GUESS WHO, ITZY: Entre o esquecível e o performativo | Album Review 012

Com a proposta fazer uma resenha mais pra criticar do que pra elogiar neste mês, estamos na análise do mais novo álbum do ITZY (3º no total), esperado com bastante hype depois da ótima produção e entrega do 2º EP no último comeback (que chamou até a atenção da IU 👀). Já sabemos que GUESS WHO não chega a altura de NOT SHY, mas será mesmo que o EP decepciona TANTO assim?

Guess Who (EP) – Wikipédia, a enciclopédia livre

ITZY é um grupo muito bem construído para esta segunda metade da terceira geração do k-pop (brigue o quanto quiser, pra mim NÃO FAZ SENTIDO falar que já estamos numa quarta geração sendo que a terceira começou mais ou menos em 2014/2015): elas trabalham um som mais masculinizado, falam sobre amor-próprio e ganham aquele passe de “feministas” mesmo sem ter muita mulher na produção das músicas e dos clipes. É uma mistura bem comum ultimamente que junta o “útil ao agradável”, mantendo as mesmas estruturas de sempre nos bastidores, mas colocando em um pacote que atrai uma nova geração de fãs que acha que militar é fazer textão no twitter.

De toda a forma, o gerenciamento do ITZY segue a risca o que a JYP fez com todos os seus girlgroups: elas usam e refinam um conceito para utilizá-lo SEMPRE. Apesar de isto parecer cair numa mesmice, todos os acts femininos da empresa provaram que dá pra tirar uma boa variabilidade nesta estratégia, sem perder a consistência sonora e visual no processo (Wonder Girls e Twice são um grande exemplo disso)… O problema é que o conceito do ITZY está muito próximo da boyband bate-lata que 90% de gg stans 💖NÃO SUPORTA💖. E, desta vez, não teve jeito: elas caíram pro lado sombrio da força…

In The Morning começa o EP já deixando isto claro, com um single completamente genérico em execução e apresentação. Eu não consegui tirar muita coisa boa da música, assim como não consegui tirar muita coisa ruim e é aí que se encontra o problema. A faixa lembra tanto um número meio médio meio ruim do Stray Kids (que tá fazendo escola, já que Hot Sauce, do NCT Dream, claramente foi inspirado em God’s Menu também), seja em melodia ou em clipe (o próprio diretor é o mesmo de God’s Menu, o que diz muita coisa).

Ainda entra dentro do “conceito único” de amor-próprio do ITZY, mas de uma forma bem mais derivativa e esquecível. A própria ideia de fazer uma analogia com o jogo A Cidade Dorme (em inglês o nome é “Mafia”) na letra combinaria muito com o caráter mais descontraído e adolescente do grupo, naquele pique de não se levar muito a sério. Mas, dentro dessa estética mais sóbria, só fica meio ridículo mesmo.

A música até tenta, não vou mentir, com um refrão repetitivo que até tem seu replay factor, mas esses versos meio falados num pseudo-rap pela MÚSICA TODA (elas mal cantam) encheram muito a minha paciência, porque boybands fazem isso a rodo e vem atacando nossos ouvidos há uns dois/três anos com essas palhaçadas.

A esperança então, ficou para as album tracks. Se o ITZY serviu tanto com SURF no ano passado, porque não poderíamos esperar algum diamante perdido no meio desta tracklist?

A primeira é Sorry Not Sorry (com uma apresentação que me lembrou MUITO os números do 3YE), que traz um pouquinho de country pra mistura de trap e industrial (algo que vai ser bem presente no EP por um todo). O instrumental consegue ser bem mais interessante e menos bagunçado, mas a escolha estilística dos vocais (novamente sem muitas partes cantadas) foi um grande ponto negativo.

A música foi claramente dividida em três grandes sessões (versos, pré-refrão, refrão + pós-refrão), que se substituem de uma forma bem truncada. Não há um elemento que faça elas parecerem orgânicas uma após uma e os “vocais” falados/gritados só conseguem deixar isto mais evidente. Elas soam como nugus barulhentas e desafinadas que não conseguiram treinar muito antes de debutar porque a empresa é minúscula. Só que como são da JYP, este tipo de entrega é inaceitável.

Sério, quando poderíamos imaginar que o melhor momento de uma música de girlgroup da JYP é justamente quando todas fecham a boca e o instrumental toca? Uma tristeza de direcionamento artístico isso daí…

E o título da letra diz exatamente sobre o que ela é: “ai sou excêntrica, ai sou demais e todos tem inveja” e por aí vai… Elas já repetiram isto tanto em tantas músicas que ao invés de amor-próprio soa como prepotência mesmo…

ITZY manifest their badassery in new 'Mafia in the Morning' teaser images!  ⋆ The latest kpop news and music | Officially Kmusic

Kidding Me começa com um número de trap e vai ganhando elementos de dance-pop aos poucos, crescendo até chegar num pré-refrão delicioso (“hey stop, hey stop… don’t stop, don’t stop“) só pra desembocar nos sintetizadores industriais de sempre. Eles soam um pouco menos agressivos e barulhentos dessa vez, então nem chega a cortar tanto a progressão da música, mas o pré-refrão estava TÃO BOM… Foi um grande decepção receber o combo drop + repetição do título da música como refrão.

E a ponte então? Os breaks de dança dos clipes agora foram pras album tracks também?!

Na faixa, elas falam para alguém o quanto estão cansadas de suas desculpas e meias-verdades. É até interessante que elas dizem que estão morrendo de raiva, mas tão cantando super calminhas… Vai entender, né?

Wild Wild West deixa as referências de western presentes já no título, começando com uma palhinha acústica de valenato para construir um dance-pop levemente funky com inspirações de latin-pop e trap (claro que tem que ter o break de trap né?). A faixa parece a introdução de um anime de caubóis, com elas se mantendo as vozinhas bem mais divertidas e finas que a das faixas anteriores.

É a música que mais lembra os singles anteriores do grupo e, provavelmente, deve ter ficado na lista pra ser single, porque dá pra imaginar muito a construção de um clipe com todas de cowgirls (meio que nem o NOT SHY) enquanto os frames vão passando super rápido de uma integrante a outra. A única coisa que soa desnecessária MESMO é o break da Ryunjin, porque, de resto, a faixa até que é bem competente e combina muito com o caráter mais juvenil que o grupo ainda tem, sendo criativa (falar que conviver com elas é como o velho-oeste é um jeito bem incomum de passar a mensagem de “not like the other girls” que o grupo tem) e não sacrificando momentos de cantoria no processo.

Não é o melhor do ITZY, mas é a primeira faixa minimamente passável do EP.

ITZY is ready for the night in new teasers for their upcoming mini-album  'Guess Who' | allkpop

Shoot! mantem uma certa coesão com o velho-oeste em seu título, sendo a faixa que mais consegue equilibrar o vocal das meninas com as inspirações de trap e hip-hop que permeiam o EP. Em cima de uma batida claramente inspirada na bossa-nova, elas vão mandando uns rapzinhos meio espevitados até termos um refrão mais trap mesmo, onde cada uma canta uma frase (ficou bem legal esta transição de vocais, sério) e a faixa meio que é isso (tem menos de dois minutos e meio o negócio).

Provavelmente é uma questão de gosto pessoal meu mesmo, mas tirando as quinhentas camadas de sintetizadores, barulhos e gritos, a produção de uma faixa fica mais limpa e escutável. Os elementos ficam menos contraditórios entre si e o resultado final é algo muito mais agradável e memorável. Acho incrível que, por mais que eles forcem singles mais IN YOUR FACE, o ITZY só consegue funcionar mesmo NA MÚSICA quando pega um número menos barulhento e agressivo.

Tennis (0:0) salva o álbum do trap hip-hop com um pop acústico que faria morada em qualquer álbum do Twice. É a melhor faixa do álbum, tanto em letra quanto em melodia, justamente por não forçar o grupo como as novas rainhas do rap moderno e só deixar elas cantarem um pouco, pra variar. Utilizando a linha que divide os dois lados da quadra de Tênis como analogia, elas falam sobre tomar coragem e “cruzar a linha” para fazer o que desejam, seja se declarar pra alguém, começar uma amizade ou tentar algum tipo de atividade nova (olha Crossing the Line fazendo escola 👀).

É um tipo de música que tem o caráter “inspirador” que elas procuram trazer em seu conceito de uma forma bem mais sutil e sofisticada, sem a necessidade de um refrão repetitivo preguiçoso e nem breaks de rap desnecessários pra chamar a atenção. E, de quebra, é um ótimo jeito de finalizar o álbum, porque dá a impressão que ele nem é tão decepcionante assim kkkk

ITZY BRAZIL | GUESS WHO on Twitter: "Tá, mas vocês perceberam que a Ryujin  também tá com piercing? #ITZY #있지 @ITZYofficial #MIDZY #믿지 #GUESSWHO  #ITZY_GUESSWHO… https://t.co/1VxEkHXHDv"
Que photoshoot porco, minha deusa! Mal tem foto delas pra por no post…

GUESS WHO só não é o pior álbum do ITZY porque o álbum de WANNABE consegue ser uma grande bomba inaudível. Mesmo assim, ele consegue dar a impressão de que é A grande derrapada do grupo, porque os dois acertos tão lá no final da tracklist (depois de uma boa dose de barulheira e gritos não harmônicos das faixas anteriores). Eu estava com a impressão que a JYP finalmente tinha entendido que não adiantava tentar americanizar ou “boygroupizar” o ITZY para elas marcarem a indústria, mas, vendo o trabalho derivativo e genérico deste EP (vamos lembrar que a melhor faixa a gente associa, logo nos primeiros segundos, ao Twice) já deu pra perceber que isso tá longe de acontecer…

Talvez nem mesmo o fim do BlackPink em 2023 consiga fazer essa onda genérica e barulhenta parar entre os grupos de primeiro escalão e isto, sem sombra de dúvidas, deixa o k-pop enquanto cenário com um aspecto pouco animador (ainda menos animador do que na moda house que esgotou o gênero em 2016/2017… E olha que aquilo foi triste).

Pelo menos dá pra tirar uma lição neste comeback do ITZY e começar a levar na esportiva, afinal, o gerenciamento da JYP PROVOU pra gente que sempre dá pra ficar ainda pior ^^

ITZY Unveils Track List For "GUESS WHO" Comeback

O Aquário Hipster também tem Twitter!! Segue lá se quiser acompanhar surtos e comentários aleatórios de k-pop e BLs, com tweets ocasionais de artes e reflexões político filosóficas: @AquarioHipster

12 comentários em “GUESS WHO, ITZY: Entre o esquecível e o performativo | Album Review 012

  1. “brigue o quanto quiser, pra mim NÃO FAZ SENTIDO falar que já estamos numa quarta geração sendo que a terceira começou mais ou menos em 2014/2015” olha lá o defensor de geração mudando de 10 em 10 anos hahahaha Zoas 😗

    Mas assim, eu achei que Sorry Not Sorry facilmente seria um single mais cara do ITZY, mesmo com o MV sendo o mesmo, mas como vc disse, as letras estão ficando BEM prepotentes, pq parece que eles pegaram tweets a la Regina George e tentam replicar, dá para mudar mto, eu sei que dá (Põe essas meninas para compor, creio que vai sair MTA coisa boa e mais pura do que um bando de homens escrevendo)

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    1. Ai acho tão esquisito falar que trocou tão rápido da terceira pra quarta sendo que da primeira pra segunda e da segunda pra terceira foi todo um processo kkkk

      Nossa, mesmo eu não curtindo Sorry Not Sorry, acho que se fosse single (mesmo com o mesmo clipe) eu ia ter menos raiva desse comeback kk

      Essas palhaçadas de lacração da Regina George (ótima referência, meu kkkkk) só ver porque é homem escrevendo sobre empoderamento feminino mesmo… Me lembra um documentário que vi quando uns caras na Marvel tantaram fazer a heroína feminista com a Miss Marvel (lá nos anos 70/80) e saiu um negócio meio assim também… Acho que daqui uns dois comebacks elas começam a compor e as coisas melhoram (eu espero, pelo menos x.x’)

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      1. Então, se vc reparar a transição de segunda para terceira geração, foi um processo mais globalizado, a quarta geração já está bebendo da globalização. Exemplo, Aespa não seria o MV de debut de um grupo mais visto em pouco tempo se não fosse a internet e o apelo do Kpop, mas ainda acho que a quarta geração seria uma geração que tentará buscar uma visibilidade própria, como Dreamcatcher, por exemplo. Porém, como está todo mundo segundo uma linha igual, creio que nem dá mais para chamar de 4ª geração, mas sim uma transição lenta e dolorosa até se encontrarem

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      2. Reaaal, acho que vai ter um certo movimento de retorno as raízes depois de tanta americanização (a onda de usar coisas mais tradicionais nos realities de música conversa com isso)… Sinto que os mercados sonográficos japoneses (e até o brasileiro) sofreu um pouco disso antes de se especializar e achar uma voz mais única, mas seria só eu fanficando mesmo, porque deles eu sei muito pouco kk

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      3. Então, acho que uma hora acontecerá isso, ainda mais com o aegyo voltando as origens com Oh My Girl, Stayc e o viral do Laboum. Se o Brave Girls hitar com o comeback de verão e for sexy, aí que vou botar fé na volta das origens

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    2. eu vim falar exatamente disso. sorry not sorry foi o que eu esperei de not shy ano passado e daria pra construir um conceito muito mais divertido pra elas se garantirem como as palhacitas do kpop, pq eu consigo engolir essas letras cafonas se forem levadas na brincadeira. agora ter um velho seboso escrevendo sobre ser linda e poderosa é constrangedor. as músicas do itzy estão constrangedoras. a gente vive zoando o eu lírico da soyeon mas olha quanta letra foda surgiu das canetadas dela…

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  2. interessante você pontuar sobre Algumas letras do itzy me soar prepotente,realmente e não só o itzy ,vários outros girl grouos estão com essas de garotas más ,mas as letras parecem mais um bando de criança repetindo situações escrotas belo exemplo:tri.be loca

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    1. Nossa, eu nem fui ver a letra das músicas do TRI.BE e agora que fui ver… mano, elas tão sendo bem wtf num sentido muito nada a ver x.x’ A moda do bate-lata tá se juntando com as onomatopeias e virando um monstro 😨

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      1. Kskskskskks quando eu vir aquela letra entendi nada além de sentir raiva ,eu realmente tenho uns pontos positivos com essa nova geração mas essas letras não da ………

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