Redd, Whee In: Mais um EP solo ruim para o Mamamoo? | Album Review 013

Acredita? Pleno domingo e estou cumprindo o cronograma do Aquário enquanto tento perder o medo de baixar emulador pra voltar a jogar Pokémon (tô numa vontade MONSTRA de jogar de novo kk). Whee In deu a SORTE de lançar seu primeiro EP em abril, um mês em que teve poucos atos femininos para ofuscar o holofote dela. Depois da Hwasa decepcionar pra caramba em seu solo e jogar no lixo toda a sonoridade do Mamamoo no processo, o que podemos esperar da integrante mais pseudoindie do grupo?

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Com uma série de lançamentos que eu desgostei, acabei me afastando bastante do Mamamoo depois de gogobebe e nunca fui atrás de saber muito mais além do senso comum sobre o grupo. Achei meio confusa a ideia de debuts solo delas (teoricamente, a Whee In já debutou solo com a gostosinha Easy em 2018 – não confundir com a gostosona Easy que analisamos ontem), uma vez que o grupo é famoso o suficiente pra já entregar um mini álbum pra cada uma (sem precisar de singles soltos e tudo mais). De toda forma, a Moonbyul já tinha seu EP e a Hwasa também (ambos bem decepcionantes) e a vez da Solar e da Whee In estava chegando… Eu JURAVA que a Solar ia ser a próxima (até por ela ter lançado Spit It Out ano passado), mas, né, Whee In resolveu lembrar que sabe cantar sozinha e participou desse projeto aqui.

De todas as integrantes, a Whee In sempre foi a que me chamou menos a atenção e a que meu menos percebia os vocais nas músicas. A única coisa que eu sabia é que a vibe da mulher era muito mais ligada a lançamentos alternativos do que a mainstream (como a Yenny/HA:TFELT no Wonder Girls), mas como a vibe cômica da Solar foi toda contaminada pelo Hwasa-gate, eu estava certo de que não tinha muito o que esperar daqui não…

Na primeira vez que ouvi water color, fiquei um pouco assustado com a semelhança entre os timbres dela e da Hwasa. Agora, depois de um tempinho, eu vejo que é muito mais sobre eu projetando o que eu esperava da Hwasa na mulher do que qualquer outra coisa (já que me falaram que os timbres das duas são parecidos mesmo). A faixa é um tipo bem animado de ballroom noventista, que te convida a esquecer seus problemas mexendo sua bunda da forma mais poderosa possível. É como um single bom da Chung Ha, mas com uma pegada mais alegrinha e uma letra melhor…

Na letra, Whee In usa a ideia de aquarela como analogia e, apesar de eu ter um conhecimento bem raso sobre o assunto, vale uma explicaçãozinha aqui: diferente da tinta acrílica ou da tinta a óleo, a aquarela é um tipo de pintura que tem muito menos definição e controle direto sobre para onde a tinta irá depois que o pincel toca o papel/tela (por isso eu acho mais difícil e sei menos 😅). Ela funciona, mais ou menos, com as tintas “escorrendo pelo papel” enquanto você mexe nelas o mais rápido possível, antes que sequem.

A partir dessa base, Whee In usa este caráter mais inconstante da aquarela para descrever sua própria inconstância, procurando escapar das “linhas” que a prendem a um típico único de papel e cor. Visualmente, é como se um desenho fosse perdendo lentamente sua lineart pra mudar sua forma livremente, sem se preocupar com uma harmonia entre a paleta de cores ou com a própria lógica que o desenho de representação sugere. É um negócio muito bem escrito, com menções cirúrgicas sobre partes contrastantes de uma mesma vivência (no break por exemplo, ela se consola, falando que pode chorar quando não está muito bem, LOGO DEPOIS de ter falado que era a mais gostosa das gostosas).

Wheein Enjoys 'Redd' Wine In The 2nd Concept Photo For Her Upcoming Solo  Album

No clipe, ela exemplifica isso alternando looks mais clássicos e chiques com visuais mais urban, usando e abusando do contraste entre azul e vermelho no processo (sim, o pavão tá do lado dela só pra contrastar com o vestido). Com a coreografia, ela tá dançando de uma forma super a vontade, dando realmente vontade de aprender um passinho ou outro. E, pra coroar, temos uma animaçãozinha psicodélica durante o último refrão da faixa, que só deixa ainda mais orgânica a relação do clipe com o tema de aquarela.

Eu AMO quando uma grande gostosa resolve ser tridimensional em seu trabalho e water color é um single muito forte por trazer um ritmo super empolgante, uma coreografia frenética e uma letra bem reflexiva. Com pontos bônus por eu ser um artista visual e ela mencionar coisas como desenho e pintura durante TODA A FAIXA.

Depois do single, é esperado que algo mais tranquilo com a cara do pseudoindie coreano apareça e TRASH começa as album tracks justamente neste estilo, com a participação do pH-1 pra aumentar ainda mais as chances de isso aparecer no K-Indie do Spotify. Num número de R&B e hip-hop que bebe bastante da fonte synthpop, Whee In vai suavemente cantando sobre suas inseguranças enquanto tenta se distrair com um rolê meio romântico/sensual junto de seu parceiro, que, no segundo verso pelo pH-1, responde que também se sente inseguro e tá com o mesmo sentimento de romance e pegação pra esquecer um pouco isso. Confesso que a letra é um pouco confusa e um pouco desconexa, então talvez o “lixo” que eles estejam mencionando não seja uma autodepreciação, mas, sim, um falando do outro @.@’

De toda forma, é uma daquelas faixas curtinha que não tem uma ponte depois das duas rodadas de versos, soando mais como um interlúdio do que uma faixa completa. Mesmo assim, é uma faixa bem produzida, com instrumental interessante de ouvir (é muito bom ouvir algo nessa toada que tenha tantos elementos brilhando na backtrack) e um ótimo uso de contraste entre as vozes dos dois pra não soar cansativa ou repetitiva. E a Whee In ainda foi esperta pra colocar dois clipes pra melhorar o replay factor: um apostando em coreogradia (acima) e outro apostando em carisma (abaixo). Foi realmente um investimento dela na faixa (em que ela participa na escrita da letra, a propósito) e, com esta dedicação, eu tô disposto a dar uns replays sim.

OHOO é a única faixa escrita unicamente por ela (abaixo tem o clipezinho oficial, que conta até com legendas em português!!). A faixa é um daqueles números acústicos pop fofinhos que marcam presença em todo álbum do Mamamoo, só que só na voz dela. A letra, ela, aparentemente, é um grande ode ao gatinho dela, Gnomo.

O clipe é fofíssimo e a BoA já fez uma música pra gata dela, então nem é um negócio tão esquecível assim… Tá bom, É kk

Se fosse o único número mais lento do álbum talvez impactasse mais, porém, como não é, não rolou não…

O que é mais impressionante de Butterfly é que, na versão do álbum (e não na do clipe aí embaixo), a primeira voz que aparece é a do feat, GSoul, quebrando bastante um clima de marasmo que o álbum poderia ter a esta altura da tracklist. A voz dele é mais baixinha e frágil do que a da Whee In, dando mais um contraste vocal pra tracklist (que se diferencia do que vimos em TRASH), e só isto sozinho já deixa a faixa mais impactante do que a anterior, mesmo sendo uma baladona by the numbers com uma letra ultrarromântica em que escorre açúcar e lágrimas pela tela. Por mais que o instrumental tente se manter interessante, parece um tema de dorama e isto nunca é bom.

A letra é bonita e tals, mas eu sei que a Whee In tem uma vozona super aguda… Ela não precisa me provar isso por duas faixas seguidas. Mas a troca da ordem do vocal do feat foi genial demais, sério… Essa mulher devia dar aula pro pessoal do K-Indie de como deixar as coisas um pouquinho mais diferenciáveis entre si sem mudar muita coisa nas músicas kk.

Springtime combina em transição com Butterfly e em estilo com OHOO. Como essas são as duas faixas mais fracas da tracklist, já dá pra deixar as expectativas lá embaixo, certo? ERRADO.

A faixa (diferente da versão acústica do clipe aí embaixo) tem uma produção bem interessante, mirando no vaporwave e na bossa-nova AO MESMO TEMPO, deixando a música com elementos contrastantes bem fraquinhos espalhados por seu instrumental, que referenciam, indiretamente, todas as sonoridades que o álbum trabalha. É uma faixa delicada, fora da casinha, que ganha justamente pela sua produção super interessante, cheia de sintetizadores e instrumentos escondidos no instrumental, para você achar aos pouquinhos, conforme vai escutando de novo e de novo em momentos mais calmos.

Na letra, o eu-lírico assume o papel da primavera enquanto conceito abstrato e metáfora, como se a própria Whee In se misturasse com a primavera conforme observasse seu interlocutor crescer e, como ela diz no videozinho aí embaixo (ela quebrando a personagem no último segundo é hilário kk), este interlocutor são seus fãs… Achei bem legal uma faixa complexa como esta ter sido um presente pros fãs. Eu, como fã, me sentiria valorizado.

Sem estragar o instrumental no vídeo que fez, NO THANKS continua a brincadeira com sintetizadores diversos e sutis de Springtime, de uma forma um pouco menos maluca, seguindo uma estrutura mais padrão de números mais lentos que se ligam ao house e a um estilo bem “música de praia”. A faixa, no fundo, é um R&Bzão, em que Whee In volta a letra ultrarromântica, (“meu coração vai petrificar um dia”, olha o nível da fossa) pedindo a seu interlocutor que venha a seu encontro, pois PRECISA dessa pessoa/assunto perto (mesmo concluindo no final da faixa que se machucaria mais se isto voltasse).

Não é um tema que combina muito com o final de um álbum, mas é uma sonoridade que combina com um encerramento sem soar monótona, então tá valendo. A faixa tem um clima suave, tranquilo, como se desaparecesse lentamente conforme estivesse tocando. A forma como o vocal dela se alinha para ressaltar os pontos mais interessantes do instrumental aparece novamente como destaque e isto é que faz a faixa não soar o mesmo R&B sem gosto que o K-Indie desova (quando não tá ocupado no trap de menos de três minutos). Se ela fosse uma Taylor Swift da vida, os Moomoos iam traçar quinhentas ligações até achar a pessoa para o qual esta indireta nem tão indireta foi direcionada, mas, como é k-pop, fica por isso mesmo e ninguém fala no assunto.

Vou ser bem sincerão aqui: meu hype pra isso aqui era zero. Minha vontade de ouvir era negativa. E eu tinha certeza que ia acabar escolhendo um álbum masculino pra resenhar este mês ao invés desse… Até eu ouvir o single e arriscar um play.

Após ouvir esse álbum, eu sinto que ele foi muito bem produzido, algo que é muito difícil de dizer de 90% do que qualquer cenário fonográfico desove. Isto é mérito da própria Whee In (por conseguir fazer algo lembrável, ouvível e, ao mesmo tempo, a cara dela) e do Park Woosang, produtor da RBW, que assina a produção e composição de todas as músicas do EP. Eu dei uma pesquisada e vi que ele também produziu as músicas que não curti dos EPs da Hwasa e da Moonbyul, então fiquei me perguntando o quê raios deu tão errado nas outras duas que deu certo pra Whee In… Acho que a vibe dela combinou mais comigo, não sei kkkk

O mais interessante de Redd é que ele tenta se diferenciar um pouco das “músicas de cafeteria” que mancham a carreira dos pseudoindies com um caráter esquecível e genérico, mesmo não prometendo ser muito mais do que “música de cafeteria” também. Whee In foi muito sagaz ao quebrar nossa expectativa no decorrer de sua tracklist e, apesar do EP não ter tanto replay factor enquanto álbum, é uma ouvida legal de ser feita pela curiosidade (como foi meu caso): water color é um ótimo single (apesar de te enganar por destoar de TODO O RESTO DO EP melodicamente), Springtime é uma ótima album track e TRASH junto de NO THANKS são faixas competentes.

Então, no fim, considerando que minha expectativa era NULA, o saldo do álbum foi bem positivo… Vamos ver como a Solar vai se sair agora. Só falta ela…

MAMAMOO Wheein Hits No. 1 on Domestic Charts with 'Water Color' + Song Tops  over 10 iTunes Charts | KpopStarz

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4 comentários em “Redd, Whee In: Mais um EP solo ruim para o Mamamoo? | Album Review 013

  1. Eu espero muito dela, gosto do timbre mas geralmente ela não lança algo catchy. que pena. Espero ver uma power ballad que me faça cantar muito.

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  2. A única que eu gostei nesse EP dela foi a própria water color, mesmo. Quanto ao feat. dela com o GSoul (que mudou de nome artístico umas trocentas vezes, pra mim ele é o Puff Daddy / P. Diddy / Sean Combs do k-pop), tava esperando algo na linha do deep house, assim como ele fazia quando tava na JYP:

    Aliás, lembro que o Bruno (olar, ASIANMIXTAPE!) fez uma review do EP dele e rasgou seda pro release (e com razão):

    Outras músicas que eu recomendo dele são a sombria Coming Home, Superstar (que parece uma demo roubada do Jamiroquai, e isso é um elogio e tanto), o gostoso cover que ele fez de Smooth Operator (a versão original é da cantora Sade) e Very Long Term Lovers (um outro cover delicinha, dessa vez de uma boyband véia do k-pop, feita em parceria com o produtor Jinbo):

    Curtido por 1 pessoa

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