Meus Videoclipes Preferidos do K-pop | Águas Passadas 007

E mais uma vez a mente divertida do Dougie (e a sugestão do Lunei no Twitter) rendeu um megazord da Blogosfera Fundo de Quintal, com mais uma TAG que rondou os posts de todo mundo. A ideia da vez é elencar nossos clipes preferidos do asian pop e chegamos (mesmo que um pouquinho depois), na vez do Aquário ^^

Este foi um exercício bem complicado pra mim, porque eu sou PÉSSIMO em definir as minhas coisas favoritas (é um rolê bem forte que eu tenho comigo mesmo e que até me atrapalha em alguns momentos). Eu sempre vou tentando “treinar” quando aparece alguma corrente no twitter ou algo do tipo, mas, dessa vez, ai ai… Bateu fundo, bateu forte… Fiquei todo tenso com a falta de definição que tinha e como isto se relaciona com meu “bloqueio criativo” pra desenhar e tudo mais.

Não sei se é falta de percepção da minha parte ou se é algum tipo de expectativa que eu coloco alta demais pra mim mesmo (tipo, “como artista visual eu deveria gostar mais de tais coisas…”), mas é foda. Depois de quebrar um pouco a cabeça no final de semana passado, eu resolvi deixar a coisa fluir durante a semana e ver o que me aparecia… E estes clipes são os que você vai conferir A-GO-RA 🐠

10. Beautiful Beautiful, ONF

Seria estranho montar esta lista sem Beautiful Beautiful. Apesar do clipe ser SUPER RECENTE (e justamente por conta disto é que ele está em 10º), a forma como ele conversa com o conceito do lançamento, da letra e do álbum é muito legal e revive bastante um caráter mais colorido e empolgante que acompanhou o k-pop desde sua concepção (mesmo estando mais tímido nos dias de hoje). Aqui, ONF junta o máximo de referências cinematográficas de ficção científica, indo de Tron até o Quinto Elemento, conforme se rebela contra um regime autoritário distópico num estilo bem Power Rangers/Super Sentai. É um equilíbrio muito bem feito de takes narrativos, takes de coreografia e umas maluquices visuais em CG pra chamar a atenção. Mesmo depois de quase dez anos, eu ainda acompanho o k-pop com afinco e a existência de clipes tão bem feitos como este é um grande exemplo do porquê eu ainda acho este cenário tão interessante e divertido.

9. The Rain, LADIES’ CODE

Eu fiquei com um certo receio de colocar Ladies Code aqui, porque The Rain foi um clipe que mais demorou para vir a minha memória (com vários outros mais interessantes e comentáveis tendo aparecido antes), mas decidi deixar ele aqui, porque este clipe me impactou muito e, assistindo novamente hoje, eu fiquei novamente hipnotizado.

A força de The Rain está no caráter extremamente sombrio e agressivo de seu clipe, que, sob um filtro meio gótico que hoje me lembra o filme da Mansão Peregrine Para Crianças Peculiares, compara as gotas de chuva com a falta de ar (com os peixes fora d’água) e com uma violência capaz de te quebrar (com as bolas de metal sobre o vidro). Na letra, elas falam que uma pessoa/um assunto é essa chuva violenta, fazendo com que o clipe dê ainda mais substância e materialidade para este significado (mas sem chegar ao clima fantasmagórico e sombrio do acidente que as marcou, como em Galaxy, que eu não consigo assistir direito até hoje).

A mensagem, porém, é positiva, com elas andando sobre os cacos de vidro quebrado no final e mantendo seu dia primaveril embaixo de seus guarda-chuvas, que as protegem dessa “chuva” simbólica (esse guarda-chuva é uma das coisas mais bonitas e melancólicas que já vi, sério). Mesmo assim, o clipe se recusa a entregar as coisas de forma direta e termina com uma chuva de guarda-chuvas, que pode tanto significar algo ainda mais profundo quanto só ser um efeito visual impactante e classudo para ficar na sua memória

8. Excuse Me, Bestie

Por onde será que anda BESTie? Um beijo pra BESTie!

Excuse Me tem uma premissa simples e levemente transgressora, com as integrantes encontrando um óculos mágico que revela a verdadeira intenção dos homens. É bem interessante ver como eles foram escrachados na hora de representar como os carinhas são machistas ridículos (ainda mais se lembrarmos que elas estão SUPER sexualizadas nos cortes de coreografia). É uma forma interessante de atrair o público masculino e criticá-lo ao mesmo tempo (Naoko Takeuchi e os pernões das Sailors fazendo escola). Mas, o melhor de tudo, é que a estória contem uma certa progressão, revelando ao final que os carinhas que não são idiotas são os GAYS… HÁ! A sensação que meu eu adolescente (que era constantemente julgado, principalmente, por outros meninos héteros) sentiu ao ver isso foi tão prazerosa que eu lembro deste clipe com muito carinho até hoje.

7. The Real, N.Flying

N.Flying ainda estava batendo cabeça atrás de um estilo próprio em 2017 e The Real foi um passo na direção certa. Na época, eles conseguiram até chamar a atenção de gg stans que não tinham a mínima PACIÊNCIA pra homens no k-pop com isto aqui.

Em meio a uma energia positivamente caótica, os integrantes da banda estão em alto mar, a procura de uma sereia lendária gigante. Tendo de sacrificar um dos integrantes no processo, eles encontram a dita cuja, que se revela como o Moonbok, o carinha de cabelo comprido do Produce 101 (o single saiu pouco depois da segunda temporada e o Hweseung, que tinha participado do reality, tinha acabado de entrar na banda, então essa referência foi muito on point), subvertendo positivamente as expectativas de que uma gatinha da FNC seria sexualizada no clipe.

The Real é um clipe muito divertido que consegue equilibrar muito bem os integrantes com a proposta. Eles conseguiram incorporar até os próprios instrumentos no funcionamento do barco, como se realmente fosse necessário o Jaehyun tocar a bateria pro negócio se mover kkkk

6. Nar_C, Holland

Eu adoro o Holland (ele não tá no header a toa) e Nar_C foi o primeiro passo de uma abordagem bem mais amadurecida para a representação de gays que ele trouxe desde o debut. O clipe não é apenas sobre dois carinhas se beijando, é sobre mais que isso. Aqui, ele fala sobre como um casal vai se tornando cada vez mais parecido um com o outro com a convivência e como isto faz o relacionamento definhar, já que um enxerga seus próprios defeitos no outro. Isto pode parecer meio genérico, mas é um sentimento bem mais forte e presente em um casal gay masculino (quantos casais gays vocês já não viram aí que os dois carinhas parecem mais irmãos do que namorados?).

A narrativa é contada de uma forma linear, com alguns cortes de cena evidenciando o tema e a flor do narciso (que dá nome a faixa e traz esta abordagem de estar romanticamente envolvido com alguém bem parecido com você) aparece a todo momento, numa simbologia bem refinada para um ato tão jovem e tão sem recursos quanto o Holland (a própria cinematografia do clipe é impressionante e lembra algo de curta-metragem premiado). Quando o vaso para o narciso que o carinha deu chega, sendo que o próprio narciso já foi destruído (representando o fim do relacionamento), é de cortar o coração, encerrando a reflexão como uma espécie de aviso para não cairmos nessa armadilha narcisista.

A pandemia deu uma brecada nos planos dele, mas espero ansiosamente por algo novo do Holland, porque esse menino promete muito.

5. Everyday I Love You, LOONA/ViVi (feat. HaSeul)

Por mais que os clipes do LOONA tenham avançado muito mais em termos técnicos e fanficáveis até o fim da época de pré-debuts, o meu preferido é o solo da mudinha da Vivi, em seu único momento de cantoria.

Everyday I Love You traz a estética retrô noventista antes de isto virar moda, mas o faz com tanta excelência que consegue ainda se destacar mesmo com o cenário fonográfico usando e abusando dessa ideia nos últimos dois anos. Conseguiram muita coisa só pra por no clipe: os mangás, os cadernos-fichário, a câmera (que FUNCIONA!), o jogo de dança de fliperama, o celular (que FUNCIONA!), o computador (até hoje não acredito que conseguiram achar um computador com esse processador só pra este clipe), aumentando ainda mais o caráter nostálgico da faixa.

Eu assisto este clipe e uma onda de positividade me enche. Acabo lembrando dos pontos positivos do meu colegial (num período bem específico em que eu estava lendo Marmalade Boy emprestado de uma amiga nas tardes entre o ensino médio e o técnico), coisa raríssima de acontecer (porque as amizades e relações da época se esfarelaram rapidinho pouco depois e é isso que me marcou mais), e, ao mesmo tempo, também recordo de um tempo que nunca vivi, aumentando ainda mais a impressão mágica e escapista que permeia o lançamento.

E, como cereja do bolo, quando saiu o clipe da Yves, a interpretação de Everyday I Love You ficou fumadíssima e rendia uma ótima fanfic: Yves era um anjo que se disfarçou do menino loiro aí (que hoje, a propósito, tá mostrando a libidO no OnlyOneOf) para conquistar a robô ViVi durante os anos noventa… Aiai, como sinto saudades da criatividade dos orbits…

4. Sting, Stellar

O LOONA bem que tentou, mas os ápices criativos do Digipedi foram ficar justo com o Stellar, um dos grupos mais injustiçados da histórica do k-pop.

Servindo semiótica e metalinguagem, tanto Sting quanto Vibrato são um grande destaque em dizer tanto em tão pouco tempo e orçamento. Porém, depois de saber mais dos bastidores, Vibrato acabou se tornando um clipe que me incomodava cada vez mais assistir. Sting, por sua vez, mantém sua glória (até por ser menos escrachado) criticando abertamente o voyeurismo dos fãs e como elas foram objetificadas pela indústria (mas a empresa FEZ JUSTAMENTE ISSO DO PIOR JEITO POSSÍVEL, então né?!) com diversas sutilezas que comparam os cliques sedentos dos netizens com picadas, presentes não só no título, mas também através de uma representação constante de coisas que picam em todo o clipe. E, não contente com isto, ainda compara estes “fãs” a homens mais velhos pervertidos, seja pelos ângulos das câmeras, pelo figurino dos dançarinos de apoio ou pela foto do americano que aparece num porta-retratos ao fundo.

Tá pra nascer um grupo que desperte tanto a criatividade do Digipedi quanto o Stellar!

3. Sixth Sense, Brown Eyed Girls

“ÉPICO” deve ser o único adjetivo possível para descrever a experiência de assistir um clipe das Brown Eyed Girls. Elas nunca precisaram provar nada pra indústria depois de seu hit e continuaram a se desafiar e impressionar em Todos Os Seus Comebacks. A escolha de Sixth Sense não vem apenas por ele ser o clipe delas que mais me impactou, mas também por ele ser o que sabe melhor usar do formato “clipe de k-pop” para entregar sua mensagem, sem precisar ter uma duração maior que a duração da própria música (algo que eu prefiro).

Quase não há takes narrativos, a estrutura deste clipe é clássica: cortes de coreografia + close-ups em cada integrante caracterizada de forma a se diferenciar das outras. Porém, a abordagem que pegaram deu TANTO significado para cada cena, que tudo se coaduna para passar uma mensagem crítica e forte que só ressalta o quanto a música em si é poderosa. A coreografia não é performada numa caixa, mas sim de frente a uma tropa de choque de um ditador sem rosto. Os close-ups não são só elas fazendo carão, mas simbolizam diferentes papéis de aprisionamento e rebaixamento da figura feminina (sendo até inspirado em formas de tortura – mas não tem nenhuma imagem forte no clipe, relaxe).

Temos elas presas no começo, confrontando com a cara e a coragem os militares para, no final, gerar uma revolução contra o ditador, no qual elas também se libertam de suas prisões particulares. A mensagem fica ainda mais profunda pelos segundos finais mostrarem que a luta continua, com a polícia indo descer o cassetete nas rebeldes, que permanecem fixas em sua posição e não recuam.

Como eu disse: “ÉPICO’.

2. Whoo, Rainbow

Apesar de eu não conhecer tanto a discografia do Raibow assim, eu AMO um color coded. E, nisto, elas sempre foram rainhas, sabendo entregar esquemas de cores de uma forma coesa e criativa por todos os seus sete anos de existência (foi tão forte este conceito pra elas que, no comeback comemorativo de dez anos, TRÊS ANOS DEPOIS DO GRUPO TER ACABADO, tudo começou meio que na surpresa, com cada integrante postando fotos de objetos de sua cor tema no instagram, e TODO MUNDO SACOU NA HORA). Whoo demonstra muito bem esta característica tão marcante do grupo, consistindo, basicamente, nelas sendo fofas e sexys enquanto referenciam sua cor e brincam com o próprio conceito óptico de “cor” no processo.

Podemos analisar “cor” enquanto pigmento ou luz. Simplificando bastante, se estamos falando de pigmento (que provém das características únicas de como cada objeto reflete a luz na natureza), a junção de todas as cores é um cinza super escuro (“preto”) e, se estamos falando de luz, todas as cores provem da divisão do espectro da luz branca (que até faz feat no clipe). Assim, elas aparecem com roupas pretas (referenciando o pigmento) enquanto a cor tema aparece como um quadrado em meio a um fundo branco (referenciando a luz). Várias referências mais diretas (como elas misturando as bebidas coloridas e dando preto no final) ou mais sutis (como os sapatos quando elas estão com as roupas pretas) mostram que este clipe aparentemente simples foi muito bem montado. Quando o vídeo acaba e aparece um recorte de cada integrante NA ORDEM DO ESPECTRO DE LUZ DAS CORES que forma o arco-íris (que dá nome ao grupo), você sente o quão impactante e bem executado foi isso aqui.

1. WITCH, Boyfriend

Foi WITCH o clipe responsável por me trazer de volta ao k-pop depois das polêmicas da Bom e da Jessica, então é claro que ele ocuparia a posição principal. Sem nem ter quatro minutos, os garotos do Boyfriend conseguem entregar uma narrativa de fantasia urbana, com vampiros cheio de fanservice BL que estão tentando viver disfarçadamente entre os humanos, conhecendo uma menina aparentemente tontinha, numa narrativa típica de um anime de harém-reverso.

Sendo ameaçados por uma figura desconhecida, eles são desafiados para um duelo final, apenas para descobrir que a tonta é uma caçadora de vampiros disposta a destruí-los. No clímax, uma luta entre ela e os seis ocorre (em uma coreografia de luta bem impressionante para um clipe de k-pop) em que ela ACABA COM A RAÇA DELES. No fim, o clipe acaba com todos eles MORTOS e a polícia vindo ver o que acorreu.

E no meio disso ainda conseguiram colocar os cortes de coreografia com fucking cortinas e close-ups na cara deles caracterizados de vampiros e atuando como vampiros. Este foi o ápice do Boyfriend e, em retrospecto, um ótimo exemplo do melhor que a época de transição entre os lançamentos mais conceituais de hoje e os mais focados em coreografia/carisma, que marcaram a segunda geração, pode oferecer.

Incrível, apenas.

Rainbow - Whoo | Midori Kitty Kitty!

Eu nem acredito que eu consegui escolher os clipes e acabar este post 😆 Toda vez que eu consigo superar essa dificuldade de definir favoritos, eu sinto como uma grande vitória (por isso mesmo não desisti de fazer o post) e, agora, é como se um peso tivesse saído dos meus ombros. Eu sei que nada disso é escrito em pedra e nossas opiniões mudam constantemente, mas conseguir fazer algo tão difícil pra mim que depende unicamente de autoconhecimento parece um avanço muito gratificante, por menor que seja, para descobrir melhor o artista que eu sou e quais métodos e ramos dessa nova profissão eu vou seguir (depois de bater tanto a cabeça no técnico e na primeira faculdade).

Enfim, muito obrigado por ler o post (e meus desabafos no processo kk). Se quiser, conta aí nos comentários, quais são seus clipes preferidos ^^

Ladies' Code Returns With “The Rain” – Seoulbeats

O Aquário Hipster também tem Twitter!! Segue lá se quiser acompanhar surtos e comentários aleatórios de k-pop e BLs, com tweets ocasionais de artes e reflexões político filosóficas: @AquarioHipster

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