City of ONF, ONF: Uma fanfic furada | Album Review 014

Depois de atrasar de novo (risos), chegamos a esperada Album Review de City of ONF!!! Cheio de bons singles, o primeiro full album, com direito a repackage, do ONF veio com uma boa proposta e até oportunidade pra dar uma teorizada em cima da tracklist 👀 Será o álbum realmente conseguiu se destacar em sua proposta? Ou, como sempre, é mais um álbum que promete muito e entrega pouco?

情報] ONF 正規一輯改版[CITY OF ONF] 概念照

Sendo este o segundo comeback do grupo pós-Road to Kingdom, dá a entender o quanto a WM tá querendo que o grupo hite: todo o projeto foi cercado de uma megalomania. Não só o clipe de Beautiful Beautiful foi caríssimo, quanto a própria ideia de lançar um full album dá ao lançamento um caráter mais robusto e que chama a atenção. No total, foram três singles, com mais quatro album tracks sendo interpretadas em music banks num período de dois meses. É muita coisa pra um lançamento só de um grupo que, em si, não é tão hitado assim…

E, numa superfície, aparentemente este esforço resultou no comeback mais memorável e bem trabalhado da empresa neste ano (que também é casa do Oh My Girl e do B1A4). ONF é o grupo mais fraquinho deles em vendas e charts e a impressão que dá é que, pela primeira vez, os trataram como O GRANDE ATO. Com os singles e algumas album tracks se destacando numa primeira ouvida, as expectativas que eu tive pra este álbum foram bem altas…

Como estamos pegando a versão de repack, já começamos com o terceiro single, Ugly Dance, o mais fraquinho dos três. Com um introdução épica, tanto no clipe quanto na referência orquestral a Beautiful Beautiful, chegamos a algo muito mais simples, com eles dançando dentro de um galpão temático em dois figurinos diferentes. Apesar de entender o porquê o comeback teve tão pouco investimento visual com todos os grupos da empresa lançando coisa na mesma época, ver isto depois do clipe estonteante de Beautiful Beautiful foi um balde de água fria. E não é como eles não notassem isto, porque fizeram o possível para conectar este galpãozinho com o universo que o clipe do outro single criou.

A faixa flerta com a onda hip-hop que inspira boa parte dos atos masculinos na Coreia (a estética dos robôs dançando lembrou MUITO Panini do Lil Nas X), mas não chega a cair no industrial ou no trap que permeiam o mainstream atual. A faixa se permanece muito mais “pura” neste sentido, evocando os beats base de rap por todos os versos conforme eles vão harmonizando ou mandando umas rimas. É só no pré-refrão e no pós-refrão que vemos um pouco mais de inventividade, com a melodia crescendo em elementos no primeiro para explodir em elementos orquestrais no segundo, conversando com os sintetizadores presentes no pré e pós-refrão de Beautiful Beautiful.

É bizarro, porque, apesar das faixas não terem absolutamente nada a ver uma com a outra, estes pequenos elementos as relacionam de uma forma muito orgânica, criando uma sequência natural entre os dois singles. Foi tão bem costurado que elas realmente parecem singles do mesmo projeto. É muito gratificante perceber este cuidado, mesmo com o baixo orçamento, porque realmente dá um significado para o repack e esconde um pouco melhor a ideia de reciclagem de trabalho que todo o conceito de repackage album tem na prática.

O clipe, sem relacioná-lo a Beautiful Beautiful, não faz muita coisa, mas gravaram a performance dos meninos de uma forma bem interessante (com vários efeitos de câmera pra não ficar muito maçante pra um clipe oficial) e fizeram umas transições entre um figuro e outro que ficaram tão CERTINHAS que deu até dó de quem teve que fazer as gravações baterem em CADA SEGUNDO pra cortar os vídeos no momento exato kk

Relacionando com Beautiful Beautiful, a faixa me lembrou muito Dance Apocaliptic, da Janelle Monáe. O conceito é o mesmo: usa a dança como uma analogia para conexão das pessoas e a liberdade de dançar como quiser como uma referência a liberdade de expressão em meio a um mundo distópico. Neste sentido, é interessante a escolha desta faixa para abrir o álbum, porque, ao nos convidar para unirmos e dançarmos juntos, é como se eles, metaforicamente, nos tivessem chamando para uma revolução neste contexto de sci-fi. O próprio galpão começa a lembrar mais uma base secreta de rebeldes sem recursos do que só mais um galpão barato pra servir de fundo.

E, assim, a ideia de introdução a esta narrativa fica bem sólida e costurada para começarmos a desvendar esta “cidade” (como referenciada no título do álbum).

ONF continues with releasing teasers for their upcoming 1st full repackaged  album, 'City of ONF.' | allkpop

Com My Genesis (Übermensch), não poderíamos começar melhor!

A faixa consegue trazer uma album track impressionante para o catálogo do ONF, não apenas em melodia, mas também em letra, referenciando nada mais nada menos que um conceito filosófico cunhado por Nietzsche em 1883. É de uma audácia conceitual muito grande para um contexto super mainstream (só lembro do LOONA chegar nessa nível, referenciando a Fita de Moebius com o Odd Eye Circle), mas o pior é que não só ficou bem feito, como também se ligou totalmente com a narrativa cyberpunk: se Ugly Dance é nosso primeiro contato, mais distante, com estes rebeldes, aqui, nós vamos até a base deles e lá, eles nos apresentam seu manifesto político-filosófico.

Na letra, que mais parece um discurso, eles descrevem uma espécie de renascimento da percepção, brincando com a ideia de dogmas em heróis e vilões, realidade e sonho, verdade e mentira, como um instrumento para superar o sistema (dentro da narrativa cyberpunk) e superarmos A NÓS MESMOS. Eles continuam na ponte falando para “não ter medo e lutar contra a gravidade que te segura”, com o sentido de gravidade trazendo justamente a ideia de preceitos inquestionáveis que remetem aos dogmas cristãos e platônicos que Nietzsche critica no conceito de Übermensch. E, enquanto “super-homens” (que é a tradução literal para o conceito) em “sua gênese” (como o título da faixa diz), eles aspiram e nos inspiram a superar os questionamentos entre tangível e intangível porque assim eles “estão além de si mesmos, criam a si mesmos, em sonhos sem limites” (como fala o encerramento da faixa).

allkpop on Twitter: "ONF releases M/V teaser for "Sukhumvit Swimming"  https://t.co/UZBGOkgq1e… "

A ideia do Übermensch foi cunhada pelo Nietzsche em seu livro Assim Falou Zaratustra junto de uma série de críticas às construções filosóficas e religiosas que formavam as ideias de “homem”, de “Deus” e de “ética” no imaginário popular e acadêmico da Europa do século XIX. O conceito é caracterizado como um grau de elevação do individuo que o faz superar o mundo “do além” pregado pelo cristianismo e pela filosofia, e conseguir viver sem o ideal imaginário de um mundo “aparente”, seja este o mundo das ideias do Platão ou o “além-vida” do cristianismo.

Não tem como pensar nesse conceito fora deste contexto (tanto que foi justamente assim que o governo alemão do Hitler distorceu os textos do filósofo e transformou o conceito numa espécie de justificativa teórica para todos os massacres que realizou em prol de uma “raça humana superior”), mas, em suma, a ideia do “super-homem” de Nietzsche é um exercício que propõe a desconstrução dos valores limitadores da existência humana de sua época. É um “ser humano ideal” que nós aspiraríamos ser para vivermos mais plenamente o agora, sem se preocupar com o intangível e imaterial.

Vamos lembrar que Nietszche foi inspirado pela concepção de Kant, do século XVIII, de que é impossível conhecer o mundo como ele é “em si”: o mundo existe, está lá, mas está sempre fora de alcance. Desta forma, procurar significações para um mundo inalcançável não faria o menor sentido e toda a diferenciação que Platão (e seus discípulos) e o cristianismo fazem sobre o “nosso mundo” e o “outro mundo” também deixa de fazer sentido. Assim, o verdadeiro viver é alcançado quando essa diferenciação é jogada pela janela e passamos a preocupar apenas com o mundo em que vivemos, sem nos imputarmos a algum outro existir além de nossa própria existência aqui e agora. E, nesta quebra de paradigmas, o questionamento que Nietszche nos trás é: os conceitos de “ser humano”, de “deus” e até mesmo de “ética” seriam os mesmos neste contexto? Afinal, a ética cristã, por exemplo, não está embasada justamente no dogma de que existe um “além-mundo”?

É uma viagem sem igual que, quando termina, te deixa todo hypado por mais, seja no impacto dos vocais, da melodia ou da letra. E como se tivéssemos acabado de escutar o grande discurso da resistência para nós, os cidadãos comuns controlados pelo Estado, e percebêssemos que podemos sim mudar as coisas.

Por tudo isso é BIZARRO que esta música tenha sido tão ignorada pela fanbase. Não teve performance e mal tem vídeo com a letra no youtube. Sinceramente, quando seu favorito lança uma coisa dessas, tem que espalhar aos quatro ventos, de tão boa que é!

The Dreamer, como o próprio nome sugere, é um número mais leve, que se inspirada em pop acústico e dream-pop, num instrumental que estaria em casa na discografia da SZA. Os versos são mínimos e poderiam ser de qualquer baladinha fofinha, até aparecer vários instrumentos e sintetizadores no pré-refrão, te levando para um clima tropical meio etéreo, como eles descrevem na letra.

Ela, por sua vez, continua com as referências a distopia (como fugir da realidade a partir da picada de uma agulha, o que me lembrou NA HORA de Come Back Home do filme Vingador do Futuro), só que segue mais numa linha romântica. Não é como se não pudéssemos interpretar que a faixa mostra o lado mais sonhador e esperançoso da revolução, mas a faixa não se esforça muito pra passar esta impressão. O que deixa mais ligação com o resto do álbum, na real, é a ligação do final do instrumental dela com o começo de The Realist, que vai aparecer mais pra frente, evidenciando a dicotomia temática que abarca as duas faixas.

Beautiful, Beautiful é O lançamento marcante do álbum, tanto visualmente quanto musicalmente. A faixa traz uma melodia moldada por teclados super afetados, cheio de explosões positivas e good vibes (como o Abittipsy mais cedo deste ano), onde tivemos a introdução do contexto de cyberpunk que tô desenvolvendo aqui.

O mais interessante é que o single promove uma certa positividade pra este contexto, geralmente recheado de pessimismo com o futuro da humanidade. Se você não sabe o que é uma trama cyberpunk, o termo identifica um subgênero da literatura de ficção científica (que crescia horrores em popularidades desde 2001: Odisseia no Espaço e a trilogia original de Star Wars) criado nos anos 80 por autores que se viam em um mundo cada vez mais tecnológico com cada vez mais desigualdades sociais escancaradas. As estórias deste contexto contam sobre a trajetória de rebeldes em mundos distópicos, que procuram melhores condições de vida em meio a uma sociedade altamente tecnológica e exploradora.

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No clipe, seguimos os integrantes do grupo como estes rebeldes, fugindo e se escondendo de forças de autoridade, conforme referenciam MUITOS filmes de ficção científica de oitenta e noventa. De um jeito bem LOONA, é como se cada integrante seguisse a referência de um filme específico. Os principais foram: Tron (1982), em todas as partes do integrante de roxo (Wyatt) entrando no mundo virtual monocromático, De Volta Para o Futuro 2 (1989), quando o integrante de azul (Hyojin) e o hacker (MK) estão fugindo das autoridades em um skate anti-gravidade, Vingador do Futuro (1990), que mencionei na última faixa, nos transportes que lembram metrô, e O Quinto Elemento (1997), em toda a estética da cidade, o carro voador e o próprio enquadramento com os telões ao fundo conforme o Hyojin tá fugindo.

Ficou lindo DEMAIS!!! Parece que realmente houve um estudo e o desenvolvimento de uma ideia na execução do clipe, e não apenas conceitos ou simbologias jogadas a esmo, como vimos, inclusive, no último comeback do grupo

A sonoridade claramente baseada nos synths oitentistas (os oooooh que eles gritam em coro me LEMBRARAM MUITO Tarzan Boy, um hit de 1985…) junto dos visuais estonteantes que dialogam com a estética de cyberpunk que surgiu da mesma época cria uma harmonia tão surpreendente entre música e clipe que fica difícil desassociar os dois (tanto que este já virou um dos meus clipes preferidos). Isto costumava ocorrer com certa frequência até um tempo atrás, mas sinto que, ultimamente, a estética dos clipes ficou tão homogênea entre um grupo e outro, que, na maioria das vezes, parece que nem tá fazendo tanta diferença quem lança o quê de que jeito. Sem contar que a letra motivacional sobre se considerar bonito ser ser verdadeiro consigo mesmo combinou bastante com a narrativa de rebeldes lutando contra um sistema.

Funcionou muito bem como uma primeira introdução a este conceito pro grupo e, dentro do álbum, tem o mesmo objetivo: introduzir o movimento publicamente. O que dá a entender, é que o momento de Beautiful Beautiful é quando as manifestações começam e os rebeldes passam a ser conhecidos perante a sociedade distópica de forma mais aberta e impactante (o que até combina com toda a explosividade do instrumental, sendo a música mais potente do álbum).

My Name Is, o pre-release fofinho, vem depois, com cada integrante se apresentando enquanto um violãozinho toca no fundo e um drop decente acontece no refrão. É a corporificação em música do conceito de “ficha de personagem” que tá no k-pop desde o começo, com cada um tendo uma cor e um fator destacado de sua personalidade. É uma faixa que funcionaria muito bem como um pre-release pra um debut, mas, apesar de ser fofinha e criativa, soa bem deslocada para o lançamento que o grupo tentou promover aqui.

E nem digo por não se conectar com a narrativa cyberpunk porque dá pra conectar de boas (isto é quando cada um dos líderes rebeldes é apresentado pra nós enquanto expectadores), mas porque destoa de TUDO no álbum e, o momento atual do grupo, não é exatamente o melhor timing pra apresentar o ONF pra um novo público (se este fosse o primeiro lançamento pós-Road to Kingdom, por exemplo, a história seria outra).

A seguir, temos as faixas das units que o grupo tem desde o debut, começando por Thermometer, um clássico R&B noventista, para o time ON (Hyojin, E-Tion e MK). Por ser apenas três membros, conseguiram dividir muito bem as linhas, com a textura dos vocais deles conseguindo manter a faixa minimamente interessante até o final. Depois de todos os singles e faixas inventivas que abriram o álbum, Thermometer se promove como um momento mais calmo e leve (até na letra, em que eles associam febre e diferenças de temperatura com romance). Infelizmente, é um pouco brusco demais e apaga muito a faixa de seu potencial. Na posição certa, podia ser um ótimo encaminhamento para o final do álbum, mas, aqui, no meio dele, ela se perde em meio a faixas mais interessantes e soa básica demais pra ter passado no corte final das demos que iriam utilizar.

O single da outra unit, OFF (J-Us, Wyatt e U), Secret Triangle, é bem mais interessante (com direito a coreografia) num dancepop deliciosissímo, como se espera de uma produção do MonoTree… Até chegar o refrão, que é, basicamente, um drop aleatório que quebra a construção de elementos que a faixa estava trazendo. Dá MUITA raiva, porque tudo aqui grita Sweetune 2013/14, com o clima de dance-pop retrô sendo levemente destruído a cada refrão, até se perder totalmente no rap do Wyatt fazendo voz de catarro na ponte. Estas duas sessões da música NÃO SE CONECTAM e acabam por deixar o negócio tão mal colado que, mesmo sendo a maior parte da música ÓTIMA, o resultado final dá um gostinho amargo na boca.

Quanto a letra, eles falam sobre um relacionamento secreto que tem grandes chances de dar errado no final. Dá pra encaixar na narrativa, com toda esta questão de ter que ser escondido relacionar-se com o caráter sigiloso dos rebeldes e como a própria relação entre eles estar se deteriorando pelas derrotas perante o governo (no final da faixa eles encerram o relacionamento com o Wyatt gritando que tá todo mundo ferrado).

O grupo volta completo com The Realist voltando a trazer a fanfic COM TUDO. Num ritmo psicodélico e excitante, a faixa segue bastante alguns maneirismos do synthpop oitentista sem muitas pausas ou quebras no ritmo, o que dá a impressão que a progressão está cada vez mais rápida e desesperadora. Na letra, eles complementam este instrumental nos mostrando uma narrativa surrealista, onde o ONF está procurando fugir da perda da razão (corporificada em um buraco na calçada de um beco escuro) e segurar a realidade com as mãos para não perdê-la (daí o “Realista” do título).

Tudo é narrado de uma forma meio desesperada, emulando um verdadeiro sufocamento de uma realidade cyberpunk. Na ponte, quando eles gritam “eu quero ver um raio de sol”, sua cabeça já explode, seja pela boa utilização da figura de linguagem ou por quão bem isto se encaixa na fanfic. E, então, depois da catarse, o instrumental todo para e muda completamente, se ligando ao ar mais calmo e tropical de The Dreamer. É como se o Realista acordasse e virasse o Sonhador, só pra descobrir que ainda está longe da realidade.

A interpretação disto pode ser tanto algo mais objetivo, como um momento anterior à criação da rebelião, quanto algo mais subjetivo, demonstrando o próprio viver nesta sociedade distópica. Ao invés de atrapalhar, esta abordagem indireta só deixa a ideia da narrativa cyberpunk mais coesa e tridimensional, ultrapassando a literalidade e chegando no nível simbólico que a letra promove.

Com certeza, é uma das album tracks mais impressionantes do ano!

ONF lançou teasers para "City of ONF" | Portal K-Pop Brasil

Por um motivo que eu não entendo, temos o interlúdio On-You agora que chegamos na reta final do álbum… E a faixa é tão longa quanto qualquer música atual, então nem faz sentido ser caracterizada como “interlúdio”.

De toda forma, On-You fala sobre relacionamentos a distância em cima de um instrumental que mistura trap, bate-estaca oitentista e 8-bit. É uma faixa fofinha que só quer ser fofinha e good vibes mesmo, então não tem muito do que reclamar. Ela é competente ao que se propõe isoladamente, mas, no contexto do álbum (ainda mais depois de The Realist) parece algo muito sem-graça pra ter entrado na tracklist.

ONF 1st Album ONF:My Name Official Poster - Photo Concept C – Choice Music  LA

Eu acho incrível que a ideia de interlúdios sempre é mal trabalhada. Logo depois vem Trip Advisor, que não tem NADA A VER com a quebra de clima que On-You trouxe.

A faixa é um popzão bem orgânico, cheio de instrumentos na melodia, bem no pique de vários números fofinhos de j-pop que tem trompetes no refrão. É muito agradável ouvir faixas assim (ainda mais depois de tantos sintetizadores no resto da tracklist) e, apesar de não combinar muito com o que o álbum mostrou, traz um contraste legal pro caráter mais soturno de 90% da tracklist.

Na letra, eles falam que nós podemos viajar para qualquer lugar com eles pra relaxar um pouco usando nossa imaginação e um mapa. Poderiam ter feito um pouco de esforço pra colocarem algum tipo de referência ou figura de linguagem que se ligasse com o conceito cyberpunk, mas não tem… NADA. É só uma faixa sobre viajar mesmo.

Rising stars of K-pop – ONF talk about art, new album ONF: My Name, their  single Beautiful Beautiful, the creative process and coffee | South China  Morning Post

Feedback começa a desacelerar as coisas pra encerrar o álbum, com mais um número de R&B (desta vez com o grupo todo). A faixa tem bem mais sintetizadores que a do time ON, evidenciando mais os instrumentos nos versos e os sintetizadores no refrão. Existem muitos elementos brincando enquanto eles mandam seus harmônicos e isto faz a faixa ser um número mais lento bem mais impactante que todos os outros do álbum (talvez só perca pra The Dreamer). Pela diversidade do instrumental, ela combina muito bem com todas as outras faixas e poderia ter sido trabalhada em Music Banks pra promover o lado mais sentimental do álbum (assim como foi Marry You, do ShiNee).

Na letra, eles falam sobre esperar a resposta de uma declaração de amor, tentando se conformar caso a resposta seja negativa. Eu achei uma estorinha muito bem feitinha em comparação as outras faixas fora do contexto cyberpunk e, por conta disso (+ o instrumental coeso com o resto do álbum), acho que ela poderia se encaixar na fanfic com um pouco de forçação de barra (como um romance de um dos rebeldes com alguém da classe rica).

Album Review] ONF: My Name (1st Studio Album) – ONF – KPOPREVIEWED

E encerramos as faixas inéditas com o baladão de I.T.I.L.U que não fede e nem cheira, seguindo todos os maneirismos que fazem as baladinhas coreanas padrão serem tão esquecíveis (A sigla do título é pra “I Think I Love You”), tendo até a clássica referência a primeira neve que SEMPRE bate presença nos doramas românticos coreanos.

Eu já ouvi tanta balada coreana sem graça que nem tenho mais pique pra ficar criticando… Mas que termina o álbum da forma mais genérica e esquecível possível, termina…

E, como uma espécie de epílogo, temos a versão em inglês do single em Beautiful, Beautiful (English ver.). Tá virando moda vários atos colocarem versões assim como faixas de seus álbuns e, como boa parte das vezes, mesmo eu conseguindo entender a letra melhor aqui, a versão coreana é superior. As letras em inglês sempre são bem mais simples que a tradução das originais e a sonoridade da língua coreana casa muito mais com os instrumentais (mesmo eu sabendo que várias das demos são em inglês).

Então, como sempre, eu vou acabar esquecendo que isto existe e continuar dando replay na versão coreana mesmo…

5 Unforgettable ONF 'Beautiful Beautiful' Moments - The Honey POP

Quando City of ONF acaba eu lembro mais dos pontos negativos do que positivos. Num total de DOZE faixas (tirando a versão em inglês do single, claro), temos só TRÊS que realmente impactam (Beautiful Beautiful, My Genesis e The Realist) e mais QUATRO que são competentes ao ponto de serem lembradas quando o disco termina (My Name Is, Feedback, The Dreamer e Ugly Dance), e, ainda assim, duas delas são só porque fazem referências as músicas impactantes. Além disso, a promessa de uma narrativa cyberpunk ficou esquecida por mais da metade da tracklist, como qualquer boyband pseudoconceitual desses últimos tempos costuma fazer.

Toda a superfície que permeia este projeto está boa (considerando os singles, umas performances, um dos clipes e os photoshoots) e, infelizmente, parece que isto já foi considerado o suficiente para um lançamento megalomaníaco. Eu fiquei bem decepcionado com o resultado disso e vou só ficar com as três músicas impactantes mesmo salvas no meu Spotify. Acho que o atraso pra postar a Album Review também se deu por conta disso… É o álbum mais longo que resenhei este ano e, facilmente, um dos mais decepcionantes (em questão de expectativa quebrada mesmo).

P.S.: Também acho que demorei porque fiquei botando muita pilha pra escrever uma super review kkkk Vou tentar ser mais de boas pra analisar e escrever (e conseguir terminar tudo mais tranquilamente). Não sei se vai dar alguma diferença, mas, se as próximas Album Reviews ficarem mais curtas, pode ser por conta disto…

Review] Beautiful Beautiful – ONF – KPOPREVIEWED

O Aquário Hipster também tem Twitter!! Segue lá se quiser acompanhar comentários aleatórios de k-pop e BLs, junto de tweets ocasionais de artes: @aquariohipster

3 comentários em “City of ONF, ONF: Uma fanfic furada | Album Review 014

  1. Estava ansioso para sua resenha migo, essa pegada cyberpunk sem duvidas foi muito legal e me fez lembrar de uma epoca onde joguei cyberpunk 2077, no caso o rpg de mesa mesmo! E eu lembro que dentre as classes tinha uma que eram os “rockers” que basicamente eram os rebeldes que faziam sua revolução através de suas musicas então ver musicas como My genesis, The Realist e Beautiful Beautiful me fez pensar muito os ONF sendo uma banda de Rockers dentro de um universo cyberpunk.
    Sua resenha ficou perfeita serio mesmo! A parte que você explicou sobre super-humano ficou ótima! Eu realmente gostei do álbum e sabia que eles não iriam conseguir manter a pegada cyberpunk durante o tracklist inteira, mas as que a gente não gostar é só ignorar e fingir que elas nem existiram. Eu mesmo faço minhas proprias playlist no youtube só com as musicas que eu gostei do album kkkkkk

    Curtido por 1 pessoa

    1. “ONF sendo uma banda de Rockers dentro de um universo cyberpunk” – eles acertaram muito na estética e sonoridade nisso, eu conseguia VER a trama rolando na minha cabeça enquanto tocava essas músicas kkk

      Muito obrigado pelos elogios e pelo carinho migo 💖💖 Demorou muito pra terminar porque chegou uma hora q deu preguiça pra escutar de novo as músicas q não curti e desenvolver sobre kk Aí teve um momento que só engatou e terminei tudo de uma vez kkk

      Eu não sei porque eu fiquei com tanto hype em cima desse álbum, parando pra pensar seria mais comum esperar q eles não conseguiriam mesmo kk Eu tô pra fazer esse tipo de playlist no spotify, mas o meu tá todo bagunçado (com sorte, esta semana eu tomo coragem e arrumo pra ficar bonitinho kk)

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