invés nas teorias, nos ships ou no vanguardismo raso de algo “autoproduzido” e “crítico”. Curiosamente, AB6IX (assim como o NU’EST e o A.C.E, que tem um pouco esta mesma pegada) não faz tanto barulho em fandoms chatos e pedantes de twitter (pelo menos até onde eu sei), e esta atitude mais saudável da fanbase possa justamente ser um grande exemplo de como é positiva a resposta dos fãs quando o k-pop masculino deixa um pouco de se achar e só se preocupa em trazer algo legal de ouvir e um clipe legal de assistir.

Eu só espero que eles não deem uma de doidos de novo e mudem pra um conceito totalmente nada a ver com isso aqui no próximo comeback… Vamos torcer ✨

Song Review: AB6IX – Close | The Bias List // K-Pop Reviews & Discussion

PS: Eu tinha que compartilhar isso porque achei hilário kkkk

O Aquário Hipster também tem Twitter!! Segue lá se quiser acompanhar surtos e comentários aleatórios de k-pop e BLs, com tweets ocasionais de artes e reflexões político filosóficas: @AquarioHipster

5 comentários em “CLOSE, AB6IX: Direcionamento artístico pra quê?

  1. AB6IX voltando na mesma época que o CIX… Claro que botar as fanbases do Wanna One para comprar os álbuns juntos é super condizentes…

    E eu gostei da música (Descobri o comeback agora), e consegue ser bem melhor que Stay Young (Amo a barulhenta Salute), e o direcionamento sonoro deles deu uma bagunçada mesmo em Salute, pq o resto até que acaba conversando

    Curtido por 1 pessoa

    1. Nem sabia que o CIX tinha gente do Wanna One khkk Pra mim eles só eram uns nugus… @.@’ Realmente não foi uma boa ideia os comebacks na mesmo época (até pq teve Nu’est também que teve gente no WANNA ONE kk)

      Salute é muito seu estilo mesmo (achei bem ruim kk), mas espero que eles mantenham uma coesão, porque se olhar os lançamentos na pegada mais house tá tão organizadinho :3 Gosto muito quando grupos conseguem manter uma consistência sonora (sem ficar tudo igual

      Curtido por 1 pessoa

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