FIRST, EVERGLOW: As semelhanças desconfortáveis da modinha “bate-lata”

EVERGLOW estava nos olhos de todo mundo neste comeback, depois de terem surpreendido o UNIVERSO ao lançar um single bate-estaca que manteve todo o caráter agressivo no qual o grupo se propunha. Elas ganharam top 20 E top 10 nas melhores do ano passado pra mim (14ª pra LADIDA e 6º pra UNTOUCHABLE), claro que eu já estava pronto pra mais uma surpresa dessas né?

Bem… O grupo escolheu uma semana muito boa pra fazer comeback, já que elas são o ato feminino mais forte no mainstream com lançamento nesta semana (mas GWSN ganha no meu coração) e só assim pra todo mundo conseguir ter tempo de criticar a demo barulhenta de FIRST em posts solo…

Mas Contudo Todavia Porém, eu estou com a pulga atrás da orelha pra estes lançamentos try-hard cheios de sintetizadores, por quatro motivos específicos: (1) as reflexões promovidas pelo post da Carla sobre o PIXY, (2) o fato do refrão da mais nova barulheira do TRI.BE, que já critiquei aqui no blog, estar grudado na minha cabeça (de forma positiva), (3) os questionamentos de filosofia da arte que vi na minha aula hoje e (4) as conversas rápidas que tive ontem sobre o álbum da Olivia Rodrigo com a Rafa.

É curioso pensar que o EVERGLOW está lançando FIRST como um apelo ao ocidente, porque o próprio ocidente parece estar consumindo algo na via totalmente oposta da faixa: bedroom pop (sabe aquelas músicas confessionais super calminhas e com sintetizadores super suaves que te deixam com sono?), corporificado no sucesso gigantesco de SOUR, o álbum de estreia da Olivia Rodrigo. Então, como o lançamento do EVERGLOW pode ser tão “ocidental”? O que causa nesta onda de girlcrush que mostra isso?

Seria o sucesso do BlackPink? Talvez, afinal elas hitaram muito no ocidente (e em outros países da Ásia também), com um som mais agressivo… Mas o último comeback do grupo foi numa via totalmente diferente desta. Seria por seguir alguns maneirismos do In The Morning, o lançamento do ITZY focado no ocidente (tanto que teve comeback na sexta, costume nos EUA, e não na segunda, como costuma ser na Coreia)? Talvez também, por a faixa lembra e muito as estruturas “de boyband” que pudemos associar ao caráter inofensivo do lançamento (e do álbum) do ITZY.

Mas, parando pra pensar, o que, de fato, o lançamento do EVERGLOW tem de tão parecido com estes dois atos? Existe esta coisa do girl power como conceito e não como empoderamento de fato (acredito que elas também não participam da produção das músicas), mas, musicalmente, FIRST parece ser um pouco mais criativa e bem-pensada do que as grandonas da YG e as novinhas da JYP.

Existe uma construção mais orquestral no início, vocais estourando no pré E no pós-refrão (algo que nunca aconteceria no BlackPink e no ITZY), além de muito mais palavras que o comum para um refrão dentro desta modinha. O drop com enfoque no sintetizador barulhenta está presente sim, mas ele não dura tanto tempo assim sozinho na faixa. A própria produção da faixa é muito mais bem colada entre os vários elementos da música, apostando numa variabilidade sonora bem mais orgânica e audível do que o que estamos acostumados.

Mesmo assim, ainda temos uma semelhança entre os atos (e consequentemente, do EVERGLOW com “música barulhenta de boyband”) que se pauta, principalmente, no desconforto que sentimos ao ouví-la. Numa questão de gosto, meus ouvidos ficam incomodados com o sintetizador que decidiram ser o destaque da faixa, e isto já me fez associar a coisas que me causaram este mesmo desconforto (seja BlackPink e ITZY ou as nugus como PIXY). PORÉM, escutando In The Morning de novo, é BIZARRO o quanto as faixas são diferentes, mesmo sendo tão similares.

Em FIRST, temos muito mais elementos e muito mais esforço para a música ter uma força própria. É muita coisa acontecendo (até visualmente, os efeitos visuais prometiam muito, mas são muito e aparecem tão rápido que mais confunde) e isto parece ser proposital. Tem muito mais elementos e referências que o usual pra este tipo de lançamento e, talvez, era justamente este tipo de reação que a equipe do EVERGLOW está querendo causar.

Imagina a fã de ITZY e BlackPink escutando isto? Essa riqueza de elementos e harmônicos que não disputam entre si, mas direcionam toda esta agressividade para um único ponto e objetivo na música. Se eu gostasse mais deste estilo, eu ia ficar maravilhada, sério. FIRST é muito mais inteligente em entrega e execução do que estes grandes grupos de primeiro escalão estão fazendo e me lembra (agora de uma forma positiva kk) as “barulheiras” que eu GOSTO, como alguns singles do Stray Kids e o debut do BLITZERS (que é muito bom e panfletarei muito no decorrer do ano kkk).

Assim, eu termino de escutar o single com muitas perguntas na minha cabeça e até reavaliando o que eu considero “bom” e “ruim”. Passando por cima da mesma camada de “bate-lata barulheira”, existe uma verdadeira variabilidade de sons e tentativas, assim como o ballroom noventista e o synthpop que tanto amo tem.

E É MUITO CURIOSO, porque elas entregaram o synthpop que amo (desta vez misturado com disco) como b-side em DON’T ASK, DON’T TELL (tem tudo pra se tornar a UNTOUCHABLE de 2021 💖). Então, apesar de não ter gostado muito do single em si, não consigo não levá-lo um pouco em conta em meio aos outros que apelam para a mesma vertente.

EVERGLOW – Last Melody (Single) | ♥ Bubble Days...

EVERGLOW decepcionou por “voltar as raízes” e entregar mais um single cheio de sintetizadores barulhentos? Sim, muito. Mas não tem como negar que o nível de entrega delas está bem melhor do que o da modinha que segue este estilo. FIRST conseguiu fazer algo que nenhum lançamento deste ano neste estilo conseguiu fazer: ele me marcou, ficou na memória, promoveu algum tipo de reação e surpresa da minha parte. Então, se for para termos mais coisas na modinha try-hard feminina, que sejam coisas com o pulso e inteligência da equipe do EVERGLOW, ao invés da preguiça e caráter genérico do ITZY, que, depois deste lançamento, só fica mais nítido que subestima a sua audiência (algo que o EVERGLOW, apesar de tudo, nunca fez até então…).

Eu fiquei realmente pensativo sobre a relação entre a agressividade dos lançamentos coreanos “voltados para os EUA” e a calmaria dos próprios lançamentos dos EUA (pela deusa, a RAPPER americana do momento tá hitando lá lançando música disco… DISCO!!), então se eu tiver paciência e tempo pra pesquisar sobre, vou fazer um post falando sobre isto (tentando traçar um histórico dos ritmos mais industriais na Coreia e tudo mais), fala aí nos comentários se você ficou curioso pra um post assim (que me incentiva a colocar esta ideia em prática👀).

Watch: EVERGLOW Is Triumphant In Fierce “FIRST” Comeback MV | Soompi

O Aquário Hipster também tem Twitter!! Segue lá se quiser acompanhar comentários aleatórios de k-pop e BLs, minha “stream” textual jogando Pokémon e tweets ocasionais de artes: @AquarioHipster

5 comentários em “FIRST, EVERGLOW: As semelhanças desconfortáveis da modinha “bate-lata”

  1. Fiquei curioso,e é interessante parece que na coreia a uma tentativa de seguir o convencional que deu certo com bp,mas sempre tem um ponto que falta para essas empresas esquecem quando maior a empresa maior sua relevância,então aposta num publico internacional sem ter uma marca muito chamativa acaba sendo um tiro no pé.
    Se as empresas fossem mais inteligentes ,faziam uma pesquisa geral sobre oque esta tando certo e sobre oque não esta sendo muito utilizado .
    Essa jogada foi usada pela happy face e gerou o dreamcatcher que é um grupo bem estavel.

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    1. EXATO!!! O BlackPink daria certo não importa o que lançassem, na real, então tentar seguir a onda delas pode acabar dando mais mal do que bem =/

      O exemplo do Dreamcatcher é muito bom mesmo. A carreira das meninas do MINX foi salva e, de quebra, a empresa conseguiu ir crescendo e ficando melhor no gerenciamento com a estabilidade do grupo.

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  2. Eu incentivo qualquer debate seu porque amo ler suas opiniões.
    Sobre o single, eu senti como uma rasteira, fiquei muito impressionada com La di da e a b-side_ não consigo ainda escrever corretamente o nome da música_ na minha opinião foi top 5 de lançamentos do ano passado.
    Mas essa agora…não estou tendo mais paciência pra essas barulheiras que os girlgroups andam focando, a gota da água pra mim foi o Itzy, que até estava simpatizando ultimamente por achar as músicas e coreografias legais e por Ryujin servir tudo_ como a galera diz em hoje em dia_ e vê-las retroceder nesse bate panela de bgs genéricos, foi de doer. A música fica pior com o passar dos meses e tá envelhecendo igual leite.
    Vou ser franca e dizer que não conseguir chegar até o fim dessa First_ é basicamente os mesmos visuais que os bgs e do Blackpink_ e barulho demais.
    Mas acho bacana por não serem de agência big3, não é querendo ser chata mas ultimamente torço demais pra as de outras agências virarem o jogo, as do big 3 só lançaram tranqueira e tão hitando entre aspas por causa do fandom.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Ai brigado 💖💖

      Nossa, a cada semana depois desse lançamento fica cada vez pior a música. Já tá virando referência pra música ruim (nem estamos mais citando o BlackPink, mas sim o ITZY… olha como foi ladeira a baixo…)

      “Mas acho bacana por não serem de agência big3, não é querendo ser chata mas ultimamente torço demais pra as de outras agências virarem o jogo, as do big 3 só lançaram tranqueira e tão hitando entre aspas por causa do fandom” – mas você está certíssima… Tem que acabar o monopólio da Big3 (+ HYBE) mesmo, se pegar de 2015 pra cá, são nugus e ex-nugus que estão entregando TUDO pra renovar o cenário mesmo

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