YDestiny, Tuesday: A última coisa que importa é o roteiro | BL Review

YDestiny foi uma proposta que achei particularmente diferente. Falem mal ou falem bem, eu gosto das produções da COPY A BANGKOK (tanto que estou vendo YYY de novo… E é muito difícil eu reassistir algo) e fiquei curioso por quão megalomaníaca soa esta proposta: uma antologia com sete ships para sete cores do arco-íris e sete dias da semana. É algo tão simples, mas ao mesmo tempo, tão audacioso (ainda mais de um player pequeno como essa produtora) que desperta a curiosidade pra ver o que vai sair disso daí. A primeira estória foi ruim, mas fiquei com vontade de escrever sobre ela mesmo assim kkk

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Sendo sincero, eu não esperava fazer um post para cada uma das estórias da antologia. Inclusive, a ideia inicial foi só pelo fato da proposta da segunda estória (Sunday) ter chamado a minha atenção. Aí ganhei coragem pra ver o segundo episódio de Tuesday e continuar assistindo. Então, eu comecei a escrever sobre as duas estórias num post único que eu ia construir aos poucos sobre o YDestiny inteiro e percebi que o negócio ia ficar GIGANTE kkk

Como as estórias da antologia são independentes entre si e cada uma tem dois episódios de duração (basicamente, a duração de um BL coreano inteiro kkk), pensei: “por que não resenhar cada arco conforme eles forem saindo?” e aqui estamos nós!

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A primeira estória de YDestiny, Tuesday, foca em Tue (Chap Suppacheep), uma pessoa que nasceu numa terça-feira. Parando para pesquisar um pouco, toda esta divisão entre cores e dias da semana está intimamente relacionada com crenças tradicionais da cultura tailandesa, vindas do hinduísmo, que associa a personalidade de alguém com o dia da semana em que a pessoa nasceu (sendo as cores algo auspicioso para se usar no referido dia). As pessoas que nascem numa terça-feira, no caso, costumam ser teimosas, sem paciência, ávidas por aventura e tem uma noção muito clara de respeito aos mais velhos e superiores.

Comparando estas características com Tue, fica nítido que inspiraram o protagonista no estereótipo de personalidade de terça-feira (pra nós, é como se fizessem um personagem taurino que tem todas as características típicas do signo evidenciadas). E, além disso, eu percebi que cada estória do projeto também conta com um clichê romântico que serve de base pra trama e uma música tema específica. Sou filho de virginiana (já que estamos falando de signos kkk), então essa divisão certinha me agradou muito kkkk Fica um negócio estilístico bem organizado que já deixa a tônica certa para cada estória teoricamente funcionar.

Assim, as características do arco Tuesday são:

Color Coded: Rosa

Clichê: eles se odeiam, portanto… eles se amam! (enemies to lovers)

Música tema: Love Sick, MILD

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Dá pra entender o porquê eles escolheram a estória protagonizada pelo Chap como primeira, afinal ele está participando de Lovely Writer, o que gera um bom buzz pra se atrair público agora que a YDestiny estreou. Mas essa estória… Sério, que estória?

TENTANDO extrair uma sinopse disso, teríamos algo como: Chap, um jovem astro do boxe universitário decide ser treinador e tem, como seu primeiro desafio, disciplinar Ake (Tae Chayapat), um estudante que odeia, durante o acampamento de treino do grupo.

A ideia inicial foi legal (colocar eles dentro de um contexto fixo de um acampamento e misturar com rivalidade esportiva), mas, da metade do primeiro episódio até o final, o negócio vira uma BAGUNÇA, com eles começando a gostar um do outro praticamente DO NADA e qualquer tensão surgida sendo uma ideia fraquíssima demais para ser trabalhada.

Eu, sinceramente, acho que esta vai ser a pior de todas as estórias da série (digo com segurança antes mesmo de ver as outras), porque é, simplesmente, duas horas de fanservice sem propósito algum, com um mínimo aceitável de tensão romântica e sexual na primeira metade do primeiro episódio. Faltou um desenvolvimento mínimo da narrativa pra ser algo palatável. O Tue desistir do boxe é algo que não tem o mínimo de aprofundamento, apesar de ser um catalisador da trama. Não dá nem pra entender o porquê de eles se odiarem no começo e nem como eles começaram a se gostar. A catapora que aparece no meio corta todo o fluxo narrativo, não tem nenhuma justificativa (de onde ele pegou, hein?) e só serve pra umas cenas hot. Quando um conflito finalmente vai aparecer, ele é super sem criatividade (os dois acham que o outro gosta de alguém diferente). E, claro, todo o cenário de boxe some nos primeiros trinta minutos pra termos as “boas” e velhas dinâmicas domésticas de ship.

Eu entendo que a série não foi feita pela estória (e sim pra conseguir alavancar os ships em propagandas), mas aqui isto ficou porco demais…

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Eu sei, eu sei. A COPY A BANGKOK não é um primor de roteiros, mas todas as produções dela que eu vi conseguiram trazer algo interessante e me marcaram positivamente. Eles sempre conseguiram contornar um roteiro meio furado ou nonsense demais (pro público padrão de BLs) com personagens carismáticos, conceitos visuais legais ou só não se levando a sério mesmo.

Em YDestiny: Tuesday, nenhum destes fatores aparece com força suficiente para compensar a ausência de roteiro. Assisti-lo é como voltar ao começo dos BLs live-action no Japão e em Taiwan: um foco muito maior no quanto os personagens estão se tocando/se apaixonando do que no que está acontecendo na estória. Mas o problema é que isto não é proposital ou resultado de um contexto (como as produções japonesas e taiwanesas). Pelo menos, não tem cara de que foi. A impressão que dá é que trabalharam essa estória de qualquer jeito, porque o próprio ship não tem muito futuro em sentidos de propaganda (Chap, além já ter par com Bruce em Lovely Writer, e também tá confirmado em The Tuxedo, como par do Green), mas, mesmo assim, quiseram aproveitar a química que os dois atores tem… Ao extremo.

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Neste único ponto isolado, tanto o Chap quanto o Tae serviram muito aqui. Eles tentaram fazer o arco deles memorável de alguma forma e se o foco era dar a impressão de que eles estão quase partindo pra pegação a todo segundo, eles conseguiram kkkk Teve bastante naturalidade no skinship (no sentido que eles se tocaram BASTANTE sem se estranhar e não que eles se tocarem tanto soou natural kkkk). O Tae não foi o melhor dos atores (o roteiro também não ajudava), mas acredito que o Chap tentou. Pelo menos, até a catapora atacar, o personagem dele estava acreditável.

Eu até lembrei da Vera Holtz tentando trazer o melhor da sua personagem mal escrita na péssima A Lei do Amor kkk

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Mas, mesmo sendo uma porcaria, temos dois lados positivos. Apesar de eles não compensarem as falhas, pelo menos eles existiram pra eu não ficar aqui só tacando o pau kkkk

Primeiro, como esperado da COPY A BANGKOK, o color coded de rosa foi lindamente trabalhado. Sutil, mas sempre presente, a série conseguiu se manter impecável visualmente, apesar da produção ser claramente mais barata do que estamos acostumados. A utilização de jogos de iluminação para sugerir e destacar o rosa de algumas cenas foi algo genial, que deixou toda a estória permeada de um caráter soft, que complementaria muito bem o roteiro se eles conseguissem ter trabalhado o clichê melhor. Todos os personagem tem essa coisa Power Ranger/Super Sentai de cada um usar sempre algo de sua cor tema e Tuesday, como o primeiro da antologia, apresentou este aspecto visual muito bem.

Segundo, a música conseguiu ser uma parte ativa em cada cena que aparecia. A ideia de ter uma música tema para cada casal ajuda muito a criar um clima diferente para cada estória e Love Sick trouxe o caráter despretensioso e veranesco que DEVERIA ter sido mostrada num roteiro que se passa em um acampamento de esportes. Cheia de trompetes e saxofones, que vão guiando a melodia junto de harmônicos e rap, a faixa é um ótimo número de R&B com inspirações de jazz e rock, funcionando além de seu caráter de tema de dorama (o que é bom né, já que o “dorama” em questão é ruim demais), mas se mantendo melosa o suficiente pra funcionar neste contexto. Além disso, apesar da ideia da catapora ser ruim, ela conversa com o título da música, mostrando um cuidado surpreendente em tudo ser harmônico para uma equipe que não trouxe uma estória minimamente decente.

Tuesday foi o pior começo possível para YDestiny e deve ter afastado muita gente de acompanhar as estórias de uma forma semanal (como se a exibição internacional oficial restringida ao vídeo ficar apenas duas horas disponível no youtube no dia de seu lançamento já não dificultasse o suficiente). Houve uma preocupação com tudo que era acessório à trama (a cinematografia, química dos atores, trilha sonora, timing do lançamento), MENOS na trama em si, que não conseguiu cumprir requisitos básicos para se manter coesa. É chocante que algo tão desconexo e fraco tenha sido gravado com tanto cuidado. Tem grandes chances de ser o pior BL que vou ver no ano x.x’

Por sorte, a trama seguinte (Sunday), com o Max e o Nat, conseguiu trazer algo mais “assistível”, senão a série poderia estar fadada ao fracasso. E, na semana que vem, nos vamos falar de tudo que ela acertou e errou, nesta mesma bat-hora, neste mesmo bat-canal xD

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5 comentários em “YDestiny, Tuesday: A última coisa que importa é o roteiro | BL Review

  1. Também odiei essa trama e quase desisti do restante. Mas resolvi olhar a avaliação de outras pessoas a respeito dos outros arcos e selecionei aqueles melhores colocados.

    Curtido por 1 pessoa

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