RING X RING, Billlie: Coesão DEMAIS, as vezes, é um problema

Depois de tirar um período sabático de lançamentos de k-pop, do blog e do twitter (que durou uma semana e pouquinho), tive umas reflexões legais e pensei em voltar com um post falando um pouco sobre isso… Mas aí o dia que eu voltei pro twitter eu vi um monte de gente falando do debut do novo grupo da Mystic Story (que ganhou um mínimo do hype pela possível entrada da Suyeon do Girls Planet). Então joguei o perfeccionismo pro lado e decidi já comentar aqui (até porque um migo meu já pediu minha opinião também kk):

A Mystic Story é um conglomerado que possui quatro empresas focadas em diferentes celebridades e públicos (uma delas, inclusive, é a que gerencia as Brown Eyed Girls atualmente). A empresa do Billlie é a mesma da MARAVILHOSA banda Lucy (Mystic89), então o hype já estava alto (o único problema é a chata e superestimada Suyeon aparecer no line-up).

Eu venho dizendo aqui no Aquário que o melhor debut do ano foi o do BLITZERS, uma boyband, mostrando o quão fracos estão os debuts femininos desse ano (pelo menos em comparação ao ano passado). Billlie tinha esta expectativa de trazer pelo menos UMA MÚSICA ACEITÁVEL para o catálogo das rookies de 2021, já que deve ser o último debut memorável do ano… E, bem, eu nem acredito que vou dizer isso, mas elas CONSEGUIRAM!

Não sei dizer ainda se é melhor que o rock da boyband, mas RING X RING consegue ser bem efetiva ao que se propõe, sem cair nos maneirismos do girl crush industrial da atualidade. A tem inspirações no industrial cheio de quebras que já vimos em coisas como PIXY e TRI.BE, criando versos que sugerem AQUELE DROP BARULHENTO no pós-refrão que vai acabar com nossos ouvidos DE NOVO. Mas Todavia Contudo Porém, o refrão NÃO É ISTO e a vocalista solta o vozeirão rouco em cima de uma batida inspirada no synthpop oitentista (bem similar ao que o STAYC trouxe em SO BAD).

Com isto, o refrão cria a variabilidade necessária no decorrer da faixa para torná-la interessante e EVIDENCIAR os exageros de seu flow de rap e do industrial dos versos. É um contraste que surpreende e faz a música parecer menos “barulho” e mais “música” mesmo. A transição entre os elementos também é bem interessante (a bateria na backtrack tá INSANA) e consegue deixar tudo bem coeso e digerível como uma coisa só: os versos e o refrão são bem diferentes entre si, mas o pós-refrão mistura os sintetizadores mais pesados com a construção mais melódica retrô, dando um flavor muito bom no final.

O único problema, pra mim, é que falta pulso na faixa depois que termina o segundo refrão. Este refrão matador foi tão bem construído que a ponte perde sua eficácia e função, parecendo só uma repetição do que já foi feito. Triste que a parte mais explosiva da faixa foi sacrificada, mas, pelo menos, o resultado final soa bem mais redondinha que outros lançamentos que seguem a mesma linha.

Sobre o clipe, é muito difícil avaliar clipes de debut, porque o que vai ficar e o que vai sair é muito definido pelo que decidirem mostrar no primeiro comeback. A pseudo-narrativa de terror foi competente e combinou com a faixa, assim como os looks esportivos do Everglow, mas, ao mesmo tempo, colocaram muitas cenas de coreografia… Então o apelo que a casa assombrada poderia ter acabou meio que anulado.

E eu não acredito que o grupo debutou sem ter o álbum no Spotify x.x Não estamos mais em 2016, querida Mystic, melhore! Eu fiquei com vontade de ouvir o EP, mas não sei se isso vai durar muito tempo sem nada pra ouvir no Spotify.

(UPDATE: O álbum tá no Spotify, mas é tão difícil de achar por causa do nome do grupo que parece que nem tá lá)

Billlie - Ring X Ring Lyrics - KLyrics For You
A capa se inspirando em pôsteres de filmes de terror clássicos ficou ótima, by the way…

Billlie entregou um debut bem sólido e coeso em comparação a outras este ano, mas talvez essa pode ser a grande derrapada do grupo, já que, pela falta de uma finalização impactante, RING X RING pode acabar sendo facilmente esquecida depois que o próximo lançamento mais hot, fresh e fly sair (sim, T-ARA, estou falando de você :3). O nome do grupo também não ajuda nisso (se você digitar o Billlie, o google já tenta corrigir pra Billie Eilish).

De toda forma, se eu não esquecer da música antes de aparecerem no Spotify, é capaz de eu elogiar no final de Dezembro como um dos melhores debuts do ano (pra você ver como o ano não foi muito bom pros debutantes @_@’)

O Aquário Hipster também tem twitter!! Segue lá se quer me ver refletindo sobre arte e k-pop: @AquarioHipster

Mystic Story's first girl group Billlie debuts with star-studded 'Ring X  Ring'

8 comentários em “RING X RING, Billlie: Coesão DEMAIS, as vezes, é um problema

  1. Também achei o nome feio do grupo_ será que a galera que produziu isso não pensou que o nome fosse um problema?_
    Sobre a música, eu curti, elas mudaram a vibe e se tornou diferentona das outras meninas que lançaram. Tem uma parte que parece mal acabada ou muito longa? Sim, mas acho que o que valeu foi a intenção, tentaram dar um caráter mais diferente e único pra elas.
    PS. Você falando que o ano dos ggs foi fraco, me recordo de alguns comentários coreanos que deitaram para os lançamentos femininos esse ano e muita solista e grupo tiveram números melhores e mais atenção que os masculinos se comparado com o ano passado. Pra tu ver como são as coisas.

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      1. Também não sei, talvez seja? Só sei que li uma coluna muito bacana deles lá dizendo que os ggs apostavam em conceitos diferentes e sonoridade, e uma grande parcela eram comentários positivos e concordando. Só é meio chato ter vindo esse ~reconhecimento num ano meio fraquinho pra alguns fãs de ggs.

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  2. Uma pena; o refrão é muito bom na parte vocal mas tenebroso na parte instrumental… falando no instrumental, tem alguns elementos bem agradáveis, mas que se perdem no meio da cacofonia. Tomara que no próximo single (se tiver), elas levem em conta que menos às vezes é mais.

    Enquanto isso, fico com o debut nacional das Garotas Mensais e torço pra elas passarem por aqui no próximo festival de rodeio:

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    1. Uma pena que não usaram “Voice” em vez de “Star”, porque aí teríamos a combinação do instrumental de arrocha com o icônico verso “Lula, Lula, bota a sunga, Lula, ooh-aah”…

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