LO$ER=LO♡ER, TXT: Por que a estética Y2K no k-pop só funciona bem neles?

Novamente, TXT voltou colado com Red Velvet no repack de seu full album (pft… até parece que aquilo era um full album). Prometendo skate e mais rock emo anos 2000 nos teasers, era de se esperar que o novo lançamento do grupo fosse ser tão impactante e distinto do cenário como foi I Know I Love You. E, claro, como eu virei maria skate depois das olimpíadas, e eles são minha boyband preferida dessa geração mais recente, COM CERTEZA meu hype estava enorme pro negócio:

Eu confesso que não ia escrever agora (o tempo de terça é curto e geralmente eu uso esta janela de horário pra continuar meus projetos de desenho), MAS como não vi ninguém na blogosfera comentando ainda e eu já dei uns QUINHENTOS replays nesse negócio, resolvi já botar a boca no trombone (depois o Arthur do futuro que se vire pra terminar as fanarts que ele quer terminar até o final de semana 👀 kk).

Loser=Lover continua na estética e sonoridade pop punk que marcou o single principal deste álbum, desta vez apostando em um subgênero diferente (que eu não faço ideia de qual seja o nome, mas me lembra os lançamentos de verão de bandas de rock… Como aquela do Gorillaz que o vocalista tá andando de patins). Na verdade, tirando uns toquezinhos de trap e o break de rap, o single consegue ser ainda mais pop punk que o anterior (que tinha umas influências de country pop).

Até na letra, apostando em autodepreciação digna da epopeica UGLY do 2NE1, o lançamento tem mais cara de pop punk. Deixaram ainda mais evidente que a raiva e indignação narradas não são necessariamente românticas, mas sim relacionadas a como o mundo se comporta de uma forma fria e cruel conforme nós crescemos (eles até mandam uns palavrões!! Quem diria?).

A ideia de “lover” com $ é loser” é meio piegas? É. Mas não seria este sentimento meio juvenil/jovem adulto piegas também? kk

De toda forma, é uma mensagem forte, muito bem organizada e apresentada, que complementa o sofrimento mais romântico do single anterior, como se esperaria de um single de repack (se eles fossem feitos pensando no direcionamento artístico, né? :v).

A própria estética se mantem a mesma (os visuais dos integrantes tem alterações mínimas), apostando um pouco mais neles interagindo com o mundo do que escapando dele. A impressão que tenho é que, aqui, eles são jovens adultos, enfrentando as dificuldades dessa nova fase, em contraste ao caráter mais adolescente e “últimas férias de ensino médio” de I Know I Love You.

Estava conversando sobre e um amigo meu pontuou que, teoricamente, este clipe seria antes, porque a menina escreve o V pra transformar o “loser” em “lover” no gesso do Taehyun, que já aparece assim em I Know I Love You. Doido que resolveram deixar tudo ligadinho, mas não faz sentido esta ser a ordem (pelo menos pra mim kk). Aqui eles parecem bem menos adolescentes que no clipe anterior…

A única coisa que achei esquisito foi a coisa meio “fanfic de s/n” que a direção do clipe resolveu tomar. É medo das MOAs atacarem alguma atriz que contracenar com eles? Dá pra ver que boa parte deles está interagindo com um interesse romântico feminino que não aparece direito. Ao invés disso, eles olham pra sua cara, como se o interesse romântico fosse VOCÊ e pra mim isto é meio BIZARRO.

Mas Todavia Entretanto Contudo, o final com o carro voando foi ÉPICO. Sério, referenciar um filme como Thelma & Louise não é algo que eu esperaria de uma BOYBAND. A cena do carro voando sobre o precipício é tão simbólica e reconfortante. É uma cena de esperança de um mundo melhor, de liberdade das amarras tóxicas que te cercam, da existência de um futuro, apesar de tudo. Diferente do que a maioria dos atos pop punk mostrava lá no final dos anos noventa, há uma dose de positividade aí e pode ser que pra nós não faça diferença, mas pra adolescente MOA que estiver na bad no meio desses tempos de pandemia… Sério, vai fazer uma diferença enorme.

É por um direcionamento artístico assim que faz o famigerado Y2K que critiquei horrores no clipe da Sunmi funcionar tão bem aqui. Tanto em I Know I Love You quanto em Loser=Lover, eles estão mirando um período específico (entre 1998 e 2002, se não me engano), refletindo visualmente e sonoramente o nicho específico da referência (os emos e os punks) e, por cima de tudo, dialogando esta realidade com a nossa.

TODA representação retrô ou de caráter histórico-ficcional traz uma lente que vê o passado a partir dos problemas de hoje. É normal nos sentirmos desesperados com tudo que vem acontecendo desde 2020 e nos identificarmos com o movimento punk nos anos noventa, porque eles falavam uma espécie de desespero e desilusão similar a que estamos vivendo.

Não é sobre ter um celular flipe, um computador branco ou uma caixinha de texto do Windows 98. É sobre saber usar ao máximo a referência e trazê-la num caráter bem mais profundo na interpretação do que só um filtro instagramável.

Passadas as reflexões filosóficas dos cringes, curiosamente, com este repack, eu acabei deitando para o álbum, que não tinha funcionado muito comigo há uns meses atrás. A tracklist é praticamente a mesma, só que agora tem mais de 30min (ou seja, pode chamar de full album). Não sei porque, mas agora o lançamento soou mais agradável aos meus ouvidos. O direcionamento por trás ficou mais claro pra mim e, como de costume, consegui sentir um pouco um caráter narrativo na coisa toda (o que eu sempre gosto em álbuns, na real).

Talvez role Album Review, talvez não, vamos ver… Deixa eu fazer a do Red Velvet primeiro antes de prometer qualquer coisa kk

BIGHIT MUSIC on Twitter: "The Chaos Chapter: FIGHT OR ESCAPE - Tracklist  #투모로우바이투게더 #TOMORROW_X_TOGETHER #TXT #FIGHT_OR_ESCAPE #LOSER_LOVER… "

É impressionante como o TXT conseguiu trazer um conceito não muito explorado no cenário capopeiro e ser COESO com o que viria a seguir. Fazer um repack sempre dá aquela sensação esquisita de mudarem o conceito de todo um lançamento da água para o vinho e, em The Chaos Chapter, foi a primeira vez que o repack pareceu ACRESCENTAR ao álbum original, ao invés de contradizê-lo.

TXT continua uma das melhores boybands dos últimos tempos, com uma discografia digna do ShiNee (ou de girlgroups!) em seu catálogo. Até agora não teve nenhum single que eles erraram muito e, depois de conseguirem entregar tão bem a estética e sonoridade pop punk, mal posso esperar para de que formas mais o grupo vai nos surpreender.

Song Review: TXT – LO$ER=L♡VER | The Bias List // K-Pop Reviews & Discussion
Será que algum deles realmente sabe andar de skate?

O Aquário Hipster também tem Twitter!! Segue lá se quiser acompanhar comentários aleatórios de k-pop e BLs, e tweets ocasionais comigo postando meus desenhos e pinturas: @AquarioHipster

11 comentários em “LO$ER=LO♡ER, TXT: Por que a estética Y2K no k-pop só funciona bem neles?

  1. Sinceramente sobre o álbum eu senti falta do que as title trabalham ,as faixas passam uma sensação jovial ,raiva ,angustia ,amor ,alegria e tudo isso nas faixas mas quando pega para ouvir o album parece que nada ali esta retradando a obra com a mesma sintonia ,tirando anti-romantic e dear sputnik parece que o resto esta ali só como adição .

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    1. Então, pelas vezes que já escutei, parece que o álbum tem três direcionamentos diferentes: o pop punk dos singles (que pega as q vc falou também), algo mais ligado pro verão mesmo, com ritmos mais animadinhos e aquela linha de rap cheia de autotune que a HYBE tem com o BTS… Se eu empolgar de fazer uma Album Review eu analiso certinho kk Mas com esta impressão em mente até que me decepcionei menos com o álbum

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  2. Legal, dos masculinos eles estão bem mais interessantes que os mais hypados. Não é algo que vou ouvir pra sempre, porque agora tô focada no RV e Queendom me deixa alto astral nesses meses difíceis. Mas sempre vai tocar em minha.
    PS. Um nome feminino que apostava seguindo isso foi a Rosé, só porque acho que ela combinaria bem mais com esse rockizinho sofrencia.

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  3. Curti o som e temo deles virarem um Stray Kids pra mim_ gostar de dois singles deles, e depois eles entregarem várias músicas ruins_
    Algo que esqueci de comentar, essa música me lembra a nostalgia de gostar de alguém na época de escola.

    Curtido por 1 pessoa

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