Moonshot, N.Flying: Um equilíbrio incomum às bandas de rock

Eu AMO o N.Flying. Um dos meus atos de k-pop preferidos atualmente e, de longe, minha banda preferida, estes carinhas conseguiram me conquistar muito com uma sincronia de bom humor, vulnerabilidade emocional e covers que deveriam estar no Spotify de tão bons. Depois da adição de um novo membro ano passado, veio um comeback fofíssimo, mas que ficou muito aquém do que a banda poderia entregar. Agora, com eles finalmente lançando um full album na Coreia (SIM, tem mais de 30min T^T), a minha expectativa pra eles voltarem o pulso de 2019 era GIGANTESCA:

Algo que espantou desde que começaram os teasers foi o caráter sombrio e reflexivo que o single parecia promover. Eu comecei a conhecer as k-bandas justamente pela dicotomia entre o lado sombrio e trevoso (“velvet”) do Day6 e o lado alegre e zoeiro (“red”) do N.Flying, ver agora os meninos voadores jogarem uma paleta sóbria na Coreia é bem surpreendente (se tinham isso, era mais nos lançamentos japoneses mesmo). Seja pela ineficiência do single do Day6 neste ano ou pelo meu favoritismo pela banda, sair da zona de conforto não só trouxe uma música legal, como se consolidou em um DOS MELHORES SINGLES DELES.

Moonshot, como esperado para a banda, é um número de rock com raps, com grandes influências de j-pop e rock dos anos sessenta. Mas Contudo Todavia Porém, a produção da faixa traz um caráter mais sombrio, antigo, com leves toques de jazz e sussurros macabros entre o rap do J.DON/Seunghyub e os gritos do Hweseung. E que gritos, hein? Eu acho que ele é um dos vocalistas masculinos mais marcantes dessa época de transição entre terceira e quarta geração (lembrando que ele entrou pra banda só em 2017), mas não só por entregar uns gritos de propriedade: todo single do N.Flying tem a voz dele muito bem colocada, pra realmente se destacar, seja pelo contraste com os coros de todo mundo/voz grave do Seunghyub seja pra deixar os refrãos ainda mais potentes.

E é justamente no refrão que reside a maior força de Moonshot, apostando em TRÊS momentos pra grudar na sua cabeça, todos em sequência (“fed the fiiiiiiiiiiiire“/”man on the moon“/”if you wanna change, be not afraid“). É uma construção mais comum pra coisas mais popzinhas e, em meio a algo mais roqueiro, realmente destaca a música do resto de seu cenário. O resultado final é um refrão catártico, que evidencia o caráter dolorido dos receios que eles abordam na letra e deixa ainda mais palatável a paleta de cores sóbrias no clipe.

Sobre o clipe, é MUITO DIFÍCIL eles entregarem um clipe que não fique na memória desde o clipe do sereio. Como esperado, o Jaehyun (o baterista) rouba a cena (até porque é o integrante mais famoso), sendo o que consegue melhor ter a expressividade necessária pra convencer a traminha simbólica do medo de estar sendo observado e julgado por todos (com a superação disso sendo representada pela destruição da Lua). Eu acho INCRÍVEL como aconteceu uma espécie de Namie Amuro e Super Monkeys ao reverso com o grupo, com os vocalistas dividindo cada vez mais espaço para os outros membros da banda aparecerem (o Seunghyub escreve boa parte das músicas e sempre se deixa ficar como segunda voz… Sério, é bem legal essa divisão, ainda mais no meio roqueiro, que os fronts sempre ganham mais destaque).

Cinematograficamente, por sua vez, temos uma ótima referência ao filme Viagem a Lua (um dos primeiros filmes de estória ficcional já feitos) e efeitos visuais muito impactantes na transição entre uma cena e outra (a cena que eles pulam na lua ficou DEMAIS, sério).

Mesmo achando que a ordem da tracklist poderia ser melhor, eu fiquei muito feliz ao ouvir o álbum, não apenas por FINALMENTE eles terem um full coreano, mas também porque, neste compilado de dez faixas, conseguiram trazer todo o tipo de sonoridade e influência que representa muito bem o estilo que a banda foi construindo ao longo dos anos. Tem baladinha sentimental, roquezinho emo, pop-rock mais dançante, um números mais fofinhos… Eu já vi umas entrevistas deles (um dos únicos atos que tenho paciência pra fazer isto, na real kkkk) e eles sempre foram muito preocupados com a vontade de ter um estilo próprio e facilmente identificável em meio ao cenário cheio de atos como o da música coreana mainstream. Este tipo de receio, pra mim como artista estudante, é algo que permeia tudo que eu faço (seja pintura, desenho, escultura e até escrever aqui pro blog) e é muito amorzinho ver que eles conseguiram isso de uma forma tão natural e gradual.

Download [Album] N.Flying – Man on the Moon (MP3)

Moonshot tem tudo pra ser meu xodozinho de rock neste ano (bate de frente com The Volunteers em termos de qualidade) e mostra o N.Flying cheio de pulso, criatividade e personalidade pra acordar um pouco o cenário meio morto do k-rock (sério, além deles e do Day6, que ato memorável tem… O ONEWE? hahaha). Mal posso esperar pra saírem as entrevistas deles nos talk shows (principalmente o do Sketchbook… Este programa é o único que eu vi que os cantores de k-pop falam de… música! Quem diria?), pra termos mais insights sobre o conteúdo das letras, o motivo por trás da simbologia da lua e por aí vai… Tem tudo pra ser um dos meus álbuns preferidos do ano (se eu não estivesse numa época de economia, CERTEZA que ia comprar o álbum físico) e os atos deste mês vão ter que dar o melhor de si se quiserem que eu escolha fazer Album Review deles ao invés do N.Flying…

P.S.: Abriram de novo uma fanbase brasileira pro N.Flying, vai lá seguir e apoiar 💖 É muito difícil achar algo assim deles que não esteja só em coreano ou japonês T^T

P.S.S.: Chocantemente, eu curti o EP do EXO, então vai ser osso escolher as Album Reviews do mês que vem… Vamos ver se o Twice, as Brave Girls e o A.C.E vão entregar álbuns tão legais quanto os de hoje?👀

N.Flying - Wikipedia

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2 comentários em “Moonshot, N.Flying: Um equilíbrio incomum às bandas de rock

  1. Poxa, que musiquinha bacana. Eu conheci eles lá na época de The Real e na minha opinião foi um dos mvs mais criativos que já tinha visto. E o mini da época também gostei.
    Mas depois larguei eles de mão em How are you today, porque achei a title fraca, e é um pouco desanimador por conta de não ter tantas informações deles assim_ talvez a frequência seja diferente, já que eles são uma banda_
    Vou até conferir o álbum depois vê se me simpatizo de novo.

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    1. Aconteceu a mesma coisa comigo e aí depois só voltei quando lançaram Rooftop e hitou lá na Coreia… Eles são bastante ativos em redes sociais (o baterista e o guitarrista em um canal no youtube que chama 2IDIOTS e todo semestre eles fazem uma viagem juntos, gravam e postam no youtube como se fosse um reality show pequenininho kk). Mas de coisa de fanbase e tals é bem dificil de achar, só consegui ir achando porque ia vendo as coisas em inglês…

      Eles tem uma periodicidade meio esquisita… Achei que tinham deixado um lançamento coreano por semestre, mas ano passado foi um EP só e umas coisas no Japão kk (eles lançam bastante coisa no japão, o full álbum de lá veio até antes do coreano @.@’)

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